Notas iniciais
Flávia, sua linda, muito obrigada pela recomendação! Olhe, vou te dar um presente: Este capítulo. Ele é total e exclusivamente dedicado a você.
E, hã, pessoinhas que leem essa fic, se quiserem seguir o exemplo de Flávia... (:
Eu AMEEEEEEEI esse capítulo inteiro, principalmente na hora das explicações da Gwe.
Gente, houve mudanças no elenco novamente, entre os personagens principais, mas acho que finalmente achei as pessoas perfeitas para dar vida a eles.

Imagem do capítulo: Shawus, irônico, contando o restante da história enquanto Clark e Gwen, risonhos, se olhavam.

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Foi como se houvessem retirado cerca de três toneladas de minhas costas e... digamos que agora eu me sentia diferente.

Eu me sentia poderosa.

Um formigamento que começava em minha nuca e aflorava para o resto de meu corpo tomou conta de mim enquanto eu olhava fixadamente para o teto de meu quarto, ciente de que Clark me olhava com certa curiosidade e medo.

Agora era como se eu conseguisse sentir cada fibra de meu corpo, cada fibra de meu cérebro, e estivesse ciente de que poderia usá-las quando e como eu quisesse.

Bom, posso estar me sentindo poderosa, mas pelo visto continuo sem habilidades para descrever as coisas que eu sinto.

Bem, digamos que você tivesse passado anos treinando para um campeonato de natação, e quando tivesse chegado a hora H... você apenas sabia do poder que poderia transmitir aos seus inimigos naquela piscina.

Bem, deixe-me me apresentar novamente, dessa vez do jeito certo.

Prazer, chamo-me Gwen Dobrev Parker, e sou a herdeira do trono de meu pai, lá no campo estrelar Plêiade, que fica a mais ou menos trinta e cinco anos luz do planeta Terra.

De repente, senti uma pressão desconfortante no peito e arfei. O ar não conseguia mais penetrar em meus pulmões, e Clark começou a me olhar como se eu estivesse prestes a explodir.

Agora que eu realmente sabia sobre minha origem verdadeira, conseguia ver Shawus livremente. Ele não precisava mais ficar se escondendo de mim, pois meu sensor Plêiade conseguia detectá-lo com mais ênfase agora.

– Gwen? Você esta bem? – Perguntou-me Clark, ajudando-me a sentar na cama enquanto eu lutava para não morrer asfixiada com oxigênio. De repente, uma parte do cabelo de Clark se bagunçou sozinha e ele fez uma careta. – Ai! – Clark reclamou olhando para os lados, a procura de seu agressor.

Se eu tivesse força, sorriria. Agora eu podia ver que era Shawus quem batera em meu melhor amigo. Eu podia imaginar o que ele estava pensando: É claro que ela não esta bem seu idiota! Um Plêiade é alérgico ao O²!

Mas posso acrescentar que não sou totalmente Plêiade, consequentemente, é só uma questão de tempo para que meus pulmões voltem ao normal.

Arfei ruidosamente e segurei as mãos de Clark com força extrema e exagerada.

– Ai! – Reclamou ele novamente.

Então, tão de repente quanto havia começado, meus pulmões se abriram e deixaram o ar entrar. Minha visão se acentuou a minha volta e Clark tocou de leve em meu queixo.

– Que foi que houve Gwe? – Sua voz estava suave como sempre, mas pude perceber o temor em seus olhos d’água.

Dei de ombros e lancei meu olhar para Shawus, que estava com as mãos na cintura e olhava para Clark com um semblante incrédulo.

Sorri.

– Ei, Shaw, pode se mostrar.

Clark franziu o cenho e se afastou um pouco de mim.

– Com quem você est... AI! – Seu gemido de dor fora por culpa de Shawus, que aparecera atrás de Clark e lhe dera um segundo tapa na cabeça. Clark se virou de súbito, arregalou os olhos para Shawus, pulou de minha cama, correu até a janela, a abriu... e deu o maior berro de todos os tempos.

– Ah, por favor... – Murmurou Shawus, estralando os dedos.

A cena a seguir foi, no mínimo, muito engraçada.

Imagine você ver seu melhor amigo enforcando a si próprio, com os olhos totalmente arregalados, numa tentativa inútil de produzir algum som com a boca. Imaginou? E como você se sentiria?

Bem, foi exatamente assim que me senti quando me deparei com isso.

– Shawus, isso é crueldade. – Murmurei, zangada, para o garoto das pílulas. Estralei meus dedos e Clark voltou a berrar como um lunático. – Clark! – Reclamei. – Você vai chamar a atenção de toda a vizinhança desse jeito!

Clark respirou fundo e tentou relaxar, mas pude perceber que ele estava simplesmente morrendo de medo de Shawus.

Quanto ao garoto Plêiade, esse sorria furtivamente para Clark, como se estivesse adorando vê-lo sofrer. E de fato ele estava.

Sorri fracamente para Clark. Eu me sentia uma estranha em meu próprio mundo... Como isso era possível?

Levantei-me da cama e me aproximei cautelosamente de meu melhor amigo, temendo que ele se afastasse de mim, mas felizmente ele não o fez e pude abraçá-lo até que todo aquele desespero passasse. Clark passou seus braços por minha cintura e afundou o nariz em meu ombro esquerdo.

Ficamos assim por alguns segundos.

– Um garoto tão viciado em Aliens, que foi até abduzido por um aos cinco anos de idade... com medo? – Sussurrei em seu ouvido.

Como resposta Clark respirou fundo e me soltou, encarando Shawus com a pouca dignidade que restara dentro dele.

– Será que dá pra você tentar assumir uma forma humana normal, por favor?

Franzi meu cenho para Shawus.

– Mas ele esta numa forma humana normal...

Clark olhou-me de modo incrédulo enquanto Shawus revirava os olhos.

– Se ter uma cabeça desproporcional ao corpo em forma de saca rolhas for normal para você... – Clark suspirou.

– Assumi a forma real Plêiade para ele. – Assumiu Shawus para mim. – E para você fiquei como humano mesmo, afinal, você não se assustaria comigo em minha forma real, se assustaria?

Revirei meus olhos para Shawus.

– Desde quando você virou o palhaço da turma?

Shawus deu de ombros.

– Desde quando me perdi na sala de detenção da sua escola.

– Ah, esta explicado.

Vir-me-ei para Clark e sorri para ele.

– Clark, este é Shawus...

– Essa parte eu já entendi. – Murmurou Clark com uma careta.

– ... meu irmão.

Meu melhor amigo ficou tão imóvel quando terminei minha frase, que pensei que ele tivesse parado de respirar.

– S-seu irmão? – Clark gaguejou.

Assenti.

– Meio-irmão, para ser exato. – Disse Shawus. E pelo modo como Clark o olhava, meu meio-irmão idiota ainda estava na forma Plêiade. – Sou filho e também herdeiro de Dalawhal, Plêiade alfa.

Clark apenas assentiu, então fez uma careta e olhou para mim como se estivesse pedindo por misericórdia.

– Cara, ele têm três olhos. Três.

– Shawus. – Olhei para meu meio-irmão e ele revirou os olhos.

–Được rồi! – Shawus disse, o que significava algo como “está bem” em inglês. Então ele olhou para Clark. – Satisfeito?

– Obrigado. – Clark disse, sorrindo sem humor algum.

– Certo, quem está a fim de falar sobre o fim do planeta Terra como o conhecemos? – Perguntei enquanto me sentava novamente em minha cama.

Shawus apenas suspirou, mas pensei que Clark começaria a berrar novamente.

– Como é que é? – Perguntou Clark com a voz fina.

Suspirei.

– Pois é.

– Como assim “fim do planeta Terra como o conhecemos”?

Shawus suspirou.

– Posso bater nele?

Eu o ignorei e continuei prestando atenção em meu melhor amigo.

– Clark, vai parecer loucura...

Clark deu um sorrisinho.

– Minha melhor amiga é metade alienígena. – Então ele deu uma risada nervosa. –Minha melhor amiga é metade alienígena.

– Está bem, já entendi. – Respirei fundo e comecei a escolher as palavras certas que eu usaria a seguir. Eu lhe diria algo que poderia pirar com a mente dele do mesmo modo que pirara com a minha. – O que você sabe sobre os Grays e os Reptilianos?

Clark franziu o cenho e Shawus arfou, incrédulo.

– Garoto, eu lhe entreguei um livro gigante, que veio comigo lá do meu planeta, pra você fazer o que? Pipas?

Eu e Clark nos olhamos por um momento, e então olhamos para Shawus.

– Você me deu o livro? – Perguntou Clark. E pude perceber que ele parecia um pouco desapontado.

Ele ainda gostava de Samantha? Mesmo com todo aquele clima que se interpunha entre nós?

– É óbvio. — Respondeu Shaw.

– Pra quê, exatamente? – Perguntei.

– Para ele lê-lo para você. Eu sabia que você sentiria certa...hã... familiaridade com o livro.

Sorri e vir-me-ei para Clark novamente.

– Clark?

Ele respirou fundo e passou ambas das mãos pelo rosto, massageando bem os olhos, como se ainda não pudesse acreditar. Em seguida, foi para a porta e a trancou. Logo depois, ele foi em direção à janela e a fechou, puxando as cortinas para baixo até que elas cobrissem toda a extensão de minhas janelas.

Ele respirou fundo novamente.

– Certo. Qual foi a pergunta? – Perguntou Clark enquanto se postava ao lado de Shawus e cruzava os braços.

Peguei-me sorrindo para os dois. Clark era, no mínimo, uma cabeça e meia maior que meu irmão. Percebendo que ambos me olhavam com curiosidade, recompus minha compostura e continuei:

– Hã... O que você sabe sobre os Grays e os Reptilianos?

Meu melhor amigo balançou as pernas e pensou por um momento. Então seus olhos se arregalaram e ele estremeceu.

– Que não são caras muito legais não.

Sorri.

– Não. Não são mesmo. – E estremeci.

Clark bufou e se sentou ao meu lado. Eu me virei para ele e encarei aqueles doces olhinhos azuis que me fitavam com extrema profundidade. Só desviamos o olhar quando escutei o pigarro de Shawus e me virei para ele.

– Certo. – Disse Clark, meio emburrado. – O que é que isso tem haver com o fim do mundo?

Olhei para o garoto sentado ao meu lado.

– Você... Você não sabe a resposta?

– Eu sei a resposta, eu só quero ouvi-la da sua boca.

Suspirei e olhei bem fundo em seus olhos. Clark sustentou meu olhar, me deixando um pouco desnorteada.

– Eles...

Shawus bufou, entediado.

– Posso contar essa parte? – Ele sorriu. – É a minha favorita, se me permite dizer.

– Shawus. – Rolei os olhos.

– Ei, prometo que serei bonzinho.

Olhei um tanto incrédula para meu meio-irmão. Era incrível como ele havia mudado em sua estadia no planeta Terra. Quer dizer, ele sempre fora “deslocado” no campo estrelar Plêiade, por ser considerado um rapaz difícil de controlar, mas ele estava ainda pior. Agora eu me lembrava de quando o conhecera, a memória ainda estava um pouco perturbada, mas mesmo assim, eu podia me lembrar...

“Eu me encontrava em uma sala escura e silenciosa, iluminada somente por uma luz fraca que vinha de um globo de luz azulada no centro da sala. Percebi que estava amarrada em uma maca prateada e flutuante.

Enquanto fitava minuciosamente o globo de luz, alguém bateu na porta.

Eu me mantive calada, ainda não confiava em nenhum daqueles seres. Nem mesmo no homem alto e forte que se dizia ser meu pai. Eu não sabia onde eu estava e muito menos porque estava ali. E estava assustada, muito assustada.

Escutei um barulho esquisito, como se alguém estivesse bufando, e a porta se abriu, permitindo que um leve feixe de luz iluminasse a sala, até que o garoto fechou a porta novamente e se arrastou com passos largos até minha maca.

Seu rosto era bonito, mas suas sobrancelhas eram arcadas, como se a qualquer momento ele pudesse fazer uma brincadeirinha sem graça comigo. Seus olhos eram azuis como os meus, porém eram mais densos e profundos.

Ele tocou meu nariz com o indicador e fez uma careta.

– A pele de vocês é esquisita.

– Ah, claro. – Eu disse, revirando os olhos. – Ter uma cabeça de saca rolhas é muito normal.

Ele sorriu para mim.

– Não brigue comigo. Estou numa forma... conveniente para você?

Como resposta, eu fiz um barulho esquisito com a garganta: Urrrrrrgh.

– Prazer, Gwen Dobrev Parker, sou Shawus... seu meio-irmão.

Se eu tivesse saliva o bastante na boca, provavelmente teria engasgado.

– Meu o meio-irmão?

– Não, está mais para seu cachorrinho de estimação... É claro que sim!

– Certo. Depois de descobrir que sou metade alienígena, isso não me parece tão estranho assim. – Dei um sorriso fraco para ele, que não retribuiu e voltou a cutucar a ponta de meu nariz. – Será que... você pode parar de fazer isso?

– Ah, certo. Desculpe. – Ele se sentou de pernas cruzadas, mas não havia assento. O garoto parecia estar meditando, porém olhava para mim. – Ah, isso? – Perguntou ele apontando para si ao perceber que eu o olhava curiosa. Shawus deu de ombros. – Mente sã, corpo são. Você vai aprender isso mais tarde. Agora... hm... eu preciso te contar uma coisa.”

Eis que a “coisa” que Shawus estava prestes a me contar, era a mesma coisa que eu estava prestes a contar para Clark.

Shawus ainda me olhava, esperando que eu dissesse alguma coisa.

– É melhor não. – Eu disse por fim, deixando meu meio-irmão profundamente desapontado, para a alegria de Clark. – Você pode assustá-lo demais.

Shawus gargalhou.

– Assustá-lo? E como é que eu não poderia assustá-lo? Você vai contar a ele que Grays e Reptilianos estão mandando uma frota imensa de espaçonaves para invadir e atacar a Terra, e quer que ele não se assuste?

Clark soltou um gemido preocupante ao meu lado e eu bati em minha própria testa.

– Meio irmão alienígena idiota. – Murmurei para mim mesma, enquanto me virava para Clark e pegava em suas mãos trêmulas e geladas. Olhei para Shawus. – Falar com você e com uma porta não tem diferença nenhuma.

Meu meio-irmão infeliz sorriu.

– Bom, já que vocês vão começar com o “amor de amigo”, eu vou tentar adiantar seu lado lá em baixo Gwen.

Permaneci olhando para Shawus. Em parte porque estava confusa com o que ele havia dito. Em parte porque agora estava com vergonha de olhar para Clark.

Shawus bufou.

– Vou fazer isso... – Shawus se tornou uma mancha escura e disforme, mas logo em seguida ele se transformou em... bem, em mim. Fui rápida e, antes que Clark pudesse começar a berrar novamente, tapei sua boca com uma de minhas mãos. – E vou ir lá falar com a sua mãe.

Você deve estar se perguntando: Não é... hã... estranho você estar conversando com você mesma?

É extremamente estranho, mas como eu já tivera essa experiência antes... Digamos que, na primeira vez, eu tivera uma reação mais amedrontadora do que a de Clark. E isso envolvia um prato de arenito sustentável e um vidro de combustível XY.

Não foi muito bonito.

Ainda tapando a boca de meu melhor amigo, perguntei:

– Vai falar o que com ela?

Shawus deu de ombros.

– Vou adiantar seu lado. Você vai precisar se entregar de corpo e alma na “missão” a partir de agora. Seus pais só vão atrasá-la.

Assenti. Ele tinha razão.

Shawus assentiu e deu uma piscadinha extremamente sedutora na direção de Clark, que estremeceu.

– Shawus.

Ele/eu revirou os olhos e destrancou a porta, girou a maçaneta e começou a descer as escadas. Eu só destapei a boca de meu melhor amigo quando parei de escutar os passos de Shaw.

– Fique calmo.

Clark respirava com dificuldade.

– Calmo? Calmo? EXTRATERRESTRES VÃO INVADIR A PORCARIA DA TERRA E VOCÊ QUER QUE EU FIQUE CALMO?

Ele começou a arfar, e a única coisa que eu podia fazer era acariciar suas mãos. Procurei Bessie com os olhos, mas então percebi que ela havia seguido Shawus. Acho que Bessie tinha desconfiança em demasia para com meu irmão.

– Shh... – Eu fiz, bagunçando os cachos de Clark e sorrindo encantadoramente para ele. Quando vi que o medo e o desespero haviam se dissipado totalmente em seus olhos densos e profundos, suspirei. – Só quero que me escute, esta bem?

Ele assentiu.

– Você sabe que os Grays são os controladores do espaço, certo? – Clark assentiu e eu entrelacei meus dedos aos deles. Podia ouvir Shawus conversando com mamãe e Carson como se fosse eu. – Bom, se sabe isso, provavelmente sabe que são eles quem controlam os Reptilianos. Os Grays faziam parte da Confederação dos Humanos, que é como se fosse uma... hã... ONG intergaláctica aqui na Terra. Os Plêiades fazem parte dela também. Não tem ideias dos terráqueos importantes que fazem parte dela. Quando os Andrômedas, que são como... hm... os percussores dos Plêiades, descobriram que os Grays estavam abduzindo seres humanos para fazer experimentos, eles os retiraram da Confederação. Bem, eles saíram, porém continuam abduzindo humanos.

– Continue. – Clark disse, quando fiz uma pausa.

– Bom, existia um planeta. O Planeta Ário, dos Arianos. Eles trabalhavam com os Grays e os Reptilianos, porém também tinham integrantes bem relacionados que faziam parte da Confederação dos Humanos. Há cerca de dezessete anos atrás, os Arianos se rebelaram contra os Grays e houve guerra. – Suspirei. – Só um deles sobreviveu. Os pais desse Ariano o mandaram para o planeta Terra, por meio de uma cápsula, para que pudesse sobreviver.

Os olhos de Clarke estavam arregalados.

– Há um Ariano aqui na Terra?

Eu ri.

– Há um Ariano no fim desse quarteirão.

Meu amigo arregalou ainda mais seus olhos.

– Quem?

Senti minhas bochechas corarem, mas fitei os olhos de Clark.

– Josh. Josh Stuart.

– Josh é extraterrestre?

Fiz que sim com a cabeça. Agora eu podia entender a sensação de “conhecimento mútuo” que eu e Josh havíamos compartilhado na sexta-feira. Ele havia reconhecido minha metade Plêiade, assim como eu o reconhecera por inteiro.

– Me deixe terminar a história primeiro.

– Certo. – Suspirou Clark, ávido por mais.

– Ao mesmo tempo em que Josh era mandado para a Terra, meu pai e minha mãe se conheciam. Meu pai era herdeiro do Plêiade alfa da época... meu avô... e papai adorava observar os humanos. Então, como presente por ser tão gentil com os Plêiades de grupos inferiores, vovô deu a meu pai uma chance única de embarcar com os Azuis, que são uma espécie de guerreiros estrelares que ajudam os planetas, para a Terra, mais precisamente para Whasington D.C, onde o restante dos Plêiades teriam uma reunião com o presidente para falar sobre as ações incorretas dos Grays, e sobre o modo desleixado de como eles estavam permitindo que suas espaçonaves aparecessem no céu.

– Bill Clinton conversava com alienígenas?! – Clark estava cada vez mais incrédulo.

Ri de sua reação, pois fora idêntica a minha.

– Não só ele, como também George Blush, e provavelmente Barack Obama. E todos os outros presidentes dos Estados Unidos da América. – Sorri, como se fosse tudo absolutamente normal. Como Clark não disse nada, continuei. – Enfim, meu pai não iria participar da reunião, embora Clinton fizesse questão disso, então ele resolveu ir até Louisiana...

– E conheceu sua mãe. — Clark completou.

Assenti.

– Isso. Ai você já sabe: Eles se entrosaram, se amaram, e mamãe teve a mim. – Mordi o lábio, escolhendo minhas próximas palavras com cuidado. – Papai voltou com os Azuis para nosso planeta e, durante um ano, tudo estava normal.

– Foi então que aconteceu. – Clark semicerrou os olhos, e depois os arregalou tanto que pensei que fossem saltar das órbitas. – Você foi abduzida!

– Fui sim. Quando Kratos, o líder dos Grays e o homem que mais odiava meu pai, descobriu sobre minha existência, ele me raptou e me levou para o planeta Órion, que é onde os Grays vivem, apesar de pouquíssimas pessoas saberem disso. Bom, fiquei lá, sendo maltratada, estudada e acorrentada por cerca de dois anos.

– Os Plêiades e os Azuis não fizeram nada?

Dei de ombros.

– Fazer, fizeram, mas Kratos é como o “Poderoso Chefão”, então você pode imaginar que foi bastante difícil. Meu avô, Gringuer, também percebeu isso, então ele resolveu eleger meu pai a Plêiade Alfa, dando-lhe um anel dourado que lhe dava um poder muito maior do que o de qualquer outro ser extraterrestre do espaço. Com esse poder, ele foi sozinho até Órion e pediu uma reunião com Kratos. Este aceitou de bom grado, pois achava que meu pai não conseguiria fazer nada contra ele.

Observei Clark, avaliando sua reação. Ele permanecia calmo e calado, prestando demasiada atenção em tudo que eu dizia.

– O que Kratos não sabia, era que meu pai havia reunido meia dúzia de Azuis, que estavam escondidos dentro de sua espaçonave, e prontos para lutar. Papai e Kratos conversaram por longas horas, – Me lembrei do “pesadelo” em que eu via a mim mesma, trancada em uma sala, enquanto ouvia dois homens gritando do lado de fora – até que ambos chegaram no assunto principal da reunião...

– Você.

Afirmei com um gesto de cabeça e troquei de posição em minha cama. Encostei-me na cabeceira e induzi Clark a fazer o mesmo. Viramos um para o outro, numa proximidade tão grande que meu nariz estava quase roçando no seu.

– Quando meu pai exigiu que Kratos me libertasse, eles começaram a brigar. Papai usufruiu do poder do anel e atingiu Kratos na cabeça. Bem, Kratos viu o anel de meu pai e mandou que o pegassem. Papai deu uma ordem sonora aos Azuis para que se juntassem a batalha.

Clark olhava no fundo dos meus olhos, o que estava me deixando meio desconfortável.

– No final das contas, Kratos, vendo que o anel era demasiado poderoso, propôs um trato: O anel por mim. É claro que papai aceitou, e então voltou comigo para Plêiade. Lá, cerca de algumas horas depois, ele me colocou em uma cápsula e me mandou de volta a Terra. – Suspirei fundo e desviei meus olhos dos de Clark por um instante. Quando voltei a fitá-los, continuei a história. – Tudo voltou ao normal novamente, até...

– Seu aniversário.

Assenti negativamente com a cabeça.

– Não, houve coisas antes. Lembra-se de que você vivia me dizendo que os aliens estavam voltando para pegar você?

As bochechas redondas de Clark coraram e ele assentiu. Seu nariz roçou brevemente no meu e eu ri, afastando-me um pouco e diminuindo nossa proximidade.

– Bom, os Plêiades começaram a invadir tudo que é canto da Terra para me procurar, pois mamãe se havia mudado de Louisiana e eles não faziam ideia de onde eu estava. – Suspirei. – Olha, os Plêiades são os seres mais pacíficos do espaço sideral, mas só quando ninguém se mete com eles. E digamos que... que Shawus seja um pouquinho diferente.

– Imagino. – Clark desdenhou.

– Uma noite, Shawus pegou uma nave de papai e saiu escondido com ela até Órion. Lá, ele ouviu uma conversa muito estranha entre dois Reptilianos, uma conversa sobre atacar e invadir a Terra, pois Kratos estava com raiva de não fazer mais parte da Confederação dos Humanos. Ele voltou rapidamente e contou isso ao meu pai. De inicio, ele não acreditou muito, mas alguns dias depois, alguns Azuis lhe contaram uma história bem parecida.

– Posso terminar a história? Por favorzinho? – Perguntou Shawus, já na forma de garoto novamente, e carregando uma sacola. Ele jogou a sacola para nós, interrompendo nosso contato visual e deitou-se entre mim e Clark.

Olhei incrédula para Shawus, que mordiscava uma bala em forma de minhoca.

– Não era para você estar lá embaixo?

Shawus deu de ombros.

– Fui com sua mãe e seu futuro padrasto até o mercado, voltei, ajudei sua mãe a fazer café e disse que iria ver como Clark estava. – Ele virou-se e começou a fitar Clark com intensidade. – Eu disse que você estava doente, e que já estava descendo para a sua casa.

Clark revirou os olhos e engatinhou para fora da cama. Eu fui mais rápida e o detive pela mão.

– Ainda não terminei de te contar a história. – Reclamei.

– Eu quero contar! – Reclamou Shawus.

Revirei os olhos.

– Ótimo, então conte logo.

Clark bufou e permaneceu de pé ao meu lado, olhando para mim enquanto Shawus narrava o restante dos fatos.

– Bom, ai Dalawhal resolveu acreditar em mim e disse: Ela é metade daquele planeta também, precisamos ajudá-la, treiná-la, para que a Terra tenha alguma chance, pelo menos. – Disse Shawus com voz de falsete. Ele gesticulava muito com as mãos e parecia estar viciado em suas balas de goma. – E foi o que fizemos. Quando a loirinha ai – Ele ignorou minha careta e prosseguiu – fez aniversário, Dalawhal sentiu que os genes Plêiades dela estavam muito fortes, e então achamos seu paradeiro.

Ele engoliu duas minhocas de goma, e retomou a palavra.

– A abduzimos e começamos a treiná-la.

– Foi por isso que você ficou desaparecida durante cinco meses? – Clark me perguntou, e eu assenti. Então ele olhou para Shawus. – E com quem eu fiquei falando durante esse tempo todo?

– Ah, era Eurico. Ele se transformou em Gwen e ficou aqui por uns tempos.

Clark e eu rimos.

– Existe um alien chamado Eurico? – Perguntei, pois essa era nova para mim.

– Existe alguém chamado Eurico? – Clark perguntou.

Com um olhar ameaçador de Shawus, nos calamos.

– Enfim, te treinamos para que pudesse combater os Grays e os Reptilianos quando chegasse a hora. Que, para falar a verdade, é nessa quarta. – Ele sorriu.

Clark se engasgou com o próprio cuspe e tive que lhe dar tapinhas nas costas para que se recomposse.

– A Terra esta correndo risco de ser extinta na quarta-feira e vocês só me dizem isso agora?

– Ei, eu só me lembrei disso agora.

Clark suspirou.

– Certo. O fim do mundo vai ocorrer daqui a três dias. Perfeito. E o que eu tenho haver com isso?

– Você entende da coisa. Quer dizer, é fascinado por ufologia. Você pode me ajudar, porém não quero que entre na batalha. Vai ser perigoso demais para você.

Clark me lançou um sorriso sincero e beijou meus dedos. Shawus fez barulho de quem iria vomitar.

– Bom, depois que Gwen foi devidamente treinada e resolveu voltar, eu fugi com ela para cá.

– Você fugiu? – Perguntou meu melhor amigo.

Shawus assentiu.

– Eu não quero nem ver quando papai descobrir, se é que já não descobriu. – Falei.

Shawus deu de ombros e comeu uma jujuba.

– Eu gosto demais de você para deixá-la sem segurança extraterrestre.

Eu sorri e lhe toquei o braço por um instante.

– Obrigada, de verdade. – Shawus deu de ombros novamente e me virei para Clark novamente. – Vai ser perigoso para você. – Repeti.

– Vou ter a chance de vivenciar uma das batalhas mais épicas da história. – Clark disse, pensativo. – Eu vou participar da guerra, Gwen.

– Não vai não.

Clark piscou para mim de uma forma sedutora.

– Isso é o que vamos ver, Terráquea.

Eu ri.

– Vai ser irônico me chamar assim agora, não?

– Muito. – Clark sorriu. – Mas eu gosto.

Senti minhas bochechas ficarem quentes e sorri. Shawus fez novamente o barulho de quem iria vomitar e chamou nossa atenção.

– Se os pombinhos não se importam, nós estamos perdendo tempo.

Revirei meus olhos.

– Ótimo, mas eu ainda não sei o que devo fazer.

Shawus terminou seu saquinho de balas e limpou as mãos na calça de linho.

– Vamos por partes. E a primeira parte é: Conseguir a ajuda de um Ariano.


Notas finais
ganho alguma coisinha? ;p
Flávia, mais uma vez, obrigada!