21.12.12 - A Invasão
6 Descoberta.
Notas iniciais
Espero que, mesmo assim, vocês gostem e comentem!
Boa leitura! E espero que tenha menos erros gramaticais dessa vez :p '
Imagem do capítulo: Gwen ao acabar de ler seu diagnóstico médico mensal. Ela realmente ficou arrasada com sua descoberta, não acha?
– Gwen, cuidado! – Clark avisou, e bem a tempo.
Se não fosse por esse aviso desesperado de meu melhor amigo, eu provavelmente teria entrado direto no campo de visão de uma das câmeras.
Depois de abaixar muito, rolar pela grama enlameada e ziguezaguear pelo campus da escola, eu e Clark conseguimos chegar inteiros até a parte baixa do muro. Eu o subi sem problemas, mas Clark levava uma bolsa cada vez mais pesada, que dificultava sua agilidade.
– Deixe-me pegá-la. – Murmurei para ele, freneticamente, esticando meus braços em sua direção.
Clark pareceu relutar um pouco, e de fato ele relutou. Mas no fim, acabou cedendo e me entregando a bolsa que, para falar a verdade, estava mais pesada do que eu imaginava.
– Caramba, Clark, o que é que você carrega aqui? Criptonita? – Perguntei, lhe devolvendo a bolsa ao conseguirmos pular para o lado de fora da escola.
Clark sorriu e revirou os olhos. Então retirou o molho de chaves e me entregou, lançando um olhar realmente encantador para os documentos que eu achara na sala de Nors.
Rapidamente, os dobrei e os coloquei no bolso da Jeans.
– Clark, eu prometo que te ligo assim que descobrir alguma coisa, tudo bem?
Ele suspirou e jogou a franja encaracolada para o lado.
– Tudo bem... Ah, ande logo com isso, estou cansado.
Assenti e segurei mais firme nas chaves, então fechei os olhos e me concentrei. Imaginei-me correndo em uma velocidade anormal até a guarita de Lockhart, e despojando as chaves em seu bolso com uma leveza sobrenatural, para que ele não percebesse minha presença.
Quando senti o volume em minha mão se dissipar, voltei a abrir os olhos e sorri ao constatar o sumiço das chaves.
Clark me olhava.
– Sério, isso é incrível, sabia? Você é incrível.
Eu não sabia muito bem como reagir a esse elogio, pois Clark dificilmente me fazia elogios de um modo tão... Irresistível. Simplesmente fiquei lá, observando-o com seus olhos d’água e sua boca ligeiramente torta.
Só percebi que a distância entre nós havia diminuído consideravelmente quando o nariz de Clark roçou de leve no meu. Eu ri, nervosa, mas não me movi um palmo.
Nós aproximamos um pouco mais e... BUUUUUM! Um hidrante explodiu bem ao meu lado, molhando-me e a Clark por inteiros.
Gritei enquanto Clark dava esplendorosas gargalhadas.
Acredite, eu estou tão... nervosa quanto você. Quer dizer, o maldito hidrante não poderia ter esperado só... só alguns minutinhos para ir pelos ares?
– Hidrante idiota. – Murmurei.
Foi quando percebi que Clark havia parado de rir, e que agora (junto com alguns curiosos que haviam se amontoado ao redor do hidrante) observava os cacos vermelhos do hidrante explodido.
Me aproximei dele cautelosamente.
– Isso é estranho... – Murmurou ele ao sentir minha presença. – Hidrantes não costumam explodir assim.
– Será que foi xixi de algum cachorro radioativo?
Clark me olhou furtivamente, mas não disse nada. Peguei em sua mão, e fiquei feliz por ele não tê-la retirado.
– Ei, nós já temos um mistério e tanto em mãos, certo? Deixe o hidrante para lá.
Clark assentiu e retirou sua mão da minha, passando um braço por meus ombros enquanto eu passava um braço por sua cintura.
Seguimos o caminho até minha casa num silêncio revigorante, olhávamos um para o outro de quando em quando, e sorríamos. Ter Clark ali... era tão perfeito. Tudo parecia perfeito com ele ao meu lado.
A experiência que eu havia tido com ele alguns instantes antes da explosão do hidrante estava me fazendo pensar. Nunca pensei que Clark poderia nutrir sentimentos mais fortes e mais românticos por mim, mas... nós quase havíamos nos beijado! Isso definitivamente significava alguma coisa.
E isso me fazia pensar em outra coisa também: Eu estava bonita. E garotos reparam nisso, sendo um melhor amigo ou não, eles realmente reparam. Será que isso... hã... incentivara Clark a quase me beijar? Espero que não.
Você deve estar se perguntando: Mais você não acha que ele seria um ótimo namorado? Que esta ficando lindo e tudo o mais? Se ele quer beijá-la, provavelmente gosta de você.
E deixe-me responder: Eu gosto dele, demais, e sei que ele me ama tanto quanto eu o amo, mas... Essa beleza instantânea não sou eu... bom, não completamente. Se for para Clark gostar de mim desse modo, quero que seja pelo que eu era antes.
Certo, isso não fez sentido nenhum, mas como eu posso explicar uma coisa que nem eu mesma entendo?
Francamente, já estou ficando farta dessas minhas perguntas.
Clark e eu não pronunciamos uma única palavra sobre isso durante o caminho todo. É claro que eu sabia que ele estava extremamente envergonhado, assim como eu, pelo que havia quase acontecido há pouco. Porém nós ainda estávamos abraçados, e pelo visto ele não estava a fim de me soltar tão cedo.
Quando chegamos a minha casa, cometemos o erro de chegar abraçados.
Entenda: Mamãe é chata com essas coisas. Por ela ter sido... hã... uma mulher que “namorava” muitos, e acabara grávida de mim com isso, ela simplesmente não queria me ver namorando alguém antes dos trinta, mesmo que esse alguém fosse Clark.
Minha mãe nunca se importou com o fato de eu e ele ficarmos trancados no quarto ou de sempre estarmos saindo juntos, ela sabia que éramos os únicos amigos um do outro, mas... Bom, nós nunca havíamos ficado tão... abraçáveis antes.
Soltei-me de súbito de Clark ao ver que minha mãe me olhava estranhamente pela janela e Clark pigarreou, disfarçando.
Ele é o melhor amigo do mundo!
– É... bom... – Clark começou, mas não me olhava nos olhos, estava corado e envergonhado demais para isso.
Dei um sorriso nervoso e abri a porta de casa.
– Não te chamo para entrar por que...
– Porque esta extremamente louca para entender seu diagnóstico médico.
Assenti.
Nos olhamos fixadamente por alguns segundos, até que a vergonha nos vencesse e fizesse Clark desviar o olhar.
Ele me lançou um aceno de mão.
– Boa sorte, Gwe.
Acenei de volta para ele.
– Obrigada, Clark.
Quando entrei em casa, logo fui abordada por minha mãe – é claro – que estava tricotando algo azul perto da janela.
– Você e Clark estão bem grudados hein? E isso começou ontem. – Ela deixou o tricô de lado e me olhou seriamente. – Eu preciso saber de alguma coisa, Gwen?
Senti minhas bochechas ficarem quentes, e engoli em seco.
– Somos só amigos, mamãe.
Minha mãe não pareceu convencida.
– Espero mesmo que sejam. Você não precisa ficar de namoradinho agora, é nova demais, precisa se concentrar em algo mais importante que essas futilidades de adolescentes.
Suspirei.
– Certo. – Foi quando percebi o que minha mãe tanto tricotava. Parecia um... sapatinho. – Hã... mãe, o que é isso? – Perguntei apontando para o sapatinho azul na mesa.
Minha mãe sorriu, radiante, e massageou a barriga.
– Oliver marcou a data do casamento.
– Mesmo?
– Mesmo. – Ela suspirou e se sentou, retornando ao tricô. – Será dia quinze.
Arregalei meus olhos.
– Sábado que vem? Já?
– Não queríamos que a barriga começasse a crescer. – E então ela piscou para mim.
Consegui engasgar com minha própria saliva e, depois de um incoerente acesso de tosse, pigarreei.
– A barriga crescer? Mamãe, você esta grávida?
Como resposta, ela se levantou e me abraçou. Um abraço forte, daquele que ela raramente me dava.
– Gwen, que sujeira toda é essa? – Mamãe perguntou ao me soltar.
– Hã... um hidrante explodiu, e voou lama e água para todos os lados. – Menti.
– Um hidrante, é? – Assenti. Ela pareceu acreditar em minha versão. – Bom, trate de ir tomar um banho longo e quente moçinha, pois temos planos para o jantar.
– Ah, por falar nisso, Clark vem almoçar aqui amanhã, ok?
Mamãe olhou-me desconfiada.
– Mãe! – Reclamei.
– Tá, tudo bem, desculpe. – Sorriu ela, afagando meus cabelos longos e sujos.
– Onde é que esta Carson? – Perguntei, indo em direção à escada.
– Ora, na delegacia é claro. O delegado da cidade precisa noticiar à todos que vai ser papai!
Sorri de leve, subindo os três primeiros degraus.
– Não é muito cedo para avisar a todo mundo?
Mamãe deu de ombros e voltou para seu tricô.
– Nunca é cedo demais.
Subi o restante da escada e fui para o meu quarto.
Retirei a jaqueta suja e a joguei no chão, retirei os sapatos e me joguei na cama, tirando a carta endereçada a Orson e o diagnóstico do bolso de minha calça.
Li a carta novamente, e tudo ficou tão confuso quanto antes.
“Lembro-me de comentar comigo há muito tempo atrás sobre a estranheza genética de seu filho. Disse-me que era algo que o senhor nunca houvera visto em vida.”
Ele estava falando sobre a estranheza genética de Josh? Josh não era estranho, ele era perfeito. Burro por estar namorando com Samantha, entretanto, perfeito.
“O documento que vêm justo a este irá lhe mostrar que seu filho não é o único com essa... Doença ainda não estudada.”
Quer dizer que, caso Josh seja estranho, eu sou como ele? E que raio de doença era essa?
Desgrampeei a carta e abri o diagnóstico com certa ânsia. Ânsia pelas respostas que me estariam transcritas naquelas simples folhas de papel. Saber o que eu estava prestes a saber, definitivamente mudaria a minha vida.
Havia uma miniatura do raios X de meu cérebro, uma folha explicando o raios X de meu cérebro e mais duas outras folhas repletas de desenhos de DNA e explicações abaixo.
Comecei a ler sobre meu cérebro, e a cada palavra que eu lia, mais boquiaberta eu ficava.
“Há mudanças nas mais diversas áreas do cérebro.
Gwen Dobrev Parker apresenta movimentos em áreas do cérebro que, humanos comuns, nem se quer usam.
Seu lobo frontal é maior e mãos movimentado do que o de uma pessoa normal, e seus pensamentos abstratos parecem se realizar no momento em que ela os pensa.”
Isso explicava meu poder sinistro de conseguir mover as coisas através de meu pensamento.
Bom, eu poderia lhe descrever tudo o que eu li naquele maldito diagnóstico médico, mas isso levaria muito tempo, então vou dar uma resumida no que eu entendi.
“Gwen Dobrev Parker tem movimentos inumanos em todas as áreas de seu cérebro. Suas moléculas são muito estranhas e sua sequência de ADN é a mais sinistra já vista em todos os tempos.”
Prazer, sou Gwen Parker, e eu não sou humana.
Joguei meu diagnóstico médico mensal no chão e asfixiei um grito no travesseiro.
Segundo tudo aquilo que eu havia lido, eu era algo muito mais... complexo que um simples ser humano. Eu era algo maior, mais forte, e mais perigoso.
Agora eu podia entender o fato deles estarem mandando meu diagnóstico para o Dr. Orson, grande Doutor graduado em medicina de Nova York. Ele precisava me estudar indiretamente primeiro, e fornecer os resultados certos para a escola, antes que alguém me sequestrasse para fazer experimentos em mim.
O diretor Nors não era tão malvado assim, afinal.
De repente, senti as lágrimas caindo pelo meu rosto, e me desatei a chorar.
Eu não era muito de chorar, era a garota mais “fria” que eu conhecia, mas... bem, saber, depois de dezessete anos, que você não é humana... isso meio que muda as coisas, e as pessoas.
Peguei meu celular e digitei o telefone de Clark.
– Gwen, tudo bem? – Sua voz estava preocupada. Então ele percebeu que eu chorava. – Gwen, o que houve? Quer que eu vá até ai?
– N-não... – Consegui gaguejar, engolindo um pouco meu choro.
– O que houve, princesa?
Sorri fracamente do meu lado da linha. Clark nunca usara apelidos carinhosos desse tipo para comigo, ele realmente estava sentindo algo diferente por mim, não estava?
– Eu... eu... agora eu sei o que eu sou.
– E o que você é?
– Eu não sou humana Clark.
Clark ficou tanto tempo em silêncio que pensei que ele nunca mais iria me responder.
– Hã... e porque acha isso?
Assuei o nariz na manga da blusa – nojento, eu sei – e dei de ombros.
– Você só... s-só pediu para que eu ligasse se descobrisse alguma coisa. Eu fiz isso, e não me importo se acredita em mim ou não...
– Ei, calma, ok? – Sua voz estava suave e calma, e isso aos poucos estava me relaxando. – Não estou duvidando de você. Eu sempre acreditarei em você.
– Obrigada. – Respondi com a voz emplastada.
– Bom, você não é humana. Certo, acabei de conseguir processar essa informação. Então... quando eu for amanhã ai... te digo minha ideia.
– A ideia que você teve ao ler o negócio dos Plêiades?
Pude sentir o sorriso em sua voz.
– Exatamente.
– Certo, te vejo amanhã.
– É... Gwen...
– Sim?
Clark engoliu em seco do outro lado da linha.
– Sobre o que aconteceu hoje mais cedo... antes de o hidrante explodir... eu... hã...
– Não precisa se explicar Clark. – Falei rapidamente, tentando controlar as batidas descontroladas de meu coração. – Tchau. – E desliguei.
Certo, eu havia sido um pouco grossa, mas estava arrasada demais para discutir sobre o meu quase beijo com meu melhor amigo.
Coloquei o diagnóstico e a carta em uma pasta e os guardei em minha gaveta de pijamas, onde mamãe e Carson raramente mexiam. Havia mais coisas ali, em meio aos meus pares de pijamas desconexos: cinco cartas de Clark, uma rosa amassada e amarela que eu havia ganhado de Josh na quarta série – era uma brincadeira de mau gosto, mas fiquei com a rosa mesmo assim – e uma foto de quando eu e Clark éramos crianças.
Antes que voltasse a chorar, fechei a gaveta e me encaminhei para o banho.
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