Notas iniciais
Conheçam um pouco mais do Dallas pessoal (:

Imagem do capítulo: Gwen e Dallas lutando contra os DALs.

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Certo, desde meus dez anos eu ansiava pelo beijo de Josh, e agora eu realmente me sentia andando nas nuvens, enquanto ele pegava em minhas mãos e me abraçava.

Sem falar que agora eu mal ligava para o frio. Parecia que o beijo de Josh me aquecera inteiramente. Por dentro e por fora.

O problema, é claro, é que ainda havia Clark. Tudo bem, ele não me beijara de fato, mas mesmo assim... eu ainda não sabia se o que sentia por ele era apenas uma amizade forte e verdadeira, ou se era muito mais do que isso.

Entretanto, eu tinha outros assuntos pendentes agora. E realmente precisava de um banho. Todos nós precisávamos, menos Genevra, pois ela conseguia tomar banho sozinha apenas com seus poderes aquáticos.

Mas quanto a mim, Josh e Dallas... estávamos imundos e parecíamos um bando de mendigos. Dallas parecia gostar da parte em que estávamos sujos de terra, mas a fuligem causada pelo fogo não o agradava nem um pouco.

A ideia que Dallas nos havia proposto era boa, mas não muito agradável. Ele nos guiou entre os DALs adormecidos até um pequeno armazém feito de barro, mas que parecia um pouco congelado.

- O que você está planejando fazer, garoto terra? – Perguntou Genevra olhando com maus olhos para o armazém.

Dallas colocou o indicador na boca, indicando silêncio. Genevra revirou os olhos, contrariada, mas mesmo assim fez o que lhe era pedido.

Em seguida, o Vórtex da terra abriu a porta do armazém e, com gestos apressados de mãos, nos convidou para entrar.

O interior do armazém era totalmente vazio. A única coisa que havia ali dentro era um imenso buraco de terra que parecia não ter fim e uma lamparina a gás muito velha e coberta de neve.

Genevra olhou do buraco para Dallas e de Dallas para o buraco. Então soltou um risinho maléfico e fez um gesto negativo com a cabeça.

- Não espere que eu, uma linda Vórtex da água, vá entrar nesse buraco imundo cheio de terra para procurar alienígenas do ar. Não mesmo. De jeito nenhum.

- Ou você vai conosco, ou fica aqui esperando para ser morta por eles. – Disse Josh apontando de nós para os DALs adormecidos presentes lá fora.

Percebi que Genevra tentou achar algo para que pudesse argumentar, mas não teve muito sucesso. Então ela simplesmente cruzou os braços e bufou, olhando com nojo para a imensidão do buraco de terra.

- Esse buraco nos levará até a Quinta Avenida, de Nova York. – Dallas abaixou tanto a voz, que tive que fazer força para entender o que ele estava falando. – Eu estava fazendo um caminho escondido até lá. – Então ele olhou para mim. – Sabe, você é muito famosa.

- Sou? – Perguntei surpresa.

- É sim. Todos os extraterrestres presentes na Via Láctea sabem sobre a história de Gwen Dobrev Parker, a única metade Plêiade de todo o universo. Se não acredita em mim, pode perguntar para Genevra.

Vir-me-ei e olhei para ela.

- É, é, tanto faz.

Levei aquilo como um sim e esperei que Dallas nos dissesse para descer.

Você deve estar pensando: Descer por um buraco repleto de terra de Winsconsin até Nova York? Gwen, ou você é corajosa ou é muito burra.

Acho que sou um pouco de ambos.

Corajosa porque eu estava em uma missão suicida para salvar o planeta do qual sou apenas 50% pertencente, e burra porque não pensei nas dificuldades que descer por um buraco de terra causaria em meus pulmões.

Dallas criou com seus poderes terrestres duas cordas feitas de barro e pedras e as passou por meus braços e minha cintura. Em seguida, ele fez a mesma coisa consigo mesmo.

- Vocês dois descem primeiro. – Ele apontou para Josh e Genevra. – E me mandem um sinal de fogo. – Ele apontou apenas para Josh, que assentiu. Depois Dallas se virou para mim. – Quando virmos o sinal, descemos. – Voltou-se para os outros dois. – Caso não apareçamos em cinco minutos... corram. Entenderam?

Todos nós assentimos e Dallas sorriu.

- Espero que continuem dormido. – Disse ele baixinho.

Coloquei uma de minhas mãos em seu braço moreno e forte.

- Vai dar tudo certo. Você vai ver.

Certo, eu estava parecendo mais confiante do que realmente estava. A verdade era que eu tremia incontrolavelmente por dentro, morrendo de medo. Eu estava desesperada com o tempo curtíssimo que tínhamos, e estava preocupada com os planos de Shawus e Clark.

Clark...

Balancei a cabeça. Eu precisava me concentrar no que estaríamos prestes a fazer. E nada podia dar errado.

Então, é claro, deu errado.

Genevra, muito relutantemente, foi a primeira a descer. Ela criou uma espécie de barreira aquática, que não permitia que a terra encostasse-se a ela. Quando Genevra chegou à parte em que teríamos de começar a andar, gritou que eu lhe devia minha vida.

Rimos, nervosos, de seu desespero e Josh se encaminhou para o buraco. Porém, antes de começar a descer, ele se aproximou de mim e me beijou os lábios de um jeito extremamente doce e carinhoso.

- Vai. – Sussurrei para ele.

Josh pulou e pude escutar o “PRONG”, que era o barulho de seus pés de encontro com a terra. Em seguida, ele mandou uma labareda flamejante a superfície.

O sinal de que precisávamos.

- Certo, lá va... – Dallas estacou e começou a tremer. Ele parecia realmente interessado em se esconder, mas quando olhou para mim, respirou fundo e pediu para que eu me postasse atrás de si.

Foi o que fiz.

- O que foi? – Sussurrei.

- Quando eu disser três, você pula no buraco. Eles acordaram.

Sai de trás dele e me postei ao seu lado. Mantendo toda minha concentração em meus poderes.

- Não vou te deixar aqui sozinho. Você é tão importante nessa missão quanto eu.

Dallas pareceu surpreso.

- Vai me ajudar mesmo sabendo que eu sou um verdadeiro medroso?

Infelizmente não tive tempo para responder.

A porta do armazém foi explodida pelos DALs que haviam acordado. Eles não estavam nada felizes.

- Certo. – Disse Dallas em meio aos constantes xingamentos proferidos por seus amigos. – No três. – Ele apontou para o buraco e eu assenti.

- Dallas! Traidor! Medroso! – Diziam os DALs em uníssono. Eles falavam em vietnamita, mas a língua me vinha tão facilmente quanto o inglês.

Dallas começou a tremer descontroladamente. Eu só não sabia se ele tremia de raiva, ou se tremia de medo. Bom, sabendo sobre os medos inoportunos de Dallas, comecei a cogitar se não deveria ajudá-lo.

Os DALs começaram a nos atacar com terra ácida. Um tipo de terra que eles criavam que continha um veneno mortal para qualquer espécie da Via Láctea. Peguei nas mãos de Dallas e o joguei no buraco, bem em tempo de me virar e criar uma barreira de força invisível antes da primeira saraivada de terra ácida.

- Desça! – Gritei para ele, os olhos semicerrados por culpa da força que fazia para manter a barreira gravitacional.

- Não vou sem você! – Gritou Dallas.

- Eu consigo sozinha! ARGH! – Gritei. Meus braços começavam a fraquejar, impedindo que mantivesse a barreira, quebrando-a. Senti um líquido quente descendo por um de meus braços e arquejei ao perceber que eu fora atingida com o veneno.

Minhas pernas foram perdendo força e minha visão foi ficando cada vez mais turva. Eu podia ouvir o barulho cada vez mais fraco de meu coração palpitar em meus tímpanos. Era como se meu sangue estivesse sendo sugado para fora de meu corpo.

Olhei para a região de meu umbigo e arquejei de dor. Realmente meu sangue estava sendo sugado para fora de meu corpo. A jaqueta de Josh estava empapada de sangue denso e congelado.

Um DAL estava me olhando com seus olhos de fogo. Eu estava paralisada com seu olhar. Estava paralisada de medo. Eu iria morrer.

A última coisa que vi antes da escuridão foi uma parede firme de terra me encobrindo e um urro extremamente forte vindo de onde Dallas estava.

***

Quando voltei a abrir os olhos, percebi que estava em um lugar escuro, cheio de terra. Por um instante, pensei que havia sido enterrada, mas então percebi que havia um imenso buraco acima de minha cabeça, e pude distinguir as vozes dos três Vórtex que estavam trabalhando comigo.

Eles falavam em vietnamita, então deduzi que estavam contatando os Lirianos. De repente, a cabeça de Dallas surgiu no buraco que havia acima de mim e ele sorriu.

- Ótimo, você esta bem.

- O-o que es-esta acontecendo? – Gaguejei com a voz esganiçada e fraca.

Dallas olhou por trás de si e assentiu. Então voltou-se para mim, o semblante sério.

- Gwen, fique aqui. Ainda tem muito veneno no seu corpo, eu só consegui barrar a parte que a mataria. Nós já voltamos. – E sumiu.

- Dallas! – Gritei. Ou pensei ter gritado, pois a voz que saia de minha boca não era minha voz.

Me lembrava muito à voz de Tio Sam, na época em que ele estava com câncer.

Não que me lembrar disso houvesse me ajudado, na verdade não ajudou nem um pouco.

- Vórtex idiotas. – Resmunguei.

Olhe, não sou muito de obedecer garotos que eu acabara de conhecer, mas minhas pernas mal podiam se mover, imagine subir até lá? Seria praticamente impossível.

Então, já que ficaria ali por algum tempo, resolvi tirar as preocupações sobre “o que está acontecendo?” de minha mente, e me concentrar nas preocupações sobre as dilacerações encontradas em meu corpo.

Meu braço esquerdo parecia ter sido derretido. A pele estava flácida e esverdeada, com algumas bolhas bem feias e arroxeadas em meu ombro e no pescoço.

Percebi que eu só me encontrava com meu jeans e minha regata de gola, que estava rasgada e queimada na região do umbigo. Me perguntei como eu estava aguentando o frio, mas então pensei nos poderes de Josh sobre o calor e pensei que tudo isso tinha, de fato, alguma coisa haver com ele.

Porém, quando olhei para a parte rasgada de minha regata, soltei um berro tão estrondoso que algumas pedras de terra congelada caíram e bateram em minha cabeça.

Minha barriga estava totalmente dilacerada. Era como se meu umbigo tivesse sido retirado a força e houvesse sido recolocado de mau jeito. Sem falar que ela estava mais pálida que o resto de meu corpo, e havia sangue seco por todos os lados.

Tentei me mexer, porém eu continuava paralisada, como se o DAL ainda estivesse olhando para mim.

Ao longe, escutei o grito potente de Genevra e comecei a ficar um tanto quanto assustada.

Genevra era o tipo de pessoa que só usaria um grito desses em circunstâncias extremas, o que me levava a pensar que eles estavam com problemas. E levando em conta que os Lirianos não deixavam de lado um bom desafio... Ah, estremeço só de pensar.

Novamente, tentei me levantar, mas não tive sucesso em meu feito. Minhas pernas estavam arranhadas e mordidas em diversos lugares, e pareciam ser feitas de aço. Assim como meus braço.

Sem falar que, toda vez que tentava me mexer, minha cabeça explodia de dor e minha visão escurecia.

Permaneci deitada e me concentrei em tentar normalizar minha respiração, que estava rápida e pesada demais.

Lembrei-me de um de meus treinamentos em Plêiade. Era um daqueles treinamentos macabros que Dalawhal e Shaw me obrigavam a fazer, para que vissem até onde eu poderia chegar com os meus poderes.

Infelizmente, isso me fez descobrir que não era tão longe assim. Por culpa de meus genes Terráqueos, os poderes incumbidos nos genes Plêiades eram mais fracos que o normal.

Ai estava a parte irônica da coisa. Pense: Se eu sou a Plêiade mais fraca de todos os Plêiades, por que, raios, eu teria que salvar o planeta Terra?

Eu fizera essa mesma pergunta diversas vezes em Plêiade, até que um dia papai resolveu me explicar.

Os Plêiades não costumavam de meter em brigas interplanetárias, mas isso mudava quando alguém mexia com eles. Tudo bem, eu era apenas uma mísera metade deles, mas então papai disse: Você é uma de nós. E, sendo uma de nós, devemos instruí-la de seus poderes, para que consiga proteger seu planeta.

Divaguei um pouco mais sobre isso, até que escutei um estrondo sônico que quase explodiu meus tímpanos, seguido por outro grito de Genevra, mas dessa vez pude saber que era um grito de vitória.

Seja lá o que estivessem fazendo com os Lirianos, eles haviam ganhado.