21.12.12 - A Invasão
13 DALs
Notas iniciais
Boa leitura!
Imagem do Capítulo: A especial kiss of a especial boy...
Lista de coisas que não se deve fazer quando for procurar extraterrestres controladores da terra numa zona cheia de terra:
1º Não leve Vórtex de outros elementos com você;
2º Não chute pedras;
3º Não puxe a grama;
4º (essa especificadamente para Josh) Não os xingue de “doninhas flamejantes”.
5º Não seja um Plêiade. Nem metade de um.
Seguindo a risca essa lista, talvez você fique vivo.
É claro que esse não foi o nosso caso.
Bom, graças ao GPS ambulante que Shawus era (e estou sendo Irônica), acabamos por descobrir um pouco tarde demais que Nova York é uma cidade imensa, com 50 estados. Muito deles agrícolas.
Agora, me pergunte: Como é que vamos achar Vórtex da terra num lugar como esse?!
Foi essa pergunta que fiz a Josh, quando conseguimos nos concentrar o bastante para olhar no mapa do estado de Nova York.
Nunca detestei tanto geografia na minha vida.
Tínhamos dois estados possíveis para a sobrevivência desse tipo de Vórtex, Tennesse e Winsconsin. O problema era saber qual deles seria habitável. Procurando estar ajudando, Genevra disse que poderia haver vida tanto em um, quanto em outro.
– Obrigada. – Falei para ela, usando sarcasmo. Porém, ela não percebeu. Eu começava achar que os extraterrestres completos não tinham muita capacidade cerebral para entender ironia ou sarcasmo. – Você ajudou muito.
Gastamos uma hora inteira discutindo sobre isso em um Café. Josh e eu pedimos cinco cappuccinos, enquanto Genevra pediu o maior copo da loja, só que repleto de água. A atendente nos olhou de um jeito estranho, dando ênfase em Genevra, e começou a preparar nossos pedidos.
Não sei se foi por causa de toda aquela cafeína, mas tanto eu quanto Josh parecíamos estar mais alertas com o cair da noite. Genevra estava um pouco inquieta também, olhando para os lados, como se estivesse com medo. Quando lhe perguntei o que estava acontecendo, ela jogou toda a minha mesada na mesa e nos tirou dali.
– Ei! – Reclamei com ela minutos depois. – Aquele dinheiro que você simplesmente deu como gorjeta era toda a minha mesada!
Genevra deu de ombros, ainda puxando a mim e a Josh pelo pulso num destino que desconhecíamos. Depois de um tempo, ela parou e permitiu que respirássemos.
– O... que... esta... acontecendo? – Josh, arfando pesadamente, perguntou.
Genevra nem sequer estava suando. Não que eu estivesse cansada, é claro, mas meus genes Terráqueos gritavam por uma cama e um chocolate quente.
– Vórtex da água. – Sussurrou Genevra. – Eles estão procurando por mim.
Bufei.
– Por quê?
Ela arriscou uma olhada nervosa para Josh.
– Eles odeiam, odeiam, Vórtex do fogo. E, provavelmente, sentiram o cheiro dele. Bom, considerando que ainda por cima ela é o único Ariano vivo... – Ela engoliu em seco. – É melhor irmos.
Assenti e Josh gemeu algo sobre “Sirius idiotas” que, por sorte, Genevra não ouviu.
Peguei a miniatura do mapa do estado e o abri. O vento não ajudava muito, e eu tremia descontroladamente em baixo de meus casacos e da jaqueta de couro que Josh me emprestara. Para o nosso azar, estava gelando, o que indicava que daqui a pouco começaria a nevar mais do que já estava nevando.
– Certo, o estava mais perto é Winsconsin. – Falei, mas não pude ouvir minha própria voz. Parecia que o vento estava distorcendo minhas palavras.
Genevra gritou um palavrão na língua Síria, por isso não pude compreender. Mas só podia se tratar de um palavrão, pois ela o gritava com raiva.
– Malditos Vórtex do ar! – Gritou ela. Então arregalou os olhos. – Ei, malditos Vórtex do ar! – E me cutucou. – Já podemos adiantar o trabalho por aqui, não acha?
Assenti negativamente com a cabeça.
– Preciso seguir a profecia... ela diz “da água, a terra”. Depois de você, precisam vir os da terra. – Quanto mais eu falava, mais me dava conta de que estava certa. Dei um tapa em minha própria testa ao olhar para Josh. – Droga, os primeiros que precisávamos contatar eram os do ar... “do fogo, ao ar, irá ajudar”. Droga, droga, droga!
– Calma, Gwen. –Josh disse. – Vamos atrás dos da terra, para ter alguma coisa certa nisso. Depois, vamos atrás dos Vórtex do ar. Algo me diz que eu é que terei de conversar com eles.
Assenti e olhei para Genevra, que afirmou com um gesto de cabeça e criou um conjunto feito de algas marinhas azuis (do nada, o que me assustou a princípio) que começou a se enrolar em seu corpo, formando uma calça folgada, sapatos e um sobretudo de aparência bem quente.
A olhei admirada enquanto Josh pegava o mapa de minhas mãos.
– Uau! Como fez isso? – Perguntei.
Genevra sorriu e deu de ombros.
– Eu simplesmente fiz. – Então suspirou e lançou um olhar de descaso para Josh. – E o que faremos?
Josh mordia o lábio de um jeito... hã... bem, de um jeito extremamente sexy que me deixou desconcentrada por um instante. Balancei a cabeça para colocar as ideias no lugar e esperei por sua resposta.
– Bom... de táxi, eu acho. – Então olhou-nos. – Alguém tem dinheiro ai?
Olhei com raiva para Genevra, que estava se divertindo muito com seu sobretudo feito de algas para dar atenção ao que eu estava fazendo.
– Sabe, eu tinha, mas alguma extraterrestre sem noção o deu de presente para uma atendente com uma verruga horrenda no nariz!
– Você devia ter me parado, se aquelas coisas esverdeadas fossem assim tão importantes para você! – Genevra rebateu, e percebi que sua imagem tremulava, como se fossem ondas do mar.
De algum modo, previ que ela iria me atacar com algum de seus poderes e fui mais rápida. Estiquei ambas das palmas de minhas mãos para baixo e flexionei os joelhos. Senti algo pesado e intenso, porem inexistente, passar de minhas mãos e atingir Genevra no pescoço. No segundo seguinte ela estava suspensa por uma corda invisível, e berrava desolada em sua língua de golfinho, mas não saia som algum de sua boca.
– Gwen, qual é! – Josh exclamou ao meu lado. Então pegou uma de minhas mãos e a acariciou delicadamente, tirando um pouco da minha concentração assassina de Genevra. – Vamos, solte-a. Ela não fez por mal. E temos pouco tempo, precisamos ir. – Então encostou o lábio em uma de minhas orelhas. – Deixe toda essa energia para Kratos.
Suspirei e soltei Genevra, que começou a apertar a traquéia com força e a respirar pesadamente.
– Caramba! – Ela exclamou para mim.
Sorri, desculpando-me.
– Desculpe... é... é...
– É muita pressão? – Terminou Genevra, desculpando-me ao retribuir o sorriso.
Assenti.
– Olhe, um táxi! – Gritou Josh, então saiu correndo para o meio da rua e começou a agitar os braços como se tivesse acabado de sair de um hospício. – Táxi! Táxi!
Eu me perguntava como iríamos pagar o taxista quando coloquei as mãos nos bolsos da jaqueta de Josh e senti alguns bolos de notas passando por entre minhas mãos.
Ao entrarmos no carro, lhe perguntei baixinho como eu não os havia sentido antes. Josh me respondeu com um sorriso e disse que seus bolsos tinham bolsos falsos, e que eu tivera sorte de achar um deles. Depois, encostou a cabeça em um ombro e... começou a roncar.
Genevra olhava para mim.
– Gwen, durma, ok? Eu fico de vigia durante a viagem, pode deixar.
– Mas...
– Apenas durma.
E a última coisa que me lembro foi de fechar os olhos e dormir ao embalo das músicas da banda Marron 5.
***
Quando acordei, percebi que já estávamos distantes da maravilhosa Big Apple. O cenário que podia se ver das janelas do táxi dava a impressão de ser uma espécie de cerrado, com muitas árvores e zonas agrícolas cobertas de neve. É claro que eu deduzi a maior parte disso, pois estava escuro demais para se perceber qualquer coisa.
Prendi a respiração ao perceber que eu me encontrava no colo de Josh, enquanto este abraçava e desenhava semicírculos com os dedos em meus cabelos.
Relutei em me mexer, pois o abraço de Josh me mantinha aquecida e protegida, mas mesmo com todo esse cuidado, ele percebeu que eu acordara e sorriu, tocando-me o nariz com o indicador. Para a minha satisfação, Josh não me soltou.
– Dormiu bem? – Perguntou ele baixinho.
Como resposta, lhe lancei um sorriso.
– Perfeitamente. – Olhei por sobre o ombro e vi que Genevra dormia pesadamente ao lado. – Que ótima vigia. – Resmunguei.
Josh me colocou com delicadeza no banco, e passou um dos braços por meus ombros, ainda me mantendo quente e aconchegada em seu corpo.
– Não a culpe. Eu acordei e pedi que dormisse. – Ele deu de ombros. – Ela estava bem cansada.
Assenti, então olhei para o taxista.
– Senhor, quanto tempo falta para Winsconsin?
Ele olhou no parquímetro por um momento.
– Alguns minutos. – Então nos olhou pelo retrovisor. – Onde quer que eu pare? – Então franziu o cenho. – Sabe, vocês me parecem tão novos... pergunto-me o que fazem tão longe de casa a essa hora da noite.
Estaquei.
– Espere... que horas são?
– Dez pras três da manhã, querida. Por que?
Dei de ombros para o homem, mas olhei desesperada para Josh.
Só tínhamos apenas três horas para conseguir convencer os outros Vórtex a se juntarem a nós... e eu ainda teria de falar com Clark sobre sua pesquisa. E descobrir se Orson conseguira a audiência com o presidente... E ainda enfrentar Kratos e salvar a Terra. Sem falar que eu teria de decidir quem seria meu namorado: Clark ou Josh.
Sério, nunca queira ser como eu. Minha cabeça esta quase explodindo.
Pelo menos, pensei, acho que será fácil falar com os Vórtex da terra. Eles devem ser legais!
Puxa, como eu estava errada.
Pedimos para que o taxista nos deixasse na primeira zona agrícola congelada de Winsconsin, o pagamos, e arrastamos uma Genevra sonolenta para fora do carro.
Foi a primeira vez que percebi o quanto Winsconsin era minúscula. A pequena cidade dava a impressão de que, caso você se demorasse num piscar de olhos, já teria passado por ela inteira, e nem se daria conta disso.
Estremeci quando os flocos de neve começaram a criar montanhas em minha cabeça. Josh os espalhou carinhosamente para o lado e piscou sedutoramente em minha direção.
Bufei e desviei o olhar, ajudando Genevra a se manter acordada e pensando em Clark. Meu Deus, eu precisava decidir isso logo! Claro, Josh não havia me beijado... mas ele nem tivera a chance de fazê-lo. E o beijo de Clark fora mais como um “selinho furtivo”, ou seja, ambos ainda não haviam me beijado de verdade. E com toda essa confusão de alienígenas que querem acabar com a raça Terráquea por um motivo desconhecido pela humanidade em que eu estava metida... algo me dizia que isso ainda estava longe de acontecer.
Quando a Vórtex aquática finalmente estava ciente de seus atos, ela soltou um berro ensurdecedor de golfinho... ou estava mais para baleia? Hm, eu não via diferença alguma entre ambos.
– Você vai acordar até a China com esse seu gritinho esquisito! – Reclamou Josh, calando-a com as mãos.
Genevra mordeu as mãos de Josh, que gritou e as colocou na boca, pois estavam sangrando. Foi quando vi que os dentes de Genevra estavam afiados e cinzentos, como os das Sereias da mitologia grega. Passou-se um segundo, e ela se encontrava normalizada novamente.
– Nunca mais ouse me tocar com essas suas mãos de fogo imundas! Nunca mais! – Resmungou Genevra para Josh.
Interpus-me entre eles antes que começassem a brigar e sorri.
– Ei, Vórtex bonzinhos, bonzinhos!
Ambos me olharam como se eu tivesse sérios problemas na cabeça e reviraram os olhos, mas pareceram esquecer um pouco de suas diferenças, o que me deixou feliz.
– Enfim, — comecei, olhando para Genevra, enquanto caminhávamos para a zona agrícola congelada. Josh tentou me abraçar, mas me desvencilhei dele, deixando-o confuso. – por que deu um berro daqueles? Pesadelos?
– Quase. – Ela respondeu. – Me lembrei que raça é dona dos poderes da terra.
– Qual? – Perguntei.
Genevra demorou um pouco para me responder.
– DALs.
Sorri sem humor algum.
Os DALs eram de 300 a 1000 anos espiritual e tecnologicamente mais avançados que os Plêiades. Eles eram tão pacíficos quanto, mas nos odiavam mortalmente por algum motivo desconhecido por todo o espaço sideral. Talvez seja por que nós não sentimos inveja de seus poderes muito mais avençados, e de sua característica Vórtex, mas o que eu sabia com certeza, era que desde sempre existiu uma rivalidade astronômica entre DALs e Plêiades.
Então você pode imaginar minha felicidade ao receber uma notícia dessas.
– Ótimo. Simplesmente ótimo. Incrível.
Genevra piscou, confusa.
– Sério? Acha mesmo ótimo? Acha incrível?
Bufei.
– Ah, esquece. – E continuei caminhando, deixando dois alienígenas confusos atrás de mim.
Bem, quando chegamos ao nosso destino, fui atingida com uma montanha de terra gelada que me deixou tremendo.
Depois, só para melhorar as coisas, Josh resolveu arrancar um chumaço de grama congelada e jogá-la no primeiro DAL que ousou aparecer para nós.
Esse foi nosso segundo erro. E, devo dizer, um erro fatal.
Os DALs eram uma mistura de doninha com lêmure, mas tinham uma cabeça oval e esverdeada, com imensos olhos amendoados amarelos e vivos como se fosse fogo.
Ele olhou para Genevra e Josh com ódio, mas quando seus olhos se concentraram em mim, ele ergueu uma das mãos peludas e cerrou o punho. No instante em que ele fez isso, foi como se a terra, de algum modo, houvesse se alojado em minha garganta, impedindo que o ar entrasse e me asfixiando.
Josh e Genevra tentaram me ajudar, mas ambos foram atingidos por outros dois DALs. Embora de modo mais gentil. Era como se os DALs realmente quisessem lutar com os dois.
Eles derrubavam Josh e Genevra utilizando pedras, lamas ou terra e, quando ambos começavam a se levantar, eles os atingiam novamente, e riam, divertindo-se. Eles os estavam provocando, para que se esquecessem de mim, e me deixassem morrer.
Genevra era esperta e realmente muito inteligente, de modo que conseguiu enganar os DALs para que pudesse pegar uma pedra, congelá-la com seu poder aquático, e jogá-la em um dos alienígenas da terra, que realmente gostou muito disso. E estou sendo irônica.
– Não fezzzzz isso! – Reclamou o DAL que levara a pedrada de gelo. Ele falava com uma voz fina e desengonçada, me lembrando de um rato que eu tivera na infância.
Genevra se levantou e fez uma coisa que nunca pensei que a veria fazer: Ela ajudou Josh.
Genevra pegou em suas mãos e o ajudou a se levantar, tudo isso enquanto criava um escudo de gelo na frente de ambos, um escudo forte o bastante para que os ajudasse a se recuperar.
Minha vista começou a escurecer, e eu tinha a impressão de que meu rosto explodiria devido à pressão que a terra fazia em minha garganta. Senti que meus batimentos cardíacos estavam cada vez mais fracos e minhas mãos tremiam mais do que o normal.
Eu estava morrendo.
E os DALs assistiam a isso como se fosse um filme de comédia.
Josh olhou desesperado em minha direção, e percebi que ele queria me ajudar mais do que tudo no mundo. Porém, quando ele se incitou para frente, correndo, Genevra o agarrou e lhe sussurrou algo no ouvido. Josh pareceu um pouco relutante, mas então olhou para mim e concordou com o que quer que seja que Genevra havia lhe proposto.
Os DALs eram muito persistentes, e extremamente fortes. Ou seja, o escudo de Genevra não aguentaria por muito tempo. E eu já podia ver que ele estava derretendo pela simples presença de Josh, que havia virado fogo vivo.
Os fatos que se decorreram a seguir foram realmente impressionantes.
Genevra, agora numa forma de água pura, deu uma das mãos para o fogo vivo que era Josh, causando surpresa até mesmo para mim. O toque de água e fogo, juntos, era extremamente poderoso, quase invencível.
Josh e Genevra estavam trabalhando em equipe.
Eles se entreolharam e assentiram. Depois, ainda de mãos dadas, Genevra fechou os olhos e...
– vruÍÍÍÍÍ! vruÍÍÍÍÍ!
Era um som engraçado, semelhante a um grito estridente de golfinho. Porém, ele tinha uma frequência oscilante, que me causou uma dor de cabeça imensa, fazendo-me curvar como um feto para poder colocar os dedos nos ouvidos.
Josh seguiu seu exemplo. Ele abriu a boca, como se fosse dar um grito, mas ao invés disso, o que saiu de sua boca foi uma labareda flamejante que incendiou totalmente o escudo de gelo de Genevra.
Foi então que finalmente entendi o que os dois estavam tramando.
A cena que eu via diante de mim se resumia em cinco DALs em posição fetal, tampando um buraco amarelado que tinham em suas nucas, enquanto eram cercados pelo fogo.
A noticia boa era que o poder terrestres que os DALs haviam exercido sobre mim havia cessado. A notícia ruim era que eu estava na mesma situação que eles.
Genevra resmungou algo para Josh, enquanto diminuía um pouco a frequência de seus gritos de golfinhos.
Percebi que, com tal frequência diminuída consideravelmente, eu já conseguia me mexer. E as labaredas de fogo ao meu redor estavam menores o suficiente para que eu pudesse ultrapassá-las. O problema era que os DALs também podiam fazer isso, embora tivessem um pouco mais de dificuldade.
Enquanto me juntava aos Vórtex da água e fogo, percebi que um dos Vórtex da terra, mesmo sabendo que poderia sair de seu círculo de fogo facilmente, não o fez. Muito pelo contrário. Ele permaneceu de pé e, aos poucos, foi adquirindo uma aparência humanóide. Até que havia se transformado em um terráqueo moreno, de traços gentis e estatura mediana.
Ele apenas ficou lá, olhando para as labaredas com extremo terror, e tapando os ouvidos como se a frequência de Genevra ainda o deixasse perturbado.
Quanto a Josh, eu e Genevra, estávamos fazendo um excelente trabalho com os outros quatro DALs insistentes. A única coisa que eles queriam no momento era encher minha garganta de terra até que eu perdesse a consciência e morresse, mas fui mais experta dessa vez.
Enquanto Genevra ficava entre eu e Josh e aumentava cada vez mais sua frequência de golfinho – vou pular a parte de que começamos a ouvir outras frequências de outros golfinhos e começamos a adorar, pois isso confundia os DAls –, e Josh continuava a jogar fogo nos DALs e a chamá-los de “doninhas flamejantes”, coisa que não os deixava nada satisfeitos, eu – apenas com a força do pensamento, modesta parte – comecei a levantar pedras e mais pedras para que Josh as enchesse de fogo, e enfim, para que eu as jogasse em nossos inimigos.
Porém, meu objetivo principal era chegar até o DALs em forma terráquea, pois algo me dizia que ele viria bem a calhar.
Induzi uma força gravitacional ao meu redor e comecei a andar calmamente até o garoto extraterrestre. Alguns dos DALs tentaram me impedir, mas a única coisa que acontecia com eles era bater em meu escudo invisível e ser arremessado para longe.
Olhei para trás, para me assegurar que Josh e Genevra estavam se saindo bem, e continuei meu percurso.
Quando cheguei até o garoto, ele se encolhei ainda mais e soltou um muxoxo aterrorizado.
Sorri, mostrando gentileza.
– Escute, não vou lhe machucar. – Então entrei em seu círculo de fogo e desliguei meu escudo gravitacional. – Viu? Não vou lhe machucar. – Repeti.
O garoto olhou para mim com seus imensos olhos castanhos escuros e estralou um dos dedos. Quando dei por mim, ele já estava se enterrando.
Revirei meus olhos e comecei a arrancá-lo da terra.
– Mais que coisa, garoto! – Reclamei. – Pode confiar em mim, além do mais, eu preciso da sua ajuda.
Isso pareceu chamar sua atenção, de modo que ele parou de tentar enfiar a cabeça na terra novamente. Quando ele finalmente conseguiu me olhar nos olhos, embora estivesse tremendo descontroladamente, eu disse:
– Por favor, me ajude.
Ele me olhou desconfiado.
– Que tipo de ajuda? – Sua voz era profunda e gostosa de ouvir. Lembrava-me um pouco da voz de Clark, porém era um tanto quanto mais suave e fina.
Então, bem, enquanto Josh e Genevra persistiam em desacordar os extraterrestres mais inteligentes do espaço, contei sobre a profecia, e sobre o fato de planeta Terra estar com poucos dias de vida, caso não fizéssemos alguma coisa, e contei também que tínhamos poucas horas para conseguir contatar os Lirianos também.
O garoto, ao final, assentiu e pegou em minhas mãos. Suas mãos eram quentes e repletas de calos.
– Escute, não sei se sou o cara certo pra isso. – E me soltou.
– Por quê? – Perguntei, confusa.
Ele deu de ombros e apontou para o montinho de terra em que estava tentando se enterrar.
– Eu sou um medroso. – Então olhou para a luta que se seguia à nossa frente. – Pode perguntar a qualquer um deles. Eu só me sinto bem quando estou escondido na terra.
Suspirei. Um alienígena medroso, um que mal sabia como controlar os poderes e uma que se descontrolava com qualquer coisa. Bom, talvez, com a ajuda de Shawus, isso pudesse dar certo.
Sorri para o garoto e lhe estendi a mão.
– Sou Gwen Parker, meia-plêiade, filha e sucessora do alfa Dalawhal, do planeta da constelação Plêiade.
O garoto pareceu confuso, mas apertou minha mão.
– Hã... Dallas Smith, filho de Crush Smith, comandante interestelar da...
–... Confederação dos humanos... – Terminei, pasma.
Dallas era filho do extraterrestre que comandava a confederação dos humanos. Filho do único homem que poderia exercer alguma espécie de poder sobre meu pai.
– Dallas, me ouça, eu acredito em você. Algo dentro de mim me diz que você é tão incrível quanto seu pai. – Apertei suas mãos. – A vida de sete bilhões de terráqueos conta com você.
Ele me lançou um sorrisinho.
– Vai se arrepender disso.
Dei de ombros.
– Eu sempre me arrependo. – E olhei para Genevra e Josh, que pareciam extremamente cansados e acabados em suas formas terráqueas.
Arrastei Dallas pela mãos até os dois, porém várias e várias vezes Dallas cogitou voltar para o seu esconderijo. Graças a Deus, consegui ser mais forte e firme que ele.
Genevra e Josh haviam feito um excelente trabalho. Os quatros DALs que estavam nos atacando estavam desmaiados em círculos que pegavam fogo. Eles dormiam profundamente, e dois deles até roncavam.
Quando soltei de Dallas, Josh me abraçou e me girou no ar. Depois... beijou-me.
E não fora como o de Clark. Esse fora um beijo de verdade. E me deixou completamente maravilhada. Josh me soltou e beijou minha testa, sorrindo enquanto corava.
Provavelmente eu estava tão vermelha quanto, mas sorria tanto quanto ele.
Aquele beijo fora... sensacional! A melhor sensação do universo, depois de meus poderes, é claro.
Continuamos a nos olhar por alguns segundos que me pareceram uma eternidade, mas Genevra começou a gritar em sua língua de golfinho.
Olhei para ela.
– Será que dá para parar com isso? Não somos DALs.
– Ei. – Resmungou Dallas.
– Tirando Dallas, não somos DALs. – Corrigi.
Genevra deu de ombros.
– Não sou muito fã de romance, fofinha. E não temos tempo para isso. – Ela suspirou. – Como é que vamos achar os Lirianos agora?
Dallas mordeu o lábio. Josh e eu ainda sorriamos, bobos, um para o outro.
– Eu tenho uma ideia. – Disse Dallas.
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