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1 A passagem


Ao entrar no hospital, Jane sentiu-se como acabara de atravessar um portal a levando para outra dimensão. Suas mãos transpiravam e as pernas trêmulas.

Apesar de sentir aquilo, ela tinha que ajudar sua avó, que respirava de forma ofegante e levava a mão ao peito, apertando a mesma como se quisesse agarrar aquela dor e arrancá-la, mesmo sendo em vão.

Os médicos levaram a senhora para a sala de emergência, sua neta queria acompanhá-la, porém a àrea era restrita aos funcionários especializados. Então voltou para a sala de espera e se sentou numa cadeira ao lado de um senhor. Ela apertava a barra do vestido com força, da mesma maneira que a avó apertava o peito, enquanto olhava para baixo de maneira isolada.

De repente Jane ouviu um choro resistente, quase que disfarçado, olhou para o lado e viu uma lágrima escorrer dos olhos tristes e desolados de um senhor que ali estava. Naquele momento sua garganta fechou como se houvesse algo barrando seu ar e o coração começou a bater aceleradamente. A garota fechou os olhos e levou a mão ao pescoço, mas quando abriu não estava mais lá.