2035 - My Future
10 Capítulo 10
Joanna e Jack estavam no sofá, com Crito no colo. O Coitadinho tinha passado a viagem toda numa caixinha e trancado, agora que pode sair. Eu estava olhando os estragos do quintal da frente pela janela, sentada no parapeito. Passaram-se horas desde que o Carlos se trancou com o Curt lá em cima. Estava preocupada a horrores e não parava de me culpar. Joanna se encostou em Jack e ele se aconchegaram. Crito foi praticamente expulso e veio em minha direção. Coloquei-o no colo e comecei a acariciá-lo, apesar de não gostar dele. Mas aquilo estava me acalmando muito. As horas não passavam, Jack e Joanna estavam cochilando. Todos estavam mortos de cansaço, mas eu não conseguia dormir. O sol começou a nascer e ouvi a porta do quarto. Levantei num salto e derrubei Crito, que tinha dormido em cima de mim. Jack despertou, mas Joanna continuava dormindo. Olhei para as escadas a cima e nada. Impressão minha. Minha mente brincando comigo. Jack me olhava, me encarava com seus olhos escuros e profundos.
- Fique calma. Carlos sabe o que faz – Ele disse bem baixo.
Respirei bem fundo. Esse movimento de expiração me encheu os olhos de água e desandei a chorar. Ajoelhei-me na frente do sofá e apoiei a minha cabeça no colo de Jack, que começou a me acariciar.
- Não fique assim, ele vai melhorar e vocês vão poder continuar fugindo e pensando que ninguém sabe disso. – A voz dele me acalmou. Meus olhos começaram a pesar. Dormi.
Quando acordei, ocupava o sofá todo. Joanna estava sentada na cadeira ao lado do sofá e Jack estava de pé na janela, falava com Carlos. Dei um salto do sofá e fui ao encontro de Carlos.
- Cadê ele? Ele está bem?
- O moleque é forte... – “Aconteceu algo” foi o que pensei quando ele deu aquela pausa. Aquela pausa estava me matando, apesar de ter durado poucos segundos. – Mas, acho melhor deixá-lo aqui e continuarmos sem ele.
- O que? Por que?
- Ele foi mordido e, além disso, está muito debilitado. Ele iria nos atrapalhar e, talvez, quem sabe, nos atacar também. Sabe que aquele vírus é contagioso.
- Não podemos deixá-lo só porque você que ir pra um lugar que realmente nem sabe se existe. – Oh-ou. Falei demais. Bastou essas palavras e Jack e Joanna me olhavam assustados. Carlos por sua vez me olhava seriamente.
- Perdão? – Ele disse erguendo as sobrancelhas, estava surpreso com isso
- É isso o que você ouviu. Ninguém acredita que esse maldito lugar exista e não vou continuar sem o Curt. – Achei que ele ia me bater, mas ele apenas olhou pra todos nós, muito sério.
- Vocês acham que eu enlouqueci? – Ele caminhava pra minha frente, chegava mais pero de mim e eu me afastava, quanto mais ele se aproximava. – É isso? – Ele começou a sorrir. Acho que isso poderia confirmar que ele enlouqueceu mesmo.
- Carlos... – Jack falou, mas não terminou a frase ou seu pensamento. Fora cortado por Carlos
- Crianças, acham que eu as levaria a uma missão suicida? É o fim do mundo, mas não de nossas malditas esperanças. Esse lugar realmente existe e posso confirmar.
- Como? – Joanna se manifestou. Todos nos olhávamos para Carlos, que exibiu um sorriso.
- Quer mesmo saber? Sou amigo de satã.
“Ok. Podem interná-lo!”, acredito que esse foi o pensamento de todos naquele momento
- Hã? – Arrisquei com medo da resposta.
- Não é quem vocês estão pensando. Ele é um amigo meu.
— Como vocês se falam? Mensagem por fumaça? – Perguntou ironicamente Jack, que estava visivelmente pasmo e irritado.
- Quase isso. – Carlos saiu. Foi em direção ao carro, abriu a porta do motorista e tirou o banco. O que ele escondia no carro? Ele voltava com uma maleta. – Crianças, eu lhes apresento o notebook.
Olhávamos pra aquela coisa quadrada ( aquilo é quadrado?), havia umas coisas pequeninas que pareciam mais com dedos retangulares, vários fios embolados.
- Explique. – Pediu, mas parecia ordenar para Carlos. Ela se aproximou e se agarrou no braço de Jack. Eu estava na frente de Carlos, que estava sentado no chão e parecia uma criancinha feliz por ganhar um brinquedo novo. Mas aquele era o brinquedo mais estranho que eu havia visto.
- Quando eu ficava trancado no quarto, era pra falar com satã. Satã é o apelido de santos. Chamo-o assim por motivos que revelarei na presença do próprio, talvez vocês entendam. Mas quem sabe podem dar uma olhada numa foto dele... – Carlos mexeu ali, abriu aqui, colocou os dedos no negocio quadrado, apertou algumas coisas e a pequena coisa fez barulho e se acendeu. Era terrivelmente encantador ver aquilo.
- Como se chama mesmo? – perguntei sentando de frente para ele.
- É um notebook, querida. – ele estava bem calmo e falava sorrindo. – É uma coisa que antes poderia ser chamada de mini-pc. Ele pode te dar informações sobre tudo que quiseres saber, além de te ajudar a se comunicar com os outros, ou como disse Jack, enviar um sinal de fumaça para outros que tenham um desses. – ele ria e olhava para Jack, que por sua vez, mordia os lábios de raiva.
A coisa mostrou uma mensagem de “bem-vindo” e mostrou uma foto de dois caras. Um deles era Carlos, mas parecia mais novo. O outro era um pouco assustador: ele tinha seus cabelos vermelhos e sua pele era muito escura. Acho que ele não sabe que não se pode ficar muito tempo no sol... Será que ele era doente? E ele tinha garras... Acho que era um mutante. Mas ele sorria e mostrava seus dentes alinhados e brancos. Quem era ele? Jack foi para trás de Carlos e também viu a foto e aparentava está se perguntando o mesmo que eu. E Joanna também.
- Esse, meus caros, é o Satã. Chamo ele assim por causa dos cabelos e das garras. E ele é meio devoto do verdadeiro satã, mas é melhor não entrar em detalhes. Bem, e aqui... – Ele colocou o dedo numa área lisa do tal “notibuk” e arrastava seu dedo, que também mexia na tela. Lembrava a de uma TV, mas as da TV não mostravam nada, pelo menos não mais agora. Apertou algumas coisas e se abriram outras na tela. – Isso, é o que chamamos de hotmail, é por aqui que falo com o meu amigo. – Apontou um lugar onde havia várias mensagens, apertou em uma delas e abri-se algo parecido com uma carta, mas não dava para pegar. Tinha fotos na carta. Era um lugar lindo, com árvores de verdade, e tinha, mas quem diria! Um Lago! Meu Deus, um lago de verdade! Fiquei tão extasiada de felicidade que gritei e quase deixei Jack, Carlos e Joanna surdos.
- CARAMBA! TEM UM LAGO ALI!
- É pequena, mas, por favor, não grite assim... Tem gente dormindo.
- Curt. – Mencionei. Abri a boca pra falar, mas vi que Carlos me olhava, triste.
- Ele tem de ficar.
- Não, o seu amigo não pode curá-lo?
- Pequena, é complicado...
- NÃO É NÃO! FAÇA ALGUMA COISA! VOCÊ NÃO É O FODÃO? – Levantei e comecei a gritar. Fui em direção as escadas, correndo.
Jack tentou me segurar, mas ainda tinha a minha pistola em mãos, bati nele com ela. Crito tentou me pegar, mas chutei ele em direção da Joanna que vinha atrás de mim. Carlos nem se mexeu.
- CURT! Você ta aí? – Batia na porta. Batidas de volta. Ele estava acordado.
Gemidos e murros, como se alguém estivesse batendo a cabeça na porta. Tentei abria a porta de todos os jeitos mas não consegui. Carlos subiu as escadas. Jack e Joanna estavam agora com Crito no colo e olhando pela janela. Carlos me entregou a pistola.
- Olhe pequena, não queria te mostrar isso, mas já que está apelando pra isso, vou fazer-lo.
Ele colocou a chave na fechadura e abriu a porta. O que eu vi lá dentro, não se parecia em nada com o meu melhor amigo e quase irmão.
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