É tão triste saber que tudo o que vemos hoje era tão diferente antes, nossos pais, avós e que seja nos ferraram bonito, eu queria que eles tivessem feito algo para impedir tudo isso, é horrível de se ver, de ser ficar, de se viver por aqui.

Claro, que nós devemos ficar. Por quê? Porque ainda há esperança. Carlos disse que ouviu falar de um lugar que tem foi preservado, que realmente parece está intacto, está como antes, mas para isso teríamos de viajar muito e teríamos que nos preparar e essas coisas. Mas não temos certeza de que esse lugar existe, imagine se nós todos vamos até lá e está tudo pior do que aqui? Seria frustrante demais. Seria capaz de acabar com tudo ali mesmo, sim, eu me mataria ali mesmo. Mas Carlos está tentando confirmar essa história, mas não sei como ele faz isso. Alias, nem sei como ele ficou sabendo desse lugar. Qual será o segredo dele? Mas enfim, estamos eu e Curt conversando na frente da praia, de novo, sobre isso.

- Será? Será verdade mesmo? E se não for? O que você faria? – Pergunto a Curt

- Cara, nem sei... Acho que seria tão frustrante que acho que me mataria, seria como arrancar algo de mim, espero que seja verdade ou que Carlos descubra logo que é só um boato estúpido

- Eu faria a mesma coisa. Acho que seria como matar a minha esperança por completo e depois da esperança terminada, não se resta mais nada.

- Tá certo

Suspiro. Bem fundo e longamente

- Mas, se for verdade, você sabe que Carlos vai querer ir até o final, ele sente muita falta de tudo, de como era antes

- É. Eu sei. E isso pode ferrar com a gente também. Imagina se ele for capaz de fazer qualquer coisa para chegar lá? – Dessa vez, ele é quem suspira longamente.

Decidimos voltar, antes que notem que sumimos. Cobrimos os nossos rostos e seguimos em frente. Rumo à nossa casa

Chegando lá, encontramos Carlos correndo de um lado para o outro, juntando tudo o que vê pela frente, ele estava vermelho como se tivesse no sol.

- O que houve Carlos? – Perguntou Curt

- É verdade, tudo verdade. Juntem suas coisas, partiremos amanhã. Preciso de um carro e gasolina, bastante gasolina, se não....

- Jura que é verdade? – Pergunta Jack

Carlos para e olha para todos nós. Estamos assustados e com medo de que ele tenha finalmente, no auge de seus 39 anos, pirado totalmente e que esteja nos arrastando para o inferno com ele.

- Claro, ah merda, claro que é. Por que eu mentiria pra vocês, crianças?

Estamos-nos entre olhando. Parados, petrificados.

- VÃO ARRUMAR AS MALAS, NÓS VAMOS A LAS VEGAS! HAHAHAHA! – Gritou Carlos, se engasgando com a própria risada

Arrumei tudo muito rápido, minhas coisas deram 2 malas e minha mochila. Carlos anunciou que deveríamos nos trocar, para podermos enfrentar o sol forte, apesar da noite está chegando. Juntamos todas as garrafas de água que restaram e colocamos na frente da porta. Carlos pediu a ajuda de Jack para ir ao posto de gasolina ali perto para ver se tinha ainda gasolina para a caminhonete que nunca usamos e que fica num lugar chamado garagem. Depois que eles voltaram, com alguns galões cheios de algo que parecia um pouco com urina, mas tinha um cheiro enjoativo e mais forte, mas ao mesmo tempo viciante. Carlos ajeitou as malas de todos dentro da caminhonete e nos “ajeitou” também. Saímos rumo a nossa Utopia.