Finalmente chegamos ao ano de 2035. Mas não do jeito que você está pensando, com carros que voam, com transportadores e robôs por toda parte, não é assim que estamos.

Na verdade o caos tomou conta de tudo, como diz Curt: “Todos nós nos fodemos, estamos pagando o pato por tudo”. Pra mim, ele está certo.

Então no ano de 2035, todos os dias é um inferno, pois além do calor sufocante e que pode te dar câncer num piscar de olhos, temos que estar sempre à procura de água, que se tornou mais rara que ver unicórnios ou vomitar arco-íris. Devemos sempre estar alerta, nunca se sabe que tipo de criatura pode surgir do nada, um dia você pode ser o caçador, mas no outro pode acabar virando a própria caça.

Somos um grupo de sobreviventes. Somos seis: Eu, Curt, Joana, Jack e Carlos. Carlos é o mais velho, tem 39 anos, mas tem a aparência bem jovial (é um feito incrível para alguém que vive hoje em dia, todos parecem ser mais velhos do que são, ou parecem animas por causa da contaminação.), ele nos ensina a sobreviver e é uns dos únicos que viveu no tempo em que era tudo e todos “normais”. Jack tem 17 anos, está perto da maioridade, ele é um pouco fechado, mas depois de Carlos ele é quem é o mais velho, mas aparentemente, sua mentalidade é até comparada a minha ou a dê Curt. Joana tem 17 anos também e é a namorada de Jack, eu realmente não tenho muito a falar dela, ela não gosta de mim, mas fazer o que se temos de conviver juntas? Curt tem 15 anos e é um doce de pessoa, ele é meu melhor amigo, não temos segredos nem nada, somos quase irmãos, mas admito que às vezes ele parece bem mais adulto que Carlos ou até mais criança que eu. E tem eu, Fernanda, tenho 14 anos, mas estou perto de fazer 15, não tem muito que falar de mim. Moramos todos num casarão, sim, uma mansão. É estranho porque se fosse antigamente, pelo o que diz Carlos, nós nunca poderíamos viver ali, seria caro demais. Até hoje não entendo muito bem essa expressão dele.

Nosso dia a dia é monótono e chato, algumas vezes acontece algo, mas é muito raro como água isso acontecer. Acordamos antes de o sol nascer, mas ou menos às 3 da manhã para buscarmos água e comida, chegamos em casa ás 8 da manhã, que é quando o sol fica muito forte e não saímos mais, só se for muito necessário, mas às vezes eu e Curt fugimos para dar um passeio, nunca descobriram o que nós fazemos. Nós fugimos para a praia que tem perto, não tão perto, temos de andar um pouco. Nós vemos a areia branca e um enorme buraco e imaginamos; de acordo com o que Carlos nos diz, de como era antes, com a água:

- Parece que era algo lindo! – comenta Curt.

- É. – eu concordo.

Sempre vamos lá ao final da tarde, porque é nesse horário que Carlos se tranca em seu quarto e Joanna e Jack ficam à vontade E nós dois ficamos conversando e imaginando tudo como era antes. As pessoas, as casas, as ruas, praias, água pra todo lado, entende? E às vezes, eu apenas fico olhando os cabelos de Curt em seu rosto, se mexendo de acordo com o vento.