Notas iniciais
O maior até agora =D espero mesmo que vocês curtam ele, apresenta uma das minhas cenas favoritas entre Aaron e Philip *-*

UMA SEMANA HAVIA SE PASSADO DESDE A MORTE DO PRESIDENTE. E esse pouco tempo foi o suficiente para que Philip entrasse em um luto depressivo; Não saía de casa, malmente comia e tomava seus banhos. Dormir havia se tornado uma agonia, já que mesmo poucos minutos de sono eram infestados de pesadelos envolvendo um presidente e uma arma.

Ele sempre pensa “devia ter sido eu”. Ele não poderia se sentir mais perdido ali, no seu quarto, com a cama gelada e sem ninguém para lhe fazer companhia. Pensou em ligar para os pais, mas aí lembrou que ele foi desertado pela família após revelar sua opção sexual. O único que ficara do seu lado fora seu irmão mais novo.

Mas Jonas, seu irmão estava longe dali, no Canadá, fazendo intercâmbio na sua faculdade de letras. Isso fazia sua lista de pessoas para quem ligar reduzir-se a zero. O último contato humanamente verdadeiro que havia tido fora com Aaron.

Sentia pena do homem. Philip sabia que ele era uma pessoa boa, inteligente e principalmente trabalhadora. Sentiu a necessidade de correr atrás do carro dele no dia em que ele partira e dizer que ele ia arranjar algo para ele. Mas como ele cuidaria da vida de outra pessoa se ele não consegue cuidar da própria?

O telefone tocou na escrivaninha ao lado de sua cama, mas Philip não se sentia motivado a atender. Desde que George morrera, todos queriam que ele assumisse a presidência, pelo fato de que o presidente o tratava como filho. Mas Philip não nascera para ser presidente; Trabalhava melhor atrás de uma mesa, atendendo telefonemas e organizando os eventos presidenciais. Esse é um defeito e uma qualidade: ele é muito perfeccionista.

Horas depois, com o estômago roncando, ele foi para sua pequena cozinha e decidiu preparar algo para ele. Pegou vegetais, ovos, uma panela, iria fazer omelete. Decidiu cortar os vegetais primeiro, mas não conseguia controlar suas mãos, tremendo como se ele possui-se Parkinson.

Ele respirou fundo e determinadamente começou a cortar um pedaço de cebolinha. Mas não tardou muito para que o silêncio da casa o fizesse chorar de tristeza e perder novamente os controles das mãos. Mas dessa vez, algo pior aconteceu e ele passou a chorar de dor. A faca havia cortado a parte de cima de sua mão.

– Merda, merda, merda... – Sussurrava Philip, caçando pelos armários algum kit de primeiros socorros. Logo ele possuía em mãos uma maleta branca com uma cruz vermelha. Pegou gaze, algo que ele não sabia o nome e pouco fazia questão de saber para limpar o ferimento e esparadrapo. Fez um curativo rápido e se sentou no chão da cozinha. Apoiou a cabeça nos joelhos e começou a chorar em posição fetal.

Seu coração batia fracamente, no compasso da respiração dele. Ele não se sentia bem para cozinhar, muito menos para comer. Mas sabia que se não botasse algo no estômago logo estaria tentando comer seu travesseiro à noite.

Depois de uma ligação para um restaurante chinês e quinze minutos de espera, Philip estava se enchendo de yakisoba. Não havia nada a se fazer depois a não ser dormir. Ele se deitou e tentou ao máximo tirar um cochilo. Ele só acordou na manhã seguinte.

Fora uma noite sossegada, e Philip agradeceu a Deus por isso. Sentia-se tão sozinho. Não sabia o que fazer. Lembrou-se de Aaron e brevemente passou por sua cabeça ligar para ele, mas era loucura. Mal conhecia o homem. Mas mesmo assim ele estava desesperado por companhia humana. Pegou a agenda aonde anotava os números e procurou pelo nome do advogado.

– Aaron? – Philip estava apreensivo, talvez o homem o achasse doido.

– Hm... Philip? É você?

– Sim, Aaron, eu queria saber se você não poderia passar aqui em casa para conversarmos?

– Ah, claro que posso, claro, tento chegar aí o mais rápido possível.

O mais rápido possível de Aaron significou quarenta minutos depois. Nesse meio tempo, Philip mudou o seu vaso favorito de lugar dez vezes para, no fim, botar de volta no mesmo lugar. A campainha toca e Philip sente sua pulsação acelerar.

Abre a porta de sua casa e lá está ele, o cabelo mesclado penteados para trás, os olhos grafites o encarando diretamente, com uma camiseta branca e calça jeans. Sem seu habitual terno e gravata, Aaron era muito bonito.

– Entre Aaron, entre. – Philip deu passagem para ele e olhou para si próprio, com sua camisa de malha fria preta e bermuda jeans. Sua autoestima caiu um pouco no momento, mas ele se lembrou de que tinha visita, e isso o animou.

– O que você gostaria de falar comigo Philip?

– Bem... Pode parecer loucura Aaron, mas eu apenas queria... Companhia. Alguém com quem conversar. – Philip se encolheu o máximo que pode parado ao lado da porta fechada, corando levemente e sentindo vergonha do seu desespero.

– Ah! – Aaron parecia assustado. Poucas pessoas ligavam para ele para pedir companhia. – Por que eu? Não que eu não queira lhe fazer companhia, mas creio que eu não tenha sido sua primeira opção não?

– Você foi a primeira pessoa que me passou pela cabeça. Quer dizer, depois do entregador de pizza. – Aaron sorri com dentes imaculadamente brancos e certinhos, e Philip se permite sorrir um pouco também. Ele se senta no seu sofá de dois lugares e pede para Aaron se acomodar na mesma poltrona em que sentou uma semana atrás.

– Me fale sobre você...? – Perguntou e afirmou Philip ao mesmo tempo.

– Falar sobre mim... Como assim? – Aaron perguntou em meio a leves risinhos.

– Bom, deixe-me pensar... Você namora? Um homem como você deve ter muitas mulheres aos seus pés. – Aaron gargalha abertamente nessa hora.

– Namoros são algo raro em minha vida Philip. Já faz um tempo que não namoro... Uns cinco anos, quem sabe. Por fora eu possuo esse charme de galã de cinema, mas por dentro eu ainda tenho que ser desvendado.

Agora quem gargalha é Philip, impressionado com o ego do homem sentado a sua frente.

– Isso não é ser muito autossuficiente? – Pergunta ele.

– Bom, não, já que estou falando a verdade. – Aaron pisca para Philip como se fosse seu álibi. – Estou brincando, relaxe aí no seu assento. Não sou tão altruísta assim.

– Mas você realmente quer alguém para ajuda-lo a decifrar seu eu interior?

– Sim, isso seria bom não é mesmo?

– Então por que você não procura alguém?

– Mudando de assunto Philip, e você? Você é bonito e anda solteiro?

– Eu não sou o que é as meninas procuram. – Philip ri com a piada interna que apenas ele sabe.

– E por que não Philip?

– Digamos que elas nunca fazem meu tipo. – Agora ele se permite rir abertamente.

– Isso não é ser autossuficiente? – Aaron revida com um olhar travesso.

– Bom, não, já que eu estou falando a verdade. – Philip pisca para Aaron, como que falando o touché que daria o fim aquela conversa.

E eles passaram à tarde assim, conversando sobre as alegrias e as desgraças de cada um, os planos e os sonhos para o futuro, seus medos e inseguranças. A presença de Aaron para Philip era milagrosamente boa; Como se o contato humano curasse suas feridas. A presença de Philip para Aaron era igualmente boa; Ambos se sentiam amigos de longa data.

E foi assim que a noite caiu e ambos perceberam a fome açoitando seus estômagos.

– Quer sair para comer algo? – Pergunta Aaron.

– Não, muito incomodo para você em um só dia. – Ri Philip, que não se sentia tão bem desde a morte de George.

– Eu insisto. – Philip percebeu que Aaron não ia desistir, e foi por isso que concordou em sair para comer num ótimo restaurante francês. Algum tempo depois, Philip descobriu que o restaurante era o aconchegante apartamento de Aaron.

– Você me trouxe para sua casa para comer comida francesa? Creio que eu fui uma ótima companhia.

– Sim, você merecesse comida caseira não? Já que você não sabe mais manusear uma faca. – Aaron ri de sua piada. Desde que Philip contara para ele como havia machucado sua mão, ele vinha fazendo piadas sobre o assunto.

– Não vejo a graça nisso ok? Foi um ferimento sério! – Mas Philip não consegue esconder dele o sorriso que escapa de seus lábios.

– Se sente à mesa enquanto preparo a comida. – Philip puxa uma cadeira e se senta, mas logo salta com o grito de Aaron chamando um nome – Roberto! Roberto, está em casa?

– Quem é Roberto?

– Meu melhor amigo. Divido o apartamento com ele. Creio que ele não se encontra.

– Hum. – Murmura Philip, calando-se e esperando que Aaron termine seu trabalho. Nesse meio tempo, ele absorve o máximo de detalhes possíveis da sala de estar: os sofás cor marrom, o móvel no qual se encontravam fotos de Aaron com quem ele julgou ser seu amigo, Roberto, fotos de pessoas que ele não conhecia.

Havia estátuas diversas decorando cada canto que fosse possível. Philip sabia que aquilo havia sido ideia de Aaron. Talvez ele estivesse começando a desvendar o interior dele. E ao pensar nisso ele sorriu sorrateiramente.

De repente suas narinas são invadidas por um delicioso cheiro, e Aaron põe na sua frente um prato com aspecto de comida boa.

– Prove. – Diz Aaron. Philip prova a comida um pouco temeroso, mas logo percebe que o gosto é ótimo.

– Se chama... – Começa Aaron, mas Philip logo o corta, dizendo:

– Não! Não diga o nome. Há coisas que eu prefiro que se mantenham desconhecidas. Essa é a graça da vida.

Aaron olha fundo nos olhos de Philip e sorri. Philip também. Depois de comer, ambos se sentam no sofá da sala e assistem a um filme de comédia no qual as piadas não são tão boas assim. Mas isso não importava para Philip; Ele estava feliz. Ele olha para Aaron e o abraça:

– Obrigado por me fazer companhia hoje. – Aaron o abraça e murmura um “não há de que”. E depois disso, Philip faz algo involuntariamente: beija Aaron.

Notas finais
Por favor, digam o que acharam do capitulo =D sexto amanhã ou quarta.