2017
1 Reencontro?
Notas iniciais
Não sei o que escrever aqui então...
Boa leitura assim mesmo.
— Eu acho melhor a gente desistir dessa ideia, ninguém mais vai querer ir... Vamos nós três e ponto. – Aconselhou a adolescente se olhando no espelho do quarto da amiga mais nova, seus cabelos cacheados ficavam melhor lisos, definitivamente. Pelo menos pra ela...
— E eu acho melhor você calar a boca Tais. – Falou ignorante, mas não era algo com que Tais se preocupava, já estava acostumada com a amiga e o jeito dela de ser. Revirou os olhos e se jogou na cama. – Eu sei que esse papel ta por aqui. – Falou pra si mesma remexendo nas gavetas da sua estante, ela tinha certeza que havia guardado por ali.
— Você é teimosa! Nem tem como achar todo esse povo e...
— Achei! – Gritou a morenados cabelos ondulados mais animada do que o esperado, abriu a folha velha e amassada, meio borrada e meio rasgada, logo seu sorriso se transformou em uma careta ao ler o conteúdo. – Minha letra era horrível. – Torceu o nariz.
— Sua letra ainda é. – Confirmou Tais puxando a folha de sua mão e sorrindo com as assinaturas, aquele papel tinha o gostinho de lembranças e isso a fez sorrir.- Como pretende achar eles? – Perguntou distraída.
— Não sei, Kaceeg? – Indagou sugestiva. – Todo mundo tem esse troço. – Afirmou se referindo a nova rede social, tão famosa como o Facebook ou o Orkut um dia foi.
— Pode ser, mas e se a gente não achar? O que vai fazer? Afinal, eles podem ter mudado, e a gente pode não reconhecer eles... Pode ser também que eles não possam ir e...
— Pelo amor de Deus! Quando foi que você se tornou tão pessimista? – Questionou se jogando na cama e pegando seu notebook. – O Allef por exemplo, você era louca por ele, acha mesmo que se a gente ver ele não vai reconhecer? Fala sério. – Perguntou já sabendo a resposta, fez seu login no site e encarou Tais. – Por onde a gente começa? – Indagou levantando uma das sobrancelhas, enquanto a amiga se ajeitava ao seu lado ela enrolava o cabelo para fazer um coque.
— Faltam 3 meses Bia... 2017 tá mais perto do que nunca e a gente pode não achar todo mundo, uma casa para alugar ou sei lá... – Deu de ombro e ao encarar a amiga se arrependeu do comentário. – Certo, vamos começar do início, digita ai, Giulia Oliveira. – Pediu, não que ela na quisesse ir, mas parecia algo tão impossível.
— Fica tranquila Tais, vamos encontrar eles! – Falou abrindo um sorriso que logo se desfez ao ver o resultado da pesquisa do nome.
— Tudo bem... – Suspirou Tais. – Um desses 2.654 deve ser a nossa Giulia... – Falou e encarou Bia que a encarava incrédula. – Certo, deve ter outra forma... – Ficou pensativa encarando a folha em sua mão até lembrar de algo e estalar os dedos no ar. – Bia, tudo que a Giulia tinha ela substituía “Giulia” por “Gigi” tenta isso: Gigi Oliveira. – Deu a ideia e Bia assentiu sorrindo abobada e procurando o nome, e facilmente achando a antiga amiga bem na primeira página. – Ali! – Gritou Tais, entusiasmada, depois de stalkear a garota tiveram certeza que aquela menina aparentemente baixinha, sem aparelho e de óculos era a antiga amiga que mudou de escola e depois de alguns meses perderam total contato com a garota, não demorou muito para entrar na “info” do perfil dela e encontrar seu número. Enquanto chamavam as duas amigas discutiam sobre quem falaria com Giulia.
— Alô? – A voz do outro lado da linha deu um fim a discussão.
— Giulia? – Perguntaram em uníssono.
— Sim é ela... Quem são? – Indagou rindo em uma atitude já conhecido por ambas.
— É a Bia e a Tais. – Bia respondeu a pergunta colocando o celular no viva voz, e tudo que recebeu de volta foi um silêncio o que desanimou as meninas que fizeram uma rápida troca de olhares.
— Giulia? – Tais chamou e antes de terminar de dizer o nome da menina ambas se assustaram com o grito estridente do outro lado da linha acompanhados por um “hihihihihi” algo que tanto Bia, quanto Tais sentiam falta. Tais até podia admitir, mas Bia não faria isso. – Bia Affonso e Tais Santana? Sério? – Gritou animada.
— Sim. – Responderam juntas novamente sorrindo.
— Nossa cara quanto tempo, eu nem acredito que são vocês! A gente precisa se ver! Eu perdi o número de vocês, ai meu Deus, parece que é macumba, falei de vocês esses dias pra minha mãe, caraca!
— Giulia... – Chamou Bia tentando a interromper.
— Vocês mudaram muito? Bia você ainda é ruiva? Quem anda com vocês ainda?
— Giulia! – Chamou novamente e ela a ignorou.
— O Allef! Vocês ainda falam com o Allef? – Continuou seu questionário.
— CALA BOCA! – Gritou Tais e Bia se colocou a rir. – A gente ta ligando por causa de 2017, a gente pode falar? – Pediu e Giulia começou a rir alegremente do outro lado repetindo vários “Aham”.
— Ótimo, você pode encontrar a gente no shopping do Tatuapé no sábado? – Pediu Bia.
— Espera. – Falou e o celular ficou mudo, depois de alguns segundos ela voltou. – Posso, quem vai estar lá? – Perguntou e Bia pensou um pouco e olhou para Tais.
— Todo mundo do contrato, eu acho... – Falou insegura.
— Contrato? – Giulia questionou confusa e antes que alguém respondesse o raciocínio de Giulia foi mais rápido. – Meu Deus! Vocês ainda tem isso que legal! – Falou e eu sorri.
— Ok, a gente te vê no sábado Giulia, a gente precisa ligar pro resto do pessoal. – Avisou Bia.
— Ah... Mas já? – Falou desanimada e Tais rio.
— Sim, depois eu te ligo, salva meu número! – Pediu Tais e se despediram logo em seguida desligando o celular.
— Certo, qual vai ser o próximo? – Questionou Bia encarando Tais que sorrio olhando a folha em cima da cama.
— Andressa Freitas. – Falou e Bia a encarou unindo as sobrancelhas confusas.
— Aquela garota que não podia olhar a janela? – Questionou e Tais assentiu fazendo Bia suspirar. – Vamos lá... – Falou digitando o nome da menina na pesquisa facilmente achando-a, em sua versão loira? E... Rebelde? – Nossa... Parece que ela não entra a 2 semanas... E parece que ela mudou muito também. – Avisou Bia sorrindo, por essa definitivamente ela não esperava.
— Uau... – Falou e apontou na tela. – Aqui o número dela. – mostrou e Bia discou seu número no celular e ligou para a garota, mas quem atendeu foi um rapaz.
— Alô? – A voz grave se pronunciou o que fez ambas se encarar.
— Oi... Esse é o celular da Andressa? – Perguntou Tais e ouviu uma risada do outro lado.
— Sim, Sim... Eu sou o namorado dela, quem gostaria? – Perguntou e ambas arregalaram os olhos, como é que é?
— Bia Affonso e Tais Santana, antigas amigas dela da escola. – Informou receosa.
— Ah sim, espera, vou ver se ela terminou o banho. – Avisou deixando o telefone mudo.
— Eu não acredito nisso! – Sussurrou Bia.
— Ela desencalhou e a gente não! – Concordou Tais também em sussurros.
— Alô? – Uma voz feminina invadiu o celular acompanhado de risadas maliciosas.
— Oi... Andressa? – Perguntou Tais.
— Sim, ela mesmo, Gabriel disse que são antigas amigas de escola... – Foi direto ao assunto e Bia tomou o celular.
— Sim, aqui é a Bia Affonso junto da Tais Santana, a gente queria conversar sobre 2017. – Explicou Bia.
— Ai Meu Deus! Não creio! Bia? Tais! Senhor, não, não, é claro que eu vou! – Confirmou e ambas se encararam. Que merda aconteceu com a Andressa?
— Ah que ótimo! A gente vai fazer um encontro semana que vem e...
— Eu vou! Aonde e que horas? – Falou simplesmente.
— No shopping Tatuapé, ás 8 horas da noite. – Informou e o outro lado ficou mudo, ambas acharam que Andressa voltaria dizendo que não poderia ir naquele horário, mas foi o contrário.
— Certo, ta anotado, vejo vocês lá, beijos! – Se despediu e desligou, o quarto ficou em silêncio.
— Preciso dizer que isso foi estranho? – Questionou erguendo uma das sobrancelhas Bia e Tais negou. – Então, vamos para a próxima pessoa.
— Ahn... – Pensou um pouco lendo o papel. – Allef Feitosa. – Sorrio Tais relembrando do rapaz e do quanto ela chorou quando soube que ele ia se mudar pra Paraíba, Bia conversava com ele por whatsapp, mas ela não tinha celular na época e perdeu total contado, quando a mesma comprou um, o número já havia mudado e nem mesmo Bia conseguia falar com ele.
— Achei! – Bia afastou os devaneios de Tais chamando sua atenção para a tela, que mostrada um garoto totalmente diferente do que elas haviam conhecido, não tão magro com o mosquito que era, nem tão forte, apenas... Na medida... Um sorriso sem aparelho, as roupas “ostentação” e o dedo comido, que Bia fez questão de reparar, procurou o número e encontrou, discando o número e ansiosa para que ele atendesse logo.
— Alô? – Chamou a voz grave e ambas abriram um sorriso entusiasmada.
— Allef! Se adivinhar quem é eu te dou um beijo! – Falou Bia.
— Não! – Ele falou irônico fazendo um som esquisito logo em seguida. – Nathalia? – Questionou fazendo o sorriso de Bia desaparecer e Tais começou a rir. – A Tais ta ai também é? – Perguntou e o sorriso de Bia se abriu novamente.
— Seu babaca, eu achei mesmo que você não tinha reconhecido. – Falou Bia passando a mão no rosto irritada. – Quem é Nathalia? – Perguntou enciumada.
— Ninguém, ó Bia! – Gritou de um jeito que Fazia falta na vida das duas. – O Tais, tu continua gostosa? – Perguntou rindo. – To brincando, mas eai, tudo bem? – Questionou agora normal.
— To bem sim, a gente ligou pra fazer uma pergunta. – Tais se pronunciou.
— Ah. Faça. – Pediu.
— 2017. – Falei e ele ficou em silêncio.
— Nossa, essa é a sua pergunta? Que pergunta ruim. – Falou e ela rio, ele não havia mudado nada.
— Não, a nossa pergunta é: Você pode ir para o encontro final de semana que vem? – Tais perguntou sem rodeios.
— Encontro de...? – Perguntou e eu revirei os olhos.
— Pra conversar sobre 2017 sua anta! – Bia respondeu irritada.
— Ata... Oh Bia! Esse anta foi desnecessário. – Falou e ambas riram. – Sei não, preciso ver. – Falou e Bia revirou os olhos.
—Allef! – Gritou se preparando para um sermão.
— Tudo bem Bia! Eu vou! Aonde e quando? – Indagou entediado.
— Shopping Tatuapé, 8 horas no sábado que vêm. – Respondeu Tais.
— Ta, mas vou ai só pra isso, porque Paraíba é longe pra caralho, e eu não posso ficar faltando se não reprovo, vou na sexta, volto na segunda, pode ser? – Falou e ambas concordaram desligando logo em seguida, Tais suspirou e continuou.
— Andrey Lamana. – Disse o próximo nome e Bia digitou, encontrando algo não esperado, Andrey, que em sua memória não era magro... Agora estava forte, no mínino, bem encorpado.
— Uau. – Murmurou Tais baixo e eu assenti. – Ele mudou um pouquinho... – Anunciou irônica.
— Um pouquinho? – Questionei rindo, na foto tinha uma garota abraçada a ele, uma garota bonita, aliás.
— Ta. Vamos lá. – Mudou de assuntou ligando para o número do rapaz.
— Oi, eu não sei quem é, mas assim que sai do trabalho retorno. – Avisou e antes que Tais falasse algo ele desligou e ela me encarou dando de ombros.
— Rogerton Barros. – Falou e Bia digitou, achando um rapaz que não havia mudado nada, aparentemente, apenas cresceu.
— Alô? – Falou e Bia abriu a boca para responder. – Oh eae Caralho, cala boca! – Gritou impedindo Bia de se pronunciar. – Fala.
— Rogerton? – Questionou Tais impaciente pela demora da Amiga a falar algo.
— Não, o papa! Claro que é ele, quem é? – Questionou ignorante, assim como ambas haviam o conhecido.
— Bia e Tais, amigas antigas suas. – Avisou e ele ficou mudo.
— Oh, Desculpa, quem é? – Questionou e Bia revirou os olhos e Tais bateu as mãos na perna irritada.
— Bia Affonso e Tais Santana, amigas da sua antiga escola. – Falou.
— A dos olhos verdes e a do cabelo cacheado? – Perguntou e Tais respondeu um “Aham” – Assim. Eai, beleza? – Questionou.
— Sim... Sim, e então... Você pode vir pra São Paulo semana que vêm? – Indagou Bia e encarou Tais por um segundo roendo a ponta dos dedos de nervoso, ele não podia faltar...
— Sei não – Falou soltando uma gargalhada logo em seguida. – Que inútil mano, desce daí o cabaço. – Falou com alguém do outro lado da linha e Bia revirou os olhos irritadas e Tais tomou o telefone de sua mão.
— Escuta aqui seu idiota, você vai me ouvir entendeu? – Tais gritou irritada.
— Eita porra, escuta aqui fia
— Fia o Cacete, escuta aqui você. – Retrucou. – Você vai vir pra São Paulo e as oito horas vai encontra a gente na praça de alimentação entendeu? – Ordenou.
— Aham, to lá já. – Rio ironicamente.
— Eu vou dar na sua cara Rogerton, eu acho bom você
— Já entendi Tais, pode pá que eu vou colar lá. – Falou. – De verdade. – Disse, eles acertaram alguns detalhes e logo desligaram.
— To cansada. – Bufei e a Tais revirou os olhos.
— Você começou, a gente termina. – Falou séria suspirando e lendo o papel. – O próximo é... Kaio Parulosso. – Falou e me encarou por um segundo. – Será que...
— Virá essa boca pra lá Tais. – Cortei-a e pesquisei, encontrei-o sem problemas e ele estava online, então a gente falou com ele pelo chat e ele concordou em ir de boa.
— Terminamos, ficou faltando só o Andrey que atendeu e desligou. – Fez uma careta e eu ri. – Preciso ir Bia, não esquece de ligar pro João e avisar que ligamos pra todo mundo... A gente se fala amanhã na escola, Tchau. – Deu um beijo em meu rosto e saiu, ela já fazia parte de casa, então ela saiu e trancou o portão como já de costume.
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