2017
4 Pegando a Estrada
Giulia O.
POV BIA
Sentia que a qualquer momento meu coração ia explodir, mal conseguia fechar os olhos, me revirava na cama de um lado para o outro ansiosa, bufei e olhei no relógio do quarto, 2:17 da madrugada. — O que havia de errado comigo? – Pensei me sentando na beira da cama e encarando as bolsas no chão e senti meu coração acelerar por um segundo, levantei e balancei a cabeça sentindo um sorriso surgir nos meus lábios. Eu nunca estive tão animada na minha vida, amanhã... ou melhor, mais tarde iríamos pegar estrada, da pra acreditar? Um sonho que durou 5 anos se realizando, ainda sorria animada. Abri a geladeira e peguei uma garrafa de água levando em direção a pia.
— Oh Bia... – Ouvi uma voz chamar e me virei assustada olhando ao redor assustada, assombração agora? Sério? – Bia cacete... – Sussurrou de novo, dei passos curtos até a porta da sala e olhei para dentro vendo a cabeça do Allef para fora do cobertor, senti vontade de rir, ele estava todo escondido no cobertor deixando só a metade da cabeça para fora. – Surda! – Sussurrou e eu puxei a almofada em que o Rogerton dormia agarrado e joguei nele.
— É você! – Retruquei e ele segurou.
— Trás água pra mim? – Pediu e eu ri irônica.
— Você tem mãos, pegue você. – Falei me virando e ele gritou meu nome em um sussurro novamente e eu me virei revirando os olhos. — O que Allef? – Perguntei.
— Eu to com medo. – Falou se cobrindo de novo me fazendo rir.
— Vem aqui buscar, e cuidado pra não pisar no Rogerton. – Falei e ele se levantou e veio correndo. – Um marmanjo de 17 anos com medo. – Caçoei e ele fez bico.
— Ouvi uns barulhos, ai fiquei com medo. – Deu de ombro.
— Devia ser eu e minha insônia – Falei enchendo o copo de água dando-lhe.
— Valeu, e tenta dormir por que amanhã eu vou te encher o saco. – Falou voltando correndo para o sofá sem me dar direito de resposta, voltei pra cama e depois de muitas viradas na cama eu peguei no sono.
–----x-----
— Acorda, ta na hola... – Ouvia a voz do João e aquela mania de falar errado que eu já conhecia.
— Hora João. – Corrigiu Tais, virei para o outro lado tentando voltar a dormir, só que então lembrei sobre o que teríamos de fazer e levantei em um pulo já sentindo o sorriso no meu rosto. – É hoje! – Gritei e Tais sorrio animadamente, ela usava um short jeans simples com uma blusinha azul de alça, estava muito quente esses dias, e hoje não foi diferente, levantei correndo e fui em direção a sala onde minha mãe e meu pai já estavam se ajeitando, como eu iria viajar eles decidiram que fariam o mesmo, só que com meus tios e mais tarde, afinal tinham que esperar o resto da família chegar, sem falar com ninguém como sempre faço corri para o banheiro lavar meu rosto e escovar os dentes, voltei para sala e olhei para o Allef que estava jogado no sofá feito um... um... Não sei explicar o que ele parecia, mas estava espalhado, sua cabeça estava “pendurada” para fora do sofá, seus braços estavam jogados, suas pernas abertas, uma encostada no chão e a outra no encosto do sofá, eu ri da cena, Tais andava nas costas de Rogerton para acordá-lo, eu ri com a cena, ele resmungava e dizia que ia virar com ela ali mesmo, mas não virou e mesmo com toda essa algazarra Allef permanecia intacto, dormindo de boca aberta e quase indo de cara ao chã, sentei nas costas dele o fazendo resmungar, mas permaneci ali, Giulia soltou sua bolsa no chão e acenou para a gente pedindo licença para meus pais para entrar.
— Bom dia Gente, pensei que ia ser a primeira a chegar, ainda falta 15 minutos para as 8 horas gente. – Comentou Giulia sentando ao meu lado em cima do Allef e rindo.
— Ai GIULIA, BIA sai meu! – Gritou Allef se contorcendo de baixo da gente enquanto ignorávamos.
— Falta a Andressa e o Andrey né? – Indaguei e Tais assentiu.
— O Kaio também. – Lembrou Giulia e eu balancei a cabeça, na verdade eu sempre me esquecia dele.
— Bia! – Uma voz fina chamou e eu olhei pela porta vendo uma Andressa sorridente do lado de fora, a convidei para entrar e seu namorado entrou junto.
— Gente, nem acredito que vamos mesmo para praia! É surreal! – Falou e todos concordaram enquanto ela cumprimentava todo mundo.
— EU ACHO SURRE... AL, A TAIS... ESSA... GORDA... TA ME MATAN...DO! – Resmungou Rogerton com pausas para respirar ainda de baixo dos pés de Tais, que saiu de cima dela rindo.
— CO...NCO...RDO. – Allef murmurou sem ar de baixo da gente e eu levantei puxando Giulia rindo.
— Vou me arrumar, tomei banho antes de dormir por que sabia que hoje eu ia me atrasar. – Revirei os olhos e Tais rio.
— Fiz o mesmo, eu tinha certeza que eu ia me atrasar com a insônia que passei ontem... – Falou e eu ri. – Carai! To muito ansiosa mano! – Comentou e eu assenti.
— Me abraça, eu também! – Falei e ela rio e nos abraçamos rindo.
— Me solta, vai por uma roupa descente pra gente sair logo daqui e ir pra praia. – Falou me empurrando e eu sem ter muita escolha, sai de lá.
–---x----
— Vamos? – Falei olhando para todo mundo que já seguravam suas bolsas, eu com as minhas duas malas de ombro, assim como Tais que também levava duas.
— Vocês vão para onde? Pra Bahia? – Brincou Andrey com seu humor fajuto de sempre, sorrimos de forma forçada.
— Me deixa. – Falei brincalhona e ele rio sem graça, ele chegou 8 horas em ponto, pelo visto, nunca deixou de ser pontual.
— A Van chegou... – Avisou Giulia da porta com uma careta e eu ergui uma das sobrancelhas.
— Então que cara é essa? – Perguntei e ela me chamou.
–---x----
Todos estávamos quietos encarando aquela Van caindo aos pedaços a nossa frente, ela era preta, sua pintura impecável e suas janelas fumes também, e se não fosse os fechos quebrados, os para brisas quebrados, as lanternas quebradas, o interior da van falhado, o cheiro de perfume barato e os bancos desmontando e claro o motorista que tinha um sorriso amarelo e sem vários dentes, a van era impecável!
— Carai Bia, já que a gente vai nisso por que não contratou logo uma combe? Ou melhor a gente ia de a pé, sei lá, preferia ir até de bicicleta do que nisso ai. – Reclamou Allef e eu dei um tapa na sua cabeça, o cara encolheu os ombros e rio sem jeito.
— Vou abrir o porta mala pra vocês colocarem as bolsas lá dentro. – Falou indo em direção ao porta mala e todos nós o seguimos, o porta malas dele não tinha espaço para quase nada, ou nada mesmo, mal cabia minhas duas bolsas com o tanto de tranqueira que tinha lá, então optamos por colocar cadeiras de praia, guarda sol entre outros objetos lá dentro e cada um levou sua bolsa no colo. (No meu caso, uma no colo e uma nos pés). O Kaio não apareceu, tentamos ligar no seu celular centenas de vezes e mesmo assim ele não atendia, então continuamos nosso trajeto sem ele, no começo me senti mal, mas era do Kaio que estávamos falando, é claro que ele não apareceria.
— Eu vou na janela! – Falou Giulia entrando na van e eu e Taís puxamos seus braços.
— Não mesmo, somos maior que você, lembra? – Falou e ela fez cara de triste, mas logo em seguida tentou entrar correndo e nós a puxamos de novo, então eu entrei e a Tais também, ela então entrou descabelada e choramingando.
— Eu não mereço isso... – Falou fingindo (ou não) toda sua tristeza.
— Foi o combinado Giulia! Quem estivesse maior ia na janela, e os menores voltava na janela, trato é trato! – Falei dando de ombros e ela mostrou a língua se sentando no banco ao lado de Taís e sobrou um lugar ao meu lado, onde o Allef sentou. – Ah Não! – Resmunguei e Allef rio maleficamente.
— Eai Bia. – Rio com uma cara de idiota e eu revirei os olhos.
— Se em encher o saco vou dar na sua cara. – Ameacei e ele rio.
— João sentou no banco da frente e virou para me encarar.
— Não! – Falei colocando as mãos na cabeça.
— Sim. – Falou Allef e eu balancei a cabeça negativamente e encarei o João que balançava a cabeça igual Allef positivamente.
— Tchau amor, Te amo. – Falou Andressa se despedindo de seu namorado e entrando na van e se sentando ao lado do João, eu nunca me acostumaria em vê-la loira, Rogerton sentou no banco da frente, o que estava vazio, bem atrás no motorista. – Vem pra cá Rogerton. – Chamou Andressa batendo no banco ao seu lado e ele balançou a cabeça de forma negativa sorrindo e jogou a bolsa no banco da janela.
— Quando chegar vocês me avisa. – Falou e deitou no banco, Tais fez uma careta.
— Folgado. – Murmurou a morena, Andrey entrou no banco ao lado do motorista, tinha lugar lá atrás, não foi lá por que não quis...
— Vamos? – Perguntou o motorista e todos gritamos de forma animada (Menos Rogerton que já dormia.) um sonoro “Sim”, assim que a van entrou em movimento, todos começamos a conversar sobre coisas aleatórias até que do nada a Van parou fazendo todos irem para frente, aquela porcaria de Van fazia um barulho enlouquecedor e quando freava? Dava vontade de morrer, olhamos para frente vendo um Kaio parando a van sem ar nenhum.
— Sai daí Maluco! – Gritou o motorista.
— O que foi gente, não da pra ver nada daqui! – Reclamou Tais emburrada.
— Rogerton então levantou do chão, ninguém nem havia reparado que o coitado tinha ido em direção ao chão na hora do tranco, começamos a rir e Kaio entrou pela porta com uma cara de idiota e um sorriso acompanhado.
— Puta que pariu, fui parar no chão por que você é retardado? Devia te dar uns tiros. – Falou Rogerton de mal humor fazendo todos rirem e Kaio deu um beijo brincalhão na cabeça de Rogerton.
— Desculpa gente, perdi a hora. – Falou e eu de verdade me senti surpresa, ele tirou a bolsa das costas e jogou no chão se sentando ao lado de Andressa e sorrindo pra ela feito um idiota, ela não conhecia ele.
— Que foi? – Perguntou e eu e Tais entramos em crise de riso, ele continuava encarando ela e rindo.
— Nada. – Falou jogando os cabelos imaginários para o lado e cruzando a perna.
— Ai meu Deus! Essa viagem vai ser de mais! – Falou Tais entusiasmada e ai finalmente pegamos estrada.
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