Notas iniciais
Olá! Vim aqui com uma nova fanfic maravilinda que eu me dediquei muito para escrever! Vai ser uma (+-) short fic, com apenas 20 capítulos. Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever.

Talvez fosse um pouco de exagero, talvez o azar, ou então ela realmente estivesse certa e a morte a perseguia. Não um fantasma com uma foice, mas sim a sensação, o sentimento. Isso não importava agora, o que importava é que ela estava sentindo aquela mesma sensação que sempre a acompanhava. Morte. Mais precisamente, a vontade de morrer.

Não era uma romantização, uma dramatização ou nada do tipo, ela só não tinha motivos suficientes para continuar naquela vida que levava. Morava no último andar de um prédio de dezoito andares, o que, agora mais precisamente, parecia ser a pior ideia que já teve na vida. Não tinha medo de altura, mas não conseguia ir na sacada de seu apartamento sem sentir-se tonta e com a imensa vontade de se jogar e, ironicamente, sentir o medo de morrer.

Esse medo não era apenas ela que carregava, sua mãe havia mandado que instalassem redes de segurança em todas as janelas do apartamento uma semana depois que ela se mudou pra lá. Sua mãe nem mesmo morava lá. A confiança que sua família nutria nela era de se espantar, mas não podia culpá-los, nem ela mesma confiava nela, tinha sido um avanço incrível quando sua família permitiu que ela morasse sozinha.

Se mudou para Hongdae e estava cursando literatura inglesa no período da manhã, bolsa integral, seu orgulho não podia ser medido quando se lembrava desse fato, era uma das poucas coisas das quais ela se orgulhava e que a faziam dar um sorriso verdadeiro. O fato de não trabalhar a fazia se sentir culpada, tinha seus belos vinte e dois anos nas costas e seus pais ainda pagavam suas contas, assim como também pagaram pelo apartamento em que ela estava naquele momento. Soltou um suspiro decepcionado, não é como se ela não tivesse tentado arranjar um emprego, ela só não tinha habilidade suficiente para nada, apenas agora tinha decidido entrar na faculdade.

Voltou ao mundo real, sendo desperta pelo miado de sua gata, rapidamente se afastou da sacada ao perceber onde estava. O afastamento repentino fez com que ela perdesse o senso de direção e tropeçasse no cesto de roupas que se encontrava ali, caindo no chão em seguida. Apesar de tudo, sua única reação foi suspirar de alívio quando viu que estava longe o suficiente da "grande queda" proporcionada pela sacada.

Era o final do inverno e início da primavera, as flores já estavam dando indícios de sua existência enquanto lutavam contra a neve que ainda restava. As flores de cerejeira chamavam uma atenção especial, eram uma das favoritas da garota, elas deixavam o ar mais alegre que o de costume. O seu nome, Taeyeon, não tinha um significado específico, mas se pudesse, escolheria colocar o significado de seu nome com o mesmo significado das flores de cerejeira.

Para ela, cada flor tinha um significado, o que tornava tudo mais bonito, especial e profundo. Na cultura japonesa, as Sakuras, popularmente conhecidas com flores de cerejeira, representam a beleza, leveza, recomeço e esperança, coisas que Taeyeon realmente precisava naquele momento. Sua gata, Cherry ("Cereja" em português), recebera esse nome em homenagem à essas flores tão especiais para a garota.

Uma coisa boa de morar no último andar do prédio era ter acesso ao terraço, junto com a outra moradora do último andar, que era uma senhorinha adorável. Juntas, elas haviam decorado todo o espaço e feito um jardim com suas flores preferidas, todas com um significado. Tulipas brancas -perdão-, Magnólia -perseverança e doçura-, Gerânios -sentimentos-, Jacintos -tristeza profunda-, Lírios-do-vale -volta da felicidade- e por fim, Violetas brancas -indicam que uma promessa está sendo feita.

Depois de sua longa reflexão diária, Taeyeon se levantou do chão com Cherry em seu colo, entrando em casa logo em seguida. Colocou um pouco de ração para a gatinha e vestiu um casaco mais grosso, pegando as chaves de casa em seguida, precisava sair um pouco.

Ela não dirigia, mas não era necessário um carro para ir até a cafeteria da esquina. O local era quente e confortável, além do delicioso cheiro de café. Ela não gostava de café, mas não negava que o cheiro era divino. Assim que chegou no local, pediu um chocolate quente e sentou-se em um banco próximo ao balcão enquanto aguardava. O café era seu lugar preferido, ele também era uma espécie de mini biblioteca e sala de computadores, três em um.

Taeyeon havia sido diagnosticada com depressão profunda alguns anos atrás. Seus pais haviam decidido procurar a ajuda de profissionais apenas depois da primeira tentativa de suicídio da menina, só então descobriram sobre a doença. O começo havia sido duro, seu pai achava ser frescura e sua mãe estava em fase de negação, só depois de alguns meses que a família aceitou e entendeu a gravidade do assunto. Após tentativas de suicídio falhas, sua família deixou de confiar nela. Anos se passaram para que ela conseguisse convencê-los de que estava melhor e capacitada para morar sozinha.

Ela sempre alegava estar bem quando perguntavam. Ela ESTAVA bem. Pelo menos, bem melhor do que antigamente. Já podia morar sozinha sem ter medo de crises repentinas, tinha a vontade de sair de casa às vezes e sorria verdadeiramente em alguns momentos. Porque pessoas com depressão também podem sorrir.

Outra coisa que ajudou Taeyeon a melhorar, foi o presente de natal que ganhou da família algum tempo atrás, Cherry, sua gatinha. Foi ela que ficou ao lado de Taeyeon nos momentos bons e ruins. Se tivesse que citar os motivos que ela tinha para continuar vivendo, Cherry com certeza seria o primeiro.

-Chocolate quente para Tae! -O atendente chamou. Taeyeon levantou-se e foi buscar seu chocolate quente, era normal ela dar seu apelido quando fazia seu pedido.

Ao chegar no balcão, encontrou sua bebida com o nome Tae estampado, quando foi pegá-la, suas mãos encontraram a mão de outra pessoa que também queria pegar a bebida quente.

Taeyeon encarou a outra pessoa.

Motivo Nº 1: Cherry.

Notas finais
Para aqueles que querem saber, a fanfic também é postada no Spirit, porém de uma forma diferente e, como de costume, os finais das duas plataformas vão ser diferentes. Link do Spirit: https://www.spiritfanfiction.com/historia/20-motivos-para-continuar-vivendo-12893365