Notas iniciais
Estou de volta com mais um capitulo! Obrigada a todos que estão me apoiando

— Você está chorando Beatrice? — Quatro aproximou-se.

Tentei disfarçar, mas a tentativa foi falha, já estava soluçando.

— O que você tem? — perguntou.

Olhei para o chão sem coragem de responder, Quatro me acharia uma fraca por chorar a cada momento que me lembre do Peter. Limpei minhas lágrimas com a manga da blusa e perguntei.

— Podemos prosseguir?

Quatro me segurou pelos ombros e me encarou.

— Não antes de me falar a verdade.

— Eu não te devo explicações — soltei-me — Vamos?

Comecei a andar a frente de Quatro, porém não demorou muito para que ele pudesse me alcançar.

— Você vai gostar do lugar, é uma mescla do Paraíso com a Terra média. — disse Quatro.

— Deve ser interessante mesmo — comentei — Esse lugar é lindo — disse olhando para todos os lados — você deve vir bastante aqui.

— O pior é que não — disse — eu só vim aqui uma vez.

— Eu pensei que você é o explorador — brinquei — Já andou por todo Havaí? — perguntei.

— Sim, tive a oportunidade de explorar cada cantinho desse paraíso. — Quatro correu até um arbusto cheio de flores silvestres, colheu uma e trouxe para mim.

— Isso é para você. — disse colocando atrás da minha orelha, logo depois parou e me fitou.

— Agora sim é a cara do Havaí! — sorriu.

Continuamos a andar em silêncio, a estrada estava acabando então eu pude ver o que nos esperava. Estávamos nos aproximando a uma cachoeira pequena, suas águas caíam em um pequeno lago que com o reflexo do sol se tornava laranja. Várias flores sortidas enfeitavam o lugar.

— Que lugar é esse! — disse espantada.

— Eu disse que é lindo. — Quatro tirou sua blusa e sua carteira do bolso colocando-as no chão — O que você está fazendo? — perguntei arregalando os olhos.

— Vou dar um mergulho — tirou a bermuda apenas ficando de cueca.

Cobri meu rosto com a mão, morta de vergonha eu gostaria de cavar um buraco, enfiar minha cabeça lá dentro e permanecer ali para sempre.

— O que foi? — perguntou — nunca viu um corpo másculo? — gargalhou.

— Cala a boca! — bradei ainda com o rosto tampado — Coloque suas roupas vai.

— Por quê? Está incomoda? Ou será que não vai resistir?

Tirei a mão do rosto e apontei o indicador para Quatro.

— Olha, eu não te dei liberdade para falar desse jeito comigo, entendeu?

Quatro revirou os olhos e veio para cima de mim.

— O que você vai fazer? — perguntei.

— Te dar um banho. — me pegou no colo.

— Me solta agora! — bradei chacoalhando-me — eu disse para me soltar!

Quatro me levou até o lago e lá me jogou, a água estava quente.

— Você é um desgraçado! — bradei — molhei minha carteira, meus documentos, o que você tem na cabeça?

— Ande me dê aqui, vou colocar no sol para secar.

Entreguei minha carteira molhada para Quatro, o mesmo colocou sob uma pedra para secar, depois pulou no lago.

— Essa água é maravilhosa! — disse.

— De fato. — ainda estava nervosa por ele ter me jogado no lago.

— Você está tensa — aproximou-se — Assim não vai aproveitar o passeio.

Enfiei minha cabeça dentro da água e permaneci ali por alguns segundos, me faltou ar então subi novamente.

— É impossível cometer suicido tentando se afogar — disse Quatro — o seu cérebro não permite.

— Alguma outra observação doutor? — ironizei.

— Sim — respondeu — Você deveria viver o presente, viver o agora. — disse.

O agora, você deve viver o agora minha atriz.

— Tudo o que você me diz me lembra dele. — sussurrei.

— O que você disse? — perguntou Quatro.

Abaixei a cabeça e fiquei em silêncio.

— Relaxa atriz! Você não vai ficar bêbada! — Peter me oferecia um copo de Whisky — Só um pouco alegre — sorriu.

— E se eu virar alcoólatra? — perguntei.

— Então seremos dois alcoólatras. — respondeu.

Olhei para o chão e permaneci em silêncio.

— Você tem que viver o agora!

Revirei os olhos e peguei o copo de Whisky de Peter e virei, assim que senti o liquido descer queimando fiz uma careta.

— Vou te chamar de careta agora — disse Peter gargalhando.

— Beatrice — Quatro estalou os dedos — você está aí? — perguntou.

— Estou sim Quatro — respondi.

— Eaí, o que você quer fazer agora? — perguntou.

Pensei um pouco, eu realmente não estava com cabeça para pensar no que fazer.

— Não é você o guia turístico? — perguntei — Então escolha você.

Quatro revirou os olhos e disse.

— Então vamos relaxar. — fechou os olhos e encostou sua cabeça em uma pedra.

Fiz o que Quatro sugeriu, encostei a cabeça na pedra e relaxei.

Acordei caída em um gramado gigantesco cheio de pessoas ao meu redor, levantei-me e a música One Love do Bob Marley tocava no fundo.

— Estou no encontro dos Rastas — disse a mim mesma — Foi o primeiro lugar que saí com Peter.

Comecei a passar espremida pela multidão que dançava ao som da música.

Sayin': Give thanks and praise to the lord and I will feel all right… — ouvi Peter cantando no meu ouvido.

Virei-me rapidamente.

— Você está no meu sonho de novo! — bradei.

Peter abriu um sorriso, seu sorriso era lindo, e seus dentes da frente eram separados o deixava fofo.

— Eu vim aqui puxar a sua orelha — disse — você não para de chorar!

— É porque estou morrendo de saudades! — o abracei — Você não está?

— Sim, mas eu estou morto! — respondeu — Você está viva Careta, e você tem um cara vistoso investindo em você.

— Você está falando do Quatro? — perguntei — Como você pode me falar uma coisa dessas? Nós somos...

— Nós éramos — interrompeu-me — Olha para mim Careta — Peter abriu os braços — Eu estou no céu dos rastas, e o melhor aqui não tem maconha! — brincou.

Dei um tapa em seu ombro.

— Idiota.

— Bom, na verdade eu usei a nossa melhor lembrança para vim te avisar para abrir a terceira regra assim que chegar em casa. — disse — Agora eu tenho que ir. — Peter aproximou-se e beijou minha testa.

— Não, você não pode ir! — segurei em seu braço.

— Você não manda em mim Careta. — Peter virou-se e saiu andando.

— Tris acorda! — ouvi Quatro me chamando — Acorda!

Abri os olhos e dei de cara com ele a poucos centímetros de mim.

— Que foi? — perguntei.

— Vamos andar um pouco? — perguntou.

— Estou com preguiça — respondi.

Quatro levantou-se e pegou no meu pulso levantando-me também.

— Vamos sedentária, vamos andar.