20 Primaveras

15 Vou estar com você!


Notas iniciais
Oi meus amores, tudo bem? Estou tão orgulhosa da decisão da Becca *-* , e vocês?

—Estou chegando! – gritou a escandalosa da Letícia abrindo e batendo a porta do meu apartamento.

Chegou na cozinha me deu um beijo na bochecha, beliscou o frango que eu fazia e eu dei um tapa em sua mão.

— Para de roubar comida, fazendo assim parece criança – chamei a sua atenção.

— Amiga, eu estudei a tarde toda, minha cabeça só está a passando a veterinária, eu nem tenho conseguido procurar o meu homem perfeito mais, meu estômago está protestando comigo, pedindo comida. – disse fazendo cara de coitada e justificando o que fez.

— Ok, tudo bem, sem drama. – disse – Mas aqui, você não tem saído com ninguém? – perguntei espantada.

Letícia me olhou com cara de ofendida. Eu não entendo essa garota, mostra pra todo mundo que não se apega fácil e quando eu pergunto se ela não está com alguém ela assusta. Ela acha que eu estou errada em fazer esse tipo de pergunta, manchando assim, a reputação dela.

— Rebeca, pro seu governo, sim eu estou sem ninguém. – respondeu – Mas eu estou preferindo ficar assim, porque está difícil a situação e eu não quero ser antecipada com nada – disse.

Eu fiquei olhando para a cara dela, e ela desviava o olhar do meu toda hora.

—O bonitão engravatado que você conversava aquele dia lá no hotel... Roberto, não é? Ele te de um fora? – perguntei e ela tentou segurar o riso mas não conseguiu.

— Poxa vida Becca, eu não consigo mentir pra você, é isso mesmo? – perguntou gargalhando e eu também estava rindo muito da encenação de coitadinha que ela havia feito.

—Tem muito tempo que já terminou? – perguntei parando de rir.

—Tem sim, uns dois dias- respondeu de qualquer jeito.

—Dois dias não é muito tempo Lê – disse .

— Pra mim é! — respondeu – E eu também não levei um fora – disse convencida.

—Ah, não? Dessa vez então foi você que pôs um basta? – perguntei animada.

—Bem... assim... eu ligava e ele não atendia as ligações, nem mensagens, pediu pro porteiro do prédio dele não me deixar subir... e outras coisas básicas, assim. E tipo, mas fui eu que decidi não ligar e nem insistir mais, depois de ter ido atrás dele durante uns dias. Mas enfim a decisão de desapegar foi minha...não foi? – perguntou receosa tentando se convencer e me convencer também do havia dito.

—Foi, claro que foi – disse firme.

Letícia me olhou, sorriu e voltou a comer o frango. Eu não teria coragem de dizer pra ela que não foi ela quem decidiu por um fim no namorico. Foi o tal de Roberto que praticamente impediu que ela tivesse acesso a vida dele.

Fiquei olhando para Lê que parecia com aquela ingenuidade toda uma criança, que acredita que o Papai Noel sempre vem no fim do ano e deixa o melhor presente embaixo da árvore. Ela não acreditava que o amor pudesse machucar. Quando eu dizia para ela que sim, as vezes ele dói, ela sempre afirmava:

“ Se dói e faz mal, então não é amor.”

E até que ela tinha razão, hoje eu vejo que se magoa, machuca, faz sofrer é tudo, menos amor. Letícia sempre me disse que o amor é leve e que sim tem problemas, complicações, mas que não causa desgosto, ou ódio da outra pessoa que você “ama”.

Se é assim, já não é mais amor. O problema é que quando estamos apaixonados criamos características para a pessoa amada, que não são as reais dessa pessoa e quando ela vai contra as nossas expectativas, nos decepcionamos. Que saibamos sempre distinguir as coisas e evitar tantas decepções sem motivos.

—Eu tenho uma coisa pra te contar- puxei assunto com a Letícia, eu ainda não havia contado sobre mim e o Gui.

—Que foi? – disse com o frango preso na boca, nem olhar na minha cara ela olhou.

Mas eu ia contar a história mesmo assim eu não aguentava de euforia.

—Guilherme e eu voltamos – disse com o maior sorriso do mundo, mas que cessou rapidamente.

Letícia quando escutou o que eu disse, se engasgou de uma forma absurda e eu entrei em desespero. Fiquei rodando na cozinha igual barata tonta e pedi para ela levantar os braços, não sabia se isso realmente funcionava mas era o que mamãe sempre dizia,quando eu engasgava. Não surtia efeito nenhum, mas que vai que ajuda.

Comecei a bater em suas costas e ela começou a tossir e se acalmar, parecendo que estava conseguindo sair daquele engasgo. Ela abaixou os braços e voltou a respirar novamente. Fiquei aliviada quando vi que ela tinha conseguido desengasgar.

— Como assim, você é Gui voltaram? Eu dormi por quanto tempo, porque até hoje cedo vocês não se falavam – disse gritando praticamente, é pelo visto ela já estava bem melhor.

— Isso aconteceu hoje a tarde. Eu saí na chuva, depois de uma crise de realidade, onde eu puder ver que eu estava sendo a pessoa mais idiota do meu mundo. Letícia, você me abriu os olhos, e eu devo muito de tudo isso pra você. Eu estava folheando aquela agenda antiga, que eu escrevia palavras de amor, você se lembra? – perguntei e ela confirmou sorrindo, deve ser ao se lembrar daquela época.

— Pois então, lá tinha um texto que eu havia escrito sobre o Guilherme e vi que a menina que eu fui aos 16 não estaria nem um pouco orgulhosa com a mulher de 20 que eu me tornei, se eu por acaso não desse um jeito na minha vida amorosa. E fui atrás dele, eu encontrei uma arrumadeira extremamente simpática e eu por um segundo achei que ele tivesse indo embora. Ele quebrou um objeto no quarto, deduzo eu que seja por raiva da nossa discussão, machucou a mão e teve um curativo. Quando eu vi aquilo, tive a certeza que não era só a mim que eu fazia mal com todo aquele orgulho e convencimento de que eu estava fazendo o certo. – terminei de falar e eu estava com o olhar perdido enquanto contava tudo para Letícia.

Quando eu voltei a olhar para Lê ela estava atracada com a coxa do frango de novo. Sorrindo um pouco e mastigando ao mesmo tempo. Cena linda de se ver, aposto que qualquer um que visse perderia o encanto por ela na hora.

—Sabia que vocês dois iam voltar- disse me olhando, levantando e lavando as mãos –Estou orgulhosa de você, você soube pensar e reaver sua decisão, enquanto ainda era tempo. Você ama o Guilherme e é recíproco, que não tinha porque trazer pro presente um desentendimento do passado. Agora é vida nova, sem ficar lembrando do que aconteceu entre vocês – disse Letícia .

Contei para ela o que eu e Gui decidimos, em relação a começar de novo de um jeito novo, e ela super apoiou. Disse que estávamos certos e que não se escreve uma nova história em folha escrita, então, para dar certo era preciso apertar o play de novo. E que ela estaria presente e me apoiaria nesse nova fase...disso eu já tinha certeza.

Notas finais
Letícia e sua coxa de Frango hahahaahhahaha Meus amores deixem seus comentários. Beijos!