20 Primaveras
18 Um amor de tirar o fôlego
Notas iniciais
A música acabou e Guilherme direcionou seus olhos para a minha boca.
— Eu reparei que você não veio de batom vermelho- disse e sorriu.
— Bom é que não sei se te contei, mas um bilhete dizia que caso fosse a minha intenção beijar muito o remetente, eu deveria evitar batom vermelho – disse e pisquei para ele.
—Ah, então a senhorita está mal intencionada? – perguntou.
— Não. Eu estou com as melhores intenções do mundo, sempre tive as melhores, meu bem – disse para ele que sorriu, se aproximou e me beijou.
Dessa vez eu senti as borboletas, acho que da outra vez elas não quiseram aparecer porque estavam no jardim de outra pessoa que já estava completamente certa do amor. Coisa que no dia que o Gui me beijou, eu ainda não estava. Naquele dia eu estava aceitando a ideia de voltar a acreditar, já hoje eu acredito.
Eu acredito que dá sim pra ser verdadeiro, que dá pra ser nós dois.
Para as coisas seguirem um rumo bacana o que faltava era eu aceitar que queria tentar e que estava disposta a quebrar a cara se desse errado mais uma vez. Eu só não estava disposta a aceitar fica velhinha com o sentimento de: o que teria sido se eu tivesse tentado?
Na minha opinião, a vida é curta e linda demais, pra você ter medo de vivê-la.
— Está pensando em que?- perguntou Guilherme depois do beijo, quando me viu olhando pra ele e tendo todos esses pensamentos na minha cabeça.
—No quanto eu acertei em tomar a decisão de tentar de novo- disse.
—Eu também gostei muito quando você decidiu isso – sorriu e eu dei um tapa em seu braço.
Ficamos ali mais umas horas, conversando, se conhecendo de novo, entre beijos e declarações, decidi que essa noite nunca poderá ser esquecida.
Guilherme me levou até em casa, quando foi se despedir de mim eu não queria soltá-lo, eu queria ele aqui pertinho de mim, mas ele teve que ir. Eu subi pro meu apartamento rindo a toa e carregando os sapatos nas mãos e saltitante eu fui abrir a porta.
Estava um breu, eu achava que a Letícia deixaria pelo menos a luz da sala acessa, porque ela sempre deixava, mas dessa vez ela não fez isso. Ela sempre deixava porque dizia que era melhor pagar a luz do que pagar curativos para os hematomas que eu adquiria ao sair batendo em tudo o que eu via pela frente. E não havia exagero nisso que ela falava, porque era verdade, meu segundo nome era desastre.
Eu entrei com bastante cuidado porque haviam móveis bem perto da porta e para eu não esbarrar em nenhum, fazia tudo com movimentos minimamente pensados. Acendi a luz a luz pra fechar a porta e assim que me viro dou de cara com a Letícia jogada no meu sofá, com o cabelo todo bagunçado na cabeça.
Ela estava deitada toda torta, e com a cabeça pra fora do sofá o que fez com que o seu cabelo ficasse desarrumado e caído no rosto. Quando eu a vi dei um grito e ela acordou gritando também, porque sim, ela estava dormindo.
— Você está louca? – perguntou Letícia depois de ter gritado assustada com o meu grito.
— Você que não deve estar batendo bem, toda esparramada no meu sofá, com a luz apagada, só faltava eu entrar dentro de casa e você sair da televisão como aquela menina do filme – disse.
Eu não disse o nome da menina do filme, porque eu tinha pavor só de lembrar, sim esse filme me dava muito medo, então para não provocar meu lado nada corajoso eu preferi não dizer.
Letícia levantou do sofá arrumou o cabelo, e ficou me olhando.
— Ok, agora que eu já estou parecendo sua amiga de novo faz um favor de me contar como foi lá com o Guilherme- disse Letícia praticamente ordenando.
Respirei fundo, dei um sorrisinho pra ela, deixei meus sapatos no chão e sentei no sofá. Fiquei lá sentada, e sorrindo pro nada.
Letícia ficou me olhando, e se sentou do meu lado com os olhos do tamanho do mundo
— Foi tão bom assim que você nem consegue falar? – perguntou de uma forma tão engraçada que eu comecei a rir sem parar.
Letícia ficou me olhando sem entender nada.
— Que foi, eu falei alguma besteira? – me perguntou de uma forma inocente.
— Se você tivesse percebido seu tom de voz – disse e ela começou a rir também
—Para com isso, Becca! – disse me empurrando – Me conta logo, minha curiosidade está acabando comigo.
Parei de rir como ela havia pedido e contei tudo o que aconteceu.
— Será que a forma em que o Guilherme foi feito, outro homem não foi feito também não? – perguntou pensativa.
Letícia tinha umas ideias, que assim, se você não a conhecesse acharia que ela era louca.
— Que forma Letícia? – perguntei meio impaciente.
—Amiga, eu também quero um príncipe desses. Eu mereço sabia? – disse com cara de coitada. – Eu sei que eu pareço tarada, mas não é assim. Além de ter um coração que está pronto para todos os tipos de aventura, esse mesmo coração também sonha e deseja um amor verdadeiro. – disse e fingiu estar magoada com a minha “insensibilidade”.
Abracei a Lê como se pedisse desculpas por minha falta de consideração e voltamos a sorrir como duas loucas.
Mas eu torcia muito pra que a Lê encontrasse um homem bacana, que a fizesse bem e que principalmente prendesse a atenção dela. Digo isso, porque Letícia nunca foi do tipo que tem sua atenção prendida facilmente pelas coisas. Ela namora, sai, se diverte e fica um tempo nesses namoros, porém quando o homem decidi ir embora ela nem liga, ela simplesmente diz “tchau”.
Isso porque nenhum deles soube decifrar a Lê. Ela quer ser conquistada com respeito, ela quer ser envolvida e sentir o que ela nunca sentiu por nenhum homem ainda: amor.
Amor daqueles que tira o fôlego e ao mesmo tempo aconchega, que tira noites de sono mas nos traz os melhores sonhos, que faz a gente querer parar o tempo em alguns momentos, e em outro torcer para que ele passe logo. Só pra chegar a hora de ver a outra pessoa. Amor esse, que eu vivo com o Guilherme.
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