20 Primaveras
37 Mudança positiva
Notas iniciais
Por incrível que pareça eu não estava triste, muito menos desanimada ou desapontada. Por mais que dissesse que queria que ele aceitasse, no fundo meu coração sabia que essa seria a reação dele. Não sei porque mas não me senti segura em relação ao Guilherme para pensar algo diferente disso.
Eu estava desenhando até agora pouco, sinal de que isso que aconteceu não me tirou a inspiração nem nada do tipo. Letícia já sabia da missa metade e me apoiou como sempre fez e disse ter ficado surpresa com essa coisa do Gui me chamar de louca. É assim que irão me chamar mesmo, por causa disso que não vou enfraquecer com isso que aconteceu, sei que veio de uma pessoa que supostamente deveria não dizer coisas como essa, mas ele disse. Se não posso mudar o jeito de pensar de quem amo, quem dirá dos outros que não sentem nada por mim?
Se fosse há alguns anos atrás, eu estaria nesse momento jogando tintas, telas, pinceis, folhas, tudo fora e ligando para ele pedindo que ignorasse o que eu disse e a decisão que havia tomado. Mas como não sou a mesma insegura de antes, continuo com tudo que fiz, não vou ligar para ele, não vou pedir que me entenda. Ele que se quiser fazer isso que faça, mas por vontade própria, não fazer isso quando eu abdicar do meu sonhos, isso não vai acontecer. Se for para permanecer ao meu lado que seja entenda quem seu sou. Poxa, já fiz isso por ele tantas vezes... que amor é esse que apenas um lado se esforça, liga, pede desculpas, ignora, esquece. Que apenas um lado ama de verdade?
Me olhei no espelho e já não gostei do que vi. O mesmo corte de anos, o mesmo batom, o mesmo sorriso tímido. Precisava mudar, tanta fofura já não casava com quem sou hoje. Continuo sendo a mesma simpática de sempre, mas agora um pouco mais forte e pedindo que a personalidade mais decida que adquiri, seja também demonstrada fisicamente.
— Lê, será que a ex cabeleireira que mora no apartamento ao lado do seu, ainda tem habilidades com cortes de cabelo?
Perguntei ao telefone.
— Não sei amiga, creio que sim. Da última vez dei um jeito no meu cabelo foi com ela e continua com as mesmas mãos de fadas de antes.
— Tem como perguntar a ela se tem como fazer uma mudança em mim?
Letícia falhou a voz.
— Você? Como assim vai mudar o corte? É o mesmo há anos!
— Justamente por isso. É o mesmo há anos, e definitivamente não me faz bem viver de passado.
— Amiga
A interrompi
— Não se preocupe, eu não estou louca. Preciso de um cabelo com mais movimento, e uma vida do mesmo jeito. Olha aí com ela pra mim e me avisa.
Queria mudar e não queria ir a um salão. Geralmente cobram caro demais apenas para tirarem as “pontinhas” e nunca fazem da forma que gosto e peço. Para não passar raiva prefiro ir à ex cabeleireira aqui do prédio e voltar feliz com o novo corte.
Meu telefone tocou.
— E aí, ela pode?
— Pode sim, segundo ela se você tiver disponível pode vir agora mesmo.
— Ok, estou indo então. Você vai comigo?
— Claro que sim! Estou levando uma sacolinha para guardar o seu cabelo, como fazem com criança quando faz o primeiro corte sabe? Para ficar de recordação.
Tinha que ser a Lê para fazer piada numa hora dessas.
— Hahaha, engraçadinha. Para de besteira e fica pronta aí que já estou indo.
Desci até o apartamento da cabeleireira e bati a porta. Letícia vinha correndo atrás.
— Boa tarde, sou a Rebecca, minha amiga Letícia falou com você.
— Boa tarde filha, entra.
Foi extremamente simpática comigo e eu já gostei disso. Conforme ia andando pelo apartamento dela fui vendo todos os matérias que ela usava para trabalhas empacotados. Apenas os mais básicos estavam à mostra e numa cômoda tinha a foto de uma família. Creio que seja a família dela, mas é estranho porque ela atualmente mora sozinha.
Fez um sinal para que me sentasse e foi pegando a tesoura e as outras coisas. Letícia estava sentada no sofá ainda olhando para mim pelo espelho com uma cara de: “ Você tem certeza?”
Acenei positivamente para ela que deu um pequeno sorriso.
— Posso te fazer uma pergunta?
Disse a cabeleireira. Manoela, era assim que se chamava.
— Claro.
— Porque não preferiu ir a um salão?
— Nunca fazem o que peço e isso me irrita. – disse e sorri um pouco e ela também. – E Letícia já cortou com você uma vez e amei o resultado, então...
— Que ótimo que passo boa impressão apesar de não trabalhar mais com isso. Apenas corto de quem pede, mas não sou mais tão conhecida assim como era.
Percebi uma tristeza em sua voz quando disse isso mas não a enchi de perguntas.
— Como quer o corte?
— Quero que tire um pouco do comprimento, e o repique em camadas.
Expliquei como queria tudo bem direito e ela começou o corte. Porém me deixou de costas para o espelho e a única que via como estava ficando era Lê.
Não estou sendo radical demais. Só que estou mudada, mais madura e por isso quero algo diferente. Eu estou diferente, para melhor é claro, e quero ver no meu físico a mesma mudança. Dei uma conferida rápida no celular e vi que havia uma chamada perdida do Guilherme. Não retornei.
Quando eu sair daqui e estiver com tempo, ligo pra ele. Ou melhor, se ele tiver interesse que ligue novamente, ou então venha até minha casa. Sabe onde moro, como vivo e meu telefone. Sendo assim não preciso procurar uma forma de dizer que estou aqui, ele sabe bem que sempre estive, dessa forma se quiser que ligue, que procure, que venha fazer as pazes ou me chamar de louca mais uma vez. Ele que faça o que quiser.
Ficamos conversando enquanto ela finalizava o corte e eu estava ansiosa demais para ver como havia ficado.
— Prontinho!
Disse e eu olhei para Lê.
— Está maravilhoso! Agora sim você parece uma mulher decidida de 20 anos.
Me virei e surgiu um sorriso imenso no meu rosto. Ficou perfeitamente como queria e pensei. Realmente ela tem mãos de fada como disse Letícia.
— Ficou maravilhoso! – disse para ela que sorriu e piscou.
— Fico feliz que tenha gostado.
Perguntei o preço e a paguei, foi bem em conta, outra coisa que me deixou mais satisfeita ainda.
Antes de irmos decidi perguntá-la uma coisa.
— Por que não trabalha com isso? Olha só como me deixou, eu estou feliz com o que fez com meu cabelo, já imaginou quantas outras mulheres você poderia deixar assim?
Bem, acho que vacilei ao fazer essa pergunta já que seus olhos lacrimejavam no momento.
— Era o que eu mais queria de verdade. Já tive meu momento, mas infelizmente isso se foi. Qualquer dia de te conto com detalhes.
Disse carinhosamente e passou a mão por meus cabelos. A agradeci mais uma vez e fiquei pensativa sobre qual o motivo dela não trabalhar mais.
Como ela disse, qualquer dia me conta. E vou saltitante para minha casa e ir direito pro chuveiro, já que estou toda coçando por conta do corte.
— Mais tarde passo lá na sua casa!
Gritou Letícia e eu concordei.
Olhei para o celular e Guilherme não havia ligado novamente. Ignorei aquilo e fui cuidar da minha vida, que talvez, não interesse mais a ele.
Por incrível que pareça eu não estava triste, muito menos desanimada ou desapontada. Por mais que dissesse que queria que ele aceitasse, no fundo meu coração sabia que essa seria a reação dele. Não sei porque mas não me senti segura em relação ao Guilherme para pensar algo diferente disso.
Eu estava desenhando até agora pouco, sinal de que isso que aconteceu não me tirou a inspiração nem nada do tipo. Letícia já sabia da missa metade e me apoiou como sempre fez e disse ter ficado surpresa com essa coisa do Gui me chamar de louca. É assim que irão me chamar mesmo, por causa disso que não vou enfraquecer com isso que aconteceu, sei que veio de uma pessoa que supostamente deveria não dizer coisas como essa, mas ele disse. Se não posso mudar o jeito de pensar de quem amo, quem dirá dos outros que não sentem nada por mim?
Se fosse há alguns anos atrás, eu estaria nesse momento jogando tintas, telas, pinceis, folhas, tudo fora e ligando para ele pedindo que ignorasse o que eu disse e a decisão que havia tomado. Mas como não sou a mesma insegura de antes, continuo com tudo que fiz, não vou ligar para ele, não vou pedir que me entenda. Ele que se quiser fazer isso que faça, mas por vontade própria, não fazer isso quando eu abdicar do meu sonhos, isso não vai acontecer. Se for para permanecer ao meu lado que seja entenda quem seu sou. Poxa, já fiz isso por ele tantas vezes... que amor é esse que apenas um lado se esforça, liga, pede desculpas, ignora, esquece. Que apenas um lado ama de verdade?
Me olhei no espelho e já não gostei do que vi. O mesmo corte de anos, o mesmo batom, o mesmo sorriso tímido. Precisava mudar, tanta fofura já não casava com quem sou hoje. Continuo sendo a mesma simpática de sempre, mas agora um pouco mais forte e pedindo que a personalidade mais decida que adquiri, seja também demonstrada fisicamente.
— Lê, será que a ex cabeleireira que mora no apartamento ao lado do seu, ainda tem habilidades com cortes de cabelo?
Perguntei ao telefone.
— Não sei amiga, creio que sim. Da última vez dei um jeito no meu cabelo foi com ela e continua com as mesmas mãos de fadas de antes.
— Tem como perguntar a ela se tem como fazer uma mudança em mim?
Letícia falhou a voz.
— Você? Como assim vai mudar o corte? É o mesmo há anos!
— Justamente por isso. É o mesmo há anos, e definitivamente não me faz bem viver de passado.
— Amiga
A interrompi
— Não se preocupe, eu não estou louca. Preciso de um cabelo com mais movimento, e uma vida do mesmo jeito. Olha aí com ela pra mim e me avisa.
Queria mudar e não queria ir a um salão. Geralmente cobram caro demais apenas para tirarem as “pontinhas” e nunca fazem da forma que gosto e peço. Para não passar raiva prefiro ir à ex cabeleireira aqui do prédio e voltar feliz com o novo corte.
Meu telefone tocou.
— E aí, ela pode?
— Pode sim, segundo ela se você tiver disponível pode vir agora mesmo.
— Ok, estou indo então. Você vai comigo?
— Claro que sim! Estou levando uma sacolinha para guardar o seu cabelo, como fazem com criança quando faz o primeiro corte sabe? Para ficar de recordação.
Tinha que ser a Lê para fazer piada numa hora dessas.
— Hahaha, engraçadinha. Para de besteira e fica pronta aí que já estou indo.
Desci até o apartamento da cabeleireira e bati a porta. Letícia vinha correndo atrás.
— Boa tarde, sou a Rebecca, minha amiga Letícia falou com você.
— Boa tarde filha, entra.
Foi extremamente simpática comigo e eu já gostei disso. Conforme ia andando pelo apartamento dela fui vendo todos os matérias que ela usava para trabalhas empacotados. Apenas os mais básicos estavam à mostra e numa cômoda tinha a foto de uma família. Creio que seja a família dela, mas é estranho porque ela atualmente mora sozinha.
Fez um sinal para que me sentasse e foi pegando a tesoura e as outras coisas. Letícia estava sentada no sofá ainda olhando para mim pelo espelho com uma cara de: “ Você tem certeza?”
Acenei positivamente para ela que deu um pequeno sorriso.
— Posso te fazer uma pergunta?
Disse a cabeleireira. Manoela, era assim que se chamava.
— Claro.
— Porque não preferiu ir a um salão?
— Nunca fazem o que peço e isso me irrita. – disse e sorri um pouco e ela também. – E Letícia já cortou com você uma vez e amei o resultado, então...
— Que ótimo que passo boa impressão apesar de não trabalhar mais com isso. Apenas corto de quem pede, mas não sou mais tão conhecida assim como era.
Percebi uma tristeza em sua voz quando disse isso mas não a enchi de perguntas.
— Como quer o corte?
— Quero que tire um pouco do comprimento, e o repique em camadas.
Expliquei como queria tudo bem direito e ela começou o corte. Porém me deixou de costas para o espelho e a única que via como estava ficando era Lê.
Não estou sendo radical demais. Só que estou mudada, mais madura e por isso quero algo diferente. Eu estou diferente, para melhor é claro, e quero ver no meu físico a mesma mudança. Dei uma conferida rápida no celular e vi que havia uma chamada perdida do Guilherme. Não retornei.
Quando eu sair daqui e estiver com tempo, ligo pra ele. Ou melhor, se ele tiver interesse que ligue novamente, ou então venha até minha casa. Sabe onde moro, como vivo e meu telefone. Sendo assim não preciso procurar uma forma de dizer que estou aqui, ele sabe bem que sempre estive, dessa forma se quiser que ligue, que procure, que venha fazer as pazes ou me chamar de louca mais uma vez. Ele que faça o que quiser.
Ficamos conversando enquanto ela finalizava o corte e eu estava ansiosa demais para ver como havia ficado.
— Prontinho!
Disse e eu olhei para Lê.
— Está maravilhoso! Agora sim você parece uma mulher decidida de 20 anos.
Me virei e surgiu um sorriso imenso no meu rosto. Ficou perfeitamente como queria e pensei. Realmente ela tem mãos de fada como disse Letícia.
— Ficou maravilhoso! – disse para ela que sorriu e piscou.
— Fico feliz que tenha gostado.
Perguntei o preço e a paguei, foi bem em conta, outra coisa que me deixou mais satisfeita ainda.
Antes de irmos decidi perguntá-la uma coisa.
— Por que não trabalha com isso? Olha só como me deixou, eu estou feliz com o que fez com meu cabelo, já imaginou quantas outras mulheres você poderia deixar assim?
Bem, acho que vacilei ao fazer essa pergunta já que seus olhos lacrimejavam no momento.
— Era o que eu mais queria de verdade. Já tive meu momento, mas infelizmente isso se foi. Qualquer dia de te conto com detalhes.
Disse carinhosamente e passou a mão por meus cabelos. A agradeci mais uma vez e fiquei pensativa sobre qual o motivo dela não trabalhar mais.
Como ela disse, qualquer dia me conta. E vou saltitante para minha casa e ir direito pro chuveiro, já que estou toda coçando por conta do corte.
— Mais tarde passo lá na sua casa!
Gritou Letícia e eu concordei.
Olhei para o celular e Guilherme não havia ligado novamente. Ignorei aquilo e fui cuidar da minha vida, que talvez, não interesse mais a ele.
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