20 Primaveras

1 Coração aventureiro


Notas iniciais
Oi gente! Como vão? Bom, estou começando mais uma história para a vida de vocês. Rebecca, essa mulher encantadora, que vai passar para vocês a cada capítulo uma lição, uma frase amiga, aventura, amores, acontecimentos e muito amadurecimento. O que eu quero a cada palavra é que vocês se encontrem na frente de seus computadores ou celulares e se sintam em casa, entre amigas. Porque é com essa intenção que eu escrevo 20 Primaveras, para que vocês tenham alguém que as(os) entendam.

“É que diferente de você, meu coração tem espaço para todos os tipos de aventuras.”

Queria tanto sair do interior, colocava tanto defeito no lugar que não tinha nada para eu fazer, que não tinha shopping, bagunça, pessoas andando de um lado pro outro e agora que moro na “cidade grande” a dois anos eu vejo que me arrependo pra burro do que eu dizia. Tudo bem, aqui eu vejo tudo o que eu não via, mas eu sinto falta daquela calmaria, de quando chegava a noite e as pessoas iam para as suas casas e se aconchegavam em suas famílias com tanto gosto como se eles fossem aqueles cobertores quentinhos nas noites de inverno.

Todo mundo conhecia todo mundo, falava de todo mundo também, mas até que era bom, descobri coisas sobre mim que nem eu mesma sabia, um exemplo: que eu ficava olhando parecendo uma lesada da minha janela olhando o carinha bonitinho filho do amigo do meu pai praticando esportes na área de lazer da casa: sem camisa. Quem saiu espalhando isso foi a vizinha da casa enumerada de 302 que fazia questão de dar notícia de todo mundo mas não sabia o que se passava dentro da própria casa, mas tudo bem.

A única coisa boa disso é que minha amiga Letícia também veio cursar faculdade aqui em São Paulo e por isso eu não me sinto tão sozinha ou deslocada. Ela faz faculdade para ser veterinária e eu faço Letras, eu sou apaixonada por escrita então é aonde me encontrei, já que pros meus pais a filha tinha que faculdade.

Falando em faculdade, ela era a única coisa que me faz acordar uma hora dessas. Eu não levantaria cedo assim por nada, a minha cama é o melhor lugar para ficar quando você se lembra que tem que enfrentar um trânsito maior que o mundo, todos os dias. Eu me arrumei em questão de segundos e nem tomei café apenas sai para a faculdade, com meus fones de ouvido e pensamentos atordoados.

— Hey, amiga– disse Lê ao me ver na porta da Faculdade e me abraçando

— Oi, bom dia – disse a respondendo que sorriu – ele te ligou? – perguntei para ela me referindo ao Leonardo, um garoto aí que ela estava saindo, ela apenas fez uma careta.

— Aquele dia foi bom, não posso mentir mas esse joguinho de gato e rato está me irritando, ele é gostoso sim mas não é isso tudo que ele está pensando – disse enquanto mexia distraidamente nas unhas e eu a olhei incrédula.

— Já está em outra, é? – perguntei rindo da cara dela.

— Ainda não – respondeu me olhando – porque ainda são 7:00 hras da manhã e ainda não dei uma rodada na Faculdade, mas quem sabe até as 17:00hras eu já não tenha um outro príncipe encantado em mente? – completou Lê, rindo como uma criança que faz arte, e eu apenas a acompanhei no riso.

— Você não presta, se apaixona em questão de segundos – disse parando de rir e a olhando arqueando uma sobrancelha.

— Não é isso, é que diferente de você meu coração tem espaço para todos os tipos de aventura – disse.

— Ok, eu não vou discutir – respondi – agora vamos entrar – completei.

Fomos para a sala, e as aulas começaram. Eu sempre prestava muito atenção em tudo e sempre reparava as pessoas ao meu redor, é isso que traz inspiração,se você quer escrever seja uma pessoa que observa os outros e tem uma sensibilidade aguçada, isso faz toda a diferença.

Agora mudando de assunto, não sei como a Lê se apaixona tão rápido parece que só dela olhar pra um cara bonito o coração dela já manda a mensagem pro cérebro indicando que ele possa ser o “certo” e ela sempre cai nessa. Não sei quantas vezes ela já me disse que dessa vez ia dar namoro,casamento, planos e depois de tudo isso ela acabava chorando com a cabeça deitada no meu ombro.

O problema é que ela sempre quis viver esses relacionamentos de novela, mas sem a parte da brigas e da convivência que muita vezes é aonde você percebe que talvez a pessoa não seja quem você procura e aí não dá certo. Mas disso eu não posso falar muito, porque eu também caí no conto da carochinha e acreditei em um “Eu te amo” que tava na cara que não era verdadeiro, e é esse cara que eu coloquei como meta para esquecer mas digamos que eu sempre pulo pra outra meta quando chega essa, porque eu não sei o que acontece mas sabe quando você sabe que precisa, mas não quer esquecer?

Eu me encontro nesse dilema e nessa vontade de perder a vontade de gostar dele um pouquinho mais.

— Vai ficar parada aí pensando na morte da bezerra? – sussurrou Letícia antes de dar um pulo alegre na minha frente.

— Que morte da Bezerra o que, eu não sei aonde você arruma essas coisas – me defendi.

— É, mas tá aí com cara de trouxa olhando pro nada, e nem parece que reparou que a aula acabou- indagou ela. Eu olhei pros lados e reparei que era verdade, sabe quando você faz as coisas no automático? Só sei que eu já estava do lado de fora da sala no pátio da faculdade e pensando bastante, com a cabeça em outro mundo.

— É claro que eu reparei – menti – e que sorriso é esse hein? – perguntei.

— Eu vim porque eu vim te fazer um convite, e você tem que aceitar- falou com voz autoritária. Confesso que quando a Letícia fica assim boa coisa ela não vai fazer...

Notas finais
E aí gente, gostaram? Por favor deixem seus comentários, sabem o quanto isso é importante para quem escreve.Mil beijos, muito amor no coração de vocês e fiquem com Deus!