2 Sisters or 2 Lovers?
9 Capítulo 9: A Resolução
Notas iniciais
–O QUE CARALHOS VOCÊ FEZ COM A ASHLEY NOITE PASSADA?
–Zoey-Chan, oi... –Zoey tinha acabado de chegar da escola, e eu passei o dia inteiro remoendo e processando os acontecimentos da tão “marcante” noite passada. Já estava um pouco mais alegre e conformada, mas ainda não sabia como resolver isso...
–Essa garota é doente! Você não sabe o que ela pode fazer com você! –Zoey continuava a me repreender com fúria nos olhos, mas logo ela fica vermelha e sussurra –N-Não que eu me importe com você é claro...
Zoey olha para o lado, e eu continuo a comer os biscoitos que eu estava comendo antes dela chegar. Acho a cena um pouco engraçada, mas não rio.
–Zoey-Chan... A Ashley não fez nada comigo, pode ficar tranquila.
–Ela vai tentar te abusar! Depois não venha rastejando para mim dizendo que eu estava certa. –Zoey começa a andar até o seu quarto, quando eu comento:
–Você por acaso está com ciúmes? –Rio meio silenciosamente depois de dizer a frase.
Zoey para, mas não se vira para mim. Ela apenas fica parada por alguns segundos, e depois vai embora até o quarto correndo, e fecha a porta com força, fazendo um estrondo ecoar pelo apartamento.
Termino meus biscoitos no meio de risadinhas, parece que as coisas estavam mais normais.
Agora só me resta tomar um banho e ir dormir.
. . .
Quando o despertador toca, me levanto determinada a resolver esse negócio de namoro com a Ashley, e quem sabe explicar para a Zoey que nada aconteceu.
Saio da cama, tomo uma ducha, calço minhas típicas meias altas listradas de azul bebê e rosa claro, visto uma regata azul clara meio larga e uma saia rosa.
Prendo meu cabelo, e vou até a cozinha tomar café, onde Zoey mordia uma maçã enquanto mexia no celular.
Parece que seria um dia normal.
–Bom dia, Zoey-Chan! –A cumprimento enquanto pego o pote de Nutella para comer com torrada.
–B-Bom dia... –Ela desgruda os olhos do celular por um segundo, e logo volta a fazer não sei o que.
A manhã foi bem pacífica, e a caminhada até a escola também. Quando chegamos, Zoey disse que ia encontrar um amigo e foi embora, me deixando sozinha.
Fui procurar Ashley para discutir sobre o namoro com ela, mas não a encontro. O tempo passa, e logo a primeira aula chega. Consigo vê-la na sala, sentada em um canto. Decido que irei falar com ela na hora do almoço.
Aproveito o tempo da aula para trocar algumas mensagens de Facebook com a Duda, a menina que eu conheci em um evento um tempo atrás.
O tempo se arrasta um pouco, e por pouco não sou pega mexendo no celular. A aula termina, e todos logo saem inclusive Ashley.
Acho estranho ela não ter falado comigo, mas não ligo muito.
Pego o pote onde se encontrava meu almoço, que eu demoro um pouco para encontrar porque estava no fundo da mochila. Quando eu já estava para sair, ouço um estrondo vindo do corredor de armários, que na maioria das vezes ficava vazio nessa hora.
Parecia que alguém tinha esbarrado feio nos armários, então corro para fora da sala para ver o que estava acontecendo.
E foi a coisa mais terrível que eu vi na minha vida.
No fundo do corredor, Ashley segurava uma faca, e empurrava Zoey contra os armários.
Por vários segundos eu fico parada, horrorizada, sem ter ideia do que estava acontecendo.
–Eu disse... Para você ficar longe dela... –Ashley dizia, com a voz completamente sinistra e insana- Mas eu ouvi toda a sua conversa amorosa com aquele idiota do Sam...
Mesmo que elas estivessem longe, eu conseguia ouvir perfeitamente o que elas diziam. Ashley segurava a faca com a mão trêmula, pronta para atacar, e ria doentiamente enquanto fazia isso. Zoey recuava contra os armários, certa de que não tinha como escapar.
–Você... Realmente gosta da Kylie, não é? –Ashley aproximava bem lentamente a lâmina do pescoço de Zoey –Ha... Uma pena... Que você nunca mais vai vê-la...
Ashley riu por incontáveis segundos, e logo o meu estado de choque melhora um pouco, mas tarde demais.
A faca corta o ar rapidamente e...
Perfura o alumínio dos armários com tudo, por que Zoey move a cabeça para o lado rapidamente, acompanhada por um grito meu.
–ZOEY! –Grito sem pensar, na hora em que a faca perfura o armário. Ashley arranca a faca que estava presa entre as camadas de alumínio com força, e me olha, completamente insana e fora de si.
–K... Kylie... –Ela me olha, com os olhos arregalados, e começa a andar para perto de mim. –Você viu tudo...
Ashley estava se aproximando de mim, com a faca nas mãos. Zoey tremia enquanto estava grudada nos armários, chocada por quase ter encontrado a morte.
–Não tenha medo... –Ashley nota que eu recuava lentamente- Vou te matar, mas logo nos encontraremos... Vamos ficar juntas... Para sempre...
Ashley ri enquanto se aproxima rapidamente de mim, pronta para me esfaquear e se esfaquear logo em seguida.
Me lembro das aulas de defesa pessoal que eu fiz quando era criança.
Eu sabia o que fazer, mas só tinha uma única chance.
Enquanto a faca chegava perto de mim, eu aplicava toda a concentração que eu tinha em um único ato.
Completamente concentrada, agarro o pulso de Ashley antes que a faca perfurasse meu pescoço.
Meu coração disparava, e a faca tinha feito um corte um pouco abaixo do meu pulso. Mas era o único jeito de evitar a minha morte e a de Zoey.
Empurro o braço de Ashley por segundos que pareciam horas. Minhas mãos tremem incansavelmente por causa da força que eu aplicava no empurrão.
Em milésimos de segundos, quando Ashley já estava quase cedendo aos meus empurrões, solto seus dois pulsos e soco seu estômago rapidamente. Enquanto ela estava desorientada, a empurro pelos pulsos contra o chão e faço força para mantê-la presa.
Zoey se levanta e corre até mim.
Ela não sabe o que falar ou dizer, só fica me observando por pouco tempo enquanto eu pressiono Ashley contra o chão, com ela se debatendo.
–Chama a polícia rápido, Zoey! Por favor!–Digo, enquanto seguro Ashley com dificuldade, já que meus pulsos latejavam.
–K-Kylie... Você está machucada... –Ela me responde, chocada e com a voz trêmula.
–Eu estou bem! –Minto- Chama a polícia, ou alguém para me ajudar! Lágrimas deslizam pelo rosto de Zoey, e ela corre para fora do corredor, provavelmente indo para a sala de alguém que saiba o que fazer.
Fico fitando Zoey enquanto sua figura passa pelo corredor rapidamente, e depois olho meus braços, que estavam praticamente tingidos de vermelho por causa do sangue. Eu estava ficando mais fraca a cada segundo.
Zoey... Não demore... Por favor...
. . .
–KYLIE! ME DESCULPA! –Zoey me envolve em um abraço apertado. Estávamos na enfermaria, eu e alguns amigos da Zoey. A polícia chegara há um tempo e eu estava sentada em uma maca, com os dois braços enfaixados. –E-Eu devia ter te avisado direito, Kylie. Eu fui inútil... M-Me desculpa...
Pela primeira vez em anos, Zoey me abraçava, chorando desesperadamente. Uma menina de cabelo azul que era amiga dela a afasta um pouco de mim.
–Zoey, está tudo bem. –Ela diz para a Zoey.
Zoey senta em uma cadeira entre a menina de cabelo azul e um garoto.
Nós ficamos vários segundos sem falar nada, apenas olhando um para o outro. Eu estava, acima de tudo, aliviada por ter terminado com isso.
E muito triste pela Ashley, que irá passar um bom tempo na cadeia.
A menina de cabelo azul me olha gentilmente, e o garoto fica consolando Zoey, que estava completamente desesperada.
Quando menos esperávamos, a porta da enfermaria abre rapidamente.
–O QUE ACONTECEU? –Uma garota loira e baixa que segurava uma prancheta entra- Como assim houve uma tentativa de homicídio na escola?!
–Annie, relaxa. Já está tudo bem. –A garota de cabelo azul olha para ela e a responde.
Annie cora, e olha para o chão um pouco ofegante.
–Foi você a vítima? –Ela me pergunta, tentando se recompor –Argh... Se essa escola estúpida tivesse câmeras melhores...
Annie xinga a escola por diversos segundos, e se senta em uma das cadeiras.
Ficamos lá, feito idiotas, encarando um aos outros.
Zoey tinha se acalmado e agora estava envergonhada com o jeito que tinha agido.
–Zoey me disse que Ashley era sua única amiga. –A garota de cabelo azul me diz- Meu nome é Nikki, esse é o meu irmão Sam. –Ela aponta para o garoto- Podemos ser amigos de agora em diante
Não respondo nada no momento, mas sorrio como não sorria há semanas.
–Eu adoraria isso.
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