2° Caso
4 Capítulo 2.5
Dia seguinte nos encontramos na frente da porta de nossas casas como sempre e fomos para a escola juntos. Isso era normal. Mas não o fato de estarmos calados. Não se ouvia nada até nos aproximarmos de outros estudantes indo para o mesmo destino.
Passando pelos corredores senti algo estranho a nossa volta. Não me importei, até chegarmos na sala de aula. Aquilo que estranhei por um momento havia se tornado algo ridículo. Quando abri a porta literalmente todas as pessoas pararam de fazer qualquer coisa que estivessem fazendo e moveram seus olhares para nós. Eu realmente me assustei na hora, mas tentei ignorar e me sentei calmamente no meu lugar, tentando pensar numa razão lógica para aquilo estar acontecendo.
“Ei, Shouichirou -san” O garoto que senta na minha frente me chamou a atenção.
“Hum?”
“Você por acaso confessou seus sentimentos para o Tohzuki?”
“Hã?” O quê? “Espera, como você sabe que eu. . .”
“Ah, então era verdade” Deu um sorriso.
Eu fui colega desse garoto por aproximadamente dois ou três anos, sei que ele é gay, então não me surpreendo dele não fazer uma confusão quanto a isso mas. . . Mesmo assim, como ele soube disso? Ninguém além do Soutarou sabe diss-
“É que ele parece meio irritado, ou confuso, e tem tido uns rumores sobre você gostar dele, então imaginei que talvez tivesse alguma conexão entre os fatos”
Ah, claro. A Erica. Ela sabia sobre mim, tinha esquecido disso. Pelo menos já tenho explicação para tudo isso. Mas não é como se esses rumores vão realmente me afetar.
“Você acha?” Ao falar isso me virei para ver como o Sou estava e, sim, ele estava batendo a própria cabeça em sua mesa, então podemos dizer que havia algo de errado. “É, acho que sim...”
“Mas o que aconteceu?” Olhei para ele meio torto, não é como fossemos grandes amigos para falar sobre isso.
“Nada demais. . .”
O professor entrou em sala.
Mais ou menos no meio da aula, o professor de ciências disse que queria que fizéssemos pares para um trabalho que ia dar. Antes que pudesse me mexer para escolher alguém, Soutarou segurou meu pulso e avisou para o professor que faríamos juntos.
“Você não me escapa dessa vez, ok?” Sussurrou perto de meu rosto e me deixou completamente vermelho.
Logo notei as pessoas a nossa volta, cochichando uns para outros, Soutarou obviamente não melhorou a situação do rumor. O professor voltou a explicar sobre o trabalho. Era algo simples, cada par iria receber um assunto e fazer um texto de três páginas incluindo imagens sobre ele. Realmente nada demais. Após isso, o dia só foi mais e mais estranho. Para falar a verdade, foi como sempre, o sempre antes da Erika, o sempre que eu gostava. Só pareceu que alguém, em algum lugar, clicou no botão mudo de um controle. Tudo estava silencioso. Silencioso até a porta de casa.
“Ikuto, quando você quer fazer o trabalho?”
“É para daqui a dois dias certo? Pode ser hoje.”
“É, pode ser.” Abriu a porta de sua casa e sinalizou para eu entrar.
“Eu preciso falar com a minha mã-”
“Entre” me cortou.
Começamos a fazer o trabalho, sem trocar ideias, quase cada um a fazer o seu. Ninguém ousava dar a primeira palavra. A tensão era muito densa. Mas eu tinha que avisá-lo.
“Soutarou. . . está tendo uns rumores no nosso colégio, soube?” tentei parecer despreocupado.
“Hum. . . não”
“Tem haver com nós dois”
“O que foi?”
“Não é exatamente um rumor, já que é verdade, mas. . . eles sabem que eu gosto de você.”
“Erika. . .” se mostrou irritado
“Sim, também acho... mas... da forma que você me chamou para fazer o trabalho, talvez achem que estamos juntos.”
“Você está incomodado?”
“Não, eu não me importo, até porque sei que não é verdade, mas eu imaginei que talvez você. . .”
“Eu também não me importo.” Logo que terminei, respondeu rápido. “Eu queria acreditar nesse rumor.”
“Soutarou. . .” Senti um nó no coração. “Você não quer ficar comigo. Só está confuso.”
“Não! Eu...”
“Se nós ficarmos juntos, eu vou ficar feliz, somente. Se nós nos abraçarmos, meu coração derreterá. Se nos beijarmos, vou sentir um calor ardido no meu peito. Mas não vou ficar satisfeito. Pois sei que, só pelo jeito que haje, o modo que olha, até em sua fala, sorriso. O que eu quero, você ainda não tem. Amor. Mas eu juro, que farei você se apaixonar por mim.” Sorri.
As palavras pararam por aí, após essa frase estranha e esse clima tenso, com o rosto de Soutarou meio avermelhado e sua expressão levemente irritada. Novamente, não tinha a mínima ideia de porque, e de onde tirei essa coragem para usar palavras tão ousadas para ele. E também como o faria se apaixonar por mim? Sim, eu tinha esperança, mas não acreditava em suas palavras. Foi tudo muito rápido. Não duvido que o choque de personalidade que sofreu com a Erika tenha sido o bastante para o desiludir sobre seu amor por ela, mas não tinha como ele subitamente me amar. Como seu melhor amigo de sempre, eu estou certo de minhas palavras, e a única coisa que vejo em seus olhos é carência.
O trabalho continuou, até de noite. Com o contínuo clima vazio e denso e minha mente cheia de pensamentos e ideias e minha imaginação à mil. O assunto não me desgrudava.
“Ikuto, já está tarde, você vai dormir aqui?”
“Pode ser. . .”
“Tudo bem mesmo?”
“Não é como se eu vá realmente te atacar” Sorri
Sorriu de volta.
“Não se preocupe, vou te segurar firme para isso não acontecer.” Me fitou por baixo dos óculos. Respondi estranhando com um olhar e ele logo riu novamente.
“Eu já entendi que estou desvalorizando seu amor e tudo, mas. . . eu admito que, mesmo antes de saber sobre tudo isso, eu já achava seu abraço o melhor, quer dizer. . . Eu sempre gostei de te abraçar.”
“Ah. . . obrigado. . . eu acho” E. . . essa foi a melhor resposta que consegui no momento por que de repente todo meu coração foi bombardeado de sentimentos e eu não conseguia falar, pensar, muito menos responder a alguma coisa que eu nem sabia exatamente se era um elogio. Respirei fundo e tentei colocar tudo no lugar novamente. “Mas, você não vai realmente. . . né?”
“Quem disse?” Se aproximou devagar e me atacou como um gato envolvendo seus braços a minha volta em um abraço apertado. Ele parecia se divertir, com um sorriso na cara enquanto eu me debatia loucamente antes que meu coração derretesse, ele literalmente ria enquanto isso. No momento em que achei uma posição... “confortável” eu diria, eu parei “Desistiu?” Perguntou, provocando.
“Não exatamente. . . Eu gostei assim, só isso.” Estávamos apoiados na cama, ele me abraçando por trás e eu sentado em seu colo. “Mas nós temos que tomar banho ainda, deve ter um pijama meu aí, certo?”
“Sim, tem” Respondeu movendo os braços, logo impedidos por mim.
“Ei” Olhou para mim “Eu ainda quero ficar assim por mais tempo.”
Ele sorriu aparentemente bem feliz e respondeu com um singelo “ok”.
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