2ª Temporada - Eu, filho de Severo Snape? Nunca!
5 O inesperado
Notas iniciais
Harry olhava para o teto azul de seu quarto e lembrava-se da primeira vez que o tinha conhecido. Acabara de entrar na casa de Snape e surpreendeu-se ao ver que o homem vivia em uma casa normal e não em um antro de vampiros como pensava. Era uma casa incrivelmente bonita e, principalmente, fora pintada toda de verde, a cor de seus olhos e de sua mãe. Exceto seu quarto não era desta cor. Nunca tivera um quarto tão legal. Na casa de tia Petúnia e tio Válter, vivia em uma dispensa embaixo da escada, não era bem lá o quarto dos sonhos.
Os pássaros começavam à cantar alto, indicando que já era a hora de se levantar. Harry estava ancioso para que este fosse um dos melhores dias de sua vida, afinal, era o seu décimo sexto aniversário e tinha uma família de verdade com quem comemorar.
Ouviu-se uma batita na porta e Harry deixou os pensamentos fugirem para olhar na direção do ruído. Logo em seguida, Snape entrou no quarto com um pequeno sorriso. Isso era um grande feito para o homem. É certo que desde que se descobrira pai de Harry, Snape vinha se tornando um homem mais acessível emocionalmente, mas não do jeito comum. Continuava um carrasco, bringando por qualquer motivo com Harry, mas o garoto sentia que não era por mera implicância, no fundo havia uma preocupação e carinho do homem com ele.
–Oi -disse Snape se aproximando da cama em que Harry continuava deitado-, feliz aniversário.
–Obrigado -respondeu o garoto sorrindo.
–Bom, eu planejei fazer algo com você, mas a senhorita Granger quase causou a minha morte ao ouvir isto. Disse que já tinha planejado fazer algo com você no dia do seu aniversário junto com a tropa dos Weasley.
–Se o senhor quiser, pode vir conosco -Harry falou sorridente.
–Isso com certeza você não puxou de mim. Era a sua mãe que, por vezes, fazia e falava algo que não queria só para agradar. Eu sei o quão inadequado seria se o acompanhasse e à seus amigos nas aventuras de hoje, até porque, acho que nem todas elas vão ser seguras e dentro da lei.
–Nós vamos nos comportar.
–Sei... Bom, aqui está o seu presente -disse Snape entregando a Harry um pacote verde.
Harry logo a abriu. Era a sua capa de invisibilidade. A tinha perdido durante as aulas e ela fora apanhada por Flinch e sua gata, que a atearam fogo, deixando-a quase destruída.
–A capa do meu pai! -disse Harry esplêndido.- Quer dizer... do Tiago. Como o senhor conseguiu consertá-la?
–Nada que um bruxo com uma certa experiência em feitiços não consiga fazer. Mas espere..., este não é literalmente um presente meu. Eu apenas o consertei. Aqui está o meu de verdade -falou pegando um longo e fino pacote que trouxera consigo do chão.
Harry abriu rapidamente o embrulho e verificou que era uma potente Firebolt novinha em folha.
–Achei que fosse precisar de uma depois que a que Sirius lhe deu arrebentou-se no ano passado no jogo contra Lufa-Lufa.
–O senhor acertou em cheio -exclamou Harry com um sorriso de orelha à orelha.
–Então, acho melhor você se vestir, daqui à pouco seus amigos estão batendo aí para levar você, seja lá qual for o local que irão. Só me prometa que irá tomar muito cuidado.
–Pode deixar -falou Harry animado enquanto Snape deixava seu quarto. Logo se arrumou e quando desceu, Rony, Hermione, Gina e os gêmeos já estavam lá embaixo à sua espera.
–Oi Harry, parabéns! -disse Hermione correndo até o final da escada e abraçando o amigo com força. Por um momento, Harry achou até que fosse a senhora Weasley. Apenas ela sabia dá aqueles abraços sufocadamente carinhosos.
Depois de todos cumprimentarem Harry pelo seu aniversário e lhe entregar os vários pacotes de presentes, os seis saíram da casa.
–E então? -começou Harry.- Para onde vamos?
–Nos arriscar no mundo dos trouxas -respondeu Fred sorridente, os olhos faiscantes.- Mas é você que irá nos guiar, afinal, viveu tanto tempo no mundo deles!
–E depois daremos uma passadinha em Hogsmeade -falou Gina excitada.- É melhor você não ter tomado um café-da-manhã reforçado, porque vamos nos empanturrar de doces.
–É -interrompeu Rony com um olhar brilhante-, hoje não tem lugar para nenhuma gororoba saudável! Hoje é só balas, sorvetes e cervejas amanteigadas.
Os seis seguiram para Londres, onde andaram no famoso ônibus vermelho, o qual Rony até que o achou parecido com o Nôitibus, apesar de ter estranhado um pouco. Tentaram entrar, os seis, espremidos, na cabine telefônica para dar um alô para o senhor Weasley, ele provavelmente iria adorar atender um artefato trouxa. Depois de um belo passeio pela manhã, os garotos seguiram para Hogsmeade, apesar da relutância dos gêmeos em irem, pois ficaram encantados com uma loja de variedades que encontraram na esquina de uma rua.
–Nossa -exclamou Hermione-, como Hogsmeade está frio! Já repararam que todas as vezes que vinhemos aqui sempre está um clima terrivelmente gelado?
–É sim, mas sabe o que melhoraria isso? -disse Jorge.
–Uma deliciosa cerveja amenteigada! -disseram o resto dos garotos ao mesmo tempo, e logo sorriram, caminhando para a loja.
Ao chegarem lá, se depararam com madame Rosmerta, que logo foi ao encontro dos garotos, com um sorriso estampado no rosto e uma bandeja na mão.
–O que os trazem aqui, garotos?
–É o aniversário do Harry -informou Rony-, então estamos passeando pelos lugares que ele mais gosta e este é um deles.
–Que gracinha -exclamou Rosmerta.- Sentem-se todos, eu vou pegar a especialidade da casa para vocês e a primeira rodada é por minha conta!
A mulher saiu sorridente para pegar seis cervejas amanteigadas enquanto os garotos se aconchegavam em uma mesa próxima à lareira.
–Aqui está o pedido de vocês -falou Rosmerta servindo os garotos, que logo viraram a caneca com o líquido, logo sentido-se satisfeitos.
–Você soube que ele fugiu? -disse uma voz de um homem velho, conversando com outro nos fundos da loja.
–Quem fugiu? De onde? -perguntou Harry ansioso.
–Querido, acho melhor você não saber... -disse Rosmerta-, pode estragar o seu dia.
–A dúvida que a senhora acabou de colocar na minha cabeça também vai. Quem fugiu? -insistiu Harry.
–Eu e minha língua que não cabe dentro da boca -disse a mulher decepcionada consigo mesma.- Aquele que não deve ser nomeado conseguiu escapar das mãos dos dementadores de Azkaban.
Todos na mesa ficaram paralisados, com as faces gélidas.
–Voldmort fugiu de Azkaban? -indagou Harry em um salto da cadeira em perfeito som alto.
–Por Merlin, menino! Não pronuncie o nome dele -repreendeu a bruxa garçonete.- Não sei como, mas ele consegiu fugir está por aí em qualquer lugar. Lembro-me de quando saiu no Profeta Diário sobre a sua prisão e ida à Azkaban. A festa aqui na cidade durou um mês e agora....
A mulher deu as costas e saiu com a face de medo misturado com decepção, deixando Harry de pé sem ação e os garotos da mesa horrorizados com a notícia.
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