2ª Temporada - Eu, filho de Severo Snape? Nunca!
9 Conhecendo um pouco mais
Notas iniciais
–Pai! -Harry exclamou ao ver Tiago embaixo da janela, com pedrinhas nas mãos.
–Ei! -exclamou sorridente.- Pensei em vir aqui já que o ranhoso fechou a cara com a possibilidade de nós conversarmos.
–É, acho que ele ficou um pouco inseguro.
–Você está sozinho aí?
–Estou sim, você quer subir até aqui?
–Que tal você descer até aqui? Podemos passear alguns minutos antes do Snape notar a sua falta.
–Eu não sei... -disse olhando para porta com um olhar duvidoso.
–Vamos lá, vão ser só alguns minutinhos, te trago de volta e ninguém precisa ficar sabendo.
–Se é assim, tudo bem -disse abrindo um grande sorriso.- Só um segundo, vou trancar a porta. Se Snape bater, vai pensar que eu não quero conversar e não vai insistir.
–Tá, vou dá uma espiada na frente para ver se ele não está por lá.
Harry rapidamente trancou a porta e desceu as janelas até chegar no chão, encontrando Tiago um pouco mais à frente.
–Bom... temos muito o que conversar, filho, por que então não começamos com um abraço de aniversário? -disse abrindo os braços com um grande sorriso.
–Seria maravilhoso -falou abraçando o homem.- Não podia ganhar um presente de aniversário melhor do que esse. Onde está a mamãe?
–Ela seguiu para a casa de Sirius. Disse que iria até o Ministério da Magia resolver algumas pendências, não conte que vim ver você, senão ela me mata, tudo bem?
–Sem problemas. Aonde vamos?
–Eu conheço um lugar, não muito longe daqui, você quer vir?
–Claro! -exclamou Harry feliz.
Os dois seguiram por um caminho de vinte munitos até chegarem à um lugar que deixou Harry de olhos arregalados. Era uma linda e vasta floresta, coberta por vegetação, apresentando grandes pedras encrostadas no chão por todo o lugar.
–Que lugar mais lindo! -Harry exclamou maravilhado.
–Você não se lembra daqui?
–Não. Por que, eu ja estive aqui alguma vez?
–Sim, sim -Tiago respondeu sorrindo.- Esse era o lugar favorito de sua mãe, ela e eu trazíamos você aqui todos os dias até nós nos separarmos de você. É bem perto da nossa antiga casa, antes de nos mudarmos para fugir de Voldemort. Ali está -disse apontando atrás de Harry, onde aparecia por dentre as flores uma rústica, mas delicada casa.
–Nós morávamos ali? -Harry indagou surpreso.
–Sim. Essa casa foi herança do meu pai, mas eu e sua mãe reformamos ela por completo para que ficasse do nosso jeito, ou pensando bem, do jeito dela, afinal sempre foi ela que mandou na casa -disse rindo, obtendo a mesma resposta do garoto.
–Eu não me lembrava daqui.
–Não se culpe, você era só um bebê.
–É, mas eu me lembro da sua voz mandando a mamãe fugir comigo naquela noite e do grito dela, mas não me lembro de algo tão bonito.
–Bom, o que dizer? As lembranças ruins são as que mais nos marcam.
–E o que você e a mamãe irão fazer agora?
–Sinceramente, eu não sei. Acho que passaremos um tempo com Sirius, se dependesse dele, moraríamos lá para sempre, você conhece bem o seu padrinho e sabe como ele é acolhedor -explicou sorrindo.- Acho que depois vamos tentar reaver nossos empregos, o que acho que será difícil, já que passamos tanto tempo longe, mas teremos que tentar e depois retornaremos à nossa casa.
–Aquela casa? -Harry perguntou apontando com os olhos a casa atrás dele.
–Não sei, filho, talvez. Ela traz muitas lembranças ruins para nós, mas, ao mesmo tempo, foi lá que vivemos nossos melhores momentos como uma família, mas isso só o tempo dirá. Mas não falaremos disso agora, o tempo é curto, me fale de você. Como está se saindo em Hogwarts? -indagou sorrindo.
–Lá é a minha casa. Minha vida se tornou muito melhor depois que descobri que o mundo mágico existia.
–Como assim, depois que descobriu? Petúnia e Válter nunca lhe falaram sobre isso?
–Nunquinha. Soube no meu aniversário de onze anos quando um grande amigo meu, Hagrid, me explicou. A tia Petúnia e o tio Válter fizeram de tudo para esconder de mim sobre a magia e também sobre você e a mamãe. Quando morava com eles, vocês eram assunto proibido. A primeira foto que eu vi vocês dois foi no espelho de Ojesed, depois Hagrid me deu um álbum com várias fotos de vocês, inclusive uma que eu mais gosto, que somos nós três.
–O quê? -disse Tiago em um tom de indignação.- Como foram capazes disso? Aposto que foi artimanha de Petúnia, ela sempre teve inveja de Lílian, mas descontar em você? E sua mãe sempre teve compaixão dela, mesmo com toda aquela inveja maldosa da própria irmã! Acho que alguns traseiros de trouxas virarão de porco quando encontrá-los da próxima vez. Talvez possamos fazer um churrasco, o que você acha?
–Seria reconfortante ver a cara deles quando vissem vocês -respondeu Harry sorrindo.
–Me fale agora da sua namorada.
–Que namorada?
–A filha dos Weasley. E nem tente desviar o assunto, afinal, o que ela estaria fazendo àquela hora da noite com você?
–Gina? -Harry falou corado e surpreso.- Nós somos só amigos.
–Tem certeza?
–Mas é claro e, afinal, ela é a irmã caçula do meu melhor amigo! E nem era tão tarde assim da noite.
–E qual é o problema? A maioria das pessoas casadas é irmã ou irmão de alguém e isso nunca impediu os relacionamentos.
–Claro que tem problema! Vamos mudar de assunto.
–Quem nega geralmente consente.
–Não, quem nega geralmente está negando mesmo. Vamos mudar de assunto -sugeriu um tanto eufórico.- Sabia que eu também sou apanhador no time de quadribol? E adivinha em que casa?
–Não brinca! -exclamou Tiago abrindo um largo sorriso.- Quem diria? Igualzinho à mim?
–E eu entrei no primeiro ano de Hogwarts.
–Como no primeiro ano? Só são permitidas as entradas no time depois do segundo ano!
–Não se você for bom o suficiente.
–Senti um tanto de prepotência nessa frase?
–Talvez, mas foi um grande feito, eu acho que posso me vangloriar um pouquinho.
–Claro que pode, filho, estava só brincando. Estou muito orgulhoso e sua mãe também ficará quando souber.
Os dois continuaram a conversar por um longo período, sentados nas grandes pedras da floresta.
Em um lugar um pouco afastado, encontrava-se um Snape um tanto eufórico, andando de um lado para outro da sala.
–Aonde será que ele foi? Cadê ela que não chega? -falava consigo mesmo.
Equanto desgastava o chão de tanto passar no mesmo lugar repetidas vezes, a campanhia tocou e o homem de cabelos negros prontamente a atendeu. Ao abrir a porta, deu de cara com uma bela mulher, alta, de cabelos cor de fogo.
–Sentiu minha falta? Mal sai daqui e você já me manda uma coruja pedindo para voltar?
–Harry, onde está o Harry?
–Que belo pai você é Severo, já perdeu nosso filho?
–Não é engraçado, onde está o seu marido? Por que não veio com você?
–Ele foi ao Ministério da Magia resolver alguns assuntos com os aurores, pois se você não sabe, tem um grande bruxo das trevas, solto por ai, que nos manteve em cativeiro por quinze longos anos e há uma grande possibilidade de estar atrás de nós no momento.
–E você acha que ele realmente foi? Harry não está no quarto! Ele podia muito bem ter pegado o garoto sem eu notar.
–Severo, Harry já não é mais criança, se Tiago está com ele, ele foi por vontade própria.
–Então admite que ele está com Harry?
–Eu já disse que não sei. Não é impossível, você conhece Tiago, ele tem um rosto bonito, mas uma personalidade bem teimosa, bem parecido com Harry.
–Mera coincidência!
–Então, já falou tudo que tinha pra falar, porque se quiser falar mais, não vou ficar aqui plantada no pé da porta.
–Desculpe, entre por favor.
–Com licença -disse Lílian ao adentrar na sala.
–Bela casa, achei que ainda morasse na casa do seu pai.
–Uma hora nós temos que voar do ninho.
Lílian deixou a face gélida e séria para dar lugar a um singelo sorriso.
–O que foi? Por que o sorriso?
–É que eu não imaginava que sua casa fosse tão... bonita. Meio que não combina com você.
–Parabéns, entre na fila. Todo mundo que entra aqui diz isso. Pode dizer, achava que eu moraria em uma masmorra... num caixão... de cabeça pra baixo em uma árvore escura e assustadora como um morcego. Diga o que pensou e veremos se entra na lista de lugares já ditos ou incremente a lista com uma opinião diferente!
–Calma Severo. Só falei por falar. Uma das qualidades que eu sempre admirei em você foi a sua falta de interesse no que as pessoas falavam de você, mas já que isso lhe incomoda tanto, tente não parecer um morcego esvoaçante andado solto por aí com essa sua capa.
–Você gostava dela.
–Não voltemos a assuntos do passado. Tem uma coisa me intrigando. A cor dessas paredes... me lembra algo -disse dando as costas à Snape e analisando a casa.- Espera ai, essa cor... é a cor dos meus... -exclamou virando-se novamente para Snape, mas sem sucesso em terminar a frase, visto que lhe ocorreu uma sensação estranha. Era Snape. O homem a beijou de surpresa, fazendo a ruiva ficar no meio da sala sem reação, enquanto o professor tocava seus lábios com os dele.
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