Ouvi que o diretor colocou a música Serendipity para tocar e dançarmos. Seria tudo puro improviso. Eu deveria conduzi-la e ela deixar-se conduzir...

Eu deveria ter tido mais coragem em beijá-la na cena do MV! Quem sabe tudo não estaria mais claro agora?...

Vendada, Nana franzia os cenhos respirando fundo, ainda confusa, e eu a observava sem saber por onde começar.

E se eu dançar com ela no estilo contemporâneo? Aish, não, Jimin! Isso não seria legal...

Pigarreei e ouvi a música:

Tudo isso não é coincidência
Eu só eu só, eu pude sentir aquilo...

Talvez seja uma providencia do universo
Só tinha que ser aquilo
Você sabe e eu sei
Você sou eu, eu sou você

Por mais que meu coração palpite, eu fico preocupado
O destino está com inveja de nós
Assim como você eu to muito assustado
Quando você me vê
Quando você me toca

Você é minha penicillium (molde azul)...

Comecei a conduzi-la lentamente, fluido e leve. Ela ainda parecia desconfortável, mas seguia às cegas, meus passos pelo estúdio de gravação.

Ouvi um muxoxo e, distraído, direcionei meu olhar para o diretor que percebendo falou:

— Estão ótimos assim! Continue conduzindo a Nana, Jimin. Preciso atender a este telefonema, agora. – Saiu deixando-nos à sós. A equipe e câmeras já haviam pausado e se retirado para organizar o estúdio seguinte para o MV de algum dos meus hyungs.

Observei a Nana cuidadosamente e vi o quanto ela é linda ainda mais de perto. Ela ainda mordiscava os lábios. Eu sorri.

— Jimin oppa, para onde foi o diretor?

— Saiu. – Repondi simples.

— Como saiu?! – E foi puxando o tecido, no que a impedi.

— Nana, você ainda está tensa. Espere um pouco, sinta a música. – Falei mais baixo próximo aos seus ouvidos. Eu tentava me manter tranquilo à medida que me sentia mais nervoso. Nervoso com aquela aproximação.

Nervoso com estes novos sentimentos que borbulhavam em mim.

Ela sacudiu levemente a cabeça apertando apreensiva a minha mão que a segurava.

Sorri com o canto da boca.

A música ainda tocava e eu conduzia a Nana fazendo um rodopio lento e tomando-a novamente em meus braços. Ela cedia aos poucos. Vinha até mim como um sinal do destino...

Tudo isso não é coincidência...

Aigo! Essa letra! Será possível que eu estava cantando minha história e não me dei conta?! É isso. Eu sempre fui apaixonado por Nana...

Meu coração se agitou e bateu mais forte.

Olhei-a, ainda mais próxima. Seus braços agora por sobre meus ombros e os meus por sobre sua cintura. Dançávamos tranquilamente, livres de qualquer olhar e recriminações.

Mesmo com seus olhos ainda vendados, pude perceber sua confiança em mim... E eu não poderia mais esconder isto de mim mesmo. Não poderia resistir a tais sentimentos.

Inclinando-me para perto de seus lábios, levei uma de minhas mãos ao seu rosto quente, fazendo-a sobressaltar-se.

— Jimin oppa, mas o que está fazendo?! Aigo! — Exclamou em um misto de susto e confusão arrancando o tecido dos olhos.

— Nana, espera! – Tentei segurá-la, mas sem sucesso. Ela correu estúdio afora.

Foi tudo muito rápido.

Pabo! Jimin, seu tolo! O que faço agora?

Levei uma mão à testa, arrependido.

POV NANA

—Aish! O que deu no Jimin oppa?! Céus, estávamos tão próximos. Quando eu finalmente me sinto tranquila perto dele, coisa até então impossível para mim, ele... AISH! Que droga! O que ele iria fazer?! Eu não deveria ter corrido daquele jeito. – Me sentia arrependida pelo meu impulso.

O que ele irá pensar de mim? E se ele não iria fazer nada?... Que tola eu sou! Pabo! Mil vezes, pabo!

Caminhava pela empresa desnorteada com o que havia acontecido, ou melhor, com o que não havia acontecido, quando me deparei no corredor com o diretor Hee Kong-Sang.

— Hey, mocinha, porque não está no estúdio? Estava voltando para terminarmos as gravações.

— Senhor Hee, me desculpe, não poderei voltar hoje. Eu... Bom, eu não estou me sentindo muito bem. Tenho trabalhado muito ainda como staff e estas gravações não estão fáceis... – Resolvi ser sincera. Parcialmente.

NADA FÁCEIS!!! Isto está mais para uma prova de fogo! – Gritei em pensamento.

O diretor me olhou estranho e perguntou apenas:

— Onde está o Park Jimin?

— Ficou no estúdio, senhor.

— Muito bem, irei até ele.

Mordisquei os lábios nervosa.

Ai, o que eu fiz??? Mas isso tudo é culpa do oppa! Se ele não fosse tão gentil e bonito... Aigo, Nana! Eu não poderia ter me apaixonado justo pelo Jimin oppa, um Bangtan Boy! O que deu em mim?!

— Como sou tola... Eu devo ser apenas mais uma! Todas as dongsaengs e noonas se arrastam aos pés dos Bangtan Boys e com o Jimin oppa não é diferente, Nana. Cai na real, garota. Você quer viver um sonho... – Saí resmungando para mim mesma quando esbarrei com alguém.

— Cuidad-- Começou o Namjoon – Nana! Anda distraída? – Falou entre risos.

— Nossa, me desculpe, Namjoon oppa! Eu e minha cabeça! – Fiz uma reverência.

Vou começar a escrever um livro: Qual o número máximo de vergonha para se passar em um dia. Leia o passo-a-passo e faça exatamente o contrário!

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— Não precisa se preocupar. – Namjoon falou fazendo uma leve reverência em resposta – Você está bem, Nana? Parece aflita e... – Me observou rapidamente – Desgrenhada. – falou abrindo um largo sorriso.

Eu ri igualmente e dei-lhe um leve tapa no braço, timidamente.

— Não sei o que está acontecendo comigo... Na verdade acho que sei, mas não quero entender. Na verdade preferia nem saber! Aish!

— Você está parecendo o Suga hyung. – Observou tentando me animar.

— Ouvi meu nome. – Suga aproximou-se juntando-se à nós no corredor da BigHit.

— Annyeounghaseyo, Suga oppa! – O cumprimentei – o Namjoon oppa falava que me pareço com você por andar resmungando pelos corredores.

Rimos os três e Namjoon completou:

— Nana parecia triste e nos esbarramos aqui.

— Você não deveria estar gravando o MV com Jimin? – Suga inquiriu significativamente.

— Hum! – Namjoon exclamou entreolhando-se com o Suga. Olhei de um para o outro.

Isso foi suspeito. – Pensei.

— Deveria... Mas, eu, na verdade, não estou me sentindo bem. O Jimin oppa me deixa confusa. – Falei rápido a última frase como um desabafo que precisava sair de dentro de mim ou aquilo me consumiria. Tapei minha boca em seguida e passei por entre dois a passos largos.

Até quando irei piorar a minha própria situação?!

Notas finais
Do que os outros garotos sabem?... Até o próximo capítulo!