1971: Como Tudo Começou
3 O expresso de Hogwarts - James
Notas iniciais

Tínhamos combinado de nos encontrarmos na plataforma ás dez para achar uma boa cabine enquanto elas naturalmente não ficavam cheias.
Mas nem Sirius nem Remus haviam aparecido ainda e eu já estava plantado no meio da multidão fazia 10 minutos — Não achem estranho eu estar reclamando. Levo muito a sério a pontualidade. (Puxei meus pais) – quando avistei a cabeleira negra de Sirius surgindo. Fiquei olhando enquanto uma jovem muito bonita com o gato dele, Geada surgia da passagem seguida de seu irmão mais novo, Regulus, provavelmente – e dois adultos muito parecidos com ele – a quem julguei serem seus pais pela semelhança.
— Black! – chamei.
Todos eles se viraram ao mesmo tempo na minha direção. Pode parecer estranho, mas consegui ouvi-los da distância em que estava. (Devo uma à campainha que me acorda todos os dias)
— Alguém conhece o rapaz?- perguntou a mãe.
— Acho que ele está pedindo esmola. — disse a jovem, rindo.
— Nem sabe pentear o próprio cabelo. Lamentável. Deve ser filho daqueles grifinórios traidores de sangue, os Potter. Se entendem com trouxas. – Falou o pai com nojo.
— E ainda por cima é um quatro olhos. — completou Regulus
— Concordo com você, primo – disse a jovem. — E, obviamente podemos perceber que o sujeitinho Potter deve conhecer um outro sujeito que não se manifestou até agora e fica nos olhando como se tivéssemos contado grandes : O Sirius.
Com esse comentário, percebi que Sirius já havia saído de perto deles. E, como sempre acontece comigo, Sirius aparece na minha frente como se tivesse sido invocado ao menciona-lo – mesmo que em pensamento.
— Cara, não acredito que você fez isso! Poxa, você podia ter acenado discretamente do meio da multidão, ou até mesmo me chamado com um simples: Sirius! – reclamou com uma sincera cara de desapontamento estampada no rosto.
— Errr... Somente me desculpe, sim?
— Desculpar é pouco, Potter. Estão pensando seriamente em me mandar um berrador quando estivermos em Hogwarts nesse exato momento. Digo, essa é a coisa mais gentil que eu posso esperar deles enquanto Bellatriz estiver em casa interferindo no que fazem.
— Quem é Bellatriz?
— Ah, tá. Vamos procurar logo uma cabine. Se eu ficar aqui por mais tempo meus pais me localizam.
Entramos no trem e vimos que quase todas as cabines estavam cheias. Por sorte nós encontramos uma desocupada no fundo.
Colocamos os malões no compartimento e sentamo-nos.
— Agora vamos ás explicações... – Disse Sirius entrelaçando os dedos de suas mãos e apoiando sua cabeça neles dramaticamente.
— Primeiramente: Por que se atrasou, Black? – perguntei com a mesma seriedade que ele demonstrava.
— Pulemos por favor essa pergunta. – Dispensou com um gesto de mão — Guarde-a na geladeira e conserve-a para o Remus, sim? – Tinha quase me esquecido dele. Por Merlim! Será que ele morreu?
Acordei do choque e finalmente perguntei:
— Quem é Bellatriz?
— Acho que podemos descrevê-la em tópicos:
Prima
Chata
Vinte anos
Bagunceira
Psicopata
Disse isso levantando a cada tópico dois dedos, de modo que quando terminou seus dedos não estavam mais entrelaçados.
— Mais dúvidas? – Perguntou com a testa franzida, tentando fazer uma cara séria. Mas descobri que ele é péssimo no quesito “fazer caras”. Não aguentei mais. Ao mesmo tempo caímos na gargalhada.
Naquele momento Remus entrava na cabine arquejando ruidosamente.
— Ufa. – disse pondo a mão no peito e respirando fundo.
— Por que se atrasou Lupin? – Dissemos eu e Sirius em uníssono (eu com uma cara séria, Sirius com uma careta que eu acho que seja sua tentativa de uma cara séria).
Remus olhou para a careta de Sirius e por um momento sua expressão foi de confusão.
— Minha mãe... Ela é muito grudenta. – disse ele apontando para uma marca de batom na bochecha e uma capa de chuva.
— Ela te obrigou a trazer essa capa de chuva?
— Na verdade não, ela queria me dar um guarda-chuva, mas depois mudou de ideia e colocou a capa na minha mão. Tive que fugir e vim correndo pra cá, porque ela já começava a me analisar pra ver se eu estava bem prevenido. Por favor, não façam essas caras estranhas, eu moro perto. E depois eu comprei jornal de um bruxo quando já tinha entrado na estação — disse erguendo o jornal O Profeta diário – Precisamos estar sempre bem informados. — Ao terminar sentou-se no banco e começou a ler o jornal.
Eu e Sirius nos entreolhamos. Nerd. Concordamos em pensamento.
A porta da cabine se abre novamente e um menino gordinho pergunta, tímido:
— Posso me sentar aqui? As outras cabines estão todas cheias.
Remus nem levantou os olhos do jornal enquanto eu e Sirius fizemos sinal para o garoto entrar. De repente ele levantou a cabeça violentamente olhou para nós:
— Terminei de ler.
Passou um tempo demasiado longo olhando o garoto que estava conosco.
— Pedro Pettigrew?
— Como você ficou sabendo meu nome? Eu não disse nada. – Perguntou Pedro.
Remus deu de ombros
— Tom me contou que você era o que mais aparecia lá, e sempre sozinho – Disse ele com um olhar gentil.
— Veja, eu sou Remo Lupin e aqueles dois doidos são Sirius Black e James Potter. Você pode ficar com a gente.
— Por sinal Remus, cadê a mulher da comida que não vem? – perguntei.
Uma mulher gordinha apareceu na porta (Preciso dizer? Como se tivesse sido invocada ao ter a mencionado):
— Querem comprar alguma coisa? – disse apontando ao carrinho de doces.
Eu comprei feijões de todos os sabores e dois sapos de chocolate. Já Pedro limpou todos os sapos do carrinho.
— Hmmm... Alvo Dumbledore? Já devo ter umas cinquenta dele. – Disse ele, frustrado quando tirou o cartão da caixa.
— Cinquenta? — perguntei
— É, eu coleciono. A verdade é que só faltam dois para minha coleção estar completa. – Respondeu Pettigrew.
— Vamos ver se tenho sorte... Hmmm – Disse fazendo mistério enquanto pegava os meus dois cartões. — Godric Griffindor e Helga Hufflepuff.
— Como assim? Eram esses que me faltavam! – Disse Pettigrew.
— Tome – Disse dando meus cartões. – Eu não coleciono.
A garota de cabelos acaju em que havia visto na loja de animais do beco abriu um pequeno espaço da porta e enfiou a cabeça pra dentro:
— É melhor já colocarem o uniforme, estamos nos aproximando do destino
Com a mesma rapidez que apareceu ela saiu.
— É caras, logo vão saber em que casas vão estar... Tomara que eu não vá para a Sonserina, tomara que eu não vá para a Sonserina... – Dizia Sirius, nervoso, olhando para o nada.
— Igualmente, Sirius. Igualmente.
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