Foi bem triste arrumar as malas para ir embora. Molly já estava sentindo muita falta de Siena e de sair em busca de Lorenzo. Então, mesmo sabendo que seria inútil, foi bem devagar levar suas coisas até o carro, aproveitando cada minuto, parando para olhar cada quadro e se despedir de todos que pudesse se lembrar.

– Bom dia. — Sherlock já estava lá, e foi ajudá-la com as malas.

– Obrigada.

– Dormiu bem?

– Bem, e você?

– Muito bem. Obrigado. — nenhum dos dois sabia exatamente como reagir em seguida. Ainda bem que Martha logo apareceu.

– Bom dia, vocês dois. Como vão? É um lindo dia! Oh, não, não, vá na frente, querida, quero esticar minhas pernas. — Molly entendeu o que ela estava fazendo. Mas não negou.

Entraram no carro e Martha não parava de tagarelar.

– As estrelas eram uma vista espetacular da minha janela. Principalmente ontem. — Pronto. Estava tudo explicado. — Querido, pode ligar o rádio, por favor? — E foi mudando até encontrar uma que tocasse músicas românticas. E ficou cantando e olhando para os dois.

O que só deixava o clima ainda mais constrangedor entre eles.

– Vejam, o vinhedo! É nosso vinho favorito. Entremos é façamos um brinde de despedida.

– Está bem.

Enquanto percorriam o vinhedo, uma coisa estranha aconteceu. Martha ficou agitada e pediu desesperadamente para que Sherlock parasse o carro.

Ela praticamente pulou do carro e ficou encarando um menino que recolhia uvas.

– Vovó, o que foi?

– É o Lorenzo. — mas ele era só um garoto! Molly tomou a dianteira.

– Com licença. Conhece Lorenzo Bartolini?

– Eu sou Lorenzo Bartolini.

– Molly, eu acho que...

– Bom dia, posso ajudar? — um homem, aparentemente mais velho que Molly e Sherlock, veio até eles.

– Sim. Estamos procurando por Lorenzo Bartolini. — Sherlock mal se aguentava de tanta empolgação.

– Eu sou Lorenzo Bartolini. — ele também respondeu.

– Seu pai também é Lorenzo Bartolini?

– Sim, ele saiu para cavalgar. Como posso ajudá-los? — os dois quase pulavam de felicidade, enquanto Martha estava afastada, completamente perdida.

Sherlock pareceu recobrar algum sentido.

– Desculpe-nos a falta de educação. Eu sou Sherlock Holmes.

– Molly. Olá.

– Estamos procurando o seu pai. Minha avó, Martha, o conhece.

– Vamos, Sherlock! — Martha o chamou.

Como assim "vamos"? Quando finalmente o encontraram, ela quer ir embora?

– Só um minuto... — Molly pediu para os Lorenzos e se juntou a Sherlock para falar com Martha.

– Vovó, Lorenzo está aqui. Está cavalgando, mas vai voltar a qualquer instante.

– Então vamos antes que ele volte. — Não, não, não, não, sem acovardar agora!

– Depois de tanto esforço, vovó? Vamos!

– Não, eu fui ridícula. Ele me conheceu com quinze anos, uma menina. Essa menina não existe mais.

E então, chame do que quiser, sina, destino, carma, Lorenzo — o avô — chegou. E em um cavalo, para deixar a história toda ainda mais inacreditável.
Quando ele parou, Lorenzo neto foi correndo contar o que estava acontecendo.

Martha estava cada vez mais desesperada, apertando a mão de Sherlock e Molly, mas percebeu que não tinha escapatória quando Lorenzo Bartolini — O Lorenzo Bartolini — começou a caminhar até ela.

Reunindo coragem, ela saiu ao seu encontro.

Para alívio deles, Lorenzo a reconheceu na mesma hora.
– Martha?

Ela estava atônita. Simplesmente balançou a cabeça, sem saber o que falar.

– Meu deus! Quanto tempo!

– Sim. Cinquenta.

E como se não acreditasse que era real, Lorenzo tocou o rosto de Martha, que se apoiou em sua mão.

Naquele momento, cinquenta anos depois, palavras não eram necessárias. E quando eles se abraçaram, Molly quase começou a chorar, de tanta felicidade.


–--

Depois disso, não havia condições deles irem embora.
Os três ficaram para o almoço e conheceram toda a família. Eram tantas pessoas e todos tão animados que era difícil decidir saber com quem estava conversando.

– Se me permitem. — Lorenzo se levantou para falar com todos. — Eu realmente não sei como me expressar. Sai para cavalgar está manhã como um idoso, e voltei como um jovem.

Múrmuros de felicidade, risadas e pessoas concordando se espalharam pela mesa.

– Fico tão feliz que vocês conheçam Martha e o seu neto, Sherlock. — pela primeira vez ele pareceu envergonhado. — e sua adorável amiga, Molly. Minha querida Martha. Você me falou que perdeu o seu Frank. E eu perdi minha Rosa.

– Sim.

– Então o destino queria que nós reencontrássemos. — e se olhavam apaixonados. — um brinde! Saúde a família Bartolini. — eles eram tão empolgados.

E quando todos estavam distraídos de novo, Martha disse:

– Desculpe-me por ter demorado tanto. — por mais que Molly tentasse não ouvir, era meio difícil, já que ela estava sentada perto de ambos.

– Não. Quando falamos de amor, nunca é tarde demais. — até Sherlock se derreteu depois dessa.

Quando o almoço terminou, as crianças foram jogar bola. Martha e Lorenzo foram caminhar juntos. Molly procurou um canto afastado. A procura terminou. Ela devia voltar para Tom, certo?

– Tudo perdido, e ele aparece cavalgando no seu cavalo branco. Ninguém acreditaria. — Sherlock apareceu. — Prometa-me que vai terminar a história.

– Eu vou.

De novo silêncio. Havia tanto a ser dito. E mesmo assim...

– Isso é um adeus, não é? E eu lamento que seja assim.

– É, eu também.

– Molly, eu... Jamais devia ter beijado você. Foi errado de minha parte.


Não era uma coisa pela qual se pedia desculpas. E ela não contava com as lágrimas chegando.

– Você tem um noivo e...

Ela só concordava.

– É hora de ir. — se levantou e deu um beijo nele, e já saindo, antes que ele visse as lágrimas, acrescentou. — vou sentir sua falta.

Correu até Martha e Lorenzo.

– Olá. Chegou a hora. Tenho que voltar com Tom. Sinto muito.

– Ah, sim, é claro. Onde está Sherlock? Vamos levá-la.

– Não, eu... Martha, não posso fazer você sair daqui.

– Meu filho levará você. Um momento. — O grande Lorenzo veio em seu auxílio.

– Sim. Grazie.

Quando ele se afastou, Molly disse:

– Estou tão feliz por você! — Martha percebeu a tristeza estampada na face de Molly.

– Está acontecendo alguma coisa?

– Não! Não. Não, é só que... — e lá vinham lágrimas de novo.

– E você já vai? — Molly deu de ombros. — Um anjo trouxe você pra mim. — e puxou ela para um abraço. — Obrigada. Serei eternamente grata a você.

– Desculpe interromper. Está tudo pronto. — era Lorenzo, já com a mala de Molly na mão. Ele foi na frente até o carro, e Molly e Martha o seguiram, de mãos dadas.

Cumprimentou Lorenzo e agradeceu por tudo.

– Sempre será bem-vinda aqui.

– Obrigada.

– Ciao.

– Nos falamos logo. — disse a Martha.

O caminho de volta foi longo. O filho de Lorenzo — aquele que não tinha o mesmo nome do pai — percebeu que ela não estava no clima para conversa, então nem tentou.

Quando chegou em Verona, Tom ainda não havia voltado. O que era bom, já que a última coisa que ela queria naquele momento, era olhar para a cara dele.

Mas a tranquilidade não durou muito tempo. Cinco minutos depois que ela chegou, Tom chegou também. Ela estava parada na varanda, observando o movimento, quando ele chegando agarrando-a.

– Senti tanto sua falta! — colocou um sorriso no rosto e o abraçou.
a Não podia enviar um e-mail a você. Não fazia sentido. Você estava... — quando blá blá blá. E o celular dele já estava tocando de novo. — Um segundo. — e entrou no quarto.

Molly se voltou a varanda, pensando o que estava fazendo ali. Estava tão chateada que mal percebeu o carro de Sherlock saindo dali, de volta para Siena.