17º Desafio Sherlolly - Cartas para Julieta
11 E se...
Notas iniciais
O único problema para Molly era decidir o vestido. Quase pegou um amarelo, mas percebeu a tempo que iria parecer um ovo se usasse aquele vestido. Acabou optando por um verde.
Quando chegou percebeu o quanto aquele espaço era grande. Haviam várias mesas espalhadas, além da mesa principal para a família. E havia tanta gente, que ela estava perdida, sem conseguir encontrar um único rosto conhecido.
– Molly? – afinal Sherlock havia encontrado-a.
– Olá.
– Olá.
– Olá.
– Não acredito que está aqui. Está tão linda. – ela enrubesceu. E antes que pudesse falar alguma coisa, Sherlock perguntou – Quando você chegou? Onde está hospedada?
– Na verdade eu ainda não decidi.
– Ah, esqueça isso. Você ficará aqui. Lorenzo não aceitaria que fosse de outra forma.
– Assim espero. Como vai... Como vai o grande Lorenzo? Maravilhoso como sempre?
– Ainda melhor.
– Sim. – era agora. Agora era a chance de falar que não estava mais com Tom. – Na verdade, eu queria...
– Você está aí! – uma moça morena, usando um coque e um vestido apertados se aproximou de Sherlock. – Acho que estamos prontos. Já estão por chegar. – Ele pareceu sem graça de ter sido incomodado, mas estava tão radiante com tudo que era como se o casamento fosse dele.
– Molly, essa é Irene. – Molly fez a melhor cara de alegria pode e cumprimentou.
– Olá.
– Molly?
– Sim, A Molly.
Pareceu encantada em conhecê-la.
– É um prazer conhecê-la finalmente. – e apertaram as mãos. – a gente se vê lá dentro. – falou para Sherlock e se afastou.
– Certo.
Agora Molly estava mais sem graça do que jamais esteve. Ele havia voltado com a ex-namorada, afinal. Mas o que ela estava pensando? Que depois desse tempo ele estava esperando por ela?
– É muito bom te ver, Molly.
– Ah, eu vou entrar. Nos vemos logo, ok?
– Sim, claro. – mas pareceu bem confuso.
Foi para a capela e para surpresa ainda maior dela, as Secretárias de Julieta estavam todas lá.
– Oi, Molly.
– É tão bom ver vocês!
– Você está linda! – Molly agradeceu e se sentaram. Estavam todas sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
Lorenzo já estava no altar e quando viu Molly bateu de leve no coração, gesto que Molly retribuiu, completamente encantada.
A música começou a tocar é todos se levantaram. Martha entrava na capela, acompanhando de Sherlock. Molly estava se segurando para não chorar, e precisou de ainda mais controle quando Martha passou ao seu lado e apertou sua mão.
Foi uma cerimônia bem curta e quando eles saíram os convidados já estavam lá fora, prontos para jogar arroz neles. Martha foi direto falar com Molly, mas teve que se apressar, pois havia muita gente para cumprimentar.
E aos poucos os convidados iam se acomodando mas mesas, enquanto aguardavam o almoço e os discursos.
Molly ficou na mesa com Donatela, Frascesca, Maria e Isabela, e elas ficavam insistindo para que Molly contasse como foi que tudo aconteceu.
– Oh, passamos dias buscando por ele. Visitamos vários Lorenzos. Mas tivemos a infelicidade buscar por um que está morto.
– Isso deve ter sido um choque.
– E foi. Sherlock nos impediu de continuar depois disso. E aí, quando estávamos voltando pra Verona, paramos em um vinhedo e, bom – Molly apontou para Lorenzo. – o resto vocês já sabem. – olhavam estupefatas para Molly.
– E eu que achava difícil ela ter recebido a carta...
– Ninguém acreditaria se não fosse verdade.
De repente a música parou.
– Vocês também, meus amigos, se me derem um minuto. Quero agradecer, em meu nome e de minha linda esposa, a minha bela Martha. – e todos aplaudiram. – Agora é a sua vez. – ele se sentou, dando espaço para Martha falar.
– Queridos amigos. Há cinquenta anos fui à casa de Julieta, em Verona. Escrevi uma carta e fiz uma pergunta. Há dois meses, recebi a resposta. E sem essa carta – ela abraçou Lorenzo – nenhum de nós estaríamos aqui hoje.
Enquanto Martha falava, Molly só conseguia pensar em Sherlock e ficava cada vez mais triste, já que era Irene sentada ao lado dele na mesa principal, e não ela.
– Molly, se importa se eu ler as palavras que me escreveu? – ela apenas balançou a cabeça. – está bem?
E leu:
– “Querida, Martha, “e” e “se” são as duas palavras menos ameaçadoras que existem. Mas colocadas juntas, lado a lado, elas têm o poder de atormentar pelo resto da vida. “E se?” “E se?” “E se?”. Não sei como sua história terminou, mas se o que você sentiu era amor verdadeiro, então nunca é tarde demais. Se foi verdadeiro antes, por que não agora? Você só precisa ter a coragem para seguir o seu coração. Não sei como é sentir um amor como o de Julieta, que permite abandonar os seus bem-amados e atravessar oceanos, mas eu gostaria de acreditar que se o vivesse algum dia, teria a coragem de agarrar-me a ele. E, Martha, se você ainda não fez isso, espero que um dia o faça. Todo meu amor, Julieta.”
Molly ouvia aquelas palavras e percebia cada vez mais que estava para fazer o contrário do que disse a Martha na carta. E quando todos pararam de aplaudir, ela saiu correndo. Precisava sair dali.
Correu pela propriedade, até que encontrou uma entrada. Subiu as escadas e foi parar em uma sacada.
Por falar em Julieta...
– Não, Molly, não faça isso no casamento da Martha. Aguente mais um pouco e depois você pode voar de volta para Nova York e nunca mais encontrar Sherlock. – falava sozinha, desesperada, andando em círculos.
– Molly? Molly? Molly? – Sherlock chamava por ela.
– Aqui em cima.
– Claro, uma sacada.
– Bem...
– O que você está fazendo aí?
– Eu vou embora.
– Por que?
– Porque isso é muito doloroso. Eu devia ter percebido antes, mas não fiz, ou talvez não pude. Mas... tom e eu não estamos mais juntos.
Um sorriso iluminou o rosto dele.
– Acho que voltei esperando que...
– Espere. Você não está mais noiva?
– Não... Mas é tarde demais. Claramente tarde demais. E não importa mais, porque honestamente – e aqui ela parou, o que estava prestes a falar era importante e poderia mudar tudo. – Eu te amo. Não posso acreditar no que acabo de dizer. Mas eu amo. – é como se falasse mais para si mesma do que para ele, continuou. – mas isso provavelmente não importa pra você, já que você está aqui com Irene.
– Irene?
– E você deveria voltar para ela.
– Irene é minha prima.
Não, espera um pouco. Prima?
– Isso não é incesto?
– Não... Não, não, não! Molly, deixe-me explicar. – se aproximou da sacada. – Como sou idiota. Tem duas Irenes. A minha prima, que está aqui, e a outra que não me importa. Mas o mais importante é que só tem uma Molly. – ele tirou o fraque e se pendurou nas trepadeiras, escalando até ficar mais perto dela.
– Sherlock, o que você está fazendo?
– Preste atenção. Eu moro em Londres. Uma cidade vibrante e histórica na qual amo viver. Você vive em Nova York, a qual é muito supervalorizada.
– Ei! – Não se fala assim de Nova York.
– Já que o Oceano Atlântico é muito largo para ser atravessado todos os dias, de navio ou de avião, sugiro cara ou coroa.
– O que você... Mas...
– E se esses termos não são aceitáveis, será um prazer deixar Londres, se você estiver esperando por do outro lado. Porque a verdade é que eu estou loucamente, profundamente é apaixonadamente apaixonado por você.
Aquilo era uma virada e tanto na situação. Não conseguia acreditar na confusão que nomes poderiam causar.
Ela se inclinou para beija-lo, e ele tentou subir mais um pouco, mas acabou pegando em um galho quebrado e caiu.
– Meu deus! Sherlock! – desceu correndo as escadas. – você está bem?
– Não acredito no que acabei de fazer. Por favor, me diga que ninguém viu isso. – ele estava deitado, ainda caído, então não tinha como ver Martha e Lorenzo se aproximando, vendo cada toda a cena.
– Ninguém viu.
– Ótimo, ótimo. – colocou a mão no rosto dela, observando cada detalhe.
– Consegue se mexer?
– Só os meus lábios.
E novamente, deitados na grama, eles se beijaram. E não se importaram que todos os convidados de repente se aproximaram para ver o que estava acontecendo.
Eles estavam juntos. E ao menos dessa vez, não foi preciso esperar cinquenta anos.
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