Notas iniciais
Ora, dêem as boas vindas pro Joe.

Senti meus joelhos cederem ao chão, caindo sentada. E ali mesmo, sem mais nada, desabei a chorar. Eu não podia estar grávida. Não estava pronta para um bebê. Não estava pronta para abrir mão da adolescencia – e pior, da minha infancia.

Peguei a fita pela parte seca, jogando-a na privada e dando descaga. Eu estava com raiva, decepcionada, com nojo de mim mesma e confusa sobre como seria minha vida a partir de agora. Abracei meus joelhos, sentada no linóleo frio do banheiro, e deixei que as lágrimas escorressem livremente por minhas bochechas. Um soluço tremeu meu corpo inteiro, em busca de oxigenio, talvez.

E ali mesmo, adormeci, torcendo para que eu acordasse em minha cama, sabendo que tudo não passava de um terrível pesadelo.

– Terry?

Abri meus olhos, rapidamente. Sentia minhas costas doerem e minha garganta estava ardendo.

O ambiente ao meu redor era bem diferente do que eu estava acostumada a acordar, mas eu me lembrava bem do dia anterior e entendia o porque de eu estar ali.

Levantei tentando não me desequilibrar, e abri a torneira, lavando o rosto.

– Sim, pai? – abri a porta, forçando o melhor sorriso que pude. Não tinha idéia de qual era o meu estado, mas não deveria estar nada bom.

– Entrei aqui no seu quarto e não te vi na cama, então resolvi checar se estava tudo bem aí. – ele sorriu amavelmente, ajeitando os óculos arredondados nos olhos. Oh, pai. E se eu te dissesse que nada está bem? E se eu te falasse que vai ser avô, e logo agora?

– Sim, está. – eu disse, ao invés.

– Tem certeza? Você está bem pálida. Ainda está com aquela gripe?

– Estou. Mas está melhorando, eu acho. Agora com licença, tenho um banho a ser tomado. – fechei a porta, me livrando daquela feição preocupada que antes me encarava.

Peguei o celular correndo, verificando as chamadas perdidas. Mas não havia nenhuma. Fazia exatamente um mês que eu e Joe não nos falávamos e aquilo me preocupava muito. Não eramos os típicos namorados que nunca se desgrudam, mas tampouco éramos tão distantes. Teria ele encontrado outra?

Vamos, Terry. Não brinque com uma coisa dessas. Joe só está ocupado, como você também esteve.

Balancei minha cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Eu já estava bem grandinha pra falar comigo mesma.

Liguei o chuveiro, entrando debaixo deste com todas as roupas. Eu me sentia suja, pesada, impura e embora eu soubesse que estar grávida não significava nada daquilo, só o fato de eu ter quinze anos tornava aquilo bem pior. Deixei que mais algumas lagrimas escapassem dos meus olhos, sabendo que não poderia chorar fora daquele banheiro.

Não sei ao certo quanto tempo fiquei debaixo d’agua, tentand lavar as coisas ruins da minha vida. Sei que quando saí, me sentia de certa forma mais leve. Coloquei as roupas agora enxarcadas no cesto de lavar, e me enrolei em um roupão, sentando na minha cama. Com outra toalha, sequei vagarosamente meus cabelos, deixando-os úmidos por cima das minhas costas. E pela milhonésima vez naquele mês, peguei meu celular, mas desta vez não chequei ligação alguma. Sequer esperei que ele me ligasse. Ao invés disso, busquei por seu nome na minha agenda e disquei número por número, levando o telefone ao meu ouvido na esperança de que ele atendesse.

– alô? – a mesma voz que me causara arrepior apenas de ouvir soou do outro lado da linha, completamente arrastada e desanimada. O que teria acontecido com ele?

Apertei os olhos, tentando conter o pânico que agora tomava conta de mim.

– Joseph? – chamei, a voz trêmula.

– Eu mesmo, amor. Tudo bem?

Suspirei. Que saudades dele eu sentia. Saudades de como me chamava de amor. Saudades de quanto, entre eu e ele, só havia um namoro comum, entre dois jovens meio desjuizados, mas que não chegariam a conhecer a consequencia da falta de juízo.

As lagrimas que eu jurava terem se esgotados começaram a reparecer, uma por uma fazendo seus caminhos em minhas bochechas.

– Me promete uma coisa? – pedi antes de mais nada. Promete que me faz voltar no tempo, pra quando eu podia impedir isso tudo de acontecer?, pensei. Mas não poderia pedir algo longe de seu alcance.

– Tar, o que houve? – ele perguntou, a voz em estado de alerta. Ele deveria saber. Devia estar desconfiado.

– Por favor, só me promete uma coisa. – insisti – E dependendo da sua promessa, eu te conto tudo, ok? – mordi os lábios, ouvindo o silêncio em nossa conversa. – Joseph, você me ama?

– Claro! – a resposa veio rápido. Rápido demais. Ele nem havia pensado no que aquela resposta implicava, o que significava que ele não fazia idéia de que aquilo poderia ser nossa chave para o inferno. E completou: — Tar, meu amor, você sabe que eu te amo mais do que qualquer coisa nesse mundo!

Prendi um sorriso, tentando me convencer de que aquilo era o suficiente. Alguns soluços escaparam de minha boca e eu torci para que minha mãe não entrasse no quarto agora. O que eu diria à ela?

– Então me prometa que independente do que aconteça, você não vai me deixar. – engoli em seco -Só me diga que seu amor é... É grande a tal ponto. Por favor, Joe. – implorei, desesperada por sua resposta — Consegue me prometer isso?

Eu estava com tanto medo do que poderia acontecer daqui pra frente. Eu não tinha medo dele, sequer de sua reação, mas tinha medo da reação de todo o resto. Como seria?

– Eu prometo. Nunca seria capaz de te abandonar. – respondeu, a confusão aparente em sua voz. Eu precisava contar para ele, e precisava fazer isso agora.

Senti as lagrimas engrossarem e àquela altura, minhas mãos tremiam enquanto eu tentava inutilmente mostrar força pelo telefone.

– Eu te amo. – solucei, enquanto colocava tudo o que eu sentia para fora. O amava, era inegável. E aquilo, o bebê, era só mais uma prova disto. — te amo tanto, nunca pensei que querer colocar em prova nosso amor fosse acabar nisso... – mais um soluço – v-vem aqui em casa. – gaguejei, meu corpo resistindo às mensagens que eu mandava para o meu cérebro. Eu estava em desespero, em choque, chame do que quiser. Estava perdida. – Pode ser? Preciso.. Conversar com você pessoalmente. – suspirei. E tentando não pensar duas vezes no que eu estava prestes a fazer, continuei: — Agora.

– Estou indo! – ele disse de imediato, e sabendo que iria desligar o telefone, tomei o cuidado de confimar toda nossa conversa.

– E Joseph... Lembre do que prometeu. – apertei os olhos, expulsando as lagrimas de lá – Não quebre sua promessa.

O telefone ficou mudo naquele momento, deixando-me duvidosa se ele teria ou não escutado a ultima parte. Mas eu confiava minha vida nele. E agora, não apenas a minha, mas a vida daquele bebê também.

Notas finais
Se alguém ler - e eu sei que não deve ter ninguém lendo - eu gostaria muuuito que me dissesse se é válido ou não eu continuar postando hahahha anyway, só estou pubicando uma coisa que já estava pronta e mofando no meu computador.