17 Again

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oi pessoal. Tenho essa ideia na cabeça, já algum tempo, estava com tempo livre, então resolvi escrever, espero que gostem. Boa leitura!

Flashback on

23 anos atrás

Santana estava em seu último ano no colégio, era a garota mais popular da escola e a melhor jogadora do time de vôlei feminino. Tinha um futuro brilhante pela frente.

Santana estava no ginásio treinando antes do jogo começar, tinha grandes expectativas, era a sua grande chance, teria que impressionar os olheiros para que pudesse conseguir a bolsa para a faculdade e pudesse finalmente seguir o grande sonho, se mudar para Los Angeles e seguir a carreira de cantora.

– Já chega Lopez — Sue assoprou o apito — Guarda um pouco dessa energia pro jogo.

– Treinadora, acho que eu vou conseguir impressionar os olheiros? — Santana perguntou, bebendo um pouco de água em sua garrafa.

– Mas, é claro que sim. Deixa eu te contar uma coisa, estou nesta escola a mais de 6 anos e garota, eu nunca vi um talento tão grande como você — Sue falou, fazendo Santana abrir um largo sorriso no rosto.

– Valeu, treinadora.

– Agora para o banho, já. — Sue ordenou e Santana saiu correndo para os vestiários.

As jogadoras estavam reunidas no ginásio para tirar a foto anual do time, como era seu último ano, aquele era a foto que ficaria no mural de recordação da escola.

– Vamos garotas — Sue pediu enquanto as garotas se organizavam.

– Treinadora, temos que esperar mais um pouco, a Rachel não chegou ainda — Santana falou.

– Aquela anã irritante — uma das jogadoras falou, recebendo um olhar irritado de Santana.

– Ela também faz parte do time — A latina falou, foi quando Rachel entrou correndo na quadra quase tropeçando, vestindo uma fantasia esquisita do clube de magia.

– E-eu t-tô aqui. Me desculpa pelo atraso — Rachel falava ofegante, recebendo os olharem de indiferença do resto do time. Santana andou até a baixinha a ajudando se livrar da fantasia.

– Se demora mais você não sairia na foto — Santana falou retirando a fantasia com detalhes de estrelas do corpo pequeno de Rachel, revelando o uniforme do time que vestia por baixo — Que merda é essa?

– O clube de magia precisou de mim.

– Ok, já chega vocês duas. Rachel segure a placa — Sue falou entregado a placa que continha o nome da turma escrito nela.

Mckinley's High, Volleyball Team of 2007.

Todas se posicionaram para que o fotógrafo tirasse a foto e quando ele apertou o botão, uma jogadora alta que sempre implicava com Rachel, a levantou puxando pelas roupas a deixando em uma posição muito embaraçosa na foto.

O ginásio já estava lotado todos afins de ver o grande jogo, era final de temporada um jogo decisivo não só para o time vencer o campeonato, mas por que aquele era o jogo que iria definir o futuro de Santana. A latina olhou para cima nas arquibancadas e pode ver os olheiros que já estavam sentados em seus lugares. Santana estava nervosa, mas não deixaria isso a atrapalhar, sabia que se realmente quisesse aquela bolsa teria de dar o seu melhor.

– Tá nervosa? — Rachel perguntou a tirando de seu devaneio.

– Não, eu consigo isso. Pode deixar — Santana falou confiante.

– Ok.

– Último ano, Rach, nós conseguimos.

– Sim, nem acredito que sobrevivi ao colegial. Tudo graças a você — Rachel falou e a latina a abraçou.

– Que isso Rachel. É a minha melhor amiga, eu sempre irei cuidar de você — Santana falou e neste momento, as líderes de torcida entraram fazendo o show de abertura.

As garotas dançavam tendo a atenção das pessoas nas arquibancadas. Santana caminhou até lá e ficou em frente as líderes dançando junto com elas, roubando a atenção das pessoas. Quando a música já estava acabando a latina arrancou as calças, recebendo os olhares da plateia pela surpresa, ficando apenas com os shorts do uniforme do time. Quando a coreografia acabou todos aplaudiram e Santana fez pose, recebendo as palmas depois saiu caminhando em direção a Rachel, que ria sem parar.

– Mandou bem Sant.

– Sempre mando — ele piscou de lado para a morena.

Olhou para o outro lado da quadra, seus olhos se encontraram com os azuis de Brittany, a loira usava um vestido branco florido, os cabelos loiros eram curtos, não havia aderido a franja ainda, jovem e cheia de vida, tinha um brilho no olhar que era contagiante.

Santana a olhou como se fosse a primeira vez que em que se viam, mesmo já estando namorando a mais de 2 anos, ainda não havia se acostumado com a tamanha beleza da loira.

– Olha lá Rach — Santana falava como se não a conhecesse — A garota mais linda da escola. Sabe quem ela é? — Santana perguntou e Rachel assentiu — Mas é claro. É a minha namorada! Santana falou correndo até o outro lado para encontrar a loira.

Ela a beijou, segurou a loira pela cintura e a girou nos braços.

– Oh meu amor — ela falou colocando a loira no chão — Que bom que está aqui Britt, toda essa pressão de olheiro, tá me enlouquecendo. Sinto como se a minha vida inteira dependesse disso.

– Sei como se sente — Brittany falou com um tom de voz triste.

– Amor, tá tudo bem?

– Claro, tudo ótimo. — Brittany tentava disfarçar, mas sua voz mostrava o contrário.

– Lopez. — escutou a treinadora a chamar.

– Ok, eu tenho que ir agora — Santana deu um beijo na bochecha de Brittany e se virou para sair, mas voltou ao perceber o olhar triste da loira.

– Hey, o que foi? — Santana falou se aproximando e segurando as mãos da loira — Pode me contar.

Brittany se aproximou do ouvido da latina e começou a falar. A cada palavra que sussurrava, o brilho no rosto da latina diminuía.

– Lopez! Venha logo — Sue gritou novamente.

– Boa sorte — Brittany, soltou a mão latina que ela foi em direção as garotas do time.

O time se reunia para decidir as jogadas, mas a latina estava tão desligada, que nem prestou atenção na explicação da treinadora.

– Vai lá e acaba com eles Lopez, essa é a sua chance de ouro — Sue falou tocando o ombro da latina, antes que ela se dirigisse até a quadra.

O juiz apitou, dando início a partida, Santana estava tão dispersa, que nem percebeu quando a bola passou pela sua frente, dando um ponto de graça para o time adversário. Ela pode ouvir Sue resmungar, mas não se importou. De repente aquele ginásio parecia pequeno demais, sua cabeça girava, e mil pensamentos corriam em sua mente. O juiz apitou, e lá se foi outro ponto para o time adversário, Santana não reagia, e isso já estava irritando Sue.

– Lopez, se mexa — a latina a olhou e pareceu despertar de seu transe, olhou para os olheiros que já não pareciam tão interessados assim.

A jogada começou novamente, desta vez Santana reagiu, marcou 3 pontos sozinha, dando uma leve vantagem ao time, olhou para os olheiros e este estavam levemente impressionados, olhou para Sue e esta não parecia nada satisfeita. Então a latina percebeu que segurava a bola nas mãos, o que era contra as regras, ela percorreu a quadra a procura da loira, e viu que estava entrando em um dos corredores, indo em direção a saída.

Sentiu seu coração apertar, ao encarar a imagem de Brittany escapando de suas mãos, olhou para o jogo novamente, e viu que todas a olhavam a espera do que a iria fazer em seguida, sabia que naquele momento teria de tomar a decisão mais importante de sua vida.

– Lopez, o que é que está fazendo! — Sue gritava, enquanto a latina permanecia imóvel.

Santana olhou para a arquibancada uma última vez, e viu que os olheiros agora já se levantavam a fim de deixar o ginásio. Respirou fundo, e fechou os olhos por um segundo, quando os abriu novamente, soltou a bola, a arremessando para trás por cima do ombro, e saiu correndo na direção que sua loira havia ido.

– Brittany — ela chamou enquanto passava pelo corredor escuro — Britt, espera — ela falou ao enxergar a silhueta da loira. Brittany se virou e a olhou confusa.

– Sant, o que tá fazendo aqui? Devia estar jogando, os olheiros vai acabar perdendo a su.. — a loira falava, quando foi interrompida por um beijo da latina.

– Não me importa. Tudo o que quero é estar com você — Santana falou acariciando o rosto da loira.

– Mas e a faculdade? E L.A.? É o seu sonho.

– Não, se você não puder vir comigo — Santana falou, e os olhos da loira de encheram de lágrimas — Se você vai ficar, então vou ficar com você. Por que Britt, você é o meu sonho.

Brittany não respondeu nada, apenas a puxou para perto, entrelaçando as mãos em sua nuca e a beijou. Um beijo delicado, suave e cheio de amor.

Xxx

Atualmente – 2030

Santana Lopez 40 anos.

A latina, agora estava diferente. Os cabelos eram curtos na altura dos ombros e já não tinham mais tanta vida, ela dificilmente o usava solto, na maioria das vezes estava preso em um rabo de cavalo ou um coque. E com a idade que tinha, já não possuía o corpo malhado de atleta, que tinha quando estava em sua adolescência.

Santana ouvia o despertador tocar repetidamente, já estava acordada, mas não tinha a menor vontade de sair da cama. Não havia motivos, seu casamento fora por água a baixo, atualmente enfrentava o divórcio que mais parecia uma guerra eterna. Suas filhas não a respeitavam, e nem ao menos se importavam com a mesma.

Em seu emprego, esperava por uma promoção que parecia demorar a eternidade para chegar. Seus sonhos não haviam se realizado, sua vida era uma bagunça, e sua mente parecia uma montanha russa. Era uma piada, para sua família, para seus amigos e principalmente para si mesma.

Tendo feito o seu lamento matinal, finalmente teve a coragem para esticar o braço e desligar o despertador. Se levantou e como fazia todas as manhãs, não pode deixar de achar ridículo o fato de estar dormindo em uma cama do Star Wars.

Suspirou inconformada e foi em direção ao banheiro para fazer a sua higiene diária. Depois de se arrumar, desceu as escadas para tomar café, encontrando com a sua melhor amiga e agora anfitriã.

– Bom dia.

– Bom dia — Rachel falou entregando-a uma tigela no formato do carro do filme de volta para o futuro, cheia de cereal com leite — Prontinho — Rachel falou sorrindo e Santana sorriu de lado, sem muita animação.

Rachel após o colegial, se tornou bilionária. Tratou logo de investir em ações, com menos de 25 anos, já era uma das empresarias mais bem-sucedidas de New York e já tinha sua própria empresa de tecnologias. Acabou por ficar rica em pouco tempo.

Agora com a mesma idade que a latina, já não trabalhava mais, resolveu se aposentar cedo e curtir a vida de luxúria. E como toda nerd fiel, era apaixonada por filmes de ficção cientifica, sua casa era lotada de miniaturas, réplicas, mascaras e bonecos usados nos filmes e quadrinhos. Parecia a casa de uma criança, Santana achava um exagero, mas conhecendo sua amiga, achava melhor não reclamar.

– Você já pensou, no que vai fazer? — Rachel perguntou, enquanto Santana tomava um gole de seu café.

– Ainda não — Santana respondeu com desanimo — Mas não se preocupe, isso é só temporário, não vou morar aqui pra sempre.

– Não, que isso. Pode ficar o tempo que precisar — Rachel falou balançando a mão no ar — Eu só perguntei.... Sabe. Porque é minha amiga, fico preocupada com você.

– Eu agradeço — Santana falou olhando no relógio — Eu tenho que ir, ou irei me atrasar. Tchau — Santana falou pegando a bolsa e indo até a porta.

– Tchau, tenha um bom dia, eu te amo — Rachel gritou enquanto a latina passava pela porta.

Xx

Santana estava na sala de reuniões da empresa em que trabalhava, era uma agência de marketing, não era muito conhecida, porém foi o melhor que Santana conseguira arranjar naquele momento. Sabia que não era o emprego certo para si, não mereciam o esforço e talento que a latina tinha para oferecer, mas ela não podia reclamar não havia feito faculdade, se considerava sortuda o suficiente, apenas por ter algo para se manter.

Quando Mark, o superior de sua área, convocou a reunião falando que iria anunciar o funcionário que ganharia a promoção, Santana não pode evitar a ponta de esperança que crescia em seu peito. Finalmente, após 8 humilhantes anos ela iria ser reconhecida pelo seu esforço.

– Senhoras e Senhores, é com grande prazer que eu os chamei aqui para dar as boas notícias para um de vocês. — Mark, o cara loiro com o fone de orelha falava, e Santana assentia com a cabeça.

– E a pessoa escolhida, claro, é uma funcionária muito dedicada, muito inteligente — Santana ouvia tudo com grande ansiedade, já deduzindo que ele estivesse se referindo a ela — Mais cativante, ágil, colaboradora e especial que esta agencia já teve. — ele terminou com os elogios e Santana já se levantou, só esperando receber a confirmação.

– Santana — o loiro falou apontando para a latina que tinha um enorme sorriso no rosto — Será que poderia dar espaço, para que Amy se levantasse e recebesse a sua promoção.

O sorriso da latina havia morrido em seu rosto, enquanto Amy e suas colegas pulavam comemorando e todos aplaudiam, Santana olhava tudo aquilo com grande indignação.

Xx

Após mais um dia infernal no trabalho, tendo que atender ligações chatas e ouvir Amy e suas amigas, passarem o dia todo falando sobre a promoção. Santana finalmente se viu livre do trabalho, e como tinha algum tempo antes do dia acabar, resolveu passar na escola para visitar suas filhas.

Mckinley's High, a escola em que antes já foi uma estrela, agora era frequentada por suas filhas. Muita coisa havia mudado desde que se formara, porém sentia a mesma sensação familiar ao pisar na escola.

Caminhou pelos corredores, e parou ao encontrar a vitrine que servia de mural do colégio. Santana olhou os troféus e fotos, exposto no mural, representando as conquistas que a escola e os alunos haviam realizado através dos anos. Mas uma foto em especial, pareceu prender a atenção da latina, era a foto do time de vôlei, do qual um dia foi a principal jogadora. — Turma de 2007.

Por um estante Santana desejou tudo aquilo de volta, queria poder voltar no tempo e fazer tudo outra vez, queria ter a sua juventude de volta, mas sabia que isso não iria acontecer.

Uma voz a despertou, fazendo se virar bruscamente para olhar, o velho com roupas de zelador, a encarando de forma curiosa.

– Santana Lopez.

– Eu conheço você — a latina perguntou confusa.

– Não, mas eu conheço você. Estrela do vôlei, garota com um talento incrível, e nunca teve a chance de ser explorado — o velho falava como se realmente conhece a morena — Cedo ou tarde todos voltam a antiga escola, ficam olhando as fotos antigas, se lembrando dos dias de glória, desejando ter tudo de volta.

– Ah, pode acreditar, eu desejo sim — Santana falou se virando para o mural novamente.

– Aposto que queria voltar, fazer tudo de novo.

– Sim, com certeza.

– Tem certeza?

– Eu tenho sim — Santana falou ainda com os olhos fixos na foto, quando ouviu passos se aproximando.

– Mãe — Marley que estava acompanhada das amigas, falou fazendo Santana se virar para olha-la — O que tá fazendo aqui?

– Ah, eu só estava aqui, falando com o... — ela apontou se virando para o lado, onde o zelador estava, mas não o encontrou, balançou a cabeça e continuou — Ah, eu estava te esperando, vamos tomar sorvete.

– Juntas? — Marley perguntou envergonhada.

– Sim, juntas. Agora vai chamar a sua irmã — Santana ordenou, e Marley revirou os olhos chateada.

Xx

Estavam em na sorveteria, onde parecia mais um playground. Havia crianças pulando e gritando por toda a loja. Marley estava com os fones de ouvido, enquanto tomava seu sorvete, parecendo não se importar com a presença da mãe ali, e Sugar olhava confusa para latina, sem saber o que falar. Santana já estava cansada daquela falta de comunicação, então resolveu puxar assunto.

– Então Sugar, como vai na escola? — Ela perguntou e a garota a olhou meio tímida — Já entrou para o time?

– Ah, não.

– Sabe, eu entrei quando eu tinha a sua idade. Em menos de um ano já era a estrela do time.

– Legal — Sugar respondeu parecendo não se importar — A Marley entrou pra NYADA — ela tentou desviar o assunto.

– É mesmo May? Isso é incrível — Santana a elogiou, mas esta pareceu não ouvir, continuou se mexendo como se estivesse ouvindo música.

Santana puxou o fio do fone, mas nem sequer estava plugado no celular, Santana lhe deu um olhar repreendedor, e ela apenas deu de ombros.

Xx

Depois do fracasso, ao tentar interagir com as filhas, Santana decidiu encerrar o dia, e levá-las para casa. Ao estacionar, em frente à casa que costumava ser o seu lar, não pode evitar sentir mais uma vez naquele dia a sensação de derrota.

Marley e Sugar, abriram as portas do carro, e saíram apressadas, caminhando em direção à casa.

– Tchau, crianças. — Santana falou quando as duas já chegavam na porta — Eu amo vocês. — a latina falou, mesmo sabendo que as duas não ouviram.

Soltou um suspiro em frustração, ouviu um barulho estranho vindo do quintal, então resolveu entrar para ver o que era. Entrou e encontrou Brittany, em frente ao enorme triturador de madeira, jogando vários objetos aleatórios dentro dele.

Com o passar dos anos, Brittany foi mudando, o cabelo antes curto, com um tom de loiro brilhante, agora estavam cumpridos, já chegando no meio das costas, tinham um tom claro, quase brancos e na frente a franja, que ela passou a usar permanentemente nos últimos dez anos. O corpo, quase inalterado. No rosto já era possível se notar a presença de algumas rugas, assim como no da latina, mas ainda sim continuava linda.

– Hey, o que tá fazendo? — ela perguntou, mas Brittany não havia notado sua presença ali, estava com óculos escuro e um fone protetor — O que é, que está fazendo?

Brittany a olhou, mas continuou a atirar os objetos no triturador, foi quando Santana percebeu a quem aquelas coisas pertenciam.

– Isso, é meu. São minhas coisas, porque está fazendo isso com o nosso quintal? — Brittany então desligou a máquina, dando atenção a latina.

– Não é o seu quintal, é meu quintal. — ela falou tirando os fones e o óculos — Você escolheu o seu caminho, então isso faz disso aqui o meu quintal, agora.

– É meu quintal, sim. — a latina falou com indignação — O divórcio só sai semana que vem. Não pode destruir as minhas coisas desse jeito.

– A casa agora é minha, minha e das nossas filhas, então, acho que eu posso sim.

– Mas que droga Brittany, é impossível, conversar com você.

A loira ficou a encarando sem falara nada. Costumavam ser um casal muito unido e agora não podiam passar cinco minutos na presença uma da outra que já estavam brigando.

Tina, uma amiga da Brittany chegou neste momento. Santana simplesmente não suportava a mulher, e sempre errava seu nome de proposito só para irrita-la.

– Brittany, você não vai acreditar... — ela falou andando em direção a loira e percebeu que esta não estava sozinha — Ah, oi Santana — ela falou com desdém.

– Oi Tânia.

– É TINA — a asiática a corrigiu e Santana revirou os olhos.

– Então Brittany. Querida por que está neste estado, uma mulher como você não devia fazer um trabalho tão bruto assim. — Ela fingiu estar chocada — Vem vamos cuidar de você, eu vou te arrumar, vamos sair hoje, te por te volta no mercado. — Ela falou essa parte olhando para Santana, que a fitava com desgosto — Está em ótima forma, tem a bunda de uma garota de 12 anos.

– Ah que lindo, espero que nossas filhas, não tenham escutado isso — Santana reclamou, mas Tina pareceu não se importar e foi entrando dentro de casa.

– Adeus San — Brittany falou a olhando uma última vez, antes de entrar para a casa.

Depois que a loira saiu, a latina ainda ficou a ali parada por instantes, antes de respirar fundo e se dar por vencida.

– Adeus — ela falou consigo mesma.

Sentiu uma gota d'água cair em sua cabeça, olhou para cima e pode ver que o tempo se fechara totalmente, já se preparando para a tempestade que estava por vir.

Xx

Santana dirigia em meio a tempestade, estava tudo embaçado e não conseguia enxergar quase nada, parou o carro em próximo a uma ponte. Não havia ninguém nas ruas, nem mesmo carros, ninguém se atrevia a sair em meio àquela chuva.

Olhou pela janela do carro e viu uma figura apoiada em cima da ponte, ameaçando se soltar, então a latina saiu do carro caminhando até o homem que segurava nos ferros da ponte, olhando-a e sorrindo, foi quando ela reconheceu o homem.

– Zelador? — ela perguntou se aproximando do velho, que sorriu largamente para ela uma última vez, e então se jogou.

Não! — Santana correu desesperada em sua direção, mas já não via mais o homem. Se apoiou na ponte, procurando pelo mesmo em meio a água agitada.

A água, do rio, parecia se mover em forma de círculo, e dentro do círculo se formava uma imagem, uma imagem sua. A latina olhava tudo aquilo confusa, escutou a voz do velho – Não gostaria de ter tudo de volta?

Ela perdeu o equilíbrio e sentiu o seu corpo escorregar e cair. A última coisa que viu, antes de atingir a água foi o seu próprio rosto, quando tinha exatamente 17 anos.

Notas finais
Então, o que acham? devo continuar?