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6 Capítulo 6 - Back 2U
Back 2U
Bati a porta do carro ao entrar, olhei imóvel para frente, não estava preparado para encará-lo. Mas sentia que ele me olhava, não dizia nada, mas permanecia olhando em minha direção com uma expressão indecifrável.
Subitamente pôs-se a dirigir. Não ousei nem perguntá-lo para onde ele estava dirigindo. A estrada por onde seguia ficava cada vez mais escura devido a não ter construções por lá. Não se enxergava nada, foi quando ele estacionou. Não tínhamos ido muito longe.
— Junho... –dizia sério.
— Que foi? – olhei para ele.
— Junho...
— Que? Diz logo! – disse um pouco irritado.
— Gosto de pronunciar seu nome. –riu. – JUNHO! – gritou sorrindo.
— Então vai ficar aí dizendo Junho, Junho, Junho pra sempre? É só isso que tem pra falar? Me trouxe aqui só pra ficar dizendo meu nome?
— Ah – sorriu malicioso – você já está pensando além, né?
— Não. – disse pasmo – Você que está. Eu não pensei em nada. Você que disse que queria falar comigo, mas ficar dizendo meu nome não é um assunto tão importante.
— É sim. Agora você pode ouvir quando eu chamo. Agora você tá aqui quando eu chamo.
— E...-fingi-me de desinteressado.
- Eu senti sua falta. Muito. – disse baixo.
- Por que voltou? Você disse que ia ser melhor se nunca mais tivéssemos contato. Agora posso ter muitos problemas por causa de você.
- Ah, você sabe muito bem que eu disse isso porque era melhor pra você naquele momento. E eu não disse ‘nunca mais’, disse?... Mas, peraí? Cê não queria que eu voltasse, é assim?
- Não. –disse seco.
- Não queria que eu voltasse ou não é assim?
- Não é assim.
- Então...-sorriu – Então porque ao invés de dizer coisas boas, fica aí dizendo que vou te causar problemas?
- Porque vai. JYP não vai ficar quieto no canto dele.
- E você tá mais preocupado com isso?
- Digamos que sim. – minha vontade era dizer não.
- Então tá. Já ouvi o que eu precisava. – sua expressão fechou-se, colocou as mãos no volante e estava prestes a começar a dirigir novamente.
- Jaebeom-ssi. – interrompi-o – Não quis dizer isso.
- Então por que disse? – disse impaciente.
- Porque...porque eu...-respirei fundo e disparei dizendo– porque eu tô morrendo de vontade de dizer ‘te amo’, mas não quero. Se eu não disfarçasse... ia acabar saindo.
- O quê? Você disse que me ama? –sorriu. – Você nunca me disse isso. – alardeou o sorriso.
- Precisava?
- Lógico! – suas mãos apressadamente envolveram minha nuca e seus lábios juntaram-se aos meus.
...
Despertei com o barulho da chuva, logo senti um peso sobre mim, era o corpo de Jaebeom deitado em cima do meu, ele ainda dormia. Estávamos no banco traseiro do carro, agora as lembranças da noite passada recorriam-me. E não, não chegamos aos finalmentes, à noite fez muito frio rs.
Não quis acordá-lo, então permaneci ali, viajando nos meus pensamentos. Depois de um bom tempo dei por mim e quando dirigi meu olhar a Jaebeom eis que ele encontrava-se acordado, com aquele olhar fascinado direcionado à mim.
— Vamos pra casa. –sussurrei.- Está vazia. –rimos.
...
A visão, amanhecida, daquela estrada era bela. Estávamos no caminho de volta, parava de chover. O sol aparecia timidamente, mas iluminava a paisagem. Jaebeom levava uma mão para fora da janela para sentir a brisa, enquanto a outra mão controlava o volante. Ele sorria incessantemente, o sorriso mais feliz que já aparecera em seus lábios.
- Foi por isso que voltei, Junho. Não pra reencontrar um rumo, mas pra perder o rumo...com você. Eu voltei por você!
...
— Essa casa mudou bastante. – passeando o olhar pelo interior da casa, guardava cada mínimo detalhe atentamente.
— Pois é.
- Quem ficou com o ‘meu’ quarto? Se ele ainda existe. –riu. – De tanto ódio que têm de mim, é bem capaz de terem mandado queimar.
- Suba e veja você mesmo o que aconteceu com ele. Sabe o caminho. – Jaebeom olhou-me com uma cara surpresa, porém alegre. Rapidamente subiu as escadas.
Após alguns instantes, escutei passos vibrantes descendo os degraus. Jaebeom descia com seu sorriso estampado. Sentou-se ao meu lado no sofá, sem nem por um segundo tirar o sorriso da face.
- Mudou bastante!
- E você continua feliz mesmo assim? – ri.
- A cama ainda tá lá. A mesma cama...
- Ela tem seu cheiro...- desviei o olhar. – Por mais que eu tenha dormido lá várias vezes mais que você, é o seu cheiro que continua lá.
...
O dia passou rápido, conversamos sobre tudo, mas ainda parecia ser pouco. Nem vimos a noite chegar...
- O tempo está ruim hoje. Voltou a chover, escute. – dizia rodando a maçaneta. – Me lembro de quando...deixa pra lá. –sorriu.
- É, eu também me lembro. –ri. – Mas deixa pra lá mesmo. Foi um desastre.
- Mas foi legal. Desastres sempre acabam bem –riu- pelo menos com a gente. – disse entrando no quarto, eu logo em seguida.
- Desastres sempre deixam marcas, isso sim. –ri – O pé da cama ainda tem a dele.
- Não brinca? – mostrou uma cara empolgada — Preciso rever isso! – foi direto ao pé da cama, onde haviam letras, que ele mesmo havia rabiscado ali. – “Será que perdi a cabeça? Não me importo, você está aqui essa noite.” , ainda dá pra ler. –riu – Mas, sabe...acho que agora que a cama é sua, ela vai precisar de mais uma marca. – tirou algo do bolso e pôs se a esculpir as letras no pé da cama.
“Voltei pra você, Lee Junho. E nunca mais vou sair do seu lado.”
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