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4 Capítulo 4 - Gimme the light
Notas iniciais
“ Dois garotos conheceram-se há algum tempo atrás. O mais velho era mais magro, também mais baixo e possuía uma face de criança. O mais novo, por sua vez, possuía o corpo com mais curvas, principalmente a parte traseira, sua face era inocente, seus olhos bastante pequenos, seu sorriso era um dos mais belos já vistos, porém na maioria das vezes mantinha uma expressão fechada que o fazia parecer bravo. O mais velho, Park Jaebeom, viera dos Estados Unidos há pouco e o mais novo, Lee Junho, acabara de vencer um concurso, assim juntaram-se a JYP. Ambos treinavam na mesma empresa e compartilhavam do mesmo sonho, mas mesmo assim, no inicio não eram tão próximos.
Junho era um tanto tímido, já Jaebeom era extrovertido além da conta. Jaebeom vivia rindo, sempre junto de alguém, todos adoravam sua companhia, por isso nunca andava sozinho. Junho tinha poucos amigos, era um rapaz que pouco era visto, e quando era visto recebia alguns olhares tortos. Esse treinava isolado dos outros, talvez por vergonha, mas preferia assim, então outros quase não reparavam nele.
Certo dia más notícias vieram a calhar para o mais novo. Devido a seu desempenho não ter sido tão bom até o momento ele seria cortado da agência. Na verdade, seu desempenho não era ruim, era ótimo aliás, porém como ele costumava treinar sozinho, ninguém podia presenciar tamanho talento, exceto por um certo garoto que vivia a espiar os ensaios solitários de Lee Junho sem que ele soubesse.
Numa noite, no mesmo horário de sempre, o garoto se encontrava lá, atrás da porta procurando espiar o que sempre treinava sozinha dentro daquela sala, mas nada se via. Naquela noite em especial Lee Junho não apareceu. O garoto sentiu uma ponta de desapontamento, mas tinha esperanças de que ele retornaria no dia seguinte.
Então, seguindo de volta aos dormitórios por aqueles corredores escuros da JYP Entertainment, eis que o garoto ouviu baixos soluçares, que pareciam ser evitados, mas não titubeavam em sair. O garoto, curioso com aqueles sons, aproximou-se da porta mais próxima, com certeza vinha de lá de dentro pois ao chegar mais perto o som ficou mais nítido. O garoto rodou a maçaneta lentamente e pôs-se dentro da sala escura. Logo avistou uma silhueta sentada e encolhida no chão, era aquele corpo que produzia aqueles sons tristes. Jaebeom não agüentava ver alguém naquele estado, então rapidamente sentou-se a frente da pessoa que estava aos prantos e colocou as mãos sobre seus ombros. Ao sentir o toque nos ombros, o outro garoto levantou a cabeça, mas não era o suficiente para que Jaebeom pudesse distinguir quem era.
- Ei, o que está acontecendo? – disse Jaebeom. O outro permanecia sem respostas. – Diga pra mim, prometo que vou te ajudar.
- Dê-me uma luz... por favor. – dizia em meio a soluços.
Jaebeom não podia dar a solução naquele exato momento, afinal nem sabia do que se tratava o choro do outro rapaz, mas ao ouvir a palavra luz ele se deu conta de que as luzes ainda estavam apagadas então acendeu o interruptor.
- Assim é melhor, não é? –disse olhando claramente para o rosto do outro, vendo que era Chansung.
- Não é esse tipo de luz que eu estava falando. – dizia Chansung, enquanto ainda chorava.
- Eu sei. Mas desculpe desapontá-lo, não posso ter filhos. –sorriu, fazendo o outro esboçar um leve sorriso também– Ya, Hwang Chansung, onde já se viu um cara desse tamanho derramando tantas lágrimas? O que foi hein?
- Hyung, não quero que ele vá embora, ele é meu melhor amigo!
- Com essa aparência dura e com um coração tão mole, aigoo. Mas, ele quem?
- Lee Junho!
- Por que ele vai embora?
- Disseram que ele não é bom o suficiente. – agora Jaebeom entendia o motivo de Junho não ter aparecido.
- Como? Eles estão loucos?
- Por um lado, eu quase nunca via Junho nos ensaios, mas eles deviam dar a ele outra chance. – disse chorando mais ainda.
- É, mas ele é muito bom no que faz, acredite no que eu digo. Eu sabia que você conversava com ele, mas não que eram tão amigos.
- É que... – Chansung não encontrava as palavras certas.
- Você tinha vergonha dele, não é mesmo? Depois do dia que Jokwon caçoou dele, você não se aproximou mais do Junho, pelo menos, não na nossa frente.
- Não é bem assim...
- Não? – Jaebeom olhava-o fixamente.
- Tá...era assim, mas eu estava errado, sinto muito.
- Não tem que se desculpar comigo. E nessa altura do campeonato, de nada vai adiantar se desculpar com ele. Você tem que ajudá-lo.
- Como?
- Não sei, mas se você presa tanto sua amizade com ele, é vocêquem deve dar uma luz á ele.
- Hyung, você prometeu que ia me dar uma luz primeiro.
- Aish, isso está ficando estranho. – disse Jaebeom, tirando o celular do bolso e estendendo em direção a Chansung.
- Ah, não venha com gracinha de novo, se você acender a lanterna do celular vou te bater, o assunto ficou sério.
- Chansung-ah – gargalhou, mas logo depois recompôs a face séria. — Eu estou falando sério, você vai ter que fazer uma ligação.
- Mas, você disse que me desculpar não ia resolver nada.
- Não é pra ele que você vai ligar.
- Então pra quem? Não me diga que pro JYP? Se eu ligar pra implorar pela permanência do Junho ele vai me botar pra fora também.
- Não é pro JYP. É, você ia se dar mal, mas eu sei de alguém que pode implorar pra ele sem sofrer nenhuma conseqüência.
- Quem?
- Mamãe!
- Minha mãe? Por que ela vai ter que entrar no meio disso, agora?
- Não é a sua mãe, bobão.
- Ah – disse com ar debochado – então por que você mesmo não liga? Sua mãe vai te atender melhor do que a mim.
- Não é minha mãe também. É a mãe dele! – disse Jaebeom impaciente.
- Ah, ok. Mas o que vou dizer pra ela?
- Não sei, se vira. Só posso dizer que sempre que eu entro em alguma enrascada, quem sempre tá lá pra me salvar é minha mãe. Mães sempre tem uma solução pro problema dos filhos.
- É, isso é.
- Agora é com você, já fiz minha parte.–disse, colocando o celular nas mãos do outro — E que se faça a luz. –riram.
...
Na semana seguinte, Jaebeom já estava bem cedo na agência, num horário em que nenhum outro trainee ainda tinha aparecido, ele pretendia se esforçar mais dali pra frente.
Surpreendentemente, logo após ele, outro garoto chegou. Era aquele que havia sido cortado da agência há pouco.
— Lee Junho! – o citado pausou seus passos e olhou para o que lhe chamava. – Você está de volta! Como aconteceu? – disse entusiasmado
- Que foi? Vai me dizer que era melhor eu não ter voltado? Se for isso...
- Não. – interrompeu o outro – Eu até senti sua falta.
- Ah, me poupe. Meu humor não está pra brincadeiras hoje. – continuou andando.
O mais velho estava tão alegre que não se importava com as palavras secas do mais novo. E num ato impulsivo Jaebeom puxou o outro pelo punho e deu-o um selinho. Após os lábios serem separados, a expressão do mais novo era engraçada, paralisado e com os olhos arregalados. Jaebeom então deu um leve sorriso e saiu andando, deixando o mais novo ali.
- Hwang Chansung... – disse o mais novo, com a voz falha. – Ele abriu aquela grande boca pra minha mãe, e ela convenceu o JYP a me deixar ficar. – o mais velho após parar apenas para escutar, seguiu reto com um sorriso estampado, sem que o outro pudesse perceber sua felicidade tamanha.
Mais tarde, naquele dia, Jaebeom foi falar com Chansung.
- Não é porque você ajudou-o uma vez, que tudo fica bem. Tem que ficar do lado dele de agora em diante, ouviu? Tem que cuidar dele.
- Eu sei hyung. – sorriu – Vou ser um ótimo amigo pra ele de agora em diante.
Desde aquele dia, Lee Junho arrumou muitos amigos, inclusive ficou amigo de Jokwon (esse nunca mais caçoou dele ao conhecê-lo melhor) e começou a se soltar mais. Agora ele treinava muito bem junto com os outros. Mas se engana quem pensa que para ele e Jaebeom, foi tudo as mil maravilhas após aquele beijo. Os dois ficaram amigos, mas nunca mais tocaram naquele assunto ou chegaram tão perto novamente.
Nunca mais chegaram tão perto novamente até o dia em que o 2PM, grupo em que os dois foram colocados, passou a primeira noite no novo dormitório.
[...]- Não quero sentir a cama vazia. – o mais novo disse e a expressão do mais velho foi receptiva.[...]”
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