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1 Capítulo 1 - My Heart


Mesmo exausto depois de muito trabalho, eu não consigo pregar os olhos por mais que necessite. A insônia instala-se em mim novamente, já perdi a conta de quantas vezes passei a noite em claro nos últimos meses. Já que dormir está fora de cogitação e fazer algo para me distrair que cause o mínimo ruído pode acordar os outros membros, estou meio sem opções, o que resta a fazer é usar a internet no meu iPad. Não tenho muito o que procurar nos sites, decidi então dar uma olhada nas notícias que saíram sobre 2PM. Não era pra ser nada que me surpreendesse, afinal eu sendo integrante da banda nada seria novo, mas eu ainda quero ler, sinto-me orgulhoso vendo notícias boas sobre nós. Porém uma das notas acabou por fazer meu coração quase sair pela boca, é realmente inesperada.

“Park Jaebeom, ex-integrante do grupo 2PM, retornará definitivamente à Coreia do Sul seguindo carreira solo.”

Retornará definitivamente.Eu o veria novamente, não sei se me sinto bem ou mal ao dar-me conta disso, eu teria que vê-lo mais cedo ou mais tarde, mas não sei se meu coração está preparado pra esse reencontro...já faz bastante tempo.

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“[...]- Não me ligue mais, corte todos os contatos que tem comigo, faça isso. Ele vai te obrigar a fazer isso, e não vai ser bom se você desobedecer. Vai ser melhor assim, é o único jeito de te proteger Junho...

- Você não devia ter feito isso Jaebeom, sabe que não. De que adianta fazer isso pra livrar minha pele, mas você acabar mal?

- Adianta muito. Não vou deixar que ele te expulse injustamente. Vai ser eu no seu lugar. Tive que fazer isso, se não quem ia estar fora era você. –fiquei em silêncio, não achava palavras para responde-lo — Sinto muito ele ter descoberto sobre nós...mas não vou deixar que seu sonho seja jogado fora, não vou.

- Jaebeom...

- Não quero ouvir, é assim que vai ser e pronto...Tchau.-desligou.”

As lembranças dele empesteavam minha mente, mas essa era a que mais ocupava minha atenção, a última vez em que nos falamos. É, após ele ter desligado aquele telefonema, nunca mais mantive contato com ele, não por vontade própria, mas porque eu não era permitido. JYP proibiu qualquer tipo de contato dos membros de 2pm com Jaebeom, sejam ligações, mensagens, e-mails, etc., e ele usou seus métodos mais extremos para garantir que não íamos mesmo contatá-lo. Ou não, extremo mesmo seria o que ele faria se descobrisse que algum de nós havia contatado Park Jaebeom. Lembro-me bem, aquele foi um dos dias mais turbulentos da minha vida.

Se querem saber, o que realmente acontecera naquele dia foi que Jaebeom mentiu, mentiu por mim. Todos estavam ansiosos para sua volta, JYP ligara para ele avisando que poderia retornar pois o escândalo das revelações ‘anti-patriotas’ sobre a Coreia, no myspace dele, já havia se acalmado. Jaebeom sabia que isso seria seu retorno mas causaria a minha expulsão. Meses atrás JYP descobrira que Jaebeom e eu tínhamos um caso, isso caiu como uma bomba para ele, ele não queria mais nenhum escândalo envolvendo 2PM, afinal o caso do myspace de Jaebeom tinha acabado de ganhar espaço na mídia, gerando um desconforto para a agência. JYP não pediu gentilmente para que nos separássemos, apenas decidiu nos separar, decidiu que um de nós estaria fora do 2PM. Esse um de nós, era eu. Jaebeom possuía muitos fãs, era um dos mais populares do grupo, JYP nem cogitara a possibilidade de tirá-lo, então sobraria pra eu cair fora, obviamente. Mas ele sabia que se me expulsasse naquela época, com todo aquele estrondo sobre o caso do nosso líder, iria ser pior, então ele resolveu esperar a poeira abaixar. Mandou Jaebeom para os EUA, para que a situação não se alastrasse – as duas situações, na verdade – e me deixou bem avisado de que aqueles eram meus últimos tempos no 2PM, mas não falou nada para os outros membros, ia esperar até o retorno do líder, também para que por enquanto os membros ficassem livres de preocupações. Quando finalmente os meses se passaram e Jaebeom estava apto a retornar, ele sabia bem como as coisas acabariam pra mim, então ele mentiu. Durante a ligação que JYP fez pra ele, ele confessou que havia feito uma coisa muito ruim durante as promoções do grupo, o que era não vem ao caso, mas de qualquer forma era tudo mentira. Jaebeom nunca fizera nada daquele tipo, ele inventou que havia feito, pois sabia que assim ele seria o expulso. E foi o que aconteceu, JYP deu uma reviravolta em suas decisões, e me manteve no grupo expulsando Jaebeom. Eu queria permanecer no grupo, sim, eu queria, mas não daquela forma. Não queria Jaebeom fora, não queria que ele fosse queimado no meu lugar...me sinto culpado por isso, mesmo sabendo que seria injusto eu ser expulso também. Eu preferia que tivesse sido eu, como era pra ser desde o início, mas daquele momento em diante não tinha mais volta. Foi essa culpa, essa indignação da minha parte que me fez ligar para Park Jaebeom, a última vez que ouvi sua voz desde então. “ — Não quero ouvir, é assim que vai ser e pronto...Tchau.”

Mas para ser sincero, nunca senti que ele havia mentido somente pelo fato de proteger meus sonhos, minha integridade. Talvez ele sentisse muita falta da América, talvez ele quisesse mesmo se separar de mim...

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E agora depois de tanto tempo, ele voltará. Eu sinto que quero vê-lo, mas não é isso que eu quero sentir. Eu tentei esquecê-lo, e eu achei que tinha esquecido, mas ao ler e reler essa notícia de seu retorno definitivo, e ficar tão mexido assim, não sei se posso dizer que o esqueci completamente. Aliás, estou tão confuso que nesse momento não posso dizer que sei qualquer coisa. Preciso conseguir dormir, dormir é o único jeito de fazer minha mente descansar, não pensar em nenhuma dessas lembranças que me deixam tão aflito. É impossível eu conseguir pegar no sono por vontade própria, então só posso recorrer aos remédios calmantes. Tenho alguns em minha gaveta, já que sofro frequentemente de insônia, quase nunca os uso, mas dessa vez não tenho outra escolha, terei que tomar uma cápsula.

...

Na manhã seguinte acordei cedo, tínhamos compromissos para a TV, mas ainda dava tempo de assistir alguma coisa antes sair. Essa hora da manhã só passam noticiários, parei em um qualquer, e adivinhem sobre o que era a reportagem que começou a passar...é, o retorno de Park Jaebeom. Eu nem ousei trocar o canal, no fundo nem sei se quero. Ver aquela face novamente, mesmo que por uma tela, inexplicavelmente me prende. Sua aparência estava mais madura, embora mais despojada...mais Jaebeom. É incrível como ao olhar para cada centímetro dele que a televisão me permite, desejo-o cada vez mais. Como se a cada respiração eu inalasse uma lembrança. Meus pensamentos já estão sem controle, eu estou descontrolado. Já não entendo mais o que se passa no meu coração, mas isso me toma, me envolve. Não tenho mais a mínima noção do que é realidade e o que é imaginação, olhar para aquele homem novamente me faz admitir a enorme falta que senti dele. Se já me sinto assim com apenas uma imagem dentro de um televisor, imagine como será pessoalmente. E como quero vê-lo pessoalmente...não devia querer, e não acho que ele queira. Mas há alguma coisa em mim que implora pela presença dele.

Eu não devia estar pensando essas coisas, não devia...mas não consigo evitar, minhas forças estão esgotadas de tentar contrariar as lembranças dele que invadem tudo agora.

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-Está cansado?- perguntava ao ver a silhueta que adentrava-se aquele quarto.

— Estou sim. – ri – Só vim trazer esse cd de volta pra você, já estou saindo, não se preocupe. – virei-me e continuei andando em direção a porta.

— Ei, Lee Junho – parei e virei-me para frente de forma a encará-lo – Sua cama é confortável? – não parecia que ia dizer isso, mudou a frase ao começá-la, falava desajeitado, como se estivesse arrependido do que acabara de falar.

— É sim, pequena, mas dá pra descansar bem. Só não parece tão confortável quanto a sua. –ri.

— Aposto que não mesmo. –riu de volta –Mas apesar de ser enorme, até para uma cama de casal, com esse tamanho todo ás vezes sinto ela...- ele sentira-se arrependido da frase que formulara novamente, parecia ter falado por impulso, mas agora ele teria que terminar, enquanto eu só o mirava esperando que concluísse tudo o que queria dizer. – vazia...- olhou-me profundamente, com um pouco de constrangimento.

- É, é uma cama bem espaçosa. – ri desconcertadamente diante daquele olhar que apontava à minha direção. –Bom, mas nunca dormi em uma cama de casal, não sei dizer se tanto espaço faz parecê-la vazia. –dessa vez, foi a minha vez de me arrepender das palavras, eu só queria ser educado e continuar o assunto, mas não posso negar que frase tomou um duplo sentido, e ele poderia ter entendido...

- Sério? – arregalou os olhos. – Então você pode dormir aqui hoje. –sorriu, e eu fiquei sem resposta, não sabia se aquilo era só gentileza ou era malicia, não dava muito pra entender as vontades de Jaebeom até ele dizer claramente.

Após um instante de silêncio entre nós, ele deu passos até a saída do quarto, dando a entender que aquilo era só uma gentileza. Eu me senti um pervertido por ter pensado que ele poderia querer algo mais.Mas eu queria...então impulsivamente antes que ele pudesse tocar as mãos na maçaneta da porta, fechei a tranca. Ele se virou e olhou-me com um quê duvidoso, mas nem sequer foi capaz de pronunciar uma palavra.

— Não quero sentir a cama vazia. – eu disse e a expressão do líder foi receptiva.

Ele ficou paralisado por um momento, porém lentamente formou um breve sorriso. Depois de receber um sorriso meu de resposta, aproximou-se cada vez mais até ficarmos quase colados um no outro. Deu-me um beijo rápido, fitando-me nos olhos ao separar nossos lábios. Ele estava meio perdido ainda, não que eu não estivesse, mas eu sabia bem o que fazer e não estava disposto a fazer rodeios. Logo entrelacei meus braços em sua cintura juntando nossos lábios novamente, girei-o para que ficasse de costas para cama. Com cuidado e sem sairmos daquele beijo guiei-o até que se deitasse na cama. Nós parecíamos mais acostumados a situação, a vergonha havia se esvaído de ambas as partes, foi quando senti seus dedos passeando sobre as costas de minhas coxas e subindo até alcançar meu bumbum, onde parou as mãos sob.

- Ya, Lee Junho, isso parece ainda maior agora que posso sentir, mesmo com essas calças atrapalhando. – abriu um sorriso alegre e apertou o lugar onde as mãos estavam. Voltou ao beijo em seguida.

[...]

Droga, as lembranças não paravam de exalar...

nem se quer um segundo...

Notas finais
Algumas partes podem ter ficado confusas, desculpa kkk