Notas iniciais
Olá! Sinceramente eu não esperava por uma história desse time, mas... Tudo é possível. E umas informações, os acontecimentos aqui se passam depois da temporada número 11, e de seu especial de ano novo. BOA LEITURA!

As panelas chiavam, o liquidificador liquidificava, e o seu lança chamas lançava chamas dentro do tanquinho de lavar, que girava cheio de um liquido colorido como um suco. A Doutora sorria feliz, e assim deixando o lança chamas, partia para a mesa, onde várias soluções químicas coloridas e borbulhantes esperavam por ela. Porém cortando sua empolgação, a porta da sala se abria agora, onde Yaz chega emburrada, porém logo se toma outra expressão, vendo o que se tornou a sua cozinha:

— Doutora?! — Encarou boquiaberta ao ambiente. – O que você fez com a minha cozinha?!

— Ah, Yaz, chegou cedo. Que bom, porque vai adorar me ajudar! Aprenderá bastante sobre as leis da conservação das massas! Foi um amigo meu quem inventou, acho que... Lavoisier. — Enfiou uma panela no tanquinho, enchendo-o com o liquido verde gosmento, e assim pondo-a no fogão. – Mas como assim “o que eu fiz com a sua cozinha”?

— Isso! — Apontou para todo o caos envolta.

— Ah, sim, esqueci de te avisar! Estou usando a sua cozinha como laboratório provisório, tentando fundir átomos de hélio com átomos de neônio.

— Doutora, a minha cozinha não é o CERN.

— Mas poderia ser.

— Não, não poderia não!

— É claro que poderia! Podíamos instalar um energizador de correntes atípicas no seu teto, uma válvula de canalização nuclear em sua parede e um grande hipocampo de ejeção em seu forno! — Explicou empolgada, e Yaz permaneceu atônita, não havia entendido uma só palavra.

— Quer saber, faz o que você quiser.

Yaz se senta cansada na poltrona da sala, parecia sentir algum desconforto em sua cabeça, a Doutora notou isso. Ela nunca deixa nada passar, e assim se agachou frente a ela, a encarando firme:

— Antes de chegar e encontrar a sua cozinha um completo hospício você já estava emburrada. Por quê?

— Isso não é problema seu.

— Não? Tem razão, eu sou apenas uma Senhora do Tempo boba e que se importa com seres primitivos e tão tolos quanto ela. — Disse séria.

— Você nunca fala assim!

— Pois é, e você nunca chega do trabalho com uma cara tão fechada.

Yaz desvia o seu olhar, mas vendo a persistência na face da Doutora, ela logo se dá por convencida:

— Quer mesmo saber? Eu fui suspensa por tempo indeterminado.

— Por que fariam isso?! Você é excelente!

— Acham que eu contaminei o local de um crime. E eu não fiz isso! Deixei cair aquele anel que me deu, toquei o chão e disseram que contaminei o local, como se houvesse digitais em mais lugares. Eu não fiz isso.

— Eu acredito em você.

— O departamento não.

— Mas qual o crime?

— Tipo aquelas coisas de Arquivo X! Corpos somem, onde algo aparentemente horrível aconteceu, e um monte de vestígios bizarros são deixados para trás.

— Yaz, eu sinto muito em você estar triste, mas vamos invadir o local do crime. Pegue o seu casaco.

— É em uma casa cheia de Poltergeist!

— Está com medo?

— Claro!

— Mas não quer provar a sua inocência?

Yaz respirou fundo pensativa:

— Tudo bem! — Disse indisposta. – Você venceu.

— Isso! Vamos lá.

— Mas e a minha cozinha, não vai pegar fogo deixando toda essa zona sozinha em meu fogão?!

A Doutora corre até as panelas:

— Perigo? Algum, está tudo sob controle. — Disse destampando uma das panelas, onde uma enorme lavareda quase incinerou a sua cara. – É! Realmente nunca confie em um fogão solitário, coisas traiçoeiras!

Mas a panela estava mais do que traiçoeira, com bolhas ardentes e vapores tóxicos sendo expelidos. Sem escolha e sendo rápida, a Doutora atira o utensilio pela janela.

— Como eu disse, tudo sob controle.

Yaz pigarreou:

— Aquela não era a panela que eu ganhei de presente da minha avó?

— Talvez, era uma boa panela.

Yaz tapei a cara:

Mas desligando as chamas das bocas do fogão com sua chave de fenda sônica, partiu a Doutora rumo a porta da sala.

— Não se preocupe, Yaz, prometo de dar um caldeirão egípcio de presente.

— É bom mesmo. Mas e a TARDIS, não vamos nela?

Fitou a TARDIS, estacionada ao lado da geladeira.

— Mal funcionamento. — Respondeu a Doutora. – Há algo interferindo em sua navegação, e até em sistemas básicos como cozinha e banheiro!

— Ah, então por isso invadiu a minha cozinha?

— Não necessariamente, preciso fundir átomos de hélio e neônio para consertar isto. — Revelou um objeto retirado se seu casaco, algo como uma gerigonça totalmente maluca.

— E o que é isso?

— Um detector de anomalias temporais. Talvez tenha a ver com isto o problema da Fofa.

— Quem é Fofa?!

— A TARDIS! Antes eu a chamava de Sexy, mas Sexy soa muito sexy. Francamente!

— Realmente. Mas agora até quando vai ficar aqui em casa? Os meus pais disseram que vão passar a semana toda aqui.

— Tempo indeterminado. Por quê? Achei que se sentiria grata por eu ter arranjado uma casa pra você.

— Estou! Mas não precisa jogar na cara.

— Perdão, mas é que por todo lugar onde ando estão me questionando onde foi parar o meu lado obscuro!

— Ok. Mas sobre o que eu disse, você sabe como é a minha mãe.

— Ah, as mães humanos, tem perspectivas tão empolgantes de como funciona a vida de um filho!

— Hum. Mas ir voltar de a pé na cena do crime, ah!

— Não se preocupe, iremos de taxi.

— Quem paga?

— Você! Quem mais teria dinheiro?

Yaz assoprou inconformada, mas assim partiu com a amiga, tentando acompanha-la, enquanto ela seguia rua afrente em seus longos passos. Mas na secretaria eletrônica, alguém parecia mandar alguma mensagem, exatamente naquele momento.

— Olá. Yaz? É o Ryan. É que aconteceu uma coisa, diz pra Doutora que... O Graham sumiu.

***

— Eu não sei mais o que fazer, vó. — Conversava Ryan, frente a lapide. – Eu já procurei ele em todos os lugares onde ele poderia estar!

Continuou a encarar a foto na lapide.

— O pub do Welinton, o pub do Jack, o pub do Harry, a casa dos primos, a casa dos irmãos, a casa dos amigos, a casa dos vizinhos! Eu... Eu realmente não sei para onde ele foi, e não sei mais o que posso fazer. A Doutora e a Yaz não atendem os seus telefones, parece ser o sinal, e na secretaria eletrônica... Bom, mandei mais de dez recados hoje a tarde, mas acho que elas aproveitam o tempo naquela casa pra fazer outras coisas mais interessantes do que atender recados.

Ryan se cala cansado, e senta-se na lapide vizinha.

— Eu pensei em chamar a polícia, mas algo em mim diz que não é um caso tão simples. 3 dias sem Graham, porém lembra quando ele bebeu um dia inteiro e voltou rockeiro? Quem sabe...

Olhou para a lapide de Grace:

— O que você faria, vó?

Ryan continua em encarar a lapide, mas distrai-se com a imagem distante das lapides ao longe, um vulto humanoide passa de uma lapide à outra.

— O que é aquilo?

Ryan se levanta de onde está, se aproximando curioso de onde teria visto o outro indivíduo.

— Ei, você! — Chamou Ryan. – Por que está se escondendo?

E nenhuma resposta era dada, a não ser o rugir dos arbustos com o balançar do vento.

— Isso parece cena de filme. — Diz Ryan consigo mesmo.

— Concordo. — Correspondeu uma voz feminina madura vindo de trás do rapaz.

— Quem está aí?! — Se virou assustado. – Ah, você. Quem é você?

A mulher desconhecida trajava um sobretudo cinza, com um capuz sobre a cabeça, e óculos de sol. A sua voz era calma e séria, sua pele era negra e o seu rosto muito paciente.

— Meu nome não importa, mas eu sei quem você é.

— Sabe? Como sabe?

— Sei de muitas coisas. E sei onde o seu avô está.

— Sério?! Procurei por Sheffield inteira. Onde ele está? E como assim você sabe onde ele está? Espera aí, o que fazia com ele?!

— Não fazia nada com ele, mas sei quem faz. É importante que vocês entendam tudo o mais rápido possível, pois se pelo contrário... Eu sinto muito, será catastrofico. Eu já tenho que ir. — Se virou para ir. — Vim apenas lembra-lo para não se esquecer de carregar a velha espingarda.

— Eu não tenho arma! E Você não pode sair assim! Não me deu nenhuma dica, como vou achar o Graham?!

— Procure direito.

— Como?! E se você sabe de alguma coisa vai ter de explicar, não pode chegar assim e simplesmente sair, parecendo aqueles malucos que só falam por parábolas!

— Eu já disse, tenho que ir. Queria ajudar mais do que isso, mas eu não posso, eu juro, eu não posso, é perigoso.

— Ah, pode sim! Você vai ter que falar. — Segurou a mulher por seu braço.

— Me solte, imbecil, se não quiser acabar como os que estão enterrados aqui, ou castrado.

Ryan a-solta:,

— Te soltei, mas não por medo de suas ameaças idiotas, te soltei por respeitar o seu direito. Porém, se você sabe o que está acontecendo com o meu avô e não quer fazer nada para ajudar e ele aparecer morto depois... Quero que saiba que a culpa será toda sua.

A mulher se mostra ofendia. Ryan prossegue:

— Isso mesmo, toda sua. Sabe que está negligenciando um possível socorro a alguém.

— Você acha que é fácil pra mim?!

— Não faço a menor ideia. Me diga alguma coisa, qualquer coisa.

Não foi fácil dizer, mas após alguns segundos de relutância, amargura e desespero, a estranha senhora disse:

— Anomalia temporal. Queria uma dica? Anomalia temporal. Agora me deixe em paz.

Saindo depressa, partiu a encapuzada. Enquanto Ryan, apenas franziu as sobrancelhas confuso, tentando interpretar aquilo.

***

O taxi trazendo a Doutora e Yaz chega no local do crime, uma casa antiga e enorme, em arquitetura clássica, e alicerçada em uma área fora da cidade, porém bem próxima, cercada então apenas de vegetação, e da vista distante dos prédios.

— Ah, esse taxista foi tão simpático!

— Doutora, ele cobrou o triplo.

— Eu sei, mas foi um preço tão barato, me senti muito agradecida!

— É porque o agradecimento não saiu de sua carteira.

— Vocês humanos reclamam demais. Chover, fazer sol, caminhar, isso tudo é tão maravilhoso, e vocês reclamam. — Apontou a chave sônica, e assim as portas da frente se abriram.

— Doutora! Isso vai contaminar o local do crime ainda mais! Devíamos ir pelos fundos.

— Hum, boa ideia, mas devia ter avisado isso antes.

Se agacharam por entre as fitas de marcação criminal.

— Casas assombradas, adoro casas assombradas. — Comentou a Senhora do Tempo já dentro da sala. – Trouxe uma lanterna?

— Não.

— Ora, que tipo de policial não leva uma lanterna quando vai à uma casa assombrada?!

— Porque geralmente você é quem gosta de carregar bugigangas. E que tipo de ser milenar se comporta como uma criança hiperativa?

— Não sei, que tipo de ser milenar se comporta como uma criança hiperativa?

— Esqueça.

— Mas vamos lá, me explique, desaparecimentos ocorreram aqui, porém... Sendo um local completamente improvável, afinal o que guiaria tantas pessoas diferentes a uma casa tão distante e infestada de ratos e baratas? — Encarava o ambiente.

— Doutora, adolescentes humanos não são coisa desse mundo. Davam uma festa aqui, e exatamente por ser uma casa afastada se tornou esse o atrativo.

— Por quê?

— Barulho. Vão ouvir música, vão conversar alto, vão...

— O quê?

— Coisas.

— Ah, coisas! É claro, eu também adoro fazer coisas, tenho uma lista enorme. Mas mesmo assim, você disse que todos desapareceram. Como desapareceram? E se desapareceram, quais as pistas?

— Sumiram, simplesmente não há paradeiro deles em nenhum local da cidade e arredores, ou na casa. E não foi encontrado aqui nenhum sinal de luta ou qualquer tipo de conflito físico. Bem, estava uma bagunça tudo, mas mesmo assim, coisas normais.

— Mas se todos sumiram qual o sentido da história?! Não teria como vocês saberem se todos desapareceram, à menos que esta seja uma armadinha e você um alien do mal.

— Doutora, menos.

— Eu sei. — Sorriu abobada. – Brincadeira. Mas, continue.

— Alguém ligou para nós, e contou sobre o sumiço dos outros. Essa pessoa nem teve tempo de terminar a chamada, e logo teve a fala calada, mas sem a ligação acabar.

— Então talvez haja algo envolvendo a casa. — A Doutora encarava a escada. – De quem é a propriedade?

— De ninguém, esta casa não existe.

— Como assim?!

— Este terreno onde ela está é público, não privado, e não há nenhum registro desse recinto.

— Então essa casa não é uma casa. — Disse a Senhora do Tempo em seu tom aterrorizado.

— Hãn? Claro que é, podemos ver, podemos tocar. — Yaz bate na parede. – Ela nunca foi registrada, mas ela aparenta ter uns 40 anos talvez.

— 40 anos? Bem, depende de pontos de vistas em flexões temporais. — A Doutora escaneia o ambiente com a chave sônica. – Mas acho que você não entendeu. — Encarou o resultado da chave. E a sua face se tornou de puro terror. – Yaz...

— O quê?

— Corra!

Notas finais
Vai ter próximo capítulo? Talvez, comentem para me motivar, pois juro que terá outro antes do fim de ano. É, essa história só continuará quando eu terminar o volume 4 de Venha Comigo. Gostei do capítulo, e será uma história divertida, tive uma ideia, e comecei a penasar mil coisas sobre ela, não sei 100% da história, mas sei 70% da história kkkk CERN é A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado em Meyrin, na região em Genebra, na fronteira Franco-Suíça.