Continuação...

Não demora a adormecer, mas na madrugada Vítor acorda com ela falando sozinha. A abraça mais forte e aguarda passar... Ela para e retornam a dormir. Algumas horas depois Paula se assusta e acorda aflita.

— Pulinha? — a observa sentada respirando rapidamente.
— Tive um pesadelo!
— Já acabou! — senta-se junto e a vê toda suada. Calma...- segura a mão dela. Quer contar o que houve?
— Não! — olha para ele.
— Tudo bem! Já foi...- a abraça. Vamos deitar...- a deita junto de si.

Paula não demora dormir junto de Vitor. Logo pela manhã levanta-se primeiro que ele, morrendo de dor de cabeça. Toma um banho novamente e arruma-se para recepcionar Maria. Vai até a cozinha e confere se já estão preparando tudo como pedido.

— Acordou cedo!
— Sim! Queria ver se está saindo tudo certo...- observa. Estou com medo de dar algo errado!
— Não vai dar Paula! Se acalme...
— Vitoria ainda está dormindo... Acho que vou acordar Vítor, né!? Ele precisa ir ao hospital buscá-la!
— Mas ela só sai às 10:00. São 08:00 ainda...
— Verdade! Sol... Os doces?
— Estão aqui! Já montei a mesa da sala de jantar...
— Ótimo!
— Você está bem? — observa ela beber alguns comprimidos.
— Sim! — sorri. É só dor de cabeça!
— Você está linda por sinal!
— Muito obrigada! — sorri. Já volto! — vai para o quarto e senta-se na poltrona enquanto Vítor não acorda.

Não demora muito e ele desperta. Ela espera ele se levantar.

— Está aí...- olha para ela. Tudo bem?
— Tudo!
— Estou atrasado!? — pega o celular.
— Não! Está em tempo ainda...- se levanta até ele. Queria falar com você...
— Diga...- se espreguiça.
— Desculpa por ontem! Foi ridículo o que aconteceu... Nunca lidei com você bêbado.
— Você não estava bêbada... Você nem sabe o que é estar bêbada! É muito fraca para bebidas porque não bebe, então... Mas, está tudo bem! — a beija na testa e sai.
— Tem outra coisa que preciso te dizer...
— O que? — retorna.
— Roberto estava lá ontem!
— Como é? — se aproxima.
— O Roberto estava lá ontem... Eu dancei com ele, mas foi muito rápido.
— Por que você está me falando isso?
— Para você não saber por outras pessoas...
— Paula... Você o beijou?
— Não! — se aproxima dele. Jamais! Vítor você tem que confiar em mim...
— O que ele te fez?
— Por que?
— Porque você ligou para mim...
— Não! Eu queria você lá... Antes mesmo de falar com ele. Eu só estava falando de você, da gente para as meninas... Estava chato já.
— Por que dançou com ele?
— Porque ele pediu... Mas não durou nem um minuto.
— E porque?
— Ué...
— Por que não durou nem um minuto?
— Vitor...
— Fala Paula!
— Porque ele se insinuou!
— O que eu sempre disse a você?
— Tudo bem! Você estava certo... Desculpa!
— O que ele disse?
— Eu nem ouvi direito! Ele só me apertou então pedi que me respeitasse, que eu tinha marido e sai!
— Só porque você tinha marido?
— Porque eu te amo! Vitor...- diz agoniada. E tem outra coisa!
— Mais? Nossa...
— O rapaz que veio ontem aqui, ele é gay Vitor! E eu estou fazendo aula de dança e não academia!
— Por que não disse antes?
— Porque você me irritou! Porque não confiou em mim.
— Não fico nervoso porque desconfio de você! Fico nervoso pela forma que te tratam... Pela forma que pensam que você é. Sei que me ama e não vai ceder a ninguém... Mas o que eles acham de você é que me irrita.
— Você queria que eu fosse diferente...- vai até a cama e se senta. Queria que eu não me envolvesse em nada disso... Que tivesse classe, que...
— Que absurdo é esse Paula? — vai até ela.
— É que às vezes o meu jeito parece te envergonhar, te deixar preocupado sem razão! Ás vezes você me trata como aquela adolescente ainda...
— Você não me envergonha! Te amo do jeito que você é... Sem tirar e nem colocar nada! Me irrito sim com várias coisas como você se irrita comigo... É normal. Mas nada me faz ter vergonha de você.
— Você diz ter raiva do que pensam de mim... O que podem pensar de mim?
— Não falei nesse sentido...
— Você sempre esteve com mulheres que...
— Paula! Pelo amor de Deus... Se eu tivesse vergonha de você, eu não teria um pingo de orgulho em ser casado com você! Aliás... Porque estaríamos casados então? Pare com isso...
— Então está tudo bem?
— Não! Eu não vou dizer que está tudo bem porque você simplesmente escondeu coisas de mim só para me irritar.
— Eu tive que mudar por você! Mudar para não te perder...
— Estou tentando Paula! Estou tentando...- se levanta. Vou tomar um banho!

Ela separa a roupa dele e estende sobre a cama. Vai para o quarto da filha e a arruma também. Algum tempo depois Vítor aparece ansioso.

— Você quer que eu vá junto?
— Não precisa! Fique aqui com sua mãe... Acho que Camila e os pais virão comigo.
— Ah sim...
— Cadê minhas chaves?
— Aqui! — entrega. Cuidado!
— Vou tomar! Tchau filha...- beija Vitoria e sai.

Paula observa ele sair, sem se despedir dela e se entristece.

— Amanheceu bem? — Cíntia senta-se para o café.
— Amanheci! — a acompanha.
— Paula! — Dulce se aproxima.
— Sim?
— O que é que você aprontou ontem?
— Bom dia mãe! Também acho que será um bom dia. — serve-se.
— Vitor saiu daqui de madrugada e falou que se Vitoria fosse como você, ele já a colocaria de castigo desde agora.
— Ele falou isso? — olha para mãe.
— Falou por falar...- senta.
— Não! — bebe seu café.
— Não vá colocar besteiras na cabeça porque eu falei isso.
— Não são besteiras!
— Mas ontem foi ridículo Paula! Não dá para tirar a razão dele...
— Eu não estava bêbada!
— Você estava bêbada? — Dulce a olha incrédula.
— Não! Mãe... Eu não estava bêbada!
— Ela não estava bêbada tia... Só ficou um pouco alegre.
— Que irresponsabilidade!
— Não sei me divertir! Ok? Não sei me divertir sem Vítor... Pronto! E pedi que ele fosse até lá...
— Precisa falar assim Paula! Ainda sou sua mãe...
— Só... Esquece! Me desculpa...
— Um dia Vitoria irá crescer...
— Mãe! Por favor... Já pedi desculpas.
— Vítor foi buscar Maria?
— Foi! Os pais de Camila e ela também vem.
— Sim! Ele falou ontem...
— Ok... — come uma bolacha.

Algum tempo mais tarde Vítor chega ao hospital. Se dirige ao quarto que Maria estava internada e acompanha todos os procedimentos para a alta dela. Sai do hospital com a filha nos braços, feliz por tudo!

— Papai, a gente vai para sua casa?
— Sim! — sorri. Papai vai colocar o cinto em você! — a arruma na cadeirinha. Camila...
— Sim?
— Tem certeza que não quer ir comigo?
— Sim! Papai veio de carro, vamos com ele... Será mais fácil para retornar depois!
— Tudo bem... Vou aqui com Maria!
— Ok! Nos encontramos lá... Tchau filha! — sorri.

Vítor sai com o carro e os pais de Camila o seguem.

— Filha, você quer comer o que?
— Tudo! Chocolate!!!
— Tudo bem! — ri. Paula preparou vários chocolates para você.
— Oba! Eu adoro tia Paula... As duas tias Paula.
— Isso! — ri.
— Papai... Vitoria vai querer brincar?
— Vitória ama brincar! E ela tem um presente para você...
— Legal! — bate palma sorrindo.

Vítor passa o caminho conversando com a filha sobre a fazenda. Ao chegarem, Paula os aguarda na porta.
— Oi! — sorri, se aproximando do carro.
— Paula! — sorri, tentando tirar o cinto.
— Deixa que eu te ajudo! — abre a porta e a ajuda.
— Cadê a Vivi?
— Está lá dentro! Vamos ver ela...- a pega no colo.
— Pulinha, espere...- a chama.
— Sim? — olha para ele.
— Camila e os pais estão chegando ali!
— Ah... Verdade! — vai até ele.
— Boa tarde!
— Boa tarde! — sorri.
— Maria! Você já está cansando Paula...
— Não se preocupe Camila! Estou bem! — sorri.
— É que segurar criança e estar de salto deve ser difícil!
— Não! Já me acostumei...- pisca para ela. E a senhora? — estende a mão.
— Fátima! Maria de Fátima...- cumprimenta.
— Prazer em conhecê-la... Seja bem vinda! — sorri.
— O prazer é todo seu! — retira a mão e Vítor respira fundo.
— E...- olha para Vítor, mas mantém a calma por Maria. E o senhor?
— Luiz! — estende a mão e Paula cumprimenta.
— Seja bem vindo! — vira-se e entra em casa.
— Mãe...- Camila pega no braço da mãe. O que foi que você fez? Por que isso?
— Não estou aqui porque quero Camila! Não me faça engolir essa gente...
— Essa gente é minha esposa e sua família e por isso MINHA FAMÍLIA! — Vítor a encara. Espero que a senhora tenha o mínimo de respeito por nós...
— Engraçado você falar de respeito... Porque o mínimo que você deveria ter feito é assumir Camila! — entra em casa.
— Vítor... Nem ligue para o que ela diz!
— Eu não ligo mesmo! E inclusive não ligo para você Camila...
— O que eu tenho a ver com isso?
— Não me engano com a intenção de vocês... E pare de indiretas com minha esposa!

Vítor entra atras da mãe de Camila, para se certificar que ela não tratará com falta de respeito a família de Paula. Enquanto isso Camila e o pai fazem o mesmo já com vontade de saírem dali. Paula leva Maria na sala, onde Vitoria está brincando com a boneca que ganhou de Alessandro.

— Vivi! — coloca Maria no chão. Olhe aqui filha...
— Oi Vivi...- se aproxima dela pegando a mão dela.
— Sua irmãzinha filha! — sorri.

Maria abraça Vitória que já mostra a boneca para a irmã. Vítor chega até elas e se emociona... Paula escora sua cabeça sobre o braço dele e sorri junto.

— Elas são lindas justinhas!
— Muito! — riem. Pulinha...- vira-se para ela. Desculpe pela mãe da Camila!
— Não se preocupe! O dia será longo e muitas provocações virão... Já estou preparada! Agora vamos lá... Lucy cuida delas.
— Vamos! Maria... Papai estará na sala de jantar.
— Tá bem! — sorri.

As filhas brincam, os pais de Camila não desfazem a cara de que não estão gostando de nada e Camila se limita a apenas aceitar ou negar alguma bebida ou petisco que lhe é oferecido. O horário do almoço é anunciado por Diva!

— Ufa! — se levanta a mãe de Camila. Vamos fazer isso logo e ir embora.
— A senhora não precisava ter vindo se não quisesse!
— Vitor...- Paula olha para ele.
— Concordo! Mas fui obrigada a vir...
— Mas não está sendo obrigada a ficar!
— Vítor, chega...- segura no braço dele. Por Maria, por favor!
— Vamos! — se levanta com Paula e caminham até a mesa.

Ele puxa uma cadeira para Paula se sentar e se senta ao lado. Lucy cuida da refeição das crianças na cozinha enquanto eles podem comer na sala. O almoço inicia-se em silêncio, Vítor não tira os olhos de Fátima, aguardando ela falar algo para que ele responda.

— E então? Estão gostando? — Diva diz sorridente.
— Razoável!
— Está excelente Diva! Meus parabéns a você e Sol!
— É isso que minha neta comerá quando vier para cá?
— Mãe... Deixe de ser desagradável!
— Não estou sendo... É uma pergunta!
— Chega de perguntas! — a encara.
— Fátima! — o marido a segura a mão. Chega...
— Vamos mudar de assunto para quebrar o clima ruim...- finge um sorriso. Vocês dois até que formam um belo casal! — olha para Paula e Vítor. Já foram amantes? — volta a comer.
— Isso já é demais! — Dulce se levanta. Não sou obrigada a permanecer com essa desagradável! E vocês também não...- olha para Cíntia, Paula e Vítor. Com licença! — se retira.
— Se retire da minha casa Fátima! — se levanta.
— Vítor, pelo amor de Deus!
— Agora! — aponta a porta.
— Só porque perguntei se já foram amantes? — se levanta. A cara é de que foram! — pega sua bolsa. Sair da sua casa será uma honra, e não ter que retornar mais será um prazer maior ainda!
— Saia! — a segura pelo braço e leva até fora.
— Vítor! — Camila o segue com o pai. Seu mau educado!
— Eu? Mau educada é sua mãe... E sua família que só consegue as coisas quando exploram alguém. Mas Maria não será assim! Saia vocês dois também e deixe que ela eu levo na hora que eu achar necessária! — fecha a porta da entrada e retorna para sala.
— Não estou acreditando que você fez isso!
— O que ela tem a ver com nossa vida?
— Não é essa a questão! Você vai explicar como para Maria?
— Eu me viro!
— Vítor, as coisas não são assim...- respira fundo.
— Não aguento mais te ofenderem! Me ofenderem!
— Mas não resolvemos as coisas assim!
— Por você não resolvemos, ficamos sempre como está. DULCE?
— Oi...
— Vamos almoçar! Vamos Pulinha... Cadê Cintia?
— Estou aqui! — senta-se.
— Vamos comer!

Com o tempo eles conseguem comer em paz e rindo como sempre comem. A tarde chega e Paula prepara a piscina para que possam ir.

— Vou trocar de roupa amor! Olhe elas...
— Lucy está ali também, pode ir!
— Já volto...- vai para seu quarto.

Enquanto Paula se troca, Vítor brinca com as filhas na piscina. As crianças estão sobre uma bóia que Lucy ajuda segurar atenta.

— Coloquei esse maiô, mas não gostei! — chega na sala mostrando para Cíntia.
— Por que? Ficou lindo em você.
— Sei lá... Está meio estranho. — se olha. Vou trocar! — volta para o quarto e coloca um biquíni. Agora sim! — sorri.
— Deixa só Vítor ver! — se levanta do sofá.
— O que tem? Só tem mulheres lá fora...
— E os seguranças?
— Se for assim não vou vestir biquíni nunca na vida! Vamos...- saem.

Já na piscina, Paula se deita em uma espreguiçadeira e tira algumas fotos. Vítor sai da piscina e se seca.