Ao entrar em seu quarto, Vitor vai para o closet pegar uma roupa para se trocar e se espanta ao pisar em algo no chão. Quando se dá por si pensa no que Paula pensará quando ver o que ele estava vendo. Enquanto ele começa recolher as coisas do chão, Paula chega com Vitória no colo acompanhada de Dulce e Cintia.

– O que é isso? — fica boquiaberta ao ver.

– Ela não quis dormir em lugar algum... Só aqui. Quando pensamos que ela estava dormindo, a encontramos aí...

– Que ótimo! — coloca Vitória no chão.

– Nós compramos outras...- olha para ela enquanto pega do chão.

– Vitória! — se abaixa segurando a filha. Muito feio o que você fez, ok!? Não pode! Mamãe não gosta disso... Olha só filha! — olha ao redor. Você estragou as maquiagens da mamãe! Que coisa mais feia.

– Paula! — a adverte. Ela não entende!

– Não venha Vitor!

– Se você deixasse essas coisas em um lugar que ela não alcançasse...- se levante.

– Me poupe!

– Paula... Isso são coisas supérfluas, materiais e você está brigando com nossa filha por conta disso...

– Não é essa a questão! Vitória precisa parar de tirar as coisas do lugar... Precisamos dar limites à ela!

– Ela é uma criança! Um bebê ainda...

– E por isso devemos corrigi-lá desde já!

– Ah! Pense como você quiser! Inacreditável você agir assim Paula! — sai do closet para o banheiro, fechando a porta.

– Quebrou até meu pincel...- pega no chão. Ê Vitória!

– A gente não viu que ela estava fazendo isso...

– Tudo bem! Já entendi... Me ajudem a limpar ao menos. E você doninha...- olha para a filha sentada no chão. Esta de castigo! Coloque ela...

– O que? — vem do banheiro furioso. Nada disso! — pega Vitória no colo. Você não irá colocar minha filha de castigo por conta de capricho seu!

– Capricho meu? — o olha incrédula.

– Ela quebrou apenas uma droga de maquiagem que posso comprar tudo de novo!

– Não é essa a questão! Vitória está crescendo sem limites, se tornando mimada e pelo visto já sabemos de quem é a culpa.

– Sua cabeça é pequena! Você ficar irritada por uma besteira dessa é o fim do mundo...- sai com a filha.

– Volta aqui Vitor! — vai saindo mas a Dulce a segura.

– Chega! Já chega disso... Vocês estão parecendo dois malucos que não estão pensando nenhum pouco na filha vendo tudo isso.

– É só eu sair de casa um dia e isso fica assim! — se solta dela.

– Não venha não Paula! Não somos babás de Vitória! Te fizemos um favor! Então não nos venha colocar a culpa por isso. A pessoa mimada aqui está sendo você! — se retira.

– Era só essa que me faltava! — observa a mãe sair. Que droga! — se abaixa. Não deveria ter saído!

– Paula, pare! Por favor...

– Cintia, não fale comigo agora! Estou irritada!

– Paulinha...- Diva se aproxima com produtos para limpar. Saiam daí que eu limpo...

– Por favor Diva! — se levanta, saindo contrariada.

– O que houve aqui? — olha a sujeira no chão.

– Vitória pegou a maquiagem dela e passou batom no chão, comeu um outro, derrubou os pincéis que acabou quebrando... Os pós...- aponta. Enfim...

– Meu senhor! — caem na risada. A gente ri mas não deveria...- começa limpar.

– Ainda bem que deu tempo de darmos um banho nela... Porque se você visse o estado dela!

– Imagino! Agora saia que vou limpar...

– Tudo bem! Até mais...- se retira.

Cintia procura por Paula, a encontrando em uma discussão com Vitor na sala. Pensa se deve interromper para pegar Vitória no meio disso, mas acha melhor não, passando direto.

– Já chega! — a encara. Já chega! — a interrompe. Estamos discutindo na frente de Vitória... A que ponto chegamos!

– Não consigo educa-la! — tenta se controlar. Você não deixa Vitor!

– Paula...

– Estou falando sério! Como podemos ter outro filho se você não me permite ser mãe da única filha que tenho? — sai.

Paula chega na cozinha e todas as olham, pensando que ela soltará mais uma bronca em todo mundo. Mas nada ela faz, pega um copo de água e bebe enquanto olha pela janela.

– Paula...

– Agora não, mãe! — coloca o copo na pia e sai.

– Estou me sentindo culpada por deixar Vitória fazer aquilo!

– Pare Cintia! — vai até a sobrinha. Não temos culpa! Não coloque coisas na cabeça, porque eles irão se acertar e a gente vai ficar assim...

– É...- se levanta. Vou lá fora um pouco! — sai.

Ao sair pela porta de entrada observa Paula com Flokinho e Algodão nas cadeiras da piscina. Resolve deixá-la sozinha e vai para o estábulo falar com Elias.

– Ao menos vocês eu posso tentar educar! — segura um dos cachorros. Ou não...- ele pula do colo dela direto para a água. Sai daí algodão! — se levanta para pegá-lo. Meu Deus! — segura. Não pode! — volta para a casa.

Vitor está no quarto brincando com a filha, quando paçoca entra correndo.

– Hei! Seu porquinho...- o segura. O que está fazendo aqui? — ele o lambe. Eita! — olha para Vitoria que ri. Filha, papai te livrou hoje mesmo sabendo que estou redondamente errado! Não posso fazer isso e nem você pode pegar as coisas da mamãe e estragar. Sei que você não deve estar entendendo, mas acho que NAO você entende. Então NÃO! Não pode, é feio. Papai acabou brigando com ela por conta disso tudo.

Paula vai para seu quarto, arruma-se e deita-se para descansar. Lucy chega no quarto de Vitória para ficar com ela enquanto Vitor também descansa.

– Ridículo o que você fez hoje...- diz a ele assim que ele entra no quarto.

– Não vai parar com isso?

– Tenho que parar?

– Já deveria ter parado! — vai para o banho.

Ao sair Paula está inquieta na cama e ele prevê que ela não irá parar de falar. Deita-se já esperando a chuva de broncas.

– Você está a acostumando mal! Não vai ter limites isso...

– Paula...- fecha os olhos.

– Estou falando sério! Não é brigando... É apenas alertando algo que perderemos o controle com o tempo. Vitor...- vira-se para ele que está de costas. Vira aqui... Vitor! — o puxa. Vitor, temos uma ferinha em casa! Não podemos deixar que ela continue sem limites...

– Estamos falando de um bebê de um ano e três meses! Seria cômico se não fosse trágico...

– Estamos falando de uma criança extremamente esperta que já começou a compreender o que pode e o que não pode! Você está tirando minha autoridade... E isso está me irritando. Pareço menos mãe quando não posso educar ela!

– Uma grande besteira!

– Vitor, já deu de tratar as coisas dessa forma! Se queremos ter outro filho preciso delimitar o espaço de cada um. Até hoje não nos entendemos quando o assunto é criar Vitória!

– E vamos continuar assim se você permanecer com ideias sem sentido! — vira-se de costas para ela. E me deixe dormir se não quer me ver extremamente furioso com você! — puxa o cobertor e se silencia.

– Você tem uma cabeça pequena! E não eu! — vira-se de costas para ele e tenta dormir.

Em vão! Levanta-se e vai em busca da filha. Vitor a observa sair e nada diz.

– Me traz ela Lucy!

– Sim...- leva Vitória até o colo da mãe no sofá.

– Ela já mamou?

– Sim! — sorri. Vou colocar as roupas dela para lavar...

– Pode ir! — olha para Vitória. O que estou fazendo de errado, hein? — a acaricia. Talvez seu pai seja o errado de tudo... Não eu! Mas você é a causa... Você precisa obedecer a mamãe. Precisa entender que a mamãe quer seu bem e por isso te dá umas broncas! Meus olhinhos de jabuticabas...- a observa. Não fica triste comigo...- a beija. Mas preciso que você entenda que preciso te educar para o mundo! Quer ir no chão? — a desce. Cuidado!

– Paula?

– Oi Diva...

– O que faço para o almoço?

– Faça peixe...- pense. Quer saber? — olha para ela. Vitor que se dane! — sorri. O que ele não gosta mesmo? Jiló, né? Faça isso!

– Tem certeza?

– Absoluta! Faça jiló e berinjelas recheadas.

– Ok...- sai sem entender, mas já sabendo que a tempestade ia chegar.

– Seu pai terá o dele! — pisca para a filha. Mesmo que depois eu acabe fazendo o que ele quer...- pensa. Enfim, não importa! — se levanta. Se existe uma história maluca nesse mundo, filha... Essas história é a nossa! Olha só Vitória...- mostra um porta retrato. Quem é?

– Papai...

– Não tem jeito... Você só vai ver seu pai mesmo! — olha para ela sorrindo.

– O que estão fazendo?

– Nada! — guarda a foto. Conversando apenas...

– Entendi...- senta-se no sofá. Está mais calma?

– Tentando ficar! — faz o mesmo. Vitor está me tirando do sério...

– Onde dormiram ontem?

– Em um apartamento dele na cidade!

– Hum... Foram no show de quem mesmo?

– Da Marilia Mendonça e depois saímos para jantar em um restaurante. Ontem ele se esforçou para fazer o que gosto... Mas do que adianta? Se em casa ele me desmoraliza tanto.

– Que exagero Paula!

– Exagero Cintia? Você precisa ver a forma que ele falou comigo no quarto...

– Ele não quer que aconteça nada a Vitória! — Paula olha para ela. E eu já sei que é errado...

– Fica com Vitória rapidinho? Ela está entretida no brinquedo...- se levanta.

– Onde vai?

– Ver Roberto...

– Você só pode estar maluca mesmo!

– Vou pedir desculpas pelo episódio de ontem! — sai.

Vai para os estábulos e encontra Elias cuidando de Corcel, um dos cavalos de Vitor.

– Tudo bem?

– Oi... Tudo sim!

– Roberto não veio hoje?

– Não...- pensa. Vitor o expulsou ontem.

– Pois entre em contato com ele, e peça que venha até a fazenda!

– Farei isso! Mas...- pensa se deve falar.

– O que?

– Vitor não vai se irritar? Não quero problemas!

– Faça o que estou pedindo Elias! Essa fazenda é tão minha quanto de Vitor.

– Tudo bem! E desculpe...

– Sem problemas! — retorna para casa.

Cintia está brincando com Vitória quando ela entra. Ao mesmo tempo Vitor aparece na sala...

– Cintia...

– Oi Vitor?

– Posso pegar Vitória?

– Claro! — ri, entregando a bebe.

– Vamos andar de triciclo! — a pega no colo.

– Aquilo não é seguro ainda Vitor...

– Paula... Deixe de ser chata! E evite falar alguma coisa, perdi o sono então já sabe como estou. — sai.

– Está vendo? — aponta para ele. Está vendo como ele segue minhas ordens?

– Vamos comer alguma coisa...- a leva para cozinha.

Cintia tenta distrair ela, conversando sobre outros assuntos. O cheiro do almoço começa invadir a casa e Dulce começa preparar a mesa para comerem. Enquanto a ajuda, Paula escuta a filha chorar e sai para ver o que houve.

– O que aconteceu? — se aproxima.

– Paula...

– O QUE HOUVE? — pega Vitória dos braços dele.

– Ela caiu!

– O QUE EU TE FALEI? — corre para casa.

– Paula...- vai atrás dela.

– MÃE! — senta-se no sofá com a filha chorando.

– O que foi?

– Ela caiu do triciclo... Machucou a cabecinha! Está sangrando...

– Calma! — pega a neta. Shiu.... Já foi, meu amor! — sai com a bebê pela casa.

– Quando eu te disser algo, me ouça! — levanta-se.

– Eu não sabia que ela ia cair!

– Sério!? Te falei que não era seguro! Te falei para não levar ela e você mesmo assim foi. — sai.

– Não deve ter sido nada grave, né Cintia?

– Sim... Calma!

– Mãe...- Paula encontra Dulce com Vitória deitada em seu ombro.

– Não a deixe dormir! — entrega a neta. Vou buscar um remédio para passar na testinha dela...- se retira.

– Ô meu amor! — passa a mão na filha. Vai ficar tudo bem!

– Pulinha...

– Sai daqui! — não se vira para ele.

– Ela está bem?

– Já falei para sair! Se realmente se importasse com o bem estar dela não a teria levado para andar naquilo.

– Eu já disse que não sabia que ela iria cair! Ou você acha que se eu soubesse eu a levaria?

– Acho! — vira para ele. Acho porque foi isso que você fez! Quando falei que era perigoso era porque eu sabia que isso ia ocorrer.

– Você está sendo injusta!

– E você está sendo o que comigo? — sai de perto dele.

Vitor vai para o escritório preocupado com a filha. Resolve conversar com Maria e consegue se distrair um pouco, sendo interrompido com Diva.

– O almoço está pronto!

– Ok!

Termina de falar com a filha mais velha e vai para a sala de jantar, onde Paula tenta dar comida para Vitória após ela tomar

– Quer que eu te sirva?

– Não Sol! Está tudo bem... Vou me servir.

– Vitor... Se você não quiser isso aí...

– Se ele quiser comer Diva, vai comer o que tem!

– Já deu né Paula? — olha o que tem. Você mandou fazer o que eu não gosto de comer? É extremamente infantil da sua parte agir assim. Mas não tem problema! — senta-se. Diva! — a chama.

– Oi...- olha para Paula.

– Me traga bolachas e café! — encara a Paula. E não retire a minha ordem!

Paula observa Diva o servir e se segura para não acabar brigando mais ainda com Vitor. Ao terminarem a refeição se retiram antes mesmo da sobremesa. O clima estava tenso e Vitória estava enjoada devido a queda.

– Vou dar um banho nela Lucy! Separe a roupinha para mim...

– Ok...

Lucy separa a roupa de Vitória enquanto Paula a despe para banha-la. Preparam a banheira e aguardam a água estar na temperatura correta.

– Acho que está bom...

– Sim!

– Vem filha...- a coloca. Aguinha mamãe...- vai jogando aos poucos nela.

– Pode ir Lucy...- entra no quarto. Eu ajudo! — sorri.

– Tudo bem! — entrega a toalha para ele e sai.

– Oi filha...- segura a mãozinha dela. Papai está aqui!

– Licença...- passa a mão sobre a mão dele pegando o sabonete.

Banha a bebê sem falar com Vitor. Ele a pega assim que sai da banheira e leva para se trocar.

– Essa roupa?

– Sim! — joga a água da banheira.

Vitor a troca e Paula arruma o cabelinho da filha. Ele sai para buscar a mamadeira dela enquanto elas se sentam na poltrona.

– Agora você já pode mimir... Mas mamãe vai ficar atenta para que nada de ruim aconteça!

– Aqui...- entra, entregando a mamadeira. Quer que eu faça dormir?

– Não... Eu faço! — coloca a mamadeira na boca dela e se balança na poltrona.

Vitor as observa de longe, ainda preocupado. Não demora e Vitória pega no sono fazendo com que eles se retirem do quarto para que ela possa dormir tranquila.

– Precisa me tratar assim?

– E você? — olha para ele com a mamadeira na mão. Se me ouvisse mais...

– Desculpa!

– Você precisa entender que não é implicância ou chatice! Se quero dar bronca, se digo que não é seguro é porque preciso fazer isso. Não temos mais um bebê, Vitor! Está na hora de você aceitar isso...- saem para a cozinha.

– Só a acho pequena ainda para brigarmos com ela dessa forma! Colocar de castigo...

– Não brigo porque gosto!

– Vamos parar? — se aproxima dela. Por favor...- coloca as mãos sobre a cintura dela.

– Vitor...- respira fundo. Não! — se afasta. Por favor digo eu! Você não dá o braço a torcer, você não admite que está errado.

– Já pedi desculpas!

– Mas não assume que está errado!

– Isso não mesmo! Cada pessoa tem sua opinião...

– Mas sobre criação de um filho, não!

– Ok! Você estava certa... Não deveria ter ultrapassado sua ordem. Só não gostei da forma ríspida que falou com ela. Acho que podemos ensiná-la mais calmamente...

– Vou pensar nisso! — lava a mamadeira da filha.

– Vou ter que ir na cidade! — pega uma maçã. Vai querer algo?

– O que vai fazer lá?

– Preciso resolver algumas coisas...

– Não vai agora... Deixe para ir mais tarde para pegar Nilmar no aeroporto!

– Ele está vindo?

– Está sim! — sorri. Mamãe me avisou no almoço!

– Hum... Ok! Quando estiver perto dele chegar me avise para que eu possa ir.

– Aviso! — vai para sala. Ah...- vira-se trombando nele que a segura.

– O que? — entrelaça as mãos em sua cintura.

– Só ia dizer para não esquecer...- respira fundo quando ele começa se aproximar. Pare! — o encara.

– Me dê um beijinho...- tenta beija-la.

– Vitor!

– Hum! — a beija.

Dulce observa os dois de longe junto com Cintia que vem trazendo algumas frutas.

– Eles são loucos! — olha estranhamente.

– Devem ser! — ri baixo.

– Uma hora estão se estapeando e depois isso... Loucos e bipolares! — pega as frutas de Cintia. Vamos...

– Não... Vamos atrapalhar eles!

– Não quero ter que dar a volta!

– Mas nós vamos dar a volta! — a puxa.

Paula se afasta dele o encarando seriamente.

– Acho que você precisa melhorar seu beijo! — o empurra.

– Se eu melhorar você não vai querer deixar de beijar!

– Deixe de ser convencido! — riem.

– O que vai fazer agora?

– Vou tentar descansar um pouco...

– Preciso tirar a barba... Faz isso?

– Vamos lá!

Saem abraçados para o quarto, passando pelo de Vitória para conferir se está tudo bem.

Continua...