11º Andar

1 Horário


Notas iniciais
Eis aqui mais um clichê que ninguém pediu, mas eu escrevi mesmo assim. :-)
Perdoem qualquer erro que eu possa ter deixado passar e boa leitura. ♥

Como o copo de café não caiu no chão assim que entrou em contato com a mão dele, Park Jimin não sabia. Ele nem teve tempo para pensar nisso direito, na verdade, só teve tempo de sair correndo de casa e rezar para não perder o próximo trem que ia sair em exatamente sete minutos.

Só que seu apartamento ficava a quinze minutos da estação.

Poderia ser pior. Ele poderia estar sem seu café, ele poderia ainda estar dormindo, ele podia derrubar todo o líquido escuro em sua camisa perfeitamente branca e passada com todo o carinho do mundo pelo seu melhor amigo. Ele poderia também esbarrar em uma senhora de idade e derrubá-la no chão, poderia ser atropelado enquanto atravessava a rua, poderia tropeçar, cair no chão e possivelmente rasgar sua calça.

Felizmente, nada disso aconteceu, mas Jimin foi obrigado a assistir seu trem ir embora da estação enquanto ele desacelerava seus passos, ainda com seu café em mãos. Ele suspirou e viu o aviso que o próximo trem sairia em dez minutos, enxugou um pouco do suor em sua testa, e sentou-se na cadeira mais próxima que achou. As pessoas ao seu redor o encaravam, provavelmente se perguntando por que um homem estava fazendo biquinho com um copo descartável em mãos, suas pernas totalmente abertas e sua postura indicando que ele se sentia derrotado pela vida.

Park Jimin tinha sido promovido pela primeira vez em anos e estava atrasado para seu primeiro dia no novo cargo.

Ele grunhiu e passou uma mão pelo rosto, olhando para os lados em busca de algo para entretê-lo pelos próximos minutos, mas não achou nada. Resolveu beber o café lentamente, observando o número de pessoas na plataforma aumentar, e refletir sobre como seria seu dia. Não muito bom, a julgar por como havia começado, mas Jimin tentava manter seu pensamento sempre positivo, na medida do possível.

Seu celular vibrou em seu bolso e ele o puxou para atender, vendo o nome de seu melhor amigo no visor rapidamente antes de deslizar o dedo para a direita e dizer ‘alô’.

“Olá, melhor amigo do mundo que nesse momento está dentro do vagão do metrô a caminho do primeiro dia de trabalho na diretoria da empresa, como você está?”

“Eu perdi o trem, Tae.” Jimin suspirou e ouviu o som de surpresa que seu amigo fez do outro lado da linha. “É, eu sei. Quando eu cheguei na plataforma ele já estava saindo, quase sumindo. Agora é oficial, eu estou muito atrasado.”

“Ah, isso é uma pena.” Tae deu uma risada fraca, e Jimin conseguiu ouvir passos vindo em sua direção. Logo em seguida um corpo praticamente se jogou na cadeira que estava ao seu lado. “Veja pelo lado bom, você terá a companhia ilustre de Kim Taehyung, seu melhor amigo do mundo, a caminho do trabalho!”

Jimin abriu um sorriso fraco e desligou a chamada, guardando seu celular no bolso e dando mais um gole em seu café com um suspiro escapando de seus lábios. Taehyung assistia a cada movimento seu com atenção, como se estivesse esperando que Jimin dissesse alguma coisa.

“Eu passei os últimos dois anos indo para o trabalho com você, Tae.” Jimin sorriu e Taehyung deu de ombros. “E você não precisava acordar tão cedo assim, sou só eu que começo a entrar uma hora antes.”

“Não teve como voltar a dormir depois da variedade de palavrões que você gritou quando acordou.” Taehyung soltou uma risada e Jimin o acompanhou, ainda observando o volume de pessoas aumentar. “Sem contar que chegar adiantado nunca é demais, não é mesmo?” Taehyung virou o rosto para o amigo com um sorriso esperançoso, mas Jimin ainda estava sério. “Não fique assim, Chim. É só seu primeiro dia... Além disso, Jungkook disse que os diretores lá para cima nunca chegam cedo.”

“Quem diabos é Jungkook?”

“É um cara que trabalha no andar da diretoria.” Taehyung deu de ombros. “Não importa quem ele é, você ouviu o que eu disse? Eles nunca chegam cedo. Tudo bem, você já está cinco minutos atrasado, ainda faltam cinco para o próximo trem chegar, e nós vamos andar por mais uns dez minutos até chegar ao trabalho, mas...”

“Você não está ajudando.” Jimin suspirou.

Mas,” Taehyung continuou, levantando um dedo para chamar a atenção do amigo. “Seu chefe não vai saber que você está atrasado!”

“Eu não sei, Tae.” Jimin suspirou e deu o último gole em seu café, jogando o copo descartável na lixeira mais próxima. “Mesmo que ele não saiba, é errado. As outras pessoas que trabalham no andar vão saber, e se eles forem sacanas? Eu nunca cheguei atrasado antes, eu não conheço ninguém na diretoria, tudo que eu sei é que só trabalha lá quem tem competência, e se eu não tiver competência?!”

“Se você foi promovido, você tem competência.” Taehyung bateu no ombro de Jimin de leve, fazendo seu amigo sorrir pelo menos um pouco. “Vai dar tudo certo. Chegar atrasado apenas uma vez não vai destruir sua carreira, e seus novos colegas vão ser legais. Não se preocupe.”

O tempo pareceu passar mais rápido depois daquela conversa. Jimin ainda estava suado, atrasado, e tinha certeza de que seus olhos ainda estavam inchados de sono, mas pelo menos o relógio pareceu colaborar um pouco com ele. O caminho inteiro foi silencioso, e era como se Taehyung sentisse que os nervos de seu amigo estavam a flor da pele. Sua única dúvida era se ele deveria tentar distrair Jimin de alguma forma, ou se deveria deixá-lo imerso em seus pensamentos.

Os dois entraram no prédio ontem trabalhavam com um sorriso no rosto, desejando bom dia aos seguranças e recepcionistas, pegando seus crachás e passando pela catraca que os levava aos elevadores. Taehyung apertou o mesmo botão de sempre do sexto andar, mas Jimin travou com o dedo bem em frente ao número onze, sua boca levemente entreaberta de nervoso.

“Vai dar tudo certo.” Taehyung segurou a mão do amigo e ajudou a empurrá-la para frente, pressionando o botão do décimo primeiro andar. A porta se fechou em frente a eles e Jimin respirou fundo. “Qualquer coisa procure o Jungkook. Ele é mais novo, bem tímido, mas se tudo der errado você tem um quase-amigo!”

“Você falou dois segundos atrás que tudo ia dar certo.” Jimin franziu o cenho.

“Eu falei, mas o futuro é incerto, caro Park Jimin!” Taehyung sorriu e saiu do elevador assim que chegou em seu andar. Ele acenou com um sorriso infantil no rosto, deixando Jimin sozinho e assustado. “Boa sorte!”

Agora era oficial. Os números passavam em ordem crescente no visor, ficando cada vez mais perto da vida de Jimin dali para frente. Ele trabalharia na diretoria. Ele seria obrigado a servir café e agendar viagens para o diretor de uma multinacional. Ele saberia mais da vida pessoal daquele homem do que qualquer outro indivíduo na empresa, seria obrigado a conviver com ele mesmo que não o suportasse, seria obrigado a guardar segredos que ele jamais imaginaria ouvir. De repente, Jimin não ficou tão feliz com sua promoção e desejou voltar ao seu cubículo no sexto andar, bem perto de onde Taehyung trabalhava.

Uma voz eletrônica anunciou que Jimin tinha chegado ao seu destino, e ele se olhou no espelho uma última vez para ter certeza de que estava tudo em seu devido lugar. Por fora, ele parecia calmo e contido, mas por dentro seu coração estava batendo forte, e se ele se descuidasse por dois segundos, as pessoas seriam capazes de ver sua mão tremendo. Jimin respirou fundo e saiu do elevador com sua melhor expressão no rosto, olhando ao seu redor para saber exatamente onde deveria ir.

A primeira coisa que ele notou foi que o andar da diretoria era definitivamente mais chique que o andar onde trabalhava antes. O carpete estava limpo, as portas eram todas de vidro, e não tinha uma maçaneta que parecia mais torta que as outras. Ele bateu ponto ainda fora do escritório, e quando finalmente abriu a porta que o levaria para seu mais novo local de trabalho de verdade, Jimin sentiu todo o ar sair de seus pulmões.

Ali era frio. Muito frio. O ar-condicionado mais forte que Jimin já havia visto, e ele se xingou mentalmente por não ter trazido um paletó caso fosse necessário usar um. Todos eram extremamente silenciosos. Tudo que ele conseguia ouvir era o som de dedos batendo em teclas sem parar, o murmúrio de alguém que estava no telefone, o ranger suave da máquina de café que ficava na copinha à sua extrema esquerda. Era uma diferença enorme do ambiente sempre agitado do sexto andar, e Jimin achou que fosse começar a chorar na mesma hora. Ele vasculhou o local com os olhos e achou seu local de trabalho, um cubículo definitivamente maior que o seu antigo que ficava bem em frente a uma sala com portas de vidro e uma janela enorme ao fundo.

Jimin respirou fundo e começou a caminhar lentamente até sua mesa, tomando cuidado para não fazer muito barulho mesmo no chão com carpete. Como Taehyung havia dito, a sala de seu mais novo chefe estava vazia, trazendo um pouco de calma a ele. Jimin estava começando a esboçar um sorriso, aproximando-se cada vez mais de seu cubículo, quando se deparou com um homem vestindo um terno caro sentado em sua cadeira, olhando para seu relógio de pulso – um Rolex? – de cenho franzido. Jimin travou em seu lugar, e o homem vestindo roupas caras pareceu o notar ali.

“Park Jimin?”

Ele não tinha falado tão alto, mas o escritório estava tão silencioso que dava a impressão de que ele havia gritado com um megafone. Um outro homem que estava sentado no cubículo ao lado, não muito longe do dele, levantou o olhar para saber o que estava acontecendo. O murmúrio de quem falava no telefone havia parado, e ele sentia como se até a máquina de café tivesse parado de fazer barulho apenas para ouvir o que estava prestes a ser dito.

“Sim, senhor.” Jimin engoliu em seco, e o homem que estava sentado em sua cadeira se levantou, ajeitando seu paletó. “Sou eu.”

Ele prendeu o ar quando o sentiu chegar mais perto, um olhar sério que chegava a dar calafrios. O homem ajeitou seu relógio, a gola de sua camisa social e estendeu sua mão direita, e sem ter muitas opções do que fazer, Jimin a segurou.

“Eu sou Min Yoongi, diretor de vendas, seu mais novo chefe.” Min Yoongi apertou a mão de Jimin e a chacoalhou para cima e para baixo, fazendo o coração do homem parar de bater na hora. “Você está atrasado. Eu tenho uma reunião na sala de conferências no décimo terceiro andar em cinco minutos, mas preciso que você marque uma outra reunião para mim às cinco da tarde com representantes do Japão. Eu esqueci o nome do grupo, mas tenho certeza de que está anotado em algum lugar no seu computador.”

Jimin abriu e fechou a boca uma porção de vezes, ele não teve tempo para absorver tudo que estava acontecendo. O homem que estava bem a sua frente era seu mais novo chefe, e apesar de ser bem intimidador, ele era tão alto quanto Jimin e tinha a aparência de ser ainda bem novo. Yoongi suspirou e bateu no ombro do homem, tirando seu celular do bolso logo em seguida e começando uma caminhada até a porta de vidro que daria para os elevadores.

“Eu devo voltar em mais ou menos uma hora, espero ter minha reunião confirmada até lá.” Yoongi disse sem prestar muita atenção às coisas ao seu redor, focando em algo muito mais interessante na tela de seu celular. “Um menino deixou suas coisas debaixo de sua mesa, mas é melhor deixar para arrumar isso mais tarde. Tenha um bom dia, Park Jimin.”

Com isso, a porta se fechou e o escritório ficou em silêncio novamente. Parecia que alguém tinha acabado de gritar no ouvido de Jimin, porque ele não conseguia ouvir mais os sons discretos de antes, era como se tivesse um apito dentro dele. Ele ainda estava parado em frente à sua mesa, e depois de alguns segundos, resolveu sentar-se para tentar colocar sua cabeça no lugar e começar a trabalhar.

Achar o contato do grupo japonês realmente não foi difícil, difícil foi tirar aquela cena de sua cabeça enquanto Jimin tentava focar em seu trabalho. Seu coração já havia parado de bater com tanta força e ele já estava mais calmo, mas ele nem tinha visto quando mais outros dois diretores haviam entrado no escritório desejando um bom dia a todos.

Jimin terminou a ligação com uma representante da empresa japonesa com um sorriso no rosto, mas assim que o telefone bateu no gancho, ele suspirou pesadamente e deixou seu corpo relaxar na cadeira. Por uns segundos ele pensou que era só se virar para o lado, chamar o nome de Taehyung, e ele teria uma distração para se livrar do estresse causado pelo trabalho. Infelizmente, quando olhou para o lado, viu apenas seu mais novo companheiro teclando furiosamente enquanto seu cenho estava franzido.

Ele não sabia o nome de ninguém ali, talvez apenas o de Jungkook, mas ele nem sabia como era a aparência do tal homem. Jimin passou uma mão pelo seu rosto, deixando-a deslizar lentamente até que ouviu alguém sussurrar seu nome. Por um segundo, ele achou que estava sonhando e que aquela era a voz de Taehyung tentando o acordar, mas quando ele ouviu o som de novo, percebeu que aquela era a realidade.

No cubículo ao lado, o companheiro que antes estava teclando furiosamente agora estava com um sorriso simpático estampado no rosto, apontando discretamente para o enorme telefone em cima de sua mesa. Jimin franziu o cenho, balançando sua cabeça de um lado para o outro devagar, mostrando que não estava entendendo. O homem imitou um telefone com sua mão e levou ao seu ouvido, imitando uma conversa imaginária sem dizer nada, apenas mexendo sua boca.

Jimin se perguntou se aquilo era mesmo a realidade.

Vendo que Jimin não entenderia o que estava acontecendo, o homem suspirou e começou a discar um número. Poucos segundos depois, o barulho alto do telefone de Jimin tocando ecoou pelo andar, e uma luz se acendeu dentro de sua mente. Sua boca ficou em um formato oval de surpresa, como se finalmente tivesse entendido o que aquele homem estava querendo dizer, e ele sorriu, indicando para Jimin atender a chamada.

“Bom dia?” Jimin murmurou, incerto do que deveria dizer.

“Bom dia, Park Jimin!” A voz do homem estava um pouco alta no telefone, mas ele tentou não fazer uma careta, sabendo que ele podia vê-lo de não muito longe. “Meu nome é Jung Hoseok, e assim como você, eu trabalho para diretores aqui em cima. A diferença é que eu tenho dois chefes, mas isso não importa.”

“Eu aprecio sua ligação, apesar de estarmos a poucos metros de distância, mas eu posso saber por que você ligou?”

“Diretor Min pode parecer severo, mas ele na verdade é bem legal.” Hoseok foi direto ao ponto, e Jimin sentiu como se precisasse esconder seu rosto. “Ele só é bem dedicado ao trabalho, e um pouco emburrado pelas manhãs.” Hoseok deu uma risada baixa, e Jimin se pegou sorrindo também. “Ah, e ele gosta de pontualidade. Mas não se assuste, sério! Você acaba se acostumando. As coisas aqui por cima são um pouco estressantes, mas nada que vá levá-lo à loucura.”

“Eu aprecio suas palavras, Hoseok-ssi.” Jimin sorriu e se virou para o homem, que tinha uma expressão parecida com a dele no rosto. “Eu realmente fiquei um pouco assustado, mas acho que agora está passando.”

“Que bom.” Hoseok assentiu com a cabeça, e pela primeira vez desde que tinha se despedido de Taehyung no elevador, Jimin sentiu seu coração se acalmar de verdade. “Se você quiser, mais tarde nós podemos almoçar juntos. Geralmente somos só eu e Jungkookie, mas vai ser bom ter mais uma pessoa para sentar na nossa mesa. O que me diz?”

“Pode ser.” Jimin sorriu. Do lado de fora, viu a porta do elevador se abrindo e seu chefe saindo de lá de dentro com a atenção voltada para seu celular. Hoseok arregalou um pouco os olhos, mas ele não viu. “Eu vou desligar, mais tarde nos falamos. Mais uma vez, obrigado pelas palavras, Hoseok-ssi. Eu fico grato.”

“Não há de que!”

Assim que os dois colocaram seus telefones no gancho, Jimin se levantou com o pouco de confiança que restava dentro de si segurando a folha de papel com o horário confirmado para a reunião, e a sala onde ocorreria. Yoongi passou pela sua mesa direto e entrou em sua sala, sentando em sua cadeira enorme sem parar de digitar no celular por um segundo que fosse. Jimin engoliu em seco e bateu na porta, e por um milissegundo, Yoongi o deu atenção o suficiente para permitir sua entrada.

“Reunião marcada para cinco horas.” Jimin caminhou até a mesa enorme de vidro – tudo era de vidro naquele lugar? – e colocou o papel bem em cima de uns cadernos, onde ele sabia que chamaria a atenção de Yoongi. “O senhor deseja mais alguma coisa?”

“Responda uns e-mails meus.” Yoongi disse de cenho franzido, prestando atenção no papel por meio segundo antes de voltar a digitar em seu celular. “Arruma minha planilha para semana que vem também, a antiga secretária deletou uma parte sem querer, mas acho que tem anotado em um papel por aí.”

“Na minha mesa não tem nada que não me pertença, senhor. Nem nas gavetas.”

“Droga, então deve estar nas minhas coisas.” Yoongi olhou para sua mesa levemente bagunçada e clicou sua língua. “Esqueça os e-mails por agora, eu tenho que me encontrar com um gerente daqui a pouco. Você fica aqui procurando esse maldito papel. Tem os dados de algumas viagens anotadas, e outros afazeres pessoais também.”

“Certo.” Jimin assentiu e colocou suas mãos atrás do corpo, abrindo uma tentativa de sorriso simpático. “Devo responder seus e-mails depois de arrumar a planilha?”

“Por favor.” Yoongi abriu um sorriso que não mostrava seus dentes, mas era o mais simpático que Jimin havia o visto até agora, então resolveu aceitar. “Eu já volto. Pode fazer bagunça, contanto que arrume de novo.”

Jimin percebeu que Yoongi tentava deixar sua sala o mais impessoal possível. Ele não tinha fotos de família, não tinha fotos de amigos, não tinha um chaveiro especial para as chaves das gavetas, era como se a sala nem fosse dele. Depois de uns bons minutos procurando, Jimin achou o tal papel que continha as anotações as quais Yoongi tinha falado sobre. Além de seu ambiente de trabalho ser muito sério, Jimin percebeu que a vida de seu chefe também não era tão emocionante. Tinha algumas viagens de negócio marcadas, algumas conferências e reuniões, mas nada que parecia fazer parte de sua vida pessoal.

Enquanto Jimin passava as informações para o computador, ele se perguntou como seu chefe vivia. Se tinha amigos, se tinha namorada, esposa ou até filhos. Nada em sua agenda parecia fazer parte de sua vida pessoal, era como se ele vivesse apenas para o trabalho. Jimin suspirou alto e, com o canto do olho, viu a cabeça de Hoseok virar para encará-lo. Ele resolveu não dar muita atenção para aquilo e apenas continuou seu trabalho, por mais entediante que fosse.

Ele finalmente tinha terminado de arrumar a agenda e estava pronto para começar a checar os e-mails quando seu telefone tocou, fazendo-o quicar um pouco em sua cadeira. Ele encarou o número e instantaneamente reconheceu o ramal de Taehyung, fazendo com que um sorriso contente abrisse em seu rosto.

“Então quer dizer que agora que o bonito trabalha na diretoria, ele se esquece dos amigos?” Taehyung disse, um tom de deboche explícito em sua voz. Jimin soltou uma risada baixa, não querendo chamar muita atenção das pessoas por perto. “Eu estou brincando, mas sério, achei que você fosse me ligar mais cedo.”

“Eu não tive tempo, desculpa.” Jimin suspirou e olhou ao seu redor. Hoseok parecia bem focado em seu trabalho, e ele não conseguia ver mais ninguém. “Meu chefe é uma pessoa muito ocupada, e isso acaba me ocupando também.”

“Ele é velho?” Taehyung perguntou, e Jimin já sabia exatamente onde ele iria com aquilo. “Ele é bonito? A mesa dele parece ser segura para usar como superfície para praticar o coito? E seus colegas, eles são bonitos? Você viu o Jungkook? Ele parecia meio assustado ou meio irritado com a vida? Porque quando ele não está sorrindo ou falando, essas são as únicas expressões no rosto dele. Sério.”

“Uma pergunta de cada vez.” Jimin grunhiu no telefone, recapitulando tudo que Taehyung havia dito. “Ele é novo, acho que é bonito, não tive muito tempo para prestar atenção nisso, e a mesa é de vidro, então eu não sei. Eu não sei sobre essas pessoas direito ainda, mas acho que sim? Não o vi ainda.”

“Ok, respostas interessantes.” Taehyung ficou um tempo em silêncio. Jimin quase conseguia vê-lo coçando seu queixo enquanto pensava. “Vamos almoçar juntos? Eu preciso de mais detalhes do que isso.”

“Na verdade, um colega meu me chamou para almoçar.” Jimin falou o mais baixo que pôde, sem querer chamar a atenção de Hoseok. “Acho até que ele mencionou o nome do seu amigo? Não sei. Nós podemos conversar em casa.”

“Entendi.” Taehyung concordou. “Você começa a trabalhar na diretoria, você esquece que tem amigos, você recusa um convite para almoçar!”

“Eu preciso conhecer mais pessoas aqui.” Jimin choramingou um pouco, e Taehyung começou a rir fraco. “Nós moramos juntos, teremos todo o tempo do mundo para conversar, ok?”

“Eu sei, pequeno Chim.” Taehyung riu. “Nos vemos mais tarde!”

O dia correu um pouco mais devagar depois daquilo. Yoongi mal aparecia em sua sala, mas mesmo assim, Jimin não descansou nem por um segundo. Jimin finalmente conheceu Jungkook na hora do almoço, e apesar de não ser muito falante, ele parecia ser uma pessoa simpática. Hoseok era falante, e Jimin não demorou muito para finalmente construir algo que parecia uma amizade com o homem. Ele sentiu como se estivesse cercado de pessoas de bom coração, e não sabia colocar em palavras como estava feliz com aquilo.

Às cinco horas da tarde, Jimin assistiu a seus colegas de trabalho saindo pela porta de vidro um por um, ouviu algumas pessoas se espreguiçando, ouviu a máquina de café rangendo mais alto, e em poucos minutos ele se deu conta de como o andar tinha ficado vazio. Pelo menos Hoseok ainda estava em sua mesa, clicando em alguma coisa no computador sem prestar muita atenção.

Jimin olhava apreensivo para a porta. Ele queria ir embora na mesma hora como sempre fazia todos os dias, mas o fato de Hoseok ainda estar em sua mesa o deixou um pouco nervoso. Tudo bem, ele tinha dois chefes, mas Jimin tinha a impressão de que ele estava apenas esperando que um dos dois aparecesse para voltar a trabalhar de verdade. Já era quase seis horas quando seu telefone tocou e o tirou de um transe que ele nem havia percebido que tinha entrado.

“Você vai para casa agora?” Taehyung disse baixo, e Jimin conseguiu ouvir o som de gavetas se fechando ao fundo. “Eu estava matando tempo te esperando aqui na minha mesa, mas você não ligou nem apareceu aqui.”

“Não, eu não vou.” Jimin tentou falar baixo, mas como o andar estava mais vazio, Hoseok o ouviu mesmo assim. “Meu chefe ainda não saiu de uma reunião e eu não sei como essa gente da diretoria funciona. Eu vou esperar, você pode ir na frente.”

“Tudo bem, eu faço o jantar hoje.” Taehyung fez uma pausa enquanto arrumava algumas coisas, e Jimin continuava encarando a porta. “Não demora. É só seu primeiro dia, você não pode exagerar no trabalho desde já.”

“Relaxa.” Jimin riu baixo. “Até mais tarde.”

Jimin sabia muito bem que acabaria exagerando, mas ele não queria preocupar Taehyung. Segundos, minutos, horas se passaram e nada de Min Yoongi aparecer ali após o fim da reunião. Até mesmo os chefes de Hoseok já haviam aparecido – dois homens bem altos e bem bonitos –, e ele já estava começando a arrumar suas coisas para ir embora. Não demorou muito para Jungkook aparecer ali também com seus pertences em mãos, pronto para ir para casa.

“Jimin?” Hoseok perguntou, fazendo o homem levantar sua cabeça e olhar para seus novos colegas de trabalho. “Já são quase oito horas, você já vai?”

“Não, eu vou esperar o senhor Min sair da reunião.” Jimin abriu um sorriso simpático que logo foi retribuído pelos dois. “Só queria saber se ele costuma demorar tanto assim nas reuniões.”

“Meus chefes não costumam demorar tanto, mas eu já os ouvi reclamando que as reuniões com os representantes do Japão são as mais demoradas.” Hoseok coçou seu queixo enquanto pensava, e quando Jimin soltou um suspiro, ele abriu um pequeno sorriso. "Acertei?”

“Infelizmente.” Jimin soltou uma risada fraca que fez Jungkook sorrir. “Ok, agora eu já sei que não posso marcar reuniões com o Japão depois de três da tarde.”

“Isso você aprende com o tempo.” Jungkook disse e colocou uma mão em volta do ombro de Hoseok, apertando-o levemente no local. “Esse aqui já saiu desse prédio de madrugada porque simplesmente não aprendia a lição dele.”

“A culpa não é só minha, às vezes o Namjoon tem reuniões com gente do outro lado do mundo.” Hoseok franziu o cenho e pegou a mão de Jungkook, dando-a um leve apertão também. “Eu só tenho que fazer meu trabalho e ficar.”

O som da porta do elevador se abrindo atraiu a atenção de todos eles, e de dentro saiu um Min Yoongi que parecia completamente exausto. Sua gravata já estava mais frouxa do que de manhã, seu celular não estava em sua mão como ficou durante o dia, e ele estava tão distraído que arregalou um pouco os olhos quando viu o pequeno grupo de homens parado ali perto da entrada.

“Hoseok e Jungkook, oi.” Yoongi acenou despreocupado, mas os dois homens reverenciaram no mesmo instante. “Está tarde, vocês já estão indo?”

“Sim, nós estávamos só falando com Jimin para saber se ele ia conosco.” Jungkook respondeu apontando para a mesa do homem, que ficava escondida atrás de uma pequena parede de madeira.

“Jimin ainda está aí?”

Na mesma hora, o homem levantou de sua cadeira e olhou para seu chefe, pronto para fazer qualquer coisa que ele o mandasse. Yoongi aparentava estar realmente cansado, mas Jimin acreditava que ele também se encontrava no mesmo estado.

“Ah, que bom.” Yoongi abriu um pequeno sorriso aliviado e Jimin precisou engolir em seco, como se estivesse se forçando a respirar. “É bom saber que você me esperou, mas não tem mais nada para fazer aqui por hoje. Vá com eles.”

Jimin assentiu, curvou-se para frente, e em questão de segundos arrumou suas coisas para ir embora. Ele olhou para sua mesa e viu que ela ainda estava muito vazia. O caixote com suas coisas que estava escondido debaixo do móvel poderia esperar, afinal de contas, ele acreditava que ficaria ali por mais um tempo.

Desejos breves de boa noite, uma caminhada silenciosa até a estação de metrô, uma conversa furada qualquer com Hoseok e Jungkook durante a viagem, e Jimin finalmente estava em casa depois de trabalhar seu primeiro dia no décimo primeiro andar. Como prometido, Taehyung havia feito o jantar e estava animado para saber de cada experiência do amigo na diretoria. Jimin estava cansado, exausto, mas não podia ficar mais grato por tudo que estava acontecendo em sua vida no momento.

“E o seu chefe?” Taehyung perguntou enquanto mastigava um pedaço de frango, e por mais que a visão fosse um pouco nojenta, Jimin não perdeu seu tempo brigando com o amigo. “Como ele é?”

“Novo.” Jimin deu de ombros, e tentou ignorar os pensamentos que apareciam em sua mente do sorriso fraco de Min Yoongi. “Parece que é bem focado no trabalho.”

“Hmmm.” Taehyung murmurou, cutucando um pedaço de carne com seu hashi. “Ele é bonito?”

Jimin respirou fundo e abriu um sorriso, dando-se como vencido, e Taehyung, como sempre fazia, leu a mente do melhor amigo e riu.

“Sim.” Jimin riu junto. “Ele é muito bonito.”

Notas finais
Como eu disse, a fic também está sendo postada no Social Spirit, e apesar do meu foco maior ser por lá, eu também pretendo atualizar aqui toda semana. ♥
Espero que tenham gostado e, se quiserem, podem gritar nos comentários ou no twitter (@/yunttai).