Notas iniciais
Estava ocupada com as outras fanfics, mas finalmente consegui fazer esse capítulo, eu tenho a meta de atualizar toda a terça-feira. Boa leitura.

Através de uma das janelas de um majestoso palácio, o troll conhecido como Orchid mantinha o olhar vago para o pátio, observando seus soldados carregarem diversos instrumentos musicais com a intenção de derretê-los para a construção de uma arma.

Girou nos calcanhares, dirigindo-se até o antigo trono do pai. A túnica branca que compunha sua aparência arrastava-se a cada passo lento e preciso. De soslaio, percebeu o olhar atento da avó. Um sorriso desafiador surgiu em seus lábios.

Diante do assento real, passou o dedo de metal pelos detalhes do apoio de braço. Não conseguia sentir o tecido como gostaria; há anos, suas mãos haviam sido substituídas por engenhocas mecânicas, capazes de reproduzir os movimentos das articulações.

Andou em volta do sólio, o braço direito desenhando círculos no encosto recoberto de ouro refinado e ornamentado. Com a ponta afiada do dedo anelar, traçou uma linha reta, rasgando o estofo com painéis incrustados de marfim.

— Lembro-me como se fosse ontem... Meu pai sentava nesse trono e dizia que a maior virtude de um líder era tratar o povo igualmente — começou, com a voz suave, como se concentrasse apenas nas palavras, ignorando as lembranças que martelavam sua mente. — A maior tolice foi ele acreditar nisso! — exclamou por fim, virando o rosto na direção da avó, incapaz de encarar o assento.

Amargura. Foi isso que atravessou o coração da senhora. Jamais imaginara que o neto destruiria o próprio reino para provar os erros dos pais.

No momento em que recobrou a consciência, ergueu a cabeça e tentou confrontar a criatura irracional em que ele havia se tornado. No entanto, a gargalhada sarcástica dele sugeriu desprezo. Ainda assim, ela persistiu em encará-lo, buscando em seus olhos rubros qualquer sinal de arrependimento.

— Se continuar, traçará um caminho sem volta, jovem Orchid — afirmou. Suspirou, fechando as pálpebras cansadas, obrigada a estar ali, pois seus dons de cura seriam necessários para ele.

Ela compreendia. O passado o atormentava a todo instante. Superar era necessário, mas nada arrancaria de sua mente o desapontamento dos pais. Queriam um filho perfeito, uma coroa plantada sobre sua cabeça. Quando finalmente fizera a vontade deles, foi exilado. Agora, provaria que estavam errados.

— Meu passado é responsável por quem sou hoje — respondeu após um breve silêncio, girando nos calcanhares e ficando de costas.

— Você é inteiramente culpado por tudo que faz, seja no presente ou no passado. Toda causa leva a uma consequência — afirmou a anciã, olhando por cima dos ombros do neto.

— Claro... Mas vejamos — disse, voltando o rosto pálido para ela e sorrindo com escárnio —, não há ninguém que possa me deter. Logo, sem consequências para mim — riu, tirando da manga uma adaga vermelha, que manuseava distraidamente, mantendo a postura de superioridade.

— Tem certeza? — questionou a idosa, os lábios formando um sorriso desafiador.

Orchid abriu a boca para responder, mas foi interrompido. Sua atenção se voltou para a única soldada, líder do exército, que se aproximava.

— Majestade, temos um problema — murmurou a criaturinha, fazendo meia reverência ao lembrar-se de que precisava ser mais delicada. — Encontrei um troll.

— E qual a importância disso, Storm? — perguntou, aparentando despreocupação enquanto se dirigia ao altar.

— O cabelo é azul, alteza — respondeu ela. Os olhos vermelhos intensos miravam a expressão do príncipe.

Orchid fixou o olhar nela, com um certo espanto estranho. Depois, começou a andar devagar, guardando a adaga na manga da túnica. Olhou diretamente para Storm, que recuou dois passos.

— Continue — ordenou após um momento de reflexão.

Respirando profundamente, ela falou:

— Um dia atrás, durante a busca por mais instrumentos musicais, fui atacada por aranhas. Esse troll, que se chama Tronco, me salvou. Notei em suas características físicas traços do filho de Primrose: os olhos, o nariz, a pele e o cabelo de cor única.

Orchid lançou um olhar para Storm e piscou levemente. Apesar de toda a sua perturbação, ao ouvir aquilo, não conseguiu evitar odiá-la pelas palavras que dizia, acreditando serem pura falácia. Contemplou-a com perplexidade.

— Ele está morto? — indagou, dando um passo à frente.

A súdita, ao ouvir a pergunta, ergueu os olhos, mas ficou ainda mais embaraçada. Cada sílaba dita por Orchid era carregada de exatidão e intensidade, enviando-lhe uma corrente elétrica imprevisível.

— Não — exclamou num sussurro curto.

De soslaio, o herdeiro viu o rosto da avó iluminar-se, considerando a possibilidade de verdade na fala da troll.

Orchid controlava suas emoções com maestria. Sempre com postura confiante e ameaçadora, era um tipo de monstro contido. De todas as surpresas, aquela tinha o potencial de arruinar seus planos.

— Encontre o troll e o mate. Ou melhor, traga-o até mim — ordenou, lançando um último olhar a Storm antes de caminhar até o trono. Sua túnica branca arrastava-se pelo chão de mármore. — Eu o matarei com as minhas próprias mãos — acrescentou, erguendo a mão metálica na altura dos olhos vermelhos e fechando o punho com força.

Assim que as palavras foram proferidas, Storm curvou-se e deixou sua presença. Tinha grande admiração pelo príncipe e estava pronta para se sacrificar por aquilo que julgasse o bem. Recordava-se de quando matara Primrose em nome dele, apenas para provar seu valor.

Depois que Storm os deixou a sós, o jovem príncipe encarou a avó. Em sua mente, reviu o olhar da mãe. Um sorriso confiante moldou sua fisionomia inabalável. A anciã fez o mesmo, causando-lhe certa instabilidade. Desviou o olhar para a janela à frente. De longe, viu os soldados continuando o trabalho. Guardou a adaga de prata na manga da túnica e, após um suspiro, mergulhou nos próprios pensamentos.

***

As estrelas reluziam acompanhadas da lua cheia. A luz resplandecente impedia qualquer predador de atacar o Snack Pack, que dormia em tendas feitas de enormes folhas.

Em uma delas, Poppy abriu os olhos ao ver a sombra de Tronco do lado de fora. Ela apoiou o cotovelo esquerdo sobre o colchão rosa, agarrou a lamparina à sua frente e a ergueu na altura dos olhos. Ao perceber a fisionomia dele desaparecer, decidiu investigar. Sentou-se por breves segundos, limpando o rosto com as duas palmas, como se o gesto a despertasse.

Ao sair da barraca, assustou-se: o ronco de Bitelo assemelhava-se ao de um monstro com dor de barriga. Riu ligeiramente ao ter tal pensamento. Contou até três e prosseguiu.

Os pés descalços tocando a terra traziam uma sensação familiar, e o cheiro da brisa suave a fez fechar os olhos. Acordou do transe ao bater a testa em um tronco de árvore, derrubando a lamparina, que apagou em seguida. Levou os dedos à testa, pressionando e fazendo pequenos círculos. O desconforto e a dor deram lugar à surpresa: escutou a voz de Tronco a poucos metros. Mordeu o lábio inferior. Seria errado espioná-lo? Talvez.

Vislumbrou cuidadosamente por trás da árvore. Ele parecia transmitir uma aura cintilante por meio da voz suave e melodiosa, capaz de fazê-la sorrir. Não sabia o que o levara até ali, mas estranhamente considerou perguntar, até perceber seu semblante melancólico. A cor diminuía lentamente, quase opaca. Ela suspirou profundamente, inconsciente de que o troll poderia vê-la.

Vislumbrou cuidadosamente por trás da árvore. O amigo parecia transmitir uma aura cintilante, e sua voz agradável entoava uma canção lenta e melodiosa, capaz de fazê-la sorrir. Não sabia o que o levava a estar naquele local, mas Poppy, estranhamente, considerou perguntar, até perceber seu semblante completamente melancólico, a cor diminuindo lentamente, em um tom quase opaco. Ela suspirou profundamente, inconsciente de que o troll poderia vê-la.

Desse modo, era possível comprovar que algo o perturbava. Em um gesto simples e calmo, surgiu nos olhos azuis-turquesa de Tronco um brilho diferente. Ela o chamou, e ele ergueu o olhar.

— Poppy? O que faz aqui?

Seus olhos se concentraram nela, interrompendo a música que cantava. A princesa sorriu sem jeito, segurava a própria mão rente ao estômago, incomodada por sua intromissão. Poucas vezes ficava em tal situação. Mudou a fisionomia e começou a falar:

— A questão é: o que o melhor troll sarcástico e preparado faz aqui sozinho no meio da floresta? Se quer companhia, aqui estou. — Ela sorriu, mostrando as duas fileiras de dentes brancos e deu um soquinho em seu ombro.

— Não, obrigado. — Ele riu, desviando do toque dela. — O silêncio é uma dádiva difícil de encontrar, principalmente quando seus amigos cantam o dia todo. — Acrescentou com sarcasmo.

— Nossos amigos, Tronco. — Interveio, levantando o dedo indicador. — Além do mais, você estava cantando até agora pouco.

— Estava me espionando? — Indagou, voltando a olhar em seus olhos, desconfiado.

Presa na confissão que fizera, a troll rosa permaneceu por breves segundos sem demonstrar reação.

— O correto é observar. — Disse, cruzando os braços, fechando as pálpebras, com a cabeça virada para o lado oposto do rosto dele, em uma postura indiferente.

— Certo, só me deixe em paz.

Estranhando o tom de voz baixo, embora as palavras continuassem inteligíveis, em um momento percebeu a tristeza.

Na ocasião em que Tronco sentou-se em uma pedra, fixando a atenção nos próprios dedos, uma ideia reluziu na mente de Poppy. Sorrindo amplamente, aproximou-se dele.

“Não se preocupe, estou aqui, uma amiga…”

— Sério, você tem que cantar? — Ele se irritou, embora amasse a voz dela, considerava desnecessário nas circunstâncias.

— Estou tentando ser gentil. Você deveria tentar. Só três palavrinhas.

— Oh, certo, jura? Talvez eu devesse ser mais gentil, não reclamar de tudo. Posso aprender até amanhã. — Respondeu com sarcasmo.

— Que ótimo, viu? Não é difícil. Embora eu acredite que possa demorar um pouco, não é como se você nascesse sendo gentil; eu sou assim desde meus vinte e um anos.

Uma espécie de horror incrédulo pelo fato de a majestade não captar sua ironia moldou o aspecto de Tronco, e, ainda que quisesse ficar irritado, um mínimo sorriso imperceptível se fez presente.

Supondo que, de algum modo, fosse possível deixá-la sem palavras , deu alguns passos para regressar ao acampamento. Ela o seguiu entusiasmada. Por um minuto, o troll masculino substituiu o pesadelo anterior pela alegria de Poppy, lembrando-se de quando seus pais o trocavam por um instrumento musical, jogando-o fora como uma fralda suja. A hipótese de ser real trouxe medo, mas agora ele acreditava ser mais uma das paranoias que tinha.

— Então, quanto tempo você acha que demora para ser gentil? — questionou Tronco, sem se importar realmente com a resposta.

— Não muito, contudo esse estilo não fica bom em você. Gosto mais do Tronco sendo Tronco. — Pequenos pulinhos de exaltação enfatizaram a afirmação da alteza.

Ele finalmente expressou seu interesse e teve que admirar a figura rosa ao seu lado esquerdo, notando o cabelo amarrado em um rabo de cavalo, que se assemelhava a um espanador, a tiara de flores azul claro, o vestido da mesma cor, a franja caindo dos dois lados da testa, as sardas brilhando como glitter, a totalidade de uma beleza encantadora para ele. Imaginou se seria correto ter o desejo de beijá-la, de massagear os fios rosados.

— Oh, Tronco, por que estava cantando sozinho?

Apanhou o olhar dela, parando de andar. Franziu a testa, sentindo-se incomodado, procurando por um escape, já que definitivamente não queria dizer.

Suspirou profundamente.

— Meus pais… Eu os vejo nos pesadelos. — Respondeu, mantendo o olhar fixo nela.

— Bem, você ficou com medo? — indagou.

— Não, claro que não, sei que isso é loucura. — As risadas disfarçaram as inseguranças da alma. — Imagina só eu? Somos trolls, cantamos, dançamos, somos felizes, na maior parte. — Corrigiu-se, lembrando-se de quando recuperou as cores. — Igual você, tão feliz que não sente mais medo.

A expressão de admiração desapareceu da face de Poppy; um olhar vazio se fez presente.

— Na verdade, eu tenho…

Quisera completar a frase, mas a voz de Bitelo a interrompeu. Ambos desviaram a atenção para o grupo de amigos e depois para o verme usado como lamparina.

— Ei, ficamos preocupados, pensávamos que alguma fera terrível havia devorado vocês. — Falou o troll gordinho e azul.

— Do que falavam? — perguntou Guy Diamante.

Ambos se entreolharam por breves segundos.

— Nada, realmente nada. — afirmou Tronco.

Nina sorriu com malícia, pois escutara o final da conversa.

— Problemas com papai e mamãe. — informou o serzinho amarelo.

— Tenho sorte, nunca tive esse tipo de problema com meus pais. — Começou o troll de glitter. — Talvez porque minha mãe fugiu com o músico de “jazz”, sei lá. — completou.

— Não estamos falando de você, Diamante — iniciou Cetim, a irmã balançando a cabeça concordando. — O Tronco que precisa de ajuda.

— Não preciso. — Interrompeu, fazendo um gesto com as mãos.

— Sabe do que mais? Um músico pode ajudar. — Proferiu animada Chenille.

— Uma mudança de roupa também. — Articulou Cetim novamente. — Vamos lá, tire esses trapos velhos.

— O quê?! Aqui, agora?! — Exaltou Tronco, as bochechas transformando-se em um roxo escuro.

Ambas se aproximaram com o intuito de remover o colete de folhas e a calça.

— É sempre que digo: viva pelado e seja feliz. — Guy Diamante sacudiu o bumbum, expelindo glitter em Tronco.

— Pessoal, estou bem, juro. — Recuou, o pavor lhe tomando o ser. — Poppy, me ajuda.

— Não olhe para mim. Sou apenas a rainha. — Declarou rindo.

— Ei, pessoal… O que é aquilo? — Apontou para um ponto; no instante em que todos olharam, ele fugiu dali.

***

No amanhecer, o Snack Pack cantava animadamente enquanto caminhavam pela floresta. Apenas Tronco mantinha-se em silêncio. Durante a trilha, cruzaram um riacho para abastecer os cantis. Foi nesse momento que o líder troll ergueu a mão, sinalizando que todos parassem. Suas orelhas se moveram levemente ao captar um som estranho. Seu olhar vagou atento entre as árvores imensas e os arbustos coloridos ao redor.

De repente, uma flecha cortou o ar em direção a Poppy. Por instinto, Tronco a empurrou para o lado, rolando com ela em uma cambalhota. Acabou por cima de seu pequeno corpo rosa, protegendo-a.

Seu semblante permanecia concentrado, atento às feições dela, buscando qualquer sinal de ferimento. Poppy, no entanto, lhe deu um sorriso calmo, dissolvendo o temor que pesava sobre ele.

— Obrigada — declarou a rainha, com doçura.

Tronco imitou o sorriso, aliviado, e logo saiu da posição. Voltou a atenção aos arredores, em alerta, pronto para proteger os amigos. Teria reagido rapidamente se fosse apenas uma criatura, mas cerca de dez figuras misteriosas surgiram das sombras da floresta, mobilizando o grupo. Cada troll foi agarrado pelos antebraços. Tronco tentou reagir, furioso, mas a voz grave de um deles, o mais alto, o impediu de agir.

As criaturas tinham os corpos cobertos por folhas, musgo e cascas de árvore, o que tornava impossível distinguir suas peles. O rosto de uma delas parecia irreconhecível, olhos enormes e chifres curvos lhe causaram um calafrio na espinha.

De soslaio, Tronco viu Poppy à sua direita e, instintivamente, se colocou na frente dela.

— Deixem eles irem — disse Tronco com raiva na voz, mas mantendo o controle. Não se permitia agir com emoção. Nada podia obscurecer seu julgamento naquele momento.

O estranho girou a cabeça em direção à figura rosa, depois para Tronco, e por fim observou os outros trolls. Fechando o punho, deu um sinal. No mesmo instante, os captores soltaram o grupo. Logo em seguida, o misterioso ser voltou a encarar Tronco, levando lentamente as mãos às têmporas. O movimento assustou o troll verde, que adotou uma postura defensiva. Porém, o que veio a seguir foi surpreendente: a criatura retirou uma máscara.

Revelou ser um troll. Como ele.

— O quê?! — exclamaram Tronco e Poppy, em uníssono.

Os demais encapuzados repetiram o gesto, revelando suas verdadeiras identidades.

— Trolls da Melodia, reagrupar! — gritou o troll líder, segurando a máscara sob o braço.

Tronco e Poppy se entreolharam, ainda confusos e cheios de perguntas. Antes que pudessem reagir, Poppy, impulsiva como sempre, abriu a boca, mas não foi para questionar.

— Isso foi incrível!

O troll de pele verde escura e cabelo igualmente escuro a encarou com uma mistura de curiosidade e desconfiança.

— Quer dizer... você é um troll, como nós! E... existem outros! Isso é uma descoberta fabulosa! — Poppy exclamou, sem perceber que falava alto demais. Os amigos a olharam com espanto.

O coração de Tronco apertou ao perceber a ingenuidade . Por um segundo, pensou em repreendê-la, mas a animação dela o desarmou, como sempre fazia. O restante do Snack Pack, já liberto, se juntou a eles.

— Ofereceria um convite formal ao seu grupo — disse o troll desconhecido, com voz firme e profunda — mas como podem ver, estamos ocupados.

A voz dele causou um calor inesperado em Cetim e Chenille, que fixaram o olhar sonhador no rosto bem esculpido do estranho.

— Ocupados com o quê, exatamente? — perguntou Poppy, se colocando à frente das irmãs gêmeas, mantendo um sorriso gentil. — Senhor...?

— Strong. — Ele girou nos calcanhares, demonstrando vontade de se afastar.

— Muito prazer, eu sou a rainha Poppy. Esses são meus amigos. É uma honra conhecê-lo — disse, parando na frente dele mais uma vez. Ficou nas pontas dos pés para se aproximar do rosto dele, já que era bem mais baixo. — Estamos à procura de uma troll de cabelos flamejantes. O nome dela é Storm. Por acaso a viu? Ela roubou nossos instrumentos musicais. Partimos em uma jornada para recuperá-los...

Alarmado, Tronco a interrompeu, pressionando suavemente a palma da mão sobre os lábios dela. Olhou para Strong, sem saber como justificar.

— Desculpe... ela está delirando — murmurou, puxando Poppy para longe dali.

Afastou-se até uma distância razoável, enquanto os demais trolls conversavam com Strong. Só então soltou a boca dela, que arfava, tentando recuperar o fôlego.

— Que ideia é essa?! — irritou-se Poppy.

— Diga você! Está confiando em um completo estranho! — Tronco levou as mãos ao ar, exasperado.

— Strong não é um estranho é um desconhecido — retrucou, cruzando os braços.

— Ótimo! Acabou de conhecê-lo! Sabe ao menos o que ele faz por aí, fantasiado, com um exército de trolls?

— Por isso mesmo vamos perguntar! Talvez ele nos ajude.

— Por favor... podemos nos virar sozinhos. — Tronco revirou os olhos.

— Como disse há uma hora, antes do Bitelo quase cair num penhasco? — Poppy arqueou uma sobrancelha, provocando.

— Não foi minha culpa ele ter ido atrás do Sr. Dinkles depois que ele saiu rolando igual uma bola! — rebateu, cruzando os braços e fechando os olhos.

Ela suspirou fundo, depois segurou a mão de Tronco com carinho, forçando-o a olhar direto em seus olhos rosas. A teimosia dele aumentava, mas ela conhecia seus pontos fracos.

Tronco reconheceu a estratégia. Aqueles olhos grandes e brilhantes, o biquinho adorável... era impossível resistir. Parecia um filhote pedindo carinho.

— Por favor... — implorou ela, com a voz doce.

Tronco inspirou o perfume de morango e melancia dela. Suas defesas se desfizeram pouco a pouco. Poppy era sua queda.

— Certo. Mas se algo der errado, é sua culpa — cedeu ele, afastando a mão dela com cuidado, sentindo um leve formigamento na palma.

Notas finais
Strong — Forte em inglês. Snack Pack — É o nome em inglês dado para o grupo da Poppy que consiste em Bitelo, Chenille, Cetim, Nina, Dj Suki, Guy Diamante, Cooper, Franja, Creek e adicionado Tronco. É engraçado porque o significado é pacote de lanches.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.