11 Cores em uma
4 Roxo
Notas iniciais
Através de uma das janelas de um majestoso palácio, o troll conhecido como Orchid mantinha o olhar vago para o pátio, observando seus soldados carregarem diversos instrumentos musicais com a intenção de derretê-los para a construção de uma arma.
Girou nos calcanhares, dirigindo-se até o antigo trono do pai. A túnica branca que compunha sua aparência arrastava-se a cada passo lento e preciso. De soslaio, percebeu o olhar atento da avó. Um sorriso desafiador surgiu em seus lábios.
Diante do assento real, passou o dedo de metal pelos detalhes do apoio de braço. Não conseguia sentir o tecido como gostaria; há anos, suas mãos haviam sido substituídas por engenhocas mecânicas, capazes de reproduzir os movimentos das articulações.
Andou em volta do sólio, o braço direito desenhando círculos no encosto recoberto de ouro refinado e ornamentado. Com a ponta afiada do dedo anelar, traçou uma linha reta, rasgando o estofo com painéis incrustados de marfim.
— Lembro-me como se fosse ontem... Meu pai sentava nesse trono e dizia que a maior virtude de um líder era tratar o povo igualmente — começou, com a voz suave, como se concentrasse apenas nas palavras, ignorando as lembranças que martelavam sua mente. — A maior tolice foi ele acreditar nisso! — exclamou por fim, virando o rosto na direção da avó, incapaz de encarar o assento.
Amargura. Foi isso que atravessou o coração da senhora. Jamais imaginara que o neto destruiria o próprio reino para provar os erros dos pais.
No momento em que recobrou a consciência, ergueu a cabeça e tentou confrontar a criatura irracional em que ele havia se tornado. No entanto, a gargalhada sarcástica dele sugeriu desprezo. Ainda assim, ela persistiu em encará-lo, buscando em seus olhos rubros qualquer sinal de arrependimento.
— Se continuar, traçará um caminho sem volta, jovem Orchid — afirmou. Suspirou, fechando as pálpebras cansadas, obrigada a estar ali, pois seus dons de cura seriam necessários para ele.
Ela compreendia. O passado o atormentava a todo instante. Superar era necessário, mas nada arrancaria de sua mente o desapontamento dos pais. Queriam um filho perfeito, uma coroa plantada sobre sua cabeça. Quando finalmente fizera a vontade deles, foi exilado. Agora, provaria que estavam errados.
— Meu passado é responsável por quem sou hoje — respondeu após um breve silêncio, girando nos calcanhares e ficando de costas.
— Você é inteiramente culpado por tudo que faz, seja no presente ou no passado. Toda causa leva a uma consequência — afirmou a anciã, olhando por cima dos ombros do neto.
— Claro... Mas vejamos — disse, voltando o rosto pálido para ela e sorrindo com escárnio —, não há ninguém que possa me deter. Logo, sem consequências para mim — riu, tirando da manga uma adaga vermelha, que manuseava distraidamente, mantendo a postura de superioridade.
— Tem certeza? — questionou a idosa, os lábios formando um sorriso desafiador.
Orchid abriu a boca para responder, mas foi interrompido. Sua atenção se voltou para a única soldada, líder do exército, que se aproximava.
— Majestade, temos um problema — murmurou a criaturinha, fazendo meia reverência ao lembrar-se de que precisava ser mais delicada. — Encontrei um troll.
— E qual a importância disso, Storm? — perguntou, aparentando despreocupação enquanto se dirigia ao altar.
— O cabelo é azul, alteza — respondeu ela. Os olhos vermelhos intensos miravam a expressão do príncipe.
Orchid fixou o olhar nela, com um certo espanto estranho. Depois, começou a andar devagar, guardando a adaga na manga da túnica. Olhou diretamente para Storm, que recuou dois passos.
— Continue — ordenou após um momento de reflexão.
Respirando profundamente, ela falou:
— Um dia atrás, durante a busca por mais instrumentos musicais, fui atacada por aranhas. Esse troll, que se chama Tronco, me salvou. Notei em suas características físicas traços do filho de Primrose: os olhos, o nariz, a pele e o cabelo de cor única.
Orchid lançou um olhar para Storm e piscou levemente. Apesar de toda a sua perturbação, ao ouvir aquilo, não conseguiu evitar odiá-la pelas palavras que dizia, acreditando serem pura falácia. Contemplou-a com perplexidade.
— Ele está morto? — indagou, dando um passo à frente.
A súdita, ao ouvir a pergunta, ergueu os olhos, mas ficou ainda mais embaraçada. Cada sílaba dita por Orchid era carregada de exatidão e intensidade, enviando-lhe uma corrente elétrica imprevisível.
— Não — exclamou num sussurro curto.
De soslaio, o herdeiro viu o rosto da avó iluminar-se, considerando a possibilidade de verdade na fala da troll.
Orchid controlava suas emoções com maestria. Sempre com postura confiante e ameaçadora, era um tipo de monstro contido. De todas as surpresas, aquela tinha o potencial de arruinar seus planos.
— Encontre o troll e o mate. Ou melhor, traga-o até mim — ordenou, lançando um último olhar a Storm antes de caminhar até o trono. Sua túnica branca arrastava-se pelo chão de mármore. — Eu o matarei com as minhas próprias mãos — acrescentou, erguendo a mão metálica na altura dos olhos vermelhos e fechando o punho com força.
Assim que as palavras foram proferidas, Storm curvou-se e deixou sua presença. Tinha grande admiração pelo príncipe e estava pronta para se sacrificar por aquilo que julgasse o bem. Recordava-se de quando matara Primrose em nome dele, apenas para provar seu valor.
Depois que Storm os deixou a sós, o jovem príncipe encarou a avó. Em sua mente, reviu o olhar da mãe. Um sorriso confiante moldou sua fisionomia inabalável. A anciã fez o mesmo, causando-lhe certa instabilidade. Desviou o olhar para a janela à frente. De longe, viu os soldados continuando o trabalho. Guardou a adaga de prata na manga da túnica e, após um suspiro, mergulhou nos próprios pensamentos.
***
As estrelas reluziam acompanhadas da lua cheia. A luz resplandecente impedia qualquer predador de atacar o Snack Pack, que dormia em tendas feitas de enormes folhas.
Em uma delas, Poppy abriu os olhos ao ver a sombra de Tronco do lado de fora. Ela apoiou o cotovelo esquerdo sobre o colchão rosa, agarrou a lamparina à sua frente e a ergueu na altura dos olhos. Ao perceber a fisionomia dele desaparecer, decidiu investigar. Sentou-se por breves segundos, limpando o rosto com as duas palmas, como se o gesto a despertasse.
Ao sair da barraca, assustou-se: o ronco de Bitelo assemelhava-se ao de um monstro com dor de barriga. Riu ligeiramente ao ter tal pensamento. Contou até três e prosseguiu.
Os pés descalços tocando a terra traziam uma sensação familiar, e o cheiro da brisa suave a fez fechar os olhos. Acordou do transe ao bater a testa em um tronco de árvore, derrubando a lamparina, que apagou em seguida. Levou os dedos à testa, pressionando e fazendo pequenos círculos. O desconforto e a dor deram lugar à surpresa: escutou a voz de Tronco a poucos metros. Mordeu o lábio inferior. Seria errado espioná-lo? Talvez.
Vislumbrou cuidadosamente por trás da árvore. Ele parecia transmitir uma aura cintilante por meio da voz suave e melodiosa, capaz de fazê-la sorrir. Não sabia o que o levara até ali, mas estranhamente considerou perguntar, até perceber seu semblante melancólico. A cor diminuía lentamente, quase opaca. Ela suspirou profundamente, inconsciente de que o troll poderia vê-la.
Vislumbrou cuidadosamente por trás da árvore. O amigo parecia transmitir uma aura cintilante, e sua voz agradável entoava uma canção lenta e melodiosa, capaz de fazê-la sorrir. Não sabia o que o levava a estar naquele local, mas Poppy, estranhamente, considerou perguntar, até perceber seu semblante completamente melancólico, a cor diminuindo lentamente, em um tom quase opaco. Ela suspirou profundamente, inconsciente de que o troll poderia vê-la.
Desse modo, era possível comprovar que algo o perturbava. Em um gesto simples e calmo, surgiu nos olhos azuis-turquesa de Tronco um brilho diferente. Ela o chamou, e ele ergueu o olhar.
— Poppy? O que faz aqui?
Seus olhos se concentraram nela, interrompendo a música que cantava. A princesa sorriu sem jeito, segurava a própria mão rente ao estômago, incomodada por sua intromissão. Poucas vezes ficava em tal situação. Mudou a fisionomia e começou a falar:
— A questão é: o que o melhor troll sarcástico e preparado faz aqui sozinho no meio da floresta? Se quer companhia, aqui estou. — Ela sorriu, mostrando as duas fileiras de dentes brancos e deu um soquinho em seu ombro.
— Não, obrigado. — Ele riu, desviando do toque dela. — O silêncio é uma dádiva difícil de encontrar, principalmente quando seus amigos cantam o dia todo. — Acrescentou com sarcasmo.
— Nossos amigos, Tronco. — Interveio, levantando o dedo indicador. — Além do mais, você estava cantando até agora pouco.
— Estava me espionando? — Indagou, voltando a olhar em seus olhos, desconfiado.
Presa na confissão que fizera, a troll rosa permaneceu por breves segundos sem demonstrar reação.
— O correto é observar. — Disse, cruzando os braços, fechando as pálpebras, com a cabeça virada para o lado oposto do rosto dele, em uma postura indiferente.
— Certo, só me deixe em paz.
Estranhando o tom de voz baixo, embora as palavras continuassem inteligíveis, em um momento percebeu a tristeza.
Na ocasião em que Tronco sentou-se em uma pedra, fixando a atenção nos próprios dedos, uma ideia reluziu na mente de Poppy. Sorrindo amplamente, aproximou-se dele.
“Não se preocupe, estou aqui, uma amiga…”
— Sério, você tem que cantar? — Ele se irritou, embora amasse a voz dela, considerava desnecessário nas circunstâncias.
— Estou tentando ser gentil. Você deveria tentar. Só três palavrinhas.
— Oh, certo, jura? Talvez eu devesse ser mais gentil, não reclamar de tudo. Posso aprender até amanhã. — Respondeu com sarcasmo.
— Que ótimo, viu? Não é difícil. Embora eu acredite que possa demorar um pouco, não é como se você nascesse sendo gentil; eu sou assim desde meus vinte e um anos.
Uma espécie de horror incrédulo pelo fato de a majestade não captar sua ironia moldou o aspecto de Tronco, e, ainda que quisesse ficar irritado, um mínimo sorriso imperceptível se fez presente.
Supondo que, de algum modo, fosse possível deixá-la sem palavras , deu alguns passos para regressar ao acampamento. Ela o seguiu entusiasmada. Por um minuto, o troll masculino substituiu o pesadelo anterior pela alegria de Poppy, lembrando-se de quando seus pais o trocavam por um instrumento musical, jogando-o fora como uma fralda suja. A hipótese de ser real trouxe medo, mas agora ele acreditava ser mais uma das paranoias que tinha.
— Então, quanto tempo você acha que demora para ser gentil? — questionou Tronco, sem se importar realmente com a resposta.
— Não muito, contudo esse estilo não fica bom em você. Gosto mais do Tronco sendo Tronco. — Pequenos pulinhos de exaltação enfatizaram a afirmação da alteza.
Ele finalmente expressou seu interesse e teve que admirar a figura rosa ao seu lado esquerdo, notando o cabelo amarrado em um rabo de cavalo, que se assemelhava a um espanador, a tiara de flores azul claro, o vestido da mesma cor, a franja caindo dos dois lados da testa, as sardas brilhando como glitter, a totalidade de uma beleza encantadora para ele. Imaginou se seria correto ter o desejo de beijá-la, de massagear os fios rosados.
— Oh, Tronco, por que estava cantando sozinho?
Apanhou o olhar dela, parando de andar. Franziu a testa, sentindo-se incomodado, procurando por um escape, já que definitivamente não queria dizer.
Suspirou profundamente.
— Meus pais… Eu os vejo nos pesadelos. — Respondeu, mantendo o olhar fixo nela.
— Bem, você ficou com medo? — indagou.
— Não, claro que não, sei que isso é loucura. — As risadas disfarçaram as inseguranças da alma. — Imagina só eu? Somos trolls, cantamos, dançamos, somos felizes, na maior parte. — Corrigiu-se, lembrando-se de quando recuperou as cores. — Igual você, tão feliz que não sente mais medo.
A expressão de admiração desapareceu da face de Poppy; um olhar vazio se fez presente.
— Na verdade, eu tenho…
Quisera completar a frase, mas a voz de Bitelo a interrompeu. Ambos desviaram a atenção para o grupo de amigos e depois para o verme usado como lamparina.
— Ei, ficamos preocupados, pensávamos que alguma fera terrível havia devorado vocês. — Falou o troll gordinho e azul.
— Do que falavam? — perguntou Guy Diamante.
Ambos se entreolharam por breves segundos.
— Nada, realmente nada. — afirmou Tronco.
Nina sorriu com malícia, pois escutara o final da conversa.
— Problemas com papai e mamãe. — informou o serzinho amarelo.
— Tenho sorte, nunca tive esse tipo de problema com meus pais. — Começou o troll de glitter. — Talvez porque minha mãe fugiu com o músico de “jazz”, sei lá. — completou.
— Não estamos falando de você, Diamante — iniciou Cetim, a irmã balançando a cabeça concordando. — O Tronco que precisa de ajuda.
— Não preciso. — Interrompeu, fazendo um gesto com as mãos.
— Sabe do que mais? Um músico pode ajudar. — Proferiu animada Chenille.
— Uma mudança de roupa também. — Articulou Cetim novamente. — Vamos lá, tire esses trapos velhos.
— O quê?! Aqui, agora?! — Exaltou Tronco, as bochechas transformando-se em um roxo escuro.
Ambas se aproximaram com o intuito de remover o colete de folhas e a calça.
— É sempre que digo: viva pelado e seja feliz. — Guy Diamante sacudiu o bumbum, expelindo glitter em Tronco.
— Pessoal, estou bem, juro. — Recuou, o pavor lhe tomando o ser. — Poppy, me ajuda.
— Não olhe para mim. Sou apenas a rainha. — Declarou rindo.
— Ei, pessoal… O que é aquilo? — Apontou para um ponto; no instante em que todos olharam, ele fugiu dali.
***
No amanhecer, o Snack Pack cantava animadamente enquanto caminhavam pela floresta. Apenas Tronco mantinha-se em silêncio. Durante a trilha, cruzaram um riacho para abastecer os cantis. Foi nesse momento que o líder troll ergueu a mão, sinalizando que todos parassem. Suas orelhas se moveram levemente ao captar um som estranho. Seu olhar vagou atento entre as árvores imensas e os arbustos coloridos ao redor.
De repente, uma flecha cortou o ar em direção a Poppy. Por instinto, Tronco a empurrou para o lado, rolando com ela em uma cambalhota. Acabou por cima de seu pequeno corpo rosa, protegendo-a.
Seu semblante permanecia concentrado, atento às feições dela, buscando qualquer sinal de ferimento. Poppy, no entanto, lhe deu um sorriso calmo, dissolvendo o temor que pesava sobre ele.
— Obrigada — declarou a rainha, com doçura.
Tronco imitou o sorriso, aliviado, e logo saiu da posição. Voltou a atenção aos arredores, em alerta, pronto para proteger os amigos. Teria reagido rapidamente se fosse apenas uma criatura, mas cerca de dez figuras misteriosas surgiram das sombras da floresta, mobilizando o grupo. Cada troll foi agarrado pelos antebraços. Tronco tentou reagir, furioso, mas a voz grave de um deles, o mais alto, o impediu de agir.
As criaturas tinham os corpos cobertos por folhas, musgo e cascas de árvore, o que tornava impossível distinguir suas peles. O rosto de uma delas parecia irreconhecível, olhos enormes e chifres curvos lhe causaram um calafrio na espinha.
De soslaio, Tronco viu Poppy à sua direita e, instintivamente, se colocou na frente dela.
— Deixem eles irem — disse Tronco com raiva na voz, mas mantendo o controle. Não se permitia agir com emoção. Nada podia obscurecer seu julgamento naquele momento.
O estranho girou a cabeça em direção à figura rosa, depois para Tronco, e por fim observou os outros trolls. Fechando o punho, deu um sinal. No mesmo instante, os captores soltaram o grupo. Logo em seguida, o misterioso ser voltou a encarar Tronco, levando lentamente as mãos às têmporas. O movimento assustou o troll verde, que adotou uma postura defensiva. Porém, o que veio a seguir foi surpreendente: a criatura retirou uma máscara.
Revelou ser um troll. Como ele.
— O quê?! — exclamaram Tronco e Poppy, em uníssono.
Os demais encapuzados repetiram o gesto, revelando suas verdadeiras identidades.
— Trolls da Melodia, reagrupar! — gritou o troll líder, segurando a máscara sob o braço.
Tronco e Poppy se entreolharam, ainda confusos e cheios de perguntas. Antes que pudessem reagir, Poppy, impulsiva como sempre, abriu a boca, mas não foi para questionar.
— Isso foi incrível!
O troll de pele verde escura e cabelo igualmente escuro a encarou com uma mistura de curiosidade e desconfiança.
— Quer dizer... você é um troll, como nós! E... existem outros! Isso é uma descoberta fabulosa! — Poppy exclamou, sem perceber que falava alto demais. Os amigos a olharam com espanto.
O coração de Tronco apertou ao perceber a ingenuidade . Por um segundo, pensou em repreendê-la, mas a animação dela o desarmou, como sempre fazia. O restante do Snack Pack, já liberto, se juntou a eles.
— Ofereceria um convite formal ao seu grupo — disse o troll desconhecido, com voz firme e profunda — mas como podem ver, estamos ocupados.
A voz dele causou um calor inesperado em Cetim e Chenille, que fixaram o olhar sonhador no rosto bem esculpido do estranho.
— Ocupados com o quê, exatamente? — perguntou Poppy, se colocando à frente das irmãs gêmeas, mantendo um sorriso gentil. — Senhor...?
— Strong. — Ele girou nos calcanhares, demonstrando vontade de se afastar.
— Muito prazer, eu sou a rainha Poppy. Esses são meus amigos. É uma honra conhecê-lo — disse, parando na frente dele mais uma vez. Ficou nas pontas dos pés para se aproximar do rosto dele, já que era bem mais baixo. — Estamos à procura de uma troll de cabelos flamejantes. O nome dela é Storm. Por acaso a viu? Ela roubou nossos instrumentos musicais. Partimos em uma jornada para recuperá-los...
Alarmado, Tronco a interrompeu, pressionando suavemente a palma da mão sobre os lábios dela. Olhou para Strong, sem saber como justificar.
— Desculpe... ela está delirando — murmurou, puxando Poppy para longe dali.
Afastou-se até uma distância razoável, enquanto os demais trolls conversavam com Strong. Só então soltou a boca dela, que arfava, tentando recuperar o fôlego.
— Que ideia é essa?! — irritou-se Poppy.
— Diga você! Está confiando em um completo estranho! — Tronco levou as mãos ao ar, exasperado.
— Strong não é um estranho é um desconhecido — retrucou, cruzando os braços.
— Ótimo! Acabou de conhecê-lo! Sabe ao menos o que ele faz por aí, fantasiado, com um exército de trolls?
— Por isso mesmo vamos perguntar! Talvez ele nos ajude.
— Por favor... podemos nos virar sozinhos. — Tronco revirou os olhos.
— Como disse há uma hora, antes do Bitelo quase cair num penhasco? — Poppy arqueou uma sobrancelha, provocando.
— Não foi minha culpa ele ter ido atrás do Sr. Dinkles depois que ele saiu rolando igual uma bola! — rebateu, cruzando os braços e fechando os olhos.
Ela suspirou fundo, depois segurou a mão de Tronco com carinho, forçando-o a olhar direto em seus olhos rosas. A teimosia dele aumentava, mas ela conhecia seus pontos fracos.
Tronco reconheceu a estratégia. Aqueles olhos grandes e brilhantes, o biquinho adorável... era impossível resistir. Parecia um filhote pedindo carinho.
— Por favor... — implorou ela, com a voz doce.
Tronco inspirou o perfume de morango e melancia dela. Suas defesas se desfizeram pouco a pouco. Poppy era sua queda.
— Certo. Mas se algo der errado, é sua culpa — cedeu ele, afastando a mão dela com cuidado, sentindo um leve formigamento na palma.
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