Notas iniciais
Espero que gostem e desculpa qualquer erro que possa ter passado. ♥

Jimin tinha uma teoria de que suas paixonites sempre morriam depois de ele dar pela primeira vez para quem quer que estivesse tirando seu sono à noite.

Ele ficou mais do que aliviado quando passou os dias seguintes ao sexo com o Yoongi extremamente pleno, sem nem pensar no fato de que eles não haviam se beijado quando Jimin saiu do carro. Sua teoria havia sido aplicada à realidade mais uma vez, e se antes ele se pegava imaginando como seria namorar Yoongi, agora ele se pegava imaginando como seria fazer sexo com seu chefe em uma banheira de hidromassagem. Tesão, pelo menos, era mais fácil de controlar que sentimentos; bastava uma boa foda para seus problemas acabarem.

No trabalho, Jimin já havia memorizado cada canto onde câmeras de segurança se escondiam, e sabia cada canto que era ponto cego das mesmas. Por isso que às vezes, perto da máquina de café, Jimin sabia exatamente em que ângulo podia pegar a bunda de Yoongi e aperta-la com vontade, fazendo seu chefe pular de susto e arregalar seus olhos pequenininhos. O secretário dava uma risada alta e voltava para sua mesa com um certo rebolado em seu andar, sabendo que seu querido chefe estava o assistindo com atenção enquanto dava um gole em seu café extraforte.

Com o passar dos dias, Yoongi também foi aprendendo os ângulos certos para escapar das câmeras de segurança, então Jimin às vezes precisava segurar o grito de susto quando sentia uma mão apertando sua bunda, talvez com um dedo escapando para uma área mais privada. Hoseok assistia às interações dos dois com suspeita em seu olhar, mas ambos davam uma risada sem graça e seguiam com suas vidas como se nada tivesse acontecido. Como se nada estivesse acontecendo.

Eles não conversaram sobre o que tinha acontecido, mas o clima não ficou pesado no dia seguinte. Trabalharam juntos, comunicaram-se, e realmente era como se tudo estivesse perfeitamente normal. Até que Jimin sentiu uma mão boba de seu chefe tentar excita-lo no caminho de volta para casa, e Yoongi só ficou satisfeito quando ouviu o homem mais novo gemendo seu nome e se desfazendo em sua mão, ainda usando todas as suas peças de roupa. O silêncio que ficou no carro depois de Jimin gozar não durou muito, e logo ambos começaram a rir juntos da situação.

“Eu te deixo tão excitado assim, é?” Yoongi murmurou contra a boca de Jimin, que só conseguiu assentir com a cabeça e morder o lábio inferior, impedindo-se de soltar um gemido. “Você ficou assim só porque eu te disse algumas sacanagens no ouvido na frente de todo mundo, Jimin? Você gosta quando eu falo o que eu quero fazer com você quando qualquer um pode ouvir?”

“Yoongi,” Jimin suspirou, mexendo seus quadris para aumentar a velocidade que o homem mais velho o masturbava, mas ele foi segurado contra a parede da cabine do banheiro, soltando um grunhido baixo. “Yoongi, por favor.”

“Por favor o que, Jimin?” Yoongi disse, abrindo um sorriso quando Jimin soltou um grunhido de frustração. “Pede direitinho, talvez eu te dê.”

“Vai mais rápido, por favor.” Assim que o pedido saiu da boca de Jimin, Yoongi aumentou a velocidade de seu punho, fazendo o homem soltar um gemido manhoso. “Isso, isso, não para.”

Durante o dia, a única opção que tinham era de ir para o banheiro aliviar qualquer tensão que tivessem. Era impressionante como ninguém suspeitava de nada, porque eles convenientemente sumiam juntos e voltavam juntos, fazendo um esforço mínimo para serem discretos. Obviamente que se ouviam qualquer barulho suspeito, paravam tudo que estavam fazendo na mesma hora até que decidissem que podiam terminar o que haviam começado.

Jimin não se preocupou em perguntar se a situação deles tinha um nome, porque ele sabia que ia ouvir o mesmo deixa acontecer que tinha ouvido antes dele e Yoongi terem transado. Na verdade, agora não ligava muito, só se interessava em saber se teria a oportunidade de chupar seu chefe antes de irem para casa. Jimin não conseguia colocar em palavras o quão feliz estava por saber que sua teoria da paixonite estava certa, queria muito poder contar para Hoseok o quanto antes de sua descoberta.

“Eu, você, almoço esse sábado.” Hoseok apontou na direção de Jimin com seus talheres, tentando parecer o mais ameaçador possível. Ao seu lado, Jungkook franziu o cenho com o que tinha acabado de ouvir, enquanto Jimin apenas riu. “Tem alguma coisa acontecendo, e eu quero detalhes. Mínimos detalhes.”

“Não sei se você vai querer detalhes quando eu começar a te contar o que aconteceu.” Jimin deu um gole em seu suco, e Jungkook engasgou na mesma hora. Hoseok estava tão focado em arrancar a verdade do amigo que nem ajudou o homem quando normalmente estaria surtando de preocupação. “Foi muita coisa.”

“Acredite em mim, eu já fiz coisas piores, não interessa o que você fez.” Hoseok arqueou uma sobrancelha. Jungkook soltou um hyung! indignado, mas foi ignorado por ambos. “Só nós dois, entendeu? Sem mais ninguém.”

Depois de todos terem ido embora, Jimin entrou na sala de Yoongi às pressas ao receber uma mensagem dizendo que ele precisava estar ali com urgência. Quando chegou, a persiana já estava fechada e Yoongi estava sentado em sua cadeira, as pernas abertas, e sua mão massageando o volume em sua calça lentamente. Jimin abriu um sorriso, andou até ele, ajoelhou-se e disse com uma voz suave que ele tomaria conta daquele probleminha. Yoongi segurou Jimin pelo queixo e o agradeceu com a voz rouca que o homem mais novo tanto gostava.

“Vocês o que?!” Hoseok disse com a voz alta, e Jimin balançou suas mãos em uma tentativa de fazê-lo ficar quieto. Estavam no meio de um restaurante falando de algo que podia custar a carreira de duas pessoas e mesmo que ninguém os conhecesse ali, era melhor não arriscar. “Isso tudo na sala dele?!”

“Sim!” Jimin disse, pela primeira vez parando para refletir sobre a situação. Ele não tinha checado para ver se tinha uma câmera na sala de Yoongi, não tinha checado para ver se o andar estava realmente vazio, se a porta estava trancada. Nada. Eles deram sorte de ter sido realmente muito tarde. “Puta que pariu, Hoseok, eu faria tudo de novo e ainda ficava de cabeça para baixo se ele me pedisse. Que piru, que homem, que gostoso do caralho, meu Deus do céu–”

“Então, vocês estão juntos ou algo do tipo?” Hoseok disse enquanto mastigava, e a pergunta fez com que Jimin fizesse uma careta. “Isso não pode significar coisa boa.”

“Hoseok hyung, meu querido amigo, eu me dei conta de algo muito importante depois de dar para esse ser humano chamado Min Yoongi.” Jimin cutucou sua comida, procurando um pedaço de carne para comer. Hoseok riu, mas não disse nada. “Eu tenho uma teoria de que eu sempre acho que estou apaixonado pelo cara até eu dar para ele. Depois que eu dou, eu reparo que era tesão o tempo todo.”

“Ah, fala sério.” Hoseok bufou, claramente debochando da teoria de Jimin. O homem o encarou incrédulo, sem acreditar na reação do amigo. “Você chorou duas vezes no banheiro por causa dele, a quem quer enganar? Tudo bem que agora você está apaixonado pelo pau dele, mas isso não quer dizer que você não gosta dele. Aliás, você não respondeu minha pergunta!”

“Ok, respondendo sua pergunta.” Jimin rolou os olhos e se lembrou daquele dia no carro, antes de transar com Yoongi. Ele respirou fundo, lembrando de como ficou um pouco decepcionado com a resposta que obteve, mas não deixou transparecer. “Antes da gente transar, eu perguntei o que estava acontecendo. Ele disse que não sabia, que era para deixar acontecer. Nós deixamos acontecer, e deu no que deu. E eu não quis perguntar de novo porque provavelmente receberia a mesma resposta, e eu não ligo mais. Sabe por quê? Porque era tesão o tempo todo, hyung.”

“Certo, Jimin.” Hoseok balançou a cabeça negativamente, mas não estava chateado de verdade com o amigo. “Continue mentindo para si mesmo e eu continuo fingindo que acredito em você, é assim que você quer? Olha, você me fez prometer que eu te daria uns sacodes se você chorasse no banheiro de novo. Sou um homem de palavra, Park Jimin.”

“E eu sou um homem que conhece os próprios sentimentos, Jung Hoseok.”

Era verdade, Jimin não pensava mais em Yoongi como um potencial namorado, um amante, ou o que quer que fosse. Agora ele era um homem que estava ao seu dispor quando ele precisasse de uma foda, como sempre havia sido, na verdade, só que ele nunca tinha reparado. Estava cego demais pensando em dar as mãos porque ainda não sabia como as mãos de Yoongi eram muito mais bonitas quando estavam segurando seu pau, masturbando-o na cabine apertada do banheiro do décimo primeiro andar.

“Jimin,” Yoongi disse com a voz firme, andando rápido em direção à mesa do homem assim que chegou ao andar. Seu humor não estava nada bom, a julgar pela carranca em seu rosto, e Jimin imediatamente ajeitou sua posta na cadeira. “O que eu te falei sobre os gráficos de venda? Que você precisava revê-los porque não estavam atualizados de acordo com as vendas dessa semana, não é mesmo?”

“E-eu fiz a revisão, o que–”

“Fez a revisão, mas cadê a droga do arquivo no pen-drive?” Yoongi jogou o pequeno objeto na mesa, fazendo um barulho alto, assustando Jimin e até mesmo atraindo a atenção de quem estava por perto. Hoseok encarava a cena de cenho franzido, nem ele mesmo entendendo o comportamento de Yoongi. “Eu acabei de subir para a sala de reuniões, fiquei na frente de todos os meus superiores com o gráfico errado, porque você cometeu um erro.”

“Certo, ok, desculpa.” Jimin disse de cenho franzido, ainda encarando seu chefe sem entender nada do que estava acontecendo. Yoongi tinha um motivo para ficar irritado, mas sua reação estava exagerada. Ele já havia cometido erros antes e não ficou daquele jeito, não entendia o que estava acontecendo. Com um suspiro, Jimin pegou o pen-drive que bateu em sua mesa e caiu no chão, procurando o arquivo revisado de vendas em seus documentos. “Você vai voltar lá?”

“Sim, e graças a esse erro vou me atrasar para a reunião de três e meia.” Yoongi grunhiu e passou uma mão no rosto, andou em círculos, tudo para tentar aliviar o estresse enquanto Jimin clicava em diversos ícones no computador. “Vê outro horário para mim.”

“Não tem como, se eu desmarcar nesse horário só poderia marcar de novo amanhã.” Jimin entregou o pen-drive na mão de Yoongi, que pegou o objeto com força. “E essa reunião é de emergência, então eu sugiro que você corra com seus superiores.”

Yoongi saiu do décimo primeiro andar correndo pela escada de incêndio, deixando todos para trás sem entender o que havia acontecido. Jimin estava irritado, puto, mas ficou quieto em seu canto. Ele conseguia sentir o olhar pesado de Hoseok o encarando, e até mesmo Jungkook o olhou quando passou em frente à sua mesa para pegar um café na máquina. Ficou quieto, fazendo seu trabalho, quase quebrando o teclado para descontar a raiva que estava sentindo naquele pobre documento que não havia feito nada de errado.

Como Jimin havia feito, aparentemente.

Ao final do dia, quando já tinha se esquecido parcialmente daquela briga desnecessária com Yoongi, Jimin começou a arrumar suas coisas para ir embora. Seria a primeira vez em muito tempo que voltaria para casa de metrô ao invés de pegar uma carona. Jungkook comemorou e falou que finalmente tinham recuperado o amigo das garras malignas de Yoongi, fazendo tanto Jimin quanto Hoseok darem uma risada.

Eles estavam esperando o elevador chegar conversando sem parar, rindo, atropelando as palavras um do outro e causando mais risada. Quando Jungkook havia começado uma história sobre Hoseok numa casa mal-assombrada, a porta se abriu e Yoongi saiu de dentro, sua expressão bem mais suave, porém bem mais cansada agora que todo o estresse havia passado. Todos os três homens que até dois segundos antes estavam perdendo o ar de tanto rir prenderam a respiração, esperando uma reação de Yoongi – talvez uma melhor do que a de mais cedo.

“Aonde você vai?” Yoongi perguntou olhando diretamente para Jimin, ignorando completamente a existência dos outros homens. “E a carona?”

“Dispenso, obrigado.” Jimin entrou no elevador, esbarrando seu ombro de propósito no de Yoongi. Jungkook estava assistindo a tudo com os olhos arregalados querendo dizer alguma coisa, mas sabia que se abrisse a boca seria pior. “Hoseok hyung, Jungkook, vamos?”

Hoseok e Jungkook se entreolharam e concordaram com a cabeça, despedindo-se brevemente de Yoongi com poucas palavras. O elevador estava completamente silencioso quando a porta se fechou, e apenas um suspiro alto de Jimin quando eles já estavam no metrô fez com o que o assunto renascesse entre eles.

“Acho que ele se deu conta de que fez merda.” Hoseok disse com uma sobrancelha arqueada, e Jungkook não pensou duas vezes antes de concordar. “Amanhã mesmo ele já pede desculpas, ele não arriscaria ficar uma semana sem falar com você de novo.”

“É melhor se desculpar mesmo, aquilo foi totalmente desnecessário.” Jimin franziu o cenho e encarou suas mãos postas sobre suas coxas. “Todo mundo ouviu, foi pior do que quando eu comecei a trabalhar lá. Não sei como não desabei na mesma hora.”

“Yoongi hyung é do tipo que magoa mais com o sarcasmo e palavras simples do que com gritos.” Jungkook deu de ombros, e depois de parar para pensar no que ele havia dito, Hoseok concordou. “Acho que agora você sabe disso.”

Jimin foi para a casa com a cabeça a mil naquela noite. Enquanto andava sozinho pelas ruas, ele tentava prestar atenção nos sons da cidade para se distrair, mas nem o som irritante de uma moto o conseguia tirar de seus pensamentos. Agora que tinha espaço aberto e Yoongi não estava tão próximo, Jimin começou a refletir sobre o acontecido. Ele não tinha pensado nisso na hora que aconteceu, mas agora ele se deu conta de como aquela ceninha ridícula podia comprometer seu emprego. Sabia como era por ali, naquele prédio, ou em qualquer empresa do mundo. Se alguém o quisesse demitido, esse alguém mexeria seus pauzinhos e faria acontecer, fosse mais cedo ou mais tarde.

Tentou afastar aqueles pensamentos. Talvez fosse só um chilique de Yoongi. Quando ele saiu do elevador, Jimin conseguiu ver que ele já estava bem mais calmo, ainda disposto a lhe dar uma carona mesmo depois de ter gritado com ele. Talvez ele já estivesse com um discurso pronto na ponta da língua para pedir perdão, talvez aquilo fosse algo mais pessoal do que profissional. Jimin não conseguia pensar em nada que tivesse feito de errado além da droga dos gráficos no pen-drive, mas achava que sim, poderia ser apenas estresse acumulado – ou uma bronca de seus superiores havia o deixado daquele jeito? De qualquer forma, Jimin ainda estava irritado com seu comportamento.

Min Yoongi [19:58]: desculpa

Jimin soltou uma risada debochada quando viu a mensagem em sua tela bloqueada, e por mais que não estivesse mais tão irritado assim, abriu o aplicativo apenas para mostrar que tinha lido e o fechou logo depois.

Taehyung o recebeu em casa com um entusiasmo diferente, jantar já pronto na mesa e passos de dança em seus pés. Jimin franziu o cenho e soltou uma risada sem entender o que estava acontecendo direito, mas aceitando a animação e, logicamente, a comida. Eles se sentaram e começaram a falar de seus dias como sempre falavam, contando de pequenos incidentes com seus colegas que o fizeram rir. Jimin travou em sua fala, pensando se deveria contar dos gritos de Yoongi ou não. Taehyung parecia tão feliz, não queria deixar o amigo irritado com algo que ele nem havia vivido.

“Tenho uma boa notícia!” Taehyung balançou suas sobrancelhas para cima e para baixo, batendo com seus talheres na mesa como se fossem baquetas. Jimin soltou uma risada e, com a mão, pediu para que o amigo continuasse. “Kim Taehyung, seu melhor amigo, foi promovido!”

“Tae!” Jimin abriu sua boca em um formato oval, arrancando uma risada de seu melhor amigo que balançava a cabeça positivamente, animado com tudo que estava acontecendo. “Isso é incrível! Você vai continuar no sexto, ou vai subir?”

“Park Jimin, meu anjinho com belas bochechas, eu nunca mais vou colocar os pés no sexto andar daquele prédio!” Taehyung disse com a voz alta, batendo com seus talheres na mesa depois, ainda simulando baquetas. “Infelizmente, não cheguei ao seu nível de diretoria. Vou ficar no nono andar e vou começar a trabalhar mais cedo que nem você, o que me diz?”

“Finalmente vou ter sua companhia de novo pelas manhãs.” Jimin pegou um pedaço de carne e colocou na boca, fazendo Taehyung soltar um som de adoração graças ao comentário do amigo. “É solitário demais ir sem você.”

“Você já faz isso há meses, já deve estar acostumado.” Taehyung deu de ombros, pegando um pedaço de carne de seu prato também. “Mas é verdade, não tem nada nesse mundo melhor que minha companhia, não é mesmo?”

Jimin estava tão empolgado pelo seu amigo que se esqueceu completamente da mensagem que tinha ignorado, de todo o incidente com Yoongi no dia. Aquilo só servia para ele como mais confirmação do que ele já estava achando antes – Yoongi era só tesão, não era sentimento. Jimin abriu um sorriso enquanto pensava nisso sozinho, contente por não ter cometido o erro de realmente gostar de seu chefe, de nutrir sentimentos por uma pessoa tão inalcançável emocionalmente.

No dia seguinte, Jimin encontrou Seokjin e Namjoon no metrô a caminho do trabalho, e eles três tiveram uma conversa agradável sobre a vida num geral, tomando cuidando para não tocar no assunto relação entre funcionários que era extremamente delicado quando se tratava do décimo primeiro andar. Jimin não cansaria nunca de dizer como aqueles dois homens eram pessoas agradáveis de se ter por perto, e ele se perguntava o que precisava fazer para ter chefes tão bons, que não gritavam com seus subordinados por coisas idiotas do tipo não ter colocado gráficos atualizados em um pen-drive.

Sentou-se na sua cadeira após desejar um bom dia à Hoseok, como sempre fazia, e ligou seu computador. Pegou seu celular, checou se havia algum e-mail novo ou se alguém havia o ligado, e quando a tela inicial finalmente apareceu, Yoongi entrou no escritório com a mesma carranca do dia anterior. Jimin não viu, mas o foco do homem era ele, então quando ouviu seu nome ser chamado por uma voz grossa com um tom nada agradável, ele levantou sua cabeça para dar o mínimo de atenção para seu chefe.

“Quero você na minha sala agora.” Yoongi disse com a voz firme como tinha feito ontem, mas bem menos irritada. Jimin abriu a boca para contestar e dizer que tinha trabalho a fazer, mas Yoongi foi mais rápido. “Eu disse agora. Qualquer coisa que você tenha para fazer, deixe para depois.”

“E se eu tiver que colocar alguns gráficos em um pen-drive, eu deixo para depois também?” Jimin perguntou arqueando uma sobrancelha.

“Park Jimin, eu não estou brincando.” Yoongi apontou para sua sala com a cabeça, começando a andar em direção à porta. “Agora.”

Dizer que o clima estava pesado ali era desnecessário. Eles estavam isolados do lado de fora do andar, mas mantinham uma distância segura um do outro. Yoongi se jogou em sua cadeira, passou as mãos pelo rosto e soltou um suspiro alto, quase um grunhido, olhando fixamente para o teto. Jimin estava de braços cruzados no canto perto da porta, pronto para sair dali assim que tivesse permissão. Não queria ficar no mesmo ambiente que Yoongi se ele fosse agir como um escroto com ele.

“Tranca a porta, chega mais perto.” Yoongi instruiu com a voz baixa, fazendo Jimin arquear uma sobrancelha, mas mesmo assim obedecê-lo. Devia estar prestes a ouvir uma desculpa melhor do que a merda da mensagem que havia recebido na noite anterior. “Me desculpa.”

“Seja mais específico, senhor Min.” Jimin cruzou os braços novamente, querendo mostrar o quão irritado estava com a situação.

“Não me chama assim, Jimin.” Yoongi murmurou e se levantou de sua cadeira, aproximando-se mais do homem mais novo, colocando suas mãos em seus bíceps e respirando fundo. “Desculpa ter gritado com você ontem. Eu estava irritado com uns problemas de casa e um dos meus superiores ainda me chamou a atenção, acabei descontando tudo em você. Por favor, me desculpa.”

“Tudo bem.” Jimin suspirou derrotado, e viu os olhos de Yoongi abrirem um pouco, deixando a surpresa com a resposta transparecer em seu rosto. “Só não faz mais isso, por favor. Não me incomodo se você estiver estressado e não quiser papo, mas não grita mais daquele jeito comigo. Nós somos amigos, certo? Quando estiver se sentindo mal, é só conversar comigo. Eu vou ouvir. Se eu cometer algum erro, fala comigo como se eu fosse gente. Aquilo foi humilhante.”

“Eu sei, eu sei, me desculpa.” Yoongi sussurrou e fechou os olhos, encostando sua testa na de Jimin. Ele não queria se render, não queria se entregar ao momento, mas acabou fazendo. Ele respirou fundo e sentiu a respiração quente de Yoongi bater em seu rosto, sua mão tocando sua bochecha de leve. “Fica até mais tarde hoje? Eu te dou uma carona para casa depois.”

À noite, muito depois do zelador ter ido embora e metade das luzes do décimo primeiro andar terem se apagado, Yoongi empurrou Jimin contra a parede gelada do banheiro e investiu nele, suas estocadas rápidas e fortes. O homem mais novo conseguia ouvir seus gemidos misturados ao de seu chefe ecoando pelas paredes, abrindo um sorriso de tão bem que se sentia. Avisou que estava perto de gozar, e com uma mão rápida, Yoongi o ajudou a atingir seu ápice em poucos segundos, cada um gemendo contra a boca do outro, pouco se importando se ali dentro fazia eco.

Yoongi continuou estressado durante mais alguns dias, Jimin conseguia reparar, mas era adorável como ele fazia um esforço para ser mais gentil com seu secretário, enquanto estava pouco se lixando para a entonação de suas palavras quando falava com outras pessoas. Hoseok reclamou e disse que Jimin era sortudo por ter conseguido a gentileza dele em meio ao caos que estava a vida de Yoongi naquela semana.

Como amigo, Jimin queria saber mais sobre o que estava acontecendo, mas não sabia se era melhor perguntar ou deixar que Yoongi se abrisse para ele. Era complicado, porque Yoongi raramente escolhia falar sobre o que estava sentindo mesmo com Seokjin – palavras de Hoseok –, então Jimin não sabia se ainda estava em posição de ser depositado toda essa confiança.

Foi uma semana lenta, complicada. Jimin se via acordando de manhã com menos vontade de ir trabalhar, e sabia exatamente qual era o motivo. Agora, por conta da convivência, se o humor de Yoongi não estivesse muito bom, era provável que o dele também não ficaria lá essas coisas. Jimin pensou em sua teoria, pensou em como seu humor variava de acordo com o de seu chefe, e tentou se convencer de que aquilo era realmente apenas convivência. Mais alguns dias e Yoongi ficaria bem, Jimin também ficaria bem, e eles voltariam à rotina deles de se pegarem quando e onde fosse possível.

“Bom dia, Yoongi hyung.” Jimin entrou na sala de seu chefe com alguns papéis em mão, olhando fixamente para as letrinhas miúdas que ele tinha acabado de imprimir. “Estão te chamando no sétimo andar imediatamente, e você tem uma reunião com representantes da Malásia às dez da manhã.”

“Obrigado, Jimin.” Yoongi disse com a voz suave, fazendo Jimin levantar a cabeça na mesma hora. O homem estava com um sorriso fraco no rosto, o primeiro que ele havia dado em mais de uma semana. “Mande uma mensagem caso precise de algo, ok? Eu vou resolver esse problema lá no sétimo andar.”

Assim que Yoongi entrou no elevador, Jimin correu para o banheiro e abriu uma torneira, molhando seu rosto com água gelada, respirando rápido e tentando se acalmar. Seu coração não tinha batido mais rápido, ele não tinha sentido seus joelhos ficarem fracos com o sorriso de Yoongi. Nada daquilo aconteceu, foi apenas o cansaço da manhã pregando uma peça com ele. Claro, o que mais seria? Nada, era isso. Ele só devia estar cansado, lembrava-se bem que tinha acordado uma porção de vezes durante a noite. Isso explicava tudo, não é?

Ele queria acreditar que sim.

Já era costume o zelador desejar uma boa noite a Jimin enquanto ele esperava seu chefe sair de uma reunião qualquer. Hoseok já tinha ido embora, Jungkook já havia se despedido, e até mesmo Namjoon fez uma brincadeira sobre Yoongi fazer Jimin trabalhar demais. Ele riu, mas se perguntou se ele havia feito aquela piada apenas para descontrair e fingir que não sabia da verdade, ou se fez porque realmente achava que Jimin ficava até altas horas da noite no décimo primeiro andar apenas trabalhando.

“Deixa eu cuidar de você, Jimin.”

Yoongi tinha uma habilidade incrível de fazer Jimin ficar excitado apenas com palavras, com pequenos gestos, com pouco. Ele ainda ficava maravilhado em ver seu chefe de joelhos bem na sua frente, chupando seu pau como se fosse a melhor coisa do mundo. Jimin acariciava seu cabelo, gemia, às vezes deixava que seus quadris ditassem o ritmo, e Yoongi sempre murmurava, aprovando o que quer que ele fizesse. Seus olhos ficavam fechados o tempo todo, mas não porque ele não queria ver Jimin, e sim porque ele aproveitava o momento, dando tudo de si.

“Abre a boca.” Jimin disse com a voz fraca, e na mesma hora Yoongi parou de chupa-lo e colocou a língua para fora, hipnotizado com o membro à sua frente. “Isso, desse jeito.”

Jimin não demorou muito a gozar, gemendo em curtos intervalos, sentindo a força de seu orgasmo atingindo cada membro de seu corpo. Ele passou uma mão no cabelo e perdeu a cena de Yoongi de olhos fechados, de boca aberta, pegando tudo que conseguia com sua língua. Quando o homem mais novo finalmente se acalmou, puxou Yoongi para cima pela gola de sua camisa e rapidamente desafivelou seu cinto, masturbando-o com velocidade para ele também atingir o ápice antes de eles irem para casa.

No carro, ninguém falava nada, mas não era ruim. Eles já estavam acostumados com o silêncio quando saíam do trabalho e nunca reclamaram. Só que a mente de Jimin não estava o deixando relaxar, pensando em muitas coisas que estavam acontecendo ao mesmo tempo. No entanto, ele focou em uma dessas coisas, algo que ainda não havia perguntado a Yoongi e achou que poderia ser uma boa sugestão para o deixar acontecer deles. Jimin via os prédios passando, via as pessoas andando, e não conseguia arranjar coragem para falar. Foi só quando reconheceu o lugar onde morava que ele respirou fundo.

“Eu tenho uma... sugestão.” Jimin disse medindo suas palavras, olhando para Yoongi para ver se devia continuar. “Não é que eu não gosto, eu adoro, mas acho que se a gente ficar com esse nosso lance só no escritório é meio ruim.”

“Nosso lance.” Yoongi deu uma risada fraca e olhou para o painel de seu carro, respirando fundo e depois voltando o olhar para Jimin. “Qual é sua sugestão?”

“Nós podíamos ir a um motel de vez em quando, sabe?” Jimin deu de ombros, de repente tímido demais com o que estava falando. “Uma cama macia, uma banheira de hidromassagem. É mais confortável que sua mesa, ou o banheiro lá do escritório.”

“Jimin,” Yoongi respirou fundo e olhou para frente, prestando atenção no sinal que estava fechado, mas não tinha nenhum carro além dele na rua. “Vamos deixar isso do jeito que está, tudo bem? No escritório mesmo. Eu não tenho tempo para ir a um motel, você sabe disso. Eu já falei, vamos deixar acontecer.”

Jimin olhou para a frente também, o mesmo sinal vermelho que Yoongi encarava para evitar seu olhar. Por dentro, ele estava rezando para não ter estragado o que quer que tivesse com Yoongi, por fora estava apenas tentando controlar sua respiração. Ele não se sentia nervoso assim havia semanas, bem antes dos toques deles voltarem. Por que aquela sensação desconfortável no peito estava voltando justo agora, quando ele menos esperava e menos queria que voltasse?

“Boa noite, Jimin.” Yoongi murmurou as palavras, e Jimin entendeu que aquela era sua deixa para sair do carro. Não tinha como contestar – era final, eles não tocariam na situação que tinham, ficaria do jeito que estava. “Até amanhã.”

Jimin saiu e bateu a porta do carro com força.

Ele havia se enganado sobre sua teoria.

Notas finais
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