11º Andar

12 Cozinha


Notas iniciais
Perdoem qualquer erro e boa leitura!

Para Jimin, nada era mais revigorante do que se sentar na cadeira de Yoongi depois de uma terça-feira estressante e receber um boquete digno de palmas.

Na verdade, nada era mais revigorante do que terminar um dia estressante com Yoongi, mas aquela situação específica o dava a falsa sensação de poder e ele gostava. Jimin tentava não deixar sua mente voltar para a conversa que teve com Seokjin na cobertura, preferindo ignorar as palavras que insistiam em ecoar em sua mente para dar atenção ao agora, ao que ele tinha certeza que poderia ter com Yoongi.

Jimin não queria ocupar sua cabeça pensando que era a primeira pessoa com quem Yoongi havia se relacionado depois de sabe-se lá quantos anos. Quer dizer, pelo menos uma pessoa que Seokjin conhecia. Todos sabiam que Yoongi era reservado e não contava muito de sua vida, quem podia garantir que ele não estava escondendo um caso com outra pessoa? Em outros tempos, Jimin tentaria ser mais positivo quanto àquela situação inteira, mas agora ele estava cada vez mais realista, sem se dar um pingo de esperança mesmo quando a vida havia lhe dado a oportunidade.

“Na época de faculdade eu vinha aqui toda hora, as garçonetes até já me conheciam.” Yoongi abriu um sorriso com a memória, olhando pelos quatro cantos do restaurante. Jimin olhava ao seu redor também, mas não sentia a mesma coisa que seu chefe. “Minha ex-namorada até tinha ciúmes de algumas delas, mas eram só moças legais que já sabiam quem eu era.”

A mesa ficou em silêncio logo depois, Jimin congelou em seu lugar com uma batata frita a meio caminho da boca. Yoongi nem reparou e continuou comendo, até falou animadamente com uma das garçonetes, provavelmente da época que ele visitava o lugar com frequência. Jimin não conseguia engolir nada sem dar um gole em seu refrigerante, sentindo como seu apetite tinha ido embora com a simples menção da ex de Yoongi.

Não que ele estivesse com ciúmes. Se o que Seokjin havia dito sobre eles nunca mais terem se falado era verdade, então Jimin não tinha com o que se preocupar. Ele só ficou um pouco chocado porque era a primeira vez que Yoongi mencionava alguém de seu passado desse jeito, ainda mais sendo a famosa ex-noiva que ele nunca tinha ouvido falar sobre até a semana anterior. Ele ainda estava desconfortável, comendo seu hambúrguer e suas batatas em uma velocidade mínima, e Yoongi finalmente reparou que tinha algo acontecendo.

“Você está bem?”

“É que,” Jimin limpou a garganta e deu um longo gole em seu refrigerante. Ele teria que pedir mais se continuasse naquele ritmo. “Eu nunca tinha ouvido você falar de uma ex-namorada, ou alguém específico do seu passado. Fiquei meio surpreso.”

“Ah,” Yoongi piscou os olhos algumas vezes e encarou sua comida, constrangido por não ter percebido antes sobre o que tinha falado. “É, eu nem pensei no que estava falando. Mas você sabe como é, esses relacionamentos de faculdade. Foi coisa da época, tipo as decepções amorosas da adolescência.”

Jimin sabia que havia sido muito mais do que apenas uma coisa da época, mas resolveu ficar quieto porque não era nem para ele saber daquela história toda.

Pela primeira vez em muito tempo, a vida de Jimin parecia ter dado uma pausa em todas as emoções que o fazia sentir. Todo dia era algo novo, Yoongi o trazendo uma sensação nova, e agora ele sentia como se tivesse caído em uma rotina. Ir ao trabalho, passar o dia provocando o chefe, transar, talvez sair para comer depois, ou ir direto para um restaurante sem transar – era confortável. Quando era mais jovem, Jimin nunca havia sido o maior fã de rotina, mas agora que estava mais velho, a ideia de viver algo diferente a cada dia já o deixava cansado.

Ele também estava gostando que, depois de sua conversa com Seokjin na cobertura, eles começaram a trocar mais ideias. Às vezes eles saíam para comer em restaurantes caríssimos que Jimin não tinha condições nem de dividir a conta, mas Seokjin fazia questão de pagar por tudo sempre. Devia ser bom ser podre de rico e dirigir um carro caro pela cidade, gastar milhares em comida, e mais milhares em roupas e acessórios caros. Jimin não gostava de sentir inveja, mas não conseguia evitar quando via a vida de luxo que seus mais novos amigos levavam.

“Ah, você se acostuma com o tempo.” Hoseok disse colocando mais vinho na taça de Jimin, deixando a garrafa de lado e colocando seus pés em cima da mesa de centro logo em seguida. “Às vezes essa vida que eles levam nem é boa, será que vale a pena nem conhecer sua própria casa direito de tanto que você viaja?”

“Vale a pena quando você tem uma televisão enorme na sua sala de estar.” Jimin apontou para o amigo, que apenas rolou os olhos e ligou a televisão tamanho médio que tinha em sua sala de estar. “Fala sério, eu vi a planta do apartamento do Yoongi online, você tem noção do tamanho daquela cozinha?”

“O Yoongi deve fritar ali, porque ele raramente tem tempo para cozinhar em casa.” Hoseok deu uma risada e parou em um canal de desenhos infantis. Jimin encarou e televisão de cenho franzido. “E o que você estava fazendo vendo a planta do apartamento dele online? Isso é esquisito para caramba, cara.”

“Ele pediu para eu tentar diminuir o preço do aluguel com o proprietário do apartamento, eu estava com tédio esperando a resposta e acabei dando uma olhadinha.” Jimin deu de ombros e se encolheu no sofá, colocando a taça de vinho bem em frente ao seu rosto para se esconder. “Nada demais.”

Já tinha virado rotina ir para a casa de Hoseok aos sábados para conversar e encher a cara, falando mal de cada pessoa do décimo primeiro andar, e talvez até de pessoas de outros setores. Desde que começou a saber os podres dos outros através de seu amigo, Jimin nunca mais conseguiu encarar a gerente de marketing da mesma forma, dando sorrisos nervosos em direção à mulher simpática só de se lembrar das coisas que ela já havia feito ali dentro. Às vezes Jungkook os acompanhava, mas na maioria das vezes ele escolhia sair de casa para malhar, porque não tinha muita paciência para ouvir as fofocas deles dois.

“As velhas ainda estão fofocando?” Jungkook disse com a voz alta, anunciando que havia chegado em casa. Hoseok colocou sua taça de vinho em cima da mesa e se levantou, caminhando em direção ao marido – Jimin finalmente havia descoberto o status de relacionamento deles – para o ajudar a se livrar das roupas que usava. “Oi, amor.”

“Nem vem com abraço para cima de mim, você vai tomar um banho agora.” Hoseok desviou dos braços de Jungkook e voltou para o sofá com pulinhos, deixando seu marido para trás com a expressão desgostosa. “Anda, vai logo. Nada de fazer carinha de cachorro abandonado para mim, eu te conheço há anos, Jeon Jungkook. Essas coisas não funcionam mais comigo.”

Jungkook se juntou a eles logo depois de sair do banho, sempre mantendo uma distância saudável de Hoseok, mas nunca longe demais. Era como eles sempre agiam quando tinha alguém por perto – dava para ver que alguma coisa acontecia entre eles, mas ninguém saberia dizer exatamente o que era. Por isso demorou tanto tempo para Jimin descobrir que eles eram literalmente casados. Não legalmente, porque isso ainda não era possível, mas eles montaram sua própria cerimônia e nunca tiravam suas pulseiras de prata, simbolizando sua união. Eram extremamente discretos e tentavam manter sua relação fora de locais públicos, porque eles já haviam sentido na pele como era ser julgado apenas por sua sexualidade, principalmente em ambiente de trabalho. Só que, com Yoongi, Namjoon e Seokjin era diferente porque eles podiam confiar naqueles homens.

Também não era à toa que Jimin se sentia tão bem trabalhando com eles.

Era libertador saber que ele não precisava esconder sua sexualidade de seus colegas de trabalho mais próximos, nem de seu chefe – ele com certeza não escondia sua sexualidade de Yoongi. Só que ele sabia que precisava se controlar ao redor de outras pessoas, porque nem todo mundo no andar recebia a ideia tão bem assim; se expandisse a aceitação para os outros andares e departamentos, Jimin nem queria saber como a reação para sua orientação sexual poderia ser.

“Impossível!”

“Jimin, você só pode estar mentindo!”

Jungkook deu uma risada alta enquanto Jimin estava escondendo seu rosto com uma almofada, sem saber exatamente por que estava com tanta vergonha. Hoseok continuava o cutucando, tentando arrancar a verdade dele a todo custo, mas Jimin ainda estava envergonhado e não conseguia olhar nos olhos de seus amigos. Ele nunca achou que discutiria sua vida sexual na sala de estar de seus colegas de trabalho, mas lá estava ele, constrangido, querendo ser abduzido por alienígenas que vieram de Plutão.

“Ok, eu admito!” Jimin tirou a almofada do rosto e gritou, encarando Hoseok e Jungkook, que agora se encontravam boquiabertos e se estapeando como se tivessem acabado de ouvir a fofoca que mudaria o mundo. “Eu e o Tae já transamos antes, mas nunca foi nada sério! Foram só algumas vezes, só que a gente nunca se gostou de verdade para ter um relacionamento!”

“Calúnia!” Jungkook apontou um dedo e fez Hoseok rir tanto que ele quase caiu do sofá. “Fala sério, nós já estamos mais para lá do que para cá por causa do vinho, você pode nos contar se já namorou o Taehyung ou não. Tipo, nem uma ficada mais séria? Exclusiva? Nada?

“Não, eu prometo, eu e Tae sempre fomos amigos e apenas isso.” Jimin disse com uma risada fraca, mas que logo se transformou em uma careta ao pensar na ideia de namorar seu melhor amigo. “A gente só transa quando fica um clima de carência estranho, ou quando estamos bêbados. Mas isso nunca interferiu em nossa amizade.”

“Eu também já achei que o Jungkook era só meu amigo.” Hoseok deu de ombros, e Jimin o olhou indignado. “Só estou dizendo! Antes de namorar, a pessoa que você ama deve ser sua amiga.”

Jimin pensou em Yoongi e em sua insistência para manter a amizade deles dois. Na mesma hora, sacudiu sua cabeça para se esquecer daquilo. Não queria pensar em Yoongi, queria focar no momento e em contar sobre sua vida sexual para seus amigos. Por mais estranho e desconfortável que fosse, preferia aquilo a pensar em certas pessoas.

O clima estava bem frio na cidade e o ano novo já havia passado há algum tempo. Jimin ainda se lembrava do verão, daquele dia no aniversário de Jungkook que tudo em sua vida começou a desandar – ele ainda não sabia se estava seguindo o caminho certo ou errado. Ele havia perdido totalmente a noção do tempo, mesmo com tantas coisas acontecendo. Hoseok choramingava pelos cantos dizendo que seu aniversário já estava se aproximando, que o frio fazia sua pele envelhecer ainda mais, e Jungkook sempre estava ao seu lado rolando os olhos e o dizendo que ele seria bonito de qualquer forma, com ou sem rugas. Jimin fingia que estava vomitando, mas nenhum deles ligava.

“Jimin, eu preciso te falar uma coisa que anda me incomodando.”

Yoongi disse com a voz séria, soltando um longo suspiro assim que terminou sua frase. Jimin, que antes encarava os prédios que passavam correndo do lado de fora, voltou a atenção para seu chefe de cenho franzido, querendo saber do que aquilo se tratava. Ele não se lembrava de ter feito nada de errado nos últimos dias ou semanas, então certamente não tinha ideia do que estava prestes a ouvir.

“Quando você quis me conhecer melhor, eu dei essa abertura e falei mais da minha vida.” Yoongi respirou fundo e parou em um sinal vermelho, encarando a luz como se ela fosse culpada de todas as coisas ruins do mundo. Jimin ainda estava bem confuso. “Eu até acabei falando de uma ex-namorada minha sem querer, mas falei! Isso faz parte da minha vida, e agora você sabe.”

“Certo.” Jimin franziu o cenho e viu o sinal ficar verde. Yoongi pisou no acelerador e saiu dali, como se dirigir fosse uma distração necessária naquele momento. “Você sabe que eu sou de Busan, sabe que eu moro com o Tae e–”

“Esse Tae é alguma coisa sua, Jimin?”

O carro ficou em silêncio. Jimin absorveu a pergunta, mastigou as palavras em seu cérebro por vários segundos, olhou para suas mãos e finalmente voltou a olhar para Yoongi. Aquilo era definitivamente um sentimento que ele já havia visto em seus antigos namorados antes.

“Meu melhor amigo.” Jimin respondeu com a voz baixa.

“Só isso?” Yoongi deu uma risada debochada. “Você mora com ele, foi para Jeju com ele e um casal, mas ele é só seu melhor amigo?”

“Acredite ou não, é verdade.” Jimin estava ficando mais irritado à medida que os segundos passavam, mas não deixariam mostrar. “Eu não saio metendo em qualquer homem gay que respira perto de mim, sou capaz de manter amizades.”

“Tudo bem, eu acredito em você.” Yoongi puxou o freio de mão com força quando eles pararam em mais um sinal, soltando outro suspiro pesado. “É só que–” Yoongi grunhiu e bateu a testa no volante, quase acionando a buzina. “Jimin, você nunca teve um namorado? Ficante? Paixonite? Qualquer coisa?”

“Óbvio que tive!”

“Então por que você não me conta deles?!”

“É esquisito contar dessas coisas para você!” Jimin disse com a voz um pouco alta demais, mas logo o carro caiu no silêncio. Yoongi encarava seu perfil e não viu quando o sinal abriu, mas uma buzina que vinha de trás deles o fez voltar a prestar atenção na rua. “Sei lá, é estranho. Eu nunca tive muitos namorados de qualquer forma.”

“Nenhum relacionamento sério?” Yoongi disse, dessa vez com a voz bem mais calma do que antes. Jimin fez uma careta. “Jimin! Nós somos amigos, amigos conversam e contam as coisas! O que você quer, que eu te chame para ir lá em casa para tomar vinho e falar mal dos outros que nem você faz com o Hoseok?”

“Ele te conta essas coisas?” Jimin encarou seu chefe sem esconder o desgosto expresso em seu rosto. Yoongi grunhiu. “Meu Deus do céu, ele é fofoqueiro demais!”

“Não é, porque se fosse, eu saberia muito mais de você.” Yoongi fez um biquinho – Min Yoongi fez um biquinho— e apertou o volante com mais força, murmurando um palavrão quando alguém o cortou no trânsito. “Agora, por favor–”

“Meu namoro mais sério foi um que durou cinco anos, desde que eu estava no ensino médio até a faculdade.” Jimin começou a falar com a voz dura, dando a Yoongi o que ele tanto queria. “Eu terminei porque ele me traiu com um colega meu, e desde então eu nunca tive nada tão sério ou duradouro. Nada que me marcasse muito. E mais recentemente eu quase comecei a namorar duas vezes. Feliz?”

“Recentemente?” Yoongi arqueou uma sobrancelha, deixando a curiosidade escapar de seus lábios. “Você já me conhecia?”

“Já.”

“Nós já–”

“Não, eu não seria capaz de fazer isso.” Jimin se apressou em negar, já sabendo o que Yoongi ia perguntar. Ele não seria capaz de sair com duas pessoas ao mesmo tempo, por mais que não tivesse nada sério com nenhuma das duas. “Eu sou fiel ao que quer que esteja acontecendo na minha vida.”

Yoongi não disse mais nada depois disso. Ele parecia satisfeito em saber mais alguma coisa da vida de Jimin, pelo menos. Quando finalmente pararam em frente ao primeiro destino deles, Yoongi se inclinou para frente e roubou aquele maldito selinho, como andava fazendo ultimamente quando tinha vontade. Jimin nunca iniciava o contato porque nunca sabia quando seu chefe ia querer aquilo. Ele apenas esperava, sempre torcendo para ganhar o toque singelo que carregava muitas emoções – pelo menos na visão de Jimin.

As coisas voltaram mais ao normal depois daquela conversa no carro, e Jimin se perguntava por que oitenta por cento das brigas deles precisava ser naquele espaço minúsculo. Hoseok ainda o convidava para ir à sua casa, Jungkook ainda reclamava dizendo que eles eram como duas velhas fofoqueiras, e Seokjin ainda o chamava para almoçar em restaurantes caros. Por incrível que pareça, Yoongi era o único que não o via fora do trabalho. Claro, eles saíam para comer às vezes depois do expediente, mas eles nunca marcavam de se encontrar em outro dia da semana quando eles não precisavam fazer tudo com pressa e podiam deixar tudo fluir no seu tempo. O que era estranho, porque, de longe, Yoongi era com quem Jimin mais tinha intimidade.

“Já ficou bem claro que ele tem medo de relacionamentos.” Taehyung disse com a boca cheia, sem dar tempo para a pipoca ser totalmente mastigada. “Vamos lá, se o que o Seokjin disse é verdade, é claro que ele tem medo de se apaixonar. E é óbvio que ele ama o trabalho e se dedica porque se estiver ocupado, não tem tempo para conhecer novas pessoas. Os melhores amigos dele são todos casados, menos você.”

“Eu não gosto do caminho que isso está–”

“Park Jimin, solteiríssimo, dono da melhor bunda que a Coreia do Sul já viu–”

“Você é impossível.” Jimin bateu no ombro do amigo e riu, impedindo que Taehyung pudesse continuar de falar. “Ok, ele tem medo de relacionamentos, e ok, Jin hyung disse para eu não desistir do nosso deixa acontecer. O que eu faço?”

“Seja mais ousado!” Taehyung levantou uma das mãos, dramático como sempre havia sido. O balde de pipoca em seu colo quase caiu, mas por sorte nem um milho saiu do lugar. “Roube um selinho você mesmo, tome iniciativa! Não que você já não faça isso, mas faça isso de um jeito mais romântico.”

Taehyung podia ser insistente com suas ideias estúpidas, mas aquela não era uma sugestão ruim. Podia ser arriscada e abrir portas para as quais Jimin não estava preparado, mas era alguma coisa. Ele podia simplesmente dizer que havia sido um engano e voltar ao que tinha antes com Yoongi, fingindo que nada nunca tinha acontecido. Ou, se desse certo, ele podia estar um passo mais perto de conseguir o que queria já há tanto tempo.

“Você tem um voo marcado para– Yoongi, será que você– Yoongi!”

Jimin tentava empurrar a cabeça de seu chefe com a mão, mas o homem insistia em deixar beijos por seu pescoço. Ainda era de dia, era possível ouvir as pessoas indo e vindo do lado de fora da sala, e droga da porta não estava trancada. Quando Jimin finalmente conseguiu afastar Yoongi, ele grunhiu e cruzou os braços, esperando como uma criança irritada que Jimin falasse o que quer que tivesse para falar.

“Guarde seus beijos para mais tarde, agora eu preciso de sua atenção, ok?” Jimin falou como se estivesse diante de uma criança, e Yoongi rolou os olhos, mas manteve sua pose de antes. Jimin riu. “Você tem um voo marcado para Ulsan amanhã à tarde, não pode se atrasar de jeito nenhum. Entendido?”

“Eu já me atrasei para algum voo alguma outra vez, Park Jimin?” Yoongi perguntou com a voz baixa, sua mão lentamente trilhando o caminho para a cintura de Jimin. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, e em poucos segundos o homem mais novo nem saberia sobre o que eles estavam falando. “Você sabe que eu não decepciono.”

“Mas é que esse é muito importante, sério–”

“Hmmm, sabe o que também é importante?” Yoongi se aproximou do rosto de Jimin e deu uma mordida fraca no lábio inferior dele, fazendo-o prender a respiração. “Nós dois, fazendo o que a gente faz de melhor...”

“Se ajoelhando e rezando para Jesus Cristo, amém, irmãos!” Jimin empurrou Yoongi com força e o fez perder o equilíbrio, quase caindo para trás. O homem mais velho estava frustrado, mas não conseguiu evitar a risada que saiu por causa do que tinha acabado de ouvir. “Sai de mim, inferno! Já falei para guardar os beijos para depois!”

“Você não sabe se divertir.” Yoongi bufou.

Relutantemente, Yoongi guardou seus beijos para mais tarde, e também deu a Jimin algo a mais. Ele o fodeu devagarzinho, gostosinho contra a janela da sala, sussurrando sacanagens em seu ouvido que o faziam dar risadas fracas que se misturavam com seus gemidos e faziam eco pelo local. Jimin o excitava com palavras baixas também, pedindo por mais, sendo tão sensual mesmo que nem estivesse tentando muito. Ele levava Yoongi à loucura, assim como Yoongi também levava Jimin à loucura. Gostavam quando tinham momentos mais quietos, mais íntimos, apenas com palavras sussurradas e estocadas lentas. Era quase como uma despedida antes que Yoongi precisasse passar uns dias fora.

No dia seguinte, Yoongi passou na empresa para arrumar mais algumas coisas antes de viajar no final da tarde. O ritmo do dia estava mais lento, então muitas vezes ele se encontrou pedindo um café a Jimin apenas para ter dois segundos de privacidade, pedia para Jimin ir até sua sala para ver um negócio – que não precisava da assistência de seu secretário de maneira alguma, sendo só mais uma desculpa para vê-lo – e dava um apertão com força em sua bunda, fazendo ambos darem risadas altas. Era estranho, porque o clima parecia a mesma coisa que sempre foi desde que o deixa acontecer deles começou, só que tinha um toque diferente e Jimin não sabia dizer o que era.

“É uma pena o andar ainda estar cheio, eu tenho certeza que essa calça está mais apertada em você.” Yoongi se posicionou atrás de Jimin e segurou sua bunda com força, fazendo o homem mais novo soltar uma risadinha com o lábio inferior preso entre os dentes. “Eu te dou muita liberdade para entrar aqui, Park Jimin... Como eu vou me concentrar no meu trabalho com você aqui dentro?”

“A culpa não é minha se eu sou quase como sua babá, senhor Min.” Jimin disse com a voz baixa, virando-se para trás para encarar a reação de seu chefe. O homem umedeceu os lábios e abriu um sorriso de canto, claramente satisfeito com o termo que havia sido chamado. “Você não vive sem mim.”

Leves batidas na porta fizeram com que eles se separassem na hora, Jimin ficando em sua pose usual de estou mostrando algo para meu chefe e Yoongi ficando em sua pose ensaiada de estou prestando atenção no que ele está dizendo. Quando decidiram que estavam devidamente prontos para receber uma visita, quem quer que fosse, Yoongi disse com seu tom de voz autoritário que a pessoa podia entrar. Aos poucos, Seokjin apareceu com os olhos meio arregalados, olhando em todos os cantos para ter certeza de que estava tudo certo ali e que todo mundo estava usando todas as peças de roupas exigidas em um ambiente de trabalho.

“Ótimo, achei que ia me deparar com vocês se comendo em cima da mesa do Yoongi.” Seokjin disse com a maior naturalidade, fazendo Jimin arregalar tanto seus olhos que pareciam que iam saltar para fora, enquanto Yoongi engasgava com o ar que saiu rápido demais de seus pulmões. “Yoongi, posso dar uma palavrinha com você em particular?”

Antes que os dois se retirassem para ir para outro lugar conversar, Jimin anunciou que tinha muito trabalho a fazer e saiu dali sem nem olhar na direção de Seokjin, deixando que eles tivessem a conversa em particular deles. Alguns minutos depois, ambos saíram da sala colocando seus ternos às pressas, despedindo-se com palavras breves e indo para cantos diferentes. Jimin franziu o cenho, mas não disse nada. Pouco depois, Yoongi voltou para sua sala, passou exatos dez segundos lá dentro e saiu ainda apressado. Ele se despediu de seu secretário sem nem olhar para trás, mas Jimin não ligou. Quando olhou seu relógio, viu que Yoongi precisava estar no aeroporto em breve, então entendeu porque ele saiu correndo.

Geralmente as coisas ficavam mais tranquilas para Jimin quando Yoongi ia viajar. Então ele esticou suas costas, pegou café na máquina, e voltou para seu lugar para fazer seu trabalho em seu ritmo, sabendo que assim que desse o horário de saída ele poderia ir embora. Só que, pouco mais de vinte minutos depois de Yoongi sair da empresa, seu celular pessoal começou a tocar e o nome de seu chefe estava estampado na tela.

“Alô?”

“Park Jimin, eu deixei a chave de casa no escritório, e eu preciso que você venha aqui me dar essa maldita agora porque eu preciso pegar minha mala e mais uns documentos que são essenciais para a viagem para Ulsan!” Yoongi disse sem nem respirar direito, o desespero explícito em sua voz. Jimin balançou um pouco a cabeça e se levantou, engolindo em seco e caminhando até a sala de seu chefe. “Park Jimin, você me escutou? Eu vou me atrasar, eu preciso dessa chave para ontem–”

“Eu estou procurando a chave, droga!” Jimin olhou primeiro pela mesa de Yoongi, e quando viu um pequeno objeto prateado com um simples chaveiro de uma casa, ele soltou um suspiro. “Me dá o endereço de novo e me diz o modo mais rápido de chegar aí.”

“Vem de metrô, o trânsito está terrível.” Yoongi suspirou e clicou sua língua, claramente irritado com a situação. “Ok, vai até a estação–”

Jimin pediu para Hoseok atender a qualquer ligação que ele recebesse enquanto estivesse fora, e saiu correndo do décimo primeiro andar com a chave de Yoongi em um bolso e seu celular grudado em sua orelha, recebendo instruções de seu chefe de como chegar lá. Quando chegou à estação mais próxima do trabalho, esperou impacientemente pelo metrô chegar, sendo o primeiro a pular para dentro quando ele finalmente estava na plataforma.

Parecia que o relógio estava indo contra suas vontades, quanto mais ele olhava em seu celular, mais rápido a hora passava. Em cada estação parecia que as portas demoravam mais para se fechar, cada freada que o metrô dava fazia Jimin se perguntar o que ele tinha feito de errado em sua vida passada para merecer as paradas inesperadas do meio do caminho, e, finalmente, depois de quinze sofridos minutos, a voz simpática da moça do metrô avisou que ele havia chegado à estação que ele desejava.

Jimin tinha certeza de que estava correndo mais do que no seu primeiro dia de trabalho no décimo primeiro andar, sentindo sua camisa social grudar de suor em seu corpo por baixo das roupas que o protegiam do inverno. Ele corria, virava a cada esquina que Yoongi havia o mandado virar, e quando finalmente ficou de frente para o prédio enorme de portaria mil vezes mais chique do que a de seu próprio prédio, Jimin soltou um suspiro de alívio e tentou recuperar um pouco de ar antes de subir.

Por algum raio de motivo Yoongi decidiu que seria simplesmente a melhor ideia do mundo morar na droga do décimo oitavo andar, fazendo a ida de elevador até sua casa ainda mais longa. Os segundos passavam, e Jimin praticamente conseguia ouvir o tic-tac dentro de sua cabeça, e nada das portas se abrirem. Nada. Aquilo conseguia ser uma tortura ainda maior do que as estações do metrô.

Quando as portas finalmente se abriram e o visor mostrava que ele estava no andar certo, Jimin levou exatamente cinco segundos para tirar a chave de seu bolso e entrega-la na mão de Yoongi, que estava sentado no chão e levantou a cabeça assim que ouviu o movimento. Ele se levantou um pouco desajeitado, bateu em sua calça para limpa-la e abriu a porta com os dedos ainda trêmulos, tirou seus sapatos de forma desajeitada na entrada e saiu correndo para dentro do apartamento gritando para Jimin entrar.

Jimin queria ficar mais envergonhado de estar na casa de seu chefe pela primeira vez depois de ter visto a planta online, mas estava tão cansado e com tanta sede que só tirou seus sapatos e saiu correndo em busca da cozinha. Ele se serviu, tomou tudo em goladas apressadas e quando finalmente se acalmou, olhou ao seu redor e deixou seu queixo cair um pouco. A planta online não fazia jus à coisa real, aquele cômodo era gigantesco! Cabia duas cozinhas e mais a sala de estar de Jimin ali, e ele se perguntou para que Yoongi tinha algo tão enorme se, segundo Hoseok, ele só fritava pó ali?

“O embarque do meu voo é só daqui a mais de uma hora, eu já fiz o check-in online e não vou despachar bagagem.” Yoongi suspirou e deixou sua mala do lado de fora da cozinha, entrando no cômodo com o andar de uma pessoa derrotada. “Eu não estava tão atrasado quanto achei que estava. Desculpa, Jimin.”

“Foi melhor eu me apressar mesmo, se eu tivesse vindo mais devagar corria o risco de aí sim você se atrasar.” Jimin sacudiu sua mão e deixou o copo dentro da pia, decidindo que poderia dar atenção a aquilo depois. Agora ele precisava se preocupar em secar o suor que parecia ter se acumulado em cada centímetro de seu rosto.

“Mesmo assim, obrigado.” Yoongi deu um sorriso e se aproximou de onde Jimin estava encostado, mas sem um pingo de maldade em suas ações. “Você me fez um favor e tanto, sem você eu teria que passar três dias usando as mesmas roupas e não apresentaria nada aos meus superiores em Ulsan.”

“Eu só fiz o meu traba–”

“Não, você me fez um favor.” Yoongi disse com um pequeno sorriso tomando conta de seu rosto, e ao mesmo tempo ele cutucou o nariz de Jimin com a ponta de seu dedo. “E eu estou te agradecendo.”

A cozinha ficou em silêncio e alguma força magnética fez com que Jimin e Yoongi se aproximassem lentamente, às vezes recuando um pouco, voltando a onde estavam antes. Olhos entreabertos assim como suas bocas, respirações pesadas com medo do que aquele momento significava. Jimin inclinou um pouco sua cabeça para frente e deu um selinho experimental, afastando-se e umedecendo seus lábios, voltando para mais um pouco. Dessa vez ele não teve como recuar, porque uma das mãos de Yoongi segurou seu rosto gentilmente e o manteve ali, o selar rápido se transformando em algo demorado.

Ambos respiraram fundo e fecharam totalmente seus olhos, e Yoongi levou sua mão livre até o cabelo de Jimin, enquanto ele levou as suas para a cintura de seu chefe, apertando de leve o tecido da camisa dele. O toque de seus lábios era singelo, mas eles precisavam de mais. Lentamente, deixaram que suas línguas se encontrassem em um ritmo lento, exploratório, muito diferente de todos os outros beijos que eles haviam trocado antes. Eles soltavam sons baixos contra a boca um do outro que vinham de suas gargantas, separavam-se por poucos segundos para mudar o ângulo de suas cabeças e voltavam a se beijar. Yoongi deixou que uma de suas mãos escorregasse para o braço de Jimin, apoiando-se ali por um tempo, e logo depois trilhando um caminho até suas costelas.

Aos poucos, tentavam terminar o beijo, ainda trocando breves selinhos para termina-lo com um gostinho de quero mais. Jimin sorriu contra a boca de Yoongi e o beijou mais uma vez, sentindo seu corpo inteiro se derretendo nos braços do homem mais velho. Um selar mais demorado, uma troca breve de olhares, e um longo silêncio que teve como protagonista o abraço carinhoso deles.

“Eu adoraria ficar na minha cozinha te beijando, mas eu tenho um voo para pegar.” Yoongi disse com a voz rouca, evitando falar alto demais para não quebrar o momento por completo. Ele afastou a franja de Jimin de seu olho e deu um beijo bem entre suas sobrancelhas, fazendo o homem mais novo abrir um sorriso. “Nós conversamos quando eu voltar, tudo bem?”

Eles trocaram apenas mais um selinho demorado, quando Yoongi estava saindo no andar da garagem e Jimin iria continuar no elevador para ir ao térreo e pegar o metrô de volta para a empresa. Yoongi havia tentando convencê-lo a lhe dar uma carona, mas Jimin insistiu que ele fosse logo para o aeroporto e que ele sabia se virar sozinho com o transporte público.

Jimin não precisou contar nada do que havia acontecido para seus amigos, porque o sorriso bobo, a forma como ele estava sempre tocando seus lábios e o olhar perdido já davam todas as respostas para as perguntas deles.

Notas finais
Espero que tenham gostado, qualquer coisa é só gritar comigo nos comentários ou no twitter (@/yunttai). E também no meu esquecido curiouscat se quiserem (curiouscat.me/zettai). Até semana que vem~ ♥