11º Andar
18 Amanhecer
Notas iniciais
Era definitivo, Park Jimin odiava Min Yoongi.
Ele o odiava muito, principalmente por fazê-lo sentir mil coisas que ele nunca havia sentido antes por alguém. Não, ele o odiava por ter outra pessoa em Daegu enquanto ele ficava sendo feito de trouxa em Seul! Ou será que o odiava porque Jimin na verdade não conseguia odiá-lo como dizia? Não, não. Jimin tinha certeza de que odiava Yoongi. Porque ele era gentil quando queria ser, tinha um sorriso bonito, ouvia Jimin reclamando da vida quando ele precisava de alguém para desabafar, meu Deus, ele odiava tanto Yoongi que não sabia nem porque o odiava tanto!
“Isso não soa como ódio para mim.” A garçonete disse com um sorriso no rosto enquanto secava um copo, e Jimin fez uma careta de reprovação para ela. “Você sabe que estava falando alto, não sabe?”
“Que seja.” Jimin murmurou e segurou seu copo de bebida com um pouco mais de força, levantando-o e dando um gole longo. Não sabia há quanto tempo estava no bar enchendo a cara, mas se não fosse para casa logo, Taehyung sairia pela cidade o procurando. “Eu o odeio. Acredite em mim.”
Jimin soltou um suspiro demorado e ficou encarando as garrafas de bebida atrás da garçonete, que fazia seu trabalho em silêncio ou ocasionalmente murmurava a letra de alguma canção que ele não conhecia. Aquela era provavelmente a pior sexta-feira de sua vida. Ele teve a confirmação de que Yoongi tinha alguém em Daegu, contou de seu plano de se demitir da forma mais dramática possível, e tinha quase certeza de que estava gastando todo o dinheiro que restava em sua conta bancária em álcool. Jimin quase se sentia como o protagonista de um filme onde a vida dele só dava errado. Queria até saber se o público que o assistia sentia pena dele.
“Você deve estar bebendo para esquecer que o odeia tanto, não é mesmo?” A moça perguntou com um sorriso divertido no rosto, e Jimin assentiu na mesma hora, sentindo o biquinho que sua boca estava fazendo. Ela deu uma risada e ofereceu mais um pouco de bebida a Jimin, que aceitou sem pensar duas vezes. “Sabe, parte do meu trabalho é ouvir as lamentações de gente que vem aqui beber para esquecer os problemas. Se quiser falar mais sobre o quanto você odeia esse tal de Yoongi...”
“Ele teve a audácia de manter uma amizade colorida comigo em Seul enquanto estava ficando sério com outra pessoa em Daegu, acredita nisso?” Jimin disse indignado, balançando sua mão vazia de um lado para o outro. A menina fez uma falsa expressão de choque e voltou a secar copos, deixando que Jimin falasse. “Pior, ele ainda admitiu isso para mim! Só que antes inventou uma desculpinha de que não queria ficar comigo porque precisava focar mais no trabalho, faça-me o favor!”
“Ele fez isso mesmo?” A moça ergueu um pouco suas sobrancelhas e balançou a cabeça de um lado para o outro. “Homens realmente não prestam. Mesmo que a gente esteja apaixonado, não dá para dar uma chance para eles.”
“Isso!” Jimin concordou e abriu um sorriso animado. “Eu vivo dizendo para Hoseok hyung que não tem jeito, a gente não pode voltar, mas ele insiste em tentar colocar minhoca na minha cabeça para eu considerar a opção.”
“Mas se você está irritado com Yoongi, por que esse Hoseok insiste em querer te ver com ele de novo?”
“É que eles são amigos, Hoseok provavelmente sabe mais do que eu sobre essa situação toda.” Jimin suspirou e encarou o fundo de seu copo com um biquinho no rosto, preso em seus pensamentos por alguns segundos. “Mas isso não justifica nada! Eu não vou ceder às vontades dele... Não vou voltar para o Yoongi.”
A garçonete assentiu com a cabeça e saiu de perto de Jimin, atendendo a outro cliente que parecia que estava a cantando. Jimin suspirou e deu mais alguns goles em sua bebida, irritado porque ainda sentia sua garganta queimar mesmo que já estivesse alterado pelo álcool. Ele estava bebendo justamente para não pensar em sua situação com Yoongi, mas é claro que a primeira coisa que faria quando o uísque começasse a fazer efeito seria se lamentar para uma pessoa desconhecida sobre sua vida amorosa recém-assassinada pelas mentiras de Min Yoongi.
“Sabe, eu estava pensando.” A garçonete voltou oferecendo mais uma dose para Jimin, mas ele preferiu recusar. Se pretendia sair dali sozinho era melhor parar logo. “E se esse Yoongi não estava mentindo sobre querer focar mais no trabalho dele?”
“Senhorita, ele demorou dias para responder porque tinha terminado comigo.” Jimin deu uma risada debochada, lembrando-se de quando havia ido confrontar Yoongi em sua sala. “Obviamente estava inventando uma desculpa.”
“E essa foi a melhor desculpa que ele conseguiu inventar?” A garçonete fez uma careta e serviu uma dose para uma mulher que havia acabado de se sentar ao lado de Jimin. “Você disse que seu amigo Hoseok quer que vocês voltem. E se ele sabe de alguma coisa que você não sabe?”
“Tipo?”
“Que ele tem medo de relacionamentos e não consegue reconhecer, talvez.” A moça deu de ombros e apoiou seus cotovelos no balcão, aproximando-se de Jimin. “Por isso disse que precisava terminar por causa de trabalho.”
“Tem medo de relacionamentos só comigo, porque com a pessoa de Daegu ele não tem.” Jimin disse de cenho franzido, lembrando-se da voz da mulher da vez que ele a ouviu pelo telefone.
“Ele te disse com todas as letras que estava com outra pessoa em Daegu?”
“Não.” Jimin disse com a voz baixinha, e a garçonete logo arqueou uma sobrancelha. Ele se apressou em continuar a falar, sem deixar que ela ganhasse aquela discussão. “Mas é óbvio que ele está com alguém!”
“Ou será que você inventou essa pessoa na sua cabeça por algum motivo e se convenceu de que ela existia quando nunca teve uma prova concreta disso?”
Jimin foi ao bar para beber e se esquecer de Yoongi. Ele não estava ali para ouvir de uma garçonete que estava inventando coisas que não existiam. E que, pior ainda, talvez fizesse um pouco de sentido. Ela nem o conhecia, não sabia da história dele e de Yoongi, como podia saber tanto?
“Então por que ele não negou nada do que eu disse?”
“Eu já falei, mocinho.” A moça deu uma risada fraca e piscou um olho, fazendo Jimin se sentir extremamente ofendido. “Homens não prestam.”
Chegar em casa bêbado era ruim, mas pior ainda era ter que ouvir a bronca de Taehyung por não ter avisado ao amigo onde ele estava. Jimin resmungava e dizia que não queria conversa, mas era Taehyung que estava ao seu lado o ajudando a se despir de suas roupas para colocar um pijama, era Taehyung que o ajudava a ficar em pé quando os joelhos de Jimin resolviam falhar. Ele não sabia o que estaria fazendo agora se morasse sozinho, mas provavelmente teria se jogado no sofá e dormido com as roupas do trabalho. Enquanto Taehyung falava sem parar sobre Jimin não ser mais um universitário inconsequente que podia sair por aí fazendo o que fez, ele e sua mente bêbada ficavam repetindo as palavras da garçonete incontáveis vezes até que o que ela tinha dito começasse a fazer sentido.
A primeira coisa que Jimin fez no dia seguinte foi caminhar de pés descalços até a cozinha, abraçar Taehyung por trás e pedir desculpas uma porção de vezes. O mais alto riu e o perdoou na hora, oferecendo uma xícara de café como símbolo de seu perdão. O ambiente estava silencioso salvo pelos sons da cidade grande que entravam pela janela levemente entreaberta, o café estava delicioso, e por alguns milésimos de segundo Jimin sentiu como se seus sentimentos não estivessem um completo caos. Ele repassava diversas vezes em sua cabeça o discurso que havia preparado para contar para seu melhor amigo que pediria demissão na semana seguinte, mas as palavras não saíam de jeito nenhum.
Enquanto Jimin travava uma luta interna, Taehyung deu uma risada fraca e olhou para o amigo com uma sobrancelha arqueada, como se conseguisse o ler por inteiro sem fazer o mínimo esforço. Jimin abriu um pequeno sorriso e suspirou, sentindo-se derrotado antes mesmo de começar a falar.
“Quando quiser começar a falar o que aconteceu, eu estarei ouvindo.” Taehyung disse com a voz grossa que sempre tinha logo pela manhã. Jimin apoiou o rosto nas mãos, e os cotovelos em cima da mesa para admirar seu amigo. “Você geralmente fala muito quanto bebe, mas ontem só estava com uma careta no rosto e pensando tanto que eu conseguia ouvir as engrenagens de seu cérebro funcionando.”
“Eu vou pedir demissão, Tae.”
A cozinha ficou em completo silêncio depois disso. De repente, eles não conseguiam ouvir os sons da cidade grande e o café não estava tão gostoso. Taehyung abaixou sua xícara e a colocou de volta no pires, fazendo uma pequena careta quando o movimento soou alto demais, mas Jimin fingiu que não havia visto. Em questão de segundos ele havia deixado o clima pesado, e só precisou dizer quatro palavras para estragar a manhã agradável deles.
“O que aconteceu ontem, Jimin?”
“Não aconteceu nada demais.” Jimin suspirou e encostou sua testa na mesa. Não estava com humor para encarar Taehyung nos olhos. “É o que vem acontecendo ultimamente. Eu não gosto mais de trabalhar no décimo primeiro, é desconfortável, todo dia eu acordo querendo estar longe dali. Eu adoro o Hoseok, adoro o Jungkook, mas eu não trabalho para eles. Eu trabalho para o Yoongi, e gostando ou não, dói ter que fingir que nada aconteceu quando cada canto daquele andar me lembra o que a gente teve.”
“Jimin,” Taehyung engoliu em seco e começou a falar depois de alguns segundos, organizando seus pensamentos. “Se você não quer mais trabalhar lá, tudo bem. Eu apoio você sair se você acha que vai ser o melhor para você. Só que nós vivemos uma vida a dois, e por mais que eu consiga pagar as contas sozinho, não pode ser assim para sempre.”
“Eu sei, eu sei!” Jimin levantou a cabeça rápido, fazendo Taehyung abrir um pequeno sorriso. “Eu já comecei a dar uma olhada em alguns sites, não se preocupe. Eu só–” Jimin soltou um longo suspiro e olhou para o teto. “Eu acabei confundindo as coisas. Misturei trabalho com a vida pessoal, deu nisso. Agora não consigo mais ficar no mesmo ambiente que meu ex-seiláoque sem ficar desconfortável.”
“Tudo bem.” Taehyung assentiu e pegou a xícara de café, terminando de beber em alguns goles. “Foi só isso que aconteceu?”
“Por que você sempre sabe quando eu estou escondendo alguma coisa de você?”
“Querido amigo, eu tenho graduação, pós, mestrado e doutorado no funcionamento de Park Jimin.” Taehyung rolou os olhos e arrancou uma risada sincera de Jimin, que encurtou a distância entre eles e bateu em seu ombro. “Algo me diz que um certo Min Yoongi já sabe sobre sua decisão.”
“Ele me disse porque terminou comigo.” Jimin apoiou seu rosto na mão e começou a brincar com o guardanapo usado de Taehyung com a outra. “Foi porque aparentemente eu estava o distraindo no trabalho, e o grande Min Yoongi não pode se distrair porque ele é bom demais para ter um relacionamento e manter seu emprego.”
“Continua falando, eu sei que tem mais.”
“Você por acaso falou com o Hoseok sobre isso?” Jimin franziu o cenho.
“A probabilidade é alta.” Taehyung deu uma risada com a expressão indignada de seu melhor amigo. “Eu precisava saber porque você tinha chegado ontem daquele jeito, e você nunca me explicou direito porque tinha brigado com o Yoongi de novo! Hoseok mencionou algo sobre traição, mas também disse que você estava ficando maluco.”
“Eu não estou ficando maluco!” Jimin disse com a voz um pouco alta demais, mas não ligou porque estava em sua casa, e se quisesse gritar, gritaria muito. “Nenhum de vocês viu o que eu vi, e o Jungkook ainda disse que o Yoongi teve um encontro com alguém antes da gente começar nosso rolo! Ou seja, eu era a segunda–”
“Meu Deus, por favor, só deixe o Hoseok conversar com você e te explicar algumas coisas.” Taehyung interrompeu o amigo antes que ele se empolgasse e começasse a falar demais. “Porque ele também me disse que tentou falar com você depois que você e Yoongi brigaram, mas você não quis ouvir.”
“E o que ele disse?”
“É melhor que ele te fale,” Taehyung deu de ombros. “Mas eu estou começando a achar que esse negócio de traição estava apenas na sua cabeça.”
Jimin grunhiu e por pouco não começou a bater com a testa na mesa. Sempre que ele estava decidido a deixar Yoongi de lado, alguma força do universo o dizia para tentar de novo, para dar mais uma chance, ouvir o que seus amigos tinham a dizer. Ele sempre achou que as pessoas ao seu redor o apoiariam e xingariam Yoongi caso Jimin e ele terminassem, mas aparentemente as coisas estavam sendo bem diferentes. Até mesmo Seokjin, que já disse várias vezes que não defenderia Yoongi caso fosse necessário, estava mostrando que Jimin devia dar uma chance.
Então lá foi Jimin, com a cabeça explodindo de ressaca e o estômago o implorando para pegar leve com a comida, para a casa de Hoseok dar ouvidos ao amigo porque ele aparentemente tinha algo importante para dizer. Um mero detalhe que podia fazer com que Jimin visse o quão estúpido ele foi com aquela história toda de ser segunda opção. Um simples comentário que poderia fazê-lo mudar de ideia para tentar conversar com Yoongi – mais uma vez — para eles resolverem seus problemas.
Se algum dia Jimin acabasse com um homem tão difícil para namorar quanto Min Yoongi, ele ia preferir morrer solteiro. Ele não tinha tanto trabalho assim por causa de uma pessoa havia anos, mas se todos ao seu redor davam a entender que valia a pena, então Jimin iria até o final com aquilo.
“O mundo inteiro está dizendo que eu fiquei maluco de achar que Yoongi hyung tinha um relacionamento com outra pessoa enquanto ficava comigo, e eu quero saber o porquê.” Jimin disse assim que Hoseok abriu a porta da frente, sem dar chance para o homem ao menos o cumprimentar. “E eu ouvi dizer que você tem a resposta.”
“Já vi que Taehyung passou minha mensagem.” Hoseok deu uma risadinha e abriu espaço para Jimin entrar. “Vai para o sofá, eu vou pegar algo para beber.”
Apesar de Hoseok e Jungkook serem muito discretos quanto ao seu relacionamento, Jimin ainda os pegava em momentos íntimos quando menos esperava. Agora, por exemplo, Jungkook estava seminu jogado no sofá com alguns chupões espalhados pelo corpo, trocando de canal na televisão com uma expressão irritada no rosto. Jimin limpou a garganta e cutucou a perna do homem, pedindo para ele lhe dar espaço para sentar.
“As velhas fofoqueiras vão fofocar.” Jimin cutucou Jungkook mais uma vez, mas o homem mais novo permaneceu imóvel. “Sai do sofá.”
“E eu estava prestes a transar antes de você chegar.” Jungkook se virou para encarar Jimin, que arregalou os olhos e os piscou algumas vezes. Ele nunca havia ouvido o homem ser tão direto daquela forma. “Sai da minha casa.”
Hoseok voltou para a sala na mesma hora, e bastou um único olhar para Jungkook começar a protestar feito uma criança birrenta. Jimin assistia à cena perguntando se algum dia ia chegar a aquele estágio em um relacionamento com alguém, onde apenas uma sobrancelha arqueada era capaz de fazer um homem adulto obedecer às ordens de seu parceiro. Em questão de segundos o sofá estava vazio, Jungkook estava jogado na poltrona que era pequena demais para ele, e Jimin encarava Hoseok um pouco assustado enquanto seu amigo estava com um largo sorriso no rosto.
“Vinho?” Hoseok ofereceu, já virando a garrafa em uma taça.
“Não, obrigado.” Jimin suspirou e se sentou no sofá ao lado de Hoseok, colocando um braço por cima de seus olhos. “Eu bebi o suficiente ontem.”
“Fiquei sabendo.” Hoseok deu uma risada fraca e levou a taça até seus lábios, dando um pequeno gole para umedecer a boca antes de começar a falar. “Será que agora a gente pode ter aquela conversa que você recusou quando brigou com o Yoongi?
“Fique à vontade.” Jimin abriu um sorriso de canto e encostou mais no sofá, abraçando a primeira almofada que viu a seu alcance. “Vocês estão tentando tanto me convencer de que falar com o Yoongi é uma boa ideia que está começando a funcionar.”
“Então,” Hoseok se ajeitou no sofá e deu um sorriso animado, deixando o clima no ambiente um pouco menos pesado. “Pelo que nosso querido colega de trabalho Jeon Jungkook me disse, você chegou a uma conclusão de que o Yoongi hyung estava saindo com outra pessoa além de você. Só que ele se esqueceu de mencionar que ele só saiu com alguém antes de vocês ficarem juntos, e acabou não dando certo.”
“Hyung, eu sou seu marido, como é que você tem coragem–”
“Eu cheguei a essa conclusão porque eu vi evidências de que Yoongi teve encontros, e continuou tendo encontros enquanto nós estávamos juntos, mesmo que esse tal primeiro encontro aí não tenha dado certo.” Jimin levantou um dedo e interrompeu Jungkook no meio de sua fala, sem dar a mínima para o que ele estava falando. Hoseok rolou os olhos na hora. “Não faz isso! Hyung, eu vi as notas fiscais dele. Flores, restaurantes caros... Tudo apontava na mesma direção! E ele diz que é cheio de problemas em Daegu, e uma vez ele estava lá e eu ouvi uma voz feminina o chamando de querido e sabe o que o Yoongi fez? Desligou a chamada na hora! Hoseok hyung, aquele salafrário, mequetrefe, filho de uma égua–”
“Repete para mim aquilo que o Jin hyung te disse na cobertura.”
“Eu estava no meio de um xingamento!”
“Repete, Park Jimin.” Hoseok insistiu, os olhos ameaçadores. De repente, Jimin entendeu porque Jungkook saiu do sofá tão rápido. “O que ele disse?”
“Que eu fui a única pessoa com quem Yoongi teve algo mais sólido depois que a noiva dele o deixou.” Jimin disse em um murmúrio, sentindo-se extremamente pequeno sob a mira do olhar julgador de Hoseok. “Mas eu também sei que Jin hyung não sabe tudo sobre a vida do Yoongi.”
“Tem razão, mas ele sabe que as únicas pessoas com quem Yoongi fala em Daegu são a mãe e o irmão dele.” Hoseok disse com o tom de voz sério e cada vez mais Jimin via como havia sido estúpido esse tempo todo. A pessoa de Daegu provavelmente nem existia. “Talvez ele tenha uma namorada na cidade, a gente não sabe. Só que eu conheço o Yoongi e sei que ele é fiel a qualquer pessoa que esteja em sua vida. Posso estar errado, claro, mas não faria sentido ele fazer diferente.”
“Então me explica as outras coisas, Hoseok hyung.” Jimin suspirou e deixou seu corpo mole, quase escorregando para fora do sofá. “Eu só queria entender o que aconteceu. Nem que seja para eu nunca mais vê-lo, eu só quero esclarecer tudo e poder viver em paz sem mil e um pensamentos martelando na minha cabeça.”
“A única pessoa que pode te explicar isso é o próprio Yoongi.” Hoseok disse com a voz mansa, um sorriso amigável no rosto. Jimin suspirou. “Vocês dois precisam sentar e conversar feito gente. Sem gritaria, sem esconder nada.”
“Ok, eu estou disposto a fazer isso.” Jimin cruzou os braços e fez um biquinho. Ele provavelmente já havia estourado a cota da semana de fazer birra feito uma criança. “Mas e o Yoongi hyung?”
“Vá para casa, Jimin.” Hoseok se levantou do sofá e ofereceu uma mão para Jimin, que a pegou na hora e olhou para o amigo com o olhar apreensivo. “Amanhã você vai saber.”
Não é nem necessário dizer que Jimin não conseguiu dormir nada à noite. Ele virava para um lado, para o outro, contava carneirinhos, mas nada fazia o sono chegar. Tentou até mesmo tomar um copo de leite morno, mas Jimin simplesmente não conseguia fechar os olhos para dormir. Quando sentia que estava quase adormecendo, seus olhos se abriam novamente e ficavam assim por um tempo, seus pensamentos o incomodando e perguntando o que aconteceria no dia seguinte. Hoseok podia ligar de novo e lhe dar todas as respostas em uma bandeja de prata, ou Seokjin faria isso dessa vez. Ou pior, será que o próprio Yoongi o contaria?
Jimin grunhiu e jogou o cobertor de lado, encarou seu teto e prestou atenção no som do relógio de ponteiro em cima de seu criado-mudo trabalhando. Os segundos passavam e o coração de Jimin batia mais forte, ele ficava cada vez mais inquieto querendo mil respostas para as mil perguntas que tinha. Ele olhou a hora em seu celular e suspirou, irritado porque já era quatro horas da manhã e o sono ainda não havia chegado. Queria saber como teria uma conversa feito gente no dia seguinte se não dormisse direito.
Se alguém o visse de fora, diria que Jimin estava extremamente entretido olhando para o teto branco mal iluminado pela luz do luar do lado de fora. A verdade é que a superfície estava servindo apenas como um grande telão, onde ele repassava todos os momentos que tinha vivido com Yoongi. Desde seu primeiro dia trabalhando no décimo primeiro andar, quando o homem mais velho havia o intimidado tanto, mas Hoseok assegurou Jimin de que ele era uma boa pessoa. E com o tempo ele viu que era verdade, Yoongi era realmente legal. Ele e Jimin tiveram seus desentendimentos no meio do caminho, complicaram a amizade deles colocando sexo no meio, mas no final parecia que tudo ia dar certo, como todos achavam que ia dar.
Só que não deu. Porque tanto Yoongi quanto Jimin eram estúpidos, e por mais que tentassem de tudo para ficarem juntos, parecia que também tentavam de tudo para ficarem separados.
Jimin soltou um suspiro e continuou encarando o teto, deixando um sorriso se formar em seu rosto. Ele se lembrava do quanto queria transar com Yoongi enquanto seu chefe só queria sua amizade – pelo menos era o que achava na época –, e até riu de si próprio quando se lembrou de que por muito tempo tentou não gostar de Yoongi. Se Jimin pudesse falar com o seu eu de alguns meses atrás, diria para ele parar de tentar negar seus sentimentos.
No final das contas, Jimin acabaria amando Yoongi de qualquer forma.
O relógio já marcava cinco da manhã e nada de Jimin sentir suas pálpebras pesarem. Ele suspirou, levantou-se da cama e começou a andar pelo apartamento silencioso com passos lentos, com medo de acordar Taehyung com qualquer mínimo barulho que fizesse. Deu uma volta pela sala, admirou o céu noturno pela grande janela por alguns minutos, foi até a cozinha para beber um copo d’água e voltou para seu quarto, com a esperança de que aquela pequena caminhada tivesse surtido algum efeito.
Deitado em sua cama macia novamente, Jimin sentiu os membros de seu corpo finalmente relaxarem, agradecendo aos céus e a todas as entidades religiosas por estar começando a sentir o cansaço chegar. Seus olhos começaram a piscar mais devagar, os bocejos ficaram mais frequentes, e quando o sono deu o ar de sua graça–
O celular de Jimin começou a tocar.
Ele pegou o aparelho irritado e estava prestes a desligar a chamada quando viu o nome de Yoongi estampado na tela. Por alguns segundos, Jimin sentiu sua respiração parar e ouviu as engrenagens de seu cérebro pifarem, decidindo se deveria ou não atender. A iluminação estava baixa, mas ainda machucava um pouco seus olhos. Se demorasse mais dois segundos para deslizar seu dedo da esquerda para a direita, Yoongi desligaria e Jimin não saberia o que ele queria falar.
Então Jimin atendeu a chamada.
“Hyung?”
“Por favor, diz que você não estava dormindo.” Yoongi disse com a voz um pouco alta demais para o ambiente silencioso, fazendo Jimin afastar o celular do rosto por alguns instantes. “Eu estou em frente ao seu prédio e eu não consigo dormir de tanto que preciso conversar com você.”
“Eu não–” Jimin engoliu em seco e começou a balançar sua cabeça de um lado para o outro, atordoado com a situação. “Eu não estava dormindo. Você– Você disse que está em frente ao meu prédio?”
“Ideia estúpida, eu sei, são cinco horas da manhã.” Yoongi suspirou do outro lado da linha e Jimin notou como seu coração havia começado a bater mais rápido. “Eu não conseguia dormir e nem sabia se você estava dormindo, eu só vim porque não aguentava mais ficar inquieto e–”
“Espera dois minutos.” Jimin disse com a voz rouca, pulando da cama na mesma hora para procurar um casaco para vestir por cima de seu pijama. “Eu vou descer.”
Em exatamente dois minutos e cinquenta e nove segundos, Jimin bateu o portão da frente de seu prédio e viu o carro de Yoongi parado ali, todos os vidros fechados, a aparência intimidadora fazendo um calafrio percorrer por seu corpo. Ele ouviu o barulho das portas sendo destrancadas e apertou seu casaco um pouco mais contra seu peito, olhando para os dois lados da rua antes de ir até o lado do carona, entrando no veículo e soltando um suspiro de alívio por sair do frio e entrar em um ambiente aquecido.
Eles não se encararam quando finalmente estavam perto um do outro. Jimin não via o interior do carro havia tanto tempo que ele quase havia se esquecido da textura do banco, do cheiro de novo misturado com o perfume de Yoongi. Ele se sentia confortável ali dentro, talvez não só por conta do aquecedor ligado. Já tinha brigado tantas vezes ali com seu chefe, já havia feito tantas coisas, que ficar naquele local apenas o fazia ter mais memórias como as que se passavam pelo teto de seu quarto.
“Espero que você goste de comer gordura às cinco horas da manhã.” Yoongi disse com a voz baixa, fazendo Jimin dar um pequeno pulo de susto. “O fast food é o único lugar que eu posso estacionar de graça a essa hora.”
Jimin apenas concordou com a cabeça e não disse nada. O sono que estava sentindo até poucos minutos atrás tinha desaparecido completamente, e pelo vidro do carro, ele podia ver o céu começar a clarear aos poucos, mas ainda com o tom de azul escuro o tomando quase por completo. Ao chegar no drive-thru, Yoongi apenas começou a fazer os pedidos e fez o de Jimin também – sem perguntar, porque ele já havia memorizado o que o homem mais novo pedia quando ia lá.
A batata frita estava meio murcha e fria, mas nenhum dos dois reclamou enquanto comiam com vontade. Jimin não tinha reparado na fome que sentia, talvez porque estava ocupado demais tentando pegar no sono para se preocupar com as prioridades de seu estômago. Yoongi também devorava seu lanche como se não comesse havia séculos, e Jimin se perguntou se ele realmente não havia comido. Seokjin já havia o contado que seu chefe tinha o péssimo hábito de se esquecer de se alimentar às vezes.
“Por favor, diz que você ainda não falou com ninguém sobre se demitir.” Yoongi disse com a voz baixa, olhando para frente no estacionamento vazio. “Digo, que você ainda não tomou nenhuma providência.”
“Eu só contei para você e para o Tae, eu disse que ia pedir demissão só na semana que vem.” Jimin murmurou sua resposta enquanto apertava seu hambúrguer e via o queijo derretido cair um pouco para os lados. “Eu ainda sou funcionário da empresa.”
“Que bom.” Yoongi soltou um suspiro longo, claramente aliviado com a notícia. O carro ficou em silêncio por exatamente cinco segundos antes dele voltar a falar. “Agora, por favor, me explica de onde você tirou a ideia de que eu tenho uma namorada em Daegu.”
“Jungkook me contou que você saiu com alguém antes da gente começar a transar.” Jimin deu uma grande mordida em seu hambúrguer para ficar um tempo ocupado mastigando, com medo de falar alguma coisa que não devia.
“Jimin, eu saí com essa pessoa duas vezes e foi só porque eu tentei te esquecer antes de eu me render a você.” A voz de Yoongi estava séria, e a confissão quase fez Jimin engasgar com a comida. “Sem contar que só isso não teria te deixado irritado daquele jeito. Explica o que aconteceu.”
“Não me chama de intrometido, mas eu sempre checava suas notas fiscais e tudo sempre apontava para você saindo em um encontro com alguém.” Jimin suspirou e largou o resto de seu hambúrguer em cima do papel em seu colo, começando a sentir a frustração tomar conta de sua fala. “Isso continuou por meses, até mesmo depois da gente começar a transar, e só foi continuando. Eu fingia que não via porque queria acreditar que era outra coisa e que você não faria isso, mas–”
“Eu realmente não faria.”
“Mas você nunca me dizia o que acontecia em Daegu, e uma vez nós estávamos falando no telefone e alguém te chamou de querido e você desligou a chamada na hora.” Jimin ignorou a interrupção de Yoongi e continuou falando, seu coração batendo mais rápido com a velocidade que suas palavras saíram, sua respiração ficando irregular aos poucos. “Eu achei que você estava namorando alguém lá enquanto me mantinha aqui em Seul, mas aí nós começamos aquela estupidez de tentar e eu achei que ia dar certo! Só que você terminou comigo, eu vi os mesmos gastos idiotas que me diziam que você teve um encontro, e eu achei que você só fez um teste para decidir quem seria melhor para você.” Jimin fez uma pausa e virou a cabeça para olhar para Yoongi, que o encarava de cenho franzido, ouvindo tudo com atenção. “Eu achei que seus problemas de Daegu eram na verdade um namoro que você estava escondendo de mim.”
Quando terminou de falar, Jimin respirou fundo e terminou de comer seu hambúrguer, fazendo qualquer coisa com suas mãos e boca para ignorar como se sentia vulnerável agora que tinha dito tudo que pensava. Yoongi estava calado, completamente imóvel em seu lugar ainda encarando o perfil de Jimin, e o homem mais novo soltaria um grito se ele não fizesse nada e ficasse ali parado com aquela cara de trouxa – um trouxa lindo, por sinal – só absorvendo tudo que ele tinha acabado de ouvir.
“Eu não contei para ninguém porque achava que isso não era problema de ninguém, e também não queria que se intrometessem na minha vida.” Yoongi começou a falar e deu uma mordida mais agressiva em seu hambúrguer, fazendo Jimin recuar um pouco em seu banco. “Seokjin é ótimo, mas ele é bem intrometido quando quer. Hoseok não é o tipo de pessoa que eu contaria essas coisas, mas não é porque ele não é bom amigo. Eu só– Eu só guardei isso para mim como eu faço com tudo que acontece comigo.”
“Se você for falar que realmente tinha uma namorada em Daegu, eu pego minhas batatas murchas e saio desse carro agora e vou para casa andando de pantufa.”
“Meus pais se divorciaram há menos de um ano e minha mãe não me dá um sorriso sincero desde então.” Yoongi disse com a voz dura, fazendo Jimin se sentir estúpido por ter falado o que tinha falado poucos segundos antes. “Meu pai resolveu viajar o mundo, já mandou fotos para mim e para o meu irmão dele e de uma namorada vinte anos mais nova, e está basicamente cagando para minha mãe.”
“Eu sinto muito.” Jimin murmurou.
“Há meses eu tento deixar minha mãe feliz de novo a levando para sair, dando flores para ela e até tentando ajudá-la a arranjar um namorado novo.” Yoongi enumerou tudo que ele fazia, deixando claro para Jimin como o assunto o irritava. “Eu já tentei fazê-la se mudar para Seul comigo, deixar a casa de Daegu para trás, mas nada funciona. Eu compro presentes, visito sempre que posso, vou a mil restaurantes com ela, tudo para tentar arrancar um sorriso sincero dela porque meu pai caga e meu irmão tem uma família e um filho pequeno para criar.”
“Yoongi hyung, eu–”
“A namorada que você achou que eu tinha em Daegu era minha mãe, Jimin.” Yoongi encarou o homem sentado ao seu lado de cenho franzido, soltando um suspiro pesado. “Eu estava falando a verdade para você naquele dia.”
“Então você realmente terminou comigo porque não queria se distrair no trabalho?”
“Sim, e eu reconheço agora que foi um motivo estúpido.” Yoongi se apressou em dizer, puxando o ar e o soltando lentamente enquanto falava sua frase seguinte. “Porque, tudo bem, minha prioridade é meu trabalho, mas eu também posso me dedicar ao amor sem atrapalhar minha carreira.”
“Yoongi hyung, eu sei que você pode ter medo de relacionamentos, mas–”
“Eu tenho,” Yoongi interrompeu Jimin com a voz quase inaudível, e foi possível ver com a fraca luz do dia que já começava que seus olhos estavam marejados. “Eu tenho muito medo, você não tem ideia. Eu gosto muito de você, mas eu tenho muito medo.”
“Você não precisa ter medo.” Jimin murmurou e levou sua mão até o rosto de Yoongi, acariciando a pele macia e sentindo a primeira lágrima do homem cair. “Faz parte da vida. E eu posso te garantir que o que eu menos quero é ficar longe de você.”
“E quanto tempo isso vai durar, Jimin?” Yoongi murmurou, tentando muito não deixar suas lágrimas caírem mais. “Quem me garante que–”
“Eu não posso te garantir nada em relação ao futuro, hyung.” Jimin o interrompeu e tentou sorrir, mas começou a sentir suas próprias lágrimas se formando. “Mas eu posso garantir agora que eu quero ficar com você, e é isso que basta para um relacionamento começar.”
Yoongi deixou algumas lágrimas escorrerem por seu rosto enquanto Jimin ainda acariciava sua bochecha, pensando muito no que devia fazer agora. Eles ficaram em silêncio apenas se encarando, dando o tempo necessário que precisassem para tomarem decisões. Eram seis horas da manhã, o sol já estava bem mais presente, o carro estava aquecido e nada parecia real. Yoongi respirou fundo e impediu que mais lágrimas caíssem, colocando sua mão por cima da de Jimin, fazendo um leve carinho em seu dedão.
“Então tudo bem.” Yoongi murmurou, e Jimin sentiu seu coração começar a bater mais rápido na hora, as borboletas em seu estômago batendo as asas com força. Ambos abriram um sorriso lentamente, soltando uma risada fraca com a realização do que estava acontecendo. “Vamos tentar de novo, só que sem nada para atrapalhar dessa vez. Eu quero ser seu namorado, Jimin.”
Eles terminaram de comer soltando risadas entre mordidas, abrindo sorrisos largos toda vez que se encaravam. Jimin sabia que já haviam tentado antes, mas dessa vez parecia mais certo, não sentia como se estivesse correndo no escuro em uma única direção com Yoongi ao seu lado. Agora ele via o caminho bem à sua frente, Yoongi segurava sua mão com força, e o futuro parecia muito mais brilhante por mais que eles não pudessem ter certeza de nada.
Jimin pegou no sono a caminho de casa, e foi acordado com breves selares espalhados por seu rosto, fazendo com que ele abrisse um sorriso enorme assim que despertou. Virou o rosto para o lado e se deparou com Yoongi perto demais, mas ao mesmo tempo muito longe, admirando cada detalhe de seu rosto com um novo brilho em seus olhos. Juntaram seus lábios em um beijo lento, apenas para matarem a saudade que sentiram um do outro depois de tanto tempo sem se tocarem.
Yoongi murmurou contra a boca de Jimin e se ajeitou no carro, tirando seu cinto de segurança para se inclinar mais na direção do homem. Uma de suas mãos foi até o rosto de Jimin para acariciar sua bochecha, o toque delicado o fazendo soltar um suspiro e segurá-lo apenas para ter certeza de que Yoongi não o soltaria. Eles pararam por meio segundo, afastaram-se o mínimo que precisavam para se encarar com os olhos entreabertos, e voltaram a se beijar logo depois no mesmo ritmo calmo de antes. Jimin tinha sentido tanta falta daquele gosto que não conseguiu segurar o segundo suspiro que insistiu em sair de sua boca, fazendo Yoongi rir fraco e voltar e beijá-lo logo depois.
“Senti sua falta.” Yoongi murmurou e deu mais um rápido selinho em Jimin, que fez um biquinho pedindo por mais.
“Também senti.” Jimin concordou e deu um sorriso que mostrava seus dentes, fazendo Yoongi suspirar apaixonado na hora. Ele riu. “Nós vamos compensar esse tempo que passamos brigados, não vamos?”
“Claro.” Yoongi concordou e fechou os olhos, levando seus lábios até a bochecha de Jimin e separando os dois, dando um fim ao momento. “Mas agora você precisa dormir. Já são quase sete horas da manhã.”
“Hmmm, tem razão.” Jimin se espreguiçou em seu lugar e tirou o cinto, preparando-se para enfrentar o frio lá fora usando suas pantufas e seu pijama que não esquentava muito. “Te vejo amanhã no trabalho?”
“Com certeza.” Yoongi concordou e destrancou as portas, tão relutante quanto Jimin para acabar com o momento de vez. “Só mais uma coisa antes de você ir.”
Jimin arqueou uma sobrancelha e viu Yoongi se aproximando, dando-lhe um longo selinho, mas separando antes que ambos não conseguissem se soltar mais. Yoongi encostou sua testa na de Jimin e manteve seus olhos fechados, respirando fundo antes de sussurrar suas próximas palavras.
“Eu te amo.” Yoongi fez uma pausa. “Muito.”
“Eu também te amo.” Jimin disse sorrindo, abrindo os olhos ao mesmo tempo em que Yoongi abriu. “Muito, muito.”
Jimin saiu do carro, mas não sentiu frio.
Seu corpo estava todo aquecido.
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