108 Pétalas de rosa (Interativa)
19 Águas passadas, tempestades presentes, torrentes futuras
– Emi e Joseph já foram pegos! – pensa Lucy, enquanto ela corre, fugindo do Rosa Negra. – Ele, ou ela, estão eliminando os vestígios de quem está sabendo demais! Por quê? – e deixa suas lágrimas caírem pelo caminho. – Enquanto estava com a minha morte em mente, aproveitou para tirar os dois do seu caminho também! Um monstro!! Pelo menos, sei que ele não poderá fazer nada contra a Miyuki-chan, já que ela é a número 8!
Ela dobra o corredor. Quando o faz, dá de cara com Haraki Touya, para seu susto. É quando ele diz:
– Antes que fale qualquer coisa, posso afirmar que sei o que está acontecendo.
Ela fica confusa. Ainda assim, ele garante:
– O Rosa Negra pegou a Emi porque ela recusou a minha ajuda. E você terá o mesmo destino se recusar a minha.
– Você sabe do Festival da Rosa...
– Sim, eu sei. – garante, ao interrompê-la. – Muito mais do que você sabe, disso tenha certeza plena. – e cruza os braços. – Então, Lucy Merny, vai aceitar a proposta que tenho para você?
– Primeiro, vamos sair daqui para um lugar seguro. – recomenda ela, voltando a correr.
Desse modo, Haraki começa a correr também, seguindo-a. Enquanto o faz, vai dizendo:
– Lucy, eu tenho o que é preciso para protegê-la. Se você aceitar, estará realmente salva. Caso contrário, terá de continuar correndo por aí, todos os dias, fugindo da ameaça. Isso se você também não acabar indo fazer companhia para o Noah e o Yuki, não é mesmo?
Lucy engole seco. Não se sente realmente segura com Haraki, mas agora, mais do que nunca, está aterrorizada. Sabe que precisa fazer algo a respeito, por seu próprio bem.
– O que você, afinal de contas, pode fazer para me proteger? E o que quer em troca?
– Posso fazer muito, eu garanto. E quero com você o mesmo que eu queria com a Emi. – determina. – Vai me ajudar a descobrir quem é o Rosa Negra, mas em troca, vai abrir mão do direito de se tornar a Rosa Vermelha no grande dia que se aproxima.
Os dois continuam correndo, sendo que as lágrimas da garota vão caindo. Suspirando de modo profundo, ela olha para trás. Percebe que o Rosa Negra não está mais em seu encalço. Ao voltar sua atenção para o garoto que está lhe acompanhando, Lucy sugere:
– Vamos achar um lugar seguro. Aí sim nós conversamos.
/--/--/
– Lucy!! Lucy!! – grita Miyuki, correndo por todos os lados, procurando por sua amiga.
Miyuki deixou não só o corpo de Emi de lado, como o de Joseph também. Ela sabe que não tem tempo para chorar e lamentar as tragédias. Pelo contrário, tem a certeza de quem deve ir atrás do Rosa Negra e impedir que qualquer coisa aconteça com Lucy.
– O que está acontecendo, Miyuki? – pergunta May, ao surgir no caminho da prima de Tenshi.
Miyuki continua correndo, puxando May por um dos seus pulsos. Antes que ela reclame, a prima de Tenshi declara:
– O Rosa Negra está atrás da Lucy!
May é outra que, através de Kazume, ficou sabendo do que precisava saber sobre o Rosa Negra. A loira em questão acreditava que, tanto ela quanto Emi ficariam mais seguras sabendo da verdade do que cheias de dúvidas sobre o assunto.
– O Rosa Negra!? – May se surpreende, tendo seu pulso solto, acompanhando Miyuki por livre e espontânea vontade.
– Venha comigo! Ele não fará nada com você se eu te proteger! – Miyuki deixa claro. – Por isso, nós temos que encontrar a Lucy-chan o mais rápido possível!
– E se ela já estiver morta?
De imediato, Miyuki para. May para em seguida.
– Como você pode ser tão fria até em momentos assim? – questiona Miyuki, irritada, de costas para ela. – Independentemente das coisas que vem acontecendo, eu continuo acreditando que esse circo de festival é um show de horrores. Eu tenho que impedir toda essa tragédia, as pessoas não podem continuar morrendo.
– Talvez, no meu caso, me meter mais será o mesmo que a morte. – pontua May.
De uma só vez, Miyuki se vira para ela. Seus olhos estão cheios de lágrimas, mas Miyuki se recusa a chorar. Em fúria, grita:
– Se você está se acovardando, como um bichinho frágil e acuado, se esconda então! Procure o melhor lugar para se esconder e saia da minha frente!!
– O que está acontecendo? – pergunta Tanaka, aparecendo da direção de onde as duas estavam vindo, na companhia de Nathaniel. – Qual o motivo da discussão?
As duas se viram para eles – que deixaram Yuki e Noah, por alguns momentos, para os cuidados de enfermeiros. Suspirando mais fundo para reter suas lágrimas, Miyuki conta:
– O Rosa Negra está atrás da Lucy! Por favor, me ajude!
Tanaka demonstra espanto. Então, mais que depressa, os dois correm para se aproximar das duas. Desse modo, Nathaniel pergunta:
– Vamos achá-la então!
Tanaka olha para May, questionando:
– Você não vem?
May suspira profundamente, fechando seus olhos por alguns meros instantes. Quando os abre, diz:
– Sim, eu vou.
Dessa forma, o trio começa a se mexer, seguindo neste caminho. Pretendem encontrar Lucy e deter o Rosa Negra, antes que seja tarde demais para ela...
/--/--/
Enquanto isso, no quarto de May, Naomi e Andrea...
No momento, Andrea entra no quarto. Sua feição é séria, quase como o de uma pessoa que acabara de vivenciar uma tragédia. Seus olhos, por outro lado, apresentam uma frieza assustadora. Tudo isso é o que identifica Natasha, assentada na cama da falecida Naomi.
– Aconteceu alguma coisa para você ficar assim, Andrea-kun?
– Natasha? – reage Andrea, mudando radicalmente de postura, demonstrando sua surpresa por encontrá-la aqui. – Não, não aconteceu nada. O que faz aqui?
– Eu recebi uma coisa hoje mais cedo e gostaria de conferir com você, Andrea-san. – diz Natasha, se levantando.
Enquanto Andrea para, não avançando muito pelo quarto, a inesperada convidada se aproxima dela com algo em sua mão direita.
– É um bilhete anônimo, escrito com recortes de revista. – diz Natasha, entregando-o para Andrea.
Quando Andrea pega o bilhete, lê a seguinte mensagem, com seus olhos: “Você, tão meiga, Natasha, não faz ideia do que está acontecendo ao seu redor. Tome cuidado, minha querida, pois o perigo pode estar à espreita. Andrea Smith, alguém em que você parece confiar, pode não ser quem você realmente pensa que ela é...”
– O que é isso? – Andrea, surpresa.
– Isso que eu vim saber. – diz Natasha. – Alguém deixou isso no quarto que compartilho com Maria-kun e Elizabeth-kun...
– Eu não faço ideia do que seja isso, de verdade. – fala Andrea, redirecionando seu olhar para Natasha. – Deve ser futrica de alguém, não acredite nisso.
– Mas não vim aqui só por isso. – alerta Natasha. – Maria-kun me contou uma coisa hoje.
– O que é?
– Há alguns meses, quando ela e o Joseph-san estavam na mata e...
– Me lembro disso. – afirma Andrea, ao interferir quando vê Natasha perdendo os termos e hesitando na fala.
– Pois é. – retoma. – Ela me contou que viu uma coisa muito estranha lá.
– Uma coisa muito estranha? – Andrea tenta entender. – Como assim?
– É algo que a assustou tanto que não a deixa mais pregar os olhos quando vai dormir. – afirma Natasha. – Os pesadelos dela com isso estão cada vez mais frequentes...
– E o que é afinal de contas? – Andrea tenta entender.
– Uma sombra escura, com uma foice. – determina Natasha, sendo que ela percebe o susto de Andrea ao ouvir tal coisa. – Ela disse que o...
Ela para de falar, revirando os olhos. Sua expressão é de alguém que esqueceu algo e que tenta relembrar.
– De quem mesmo eu estava falando? – se pergunta. – Eu não consigo me lembrar.
Andrea abaixa seu rosto, enquanto Natasha tenta se lembrar do nome da pessoa de quem estava falando. Na mente da garota em questão, a figura de Joseph Salvatore está cada vez mais opaca. É quando a colega de quarto de May dá meia volta.
– Eu tenho que fazer uma coisa muito importante. Infelizmente, não poderei falar com você agora.
– Mas... – Natasha volta a olhar para Andrea.
– Sinto muito, mas eu preciso ir.
Dessa forma, Andrea sai do quarto, deixando Natasha aqui. Na sequência, Andrea vai correndo. Seus olhos estão firmes e seguros, em semelhança a quando entrou no quarto há pouco.
– Uma sombra escura com uma foice... – repete em bom som. – Quem diria que logo a Maria e o Joseph viriam aquilo. Ou melhor, quem diria que a mente deles projetaria logo essa memória. E após tanto tempo... Eu preciso agir!
Ela vai se afastando. Porém, escondida em uma das escadas próximas de um ponto por onde passa, está Ivy e seu olhar fatal.
– Então você também está se lembrando de coisas do passado, Andrea? – Ivy conclui, falando consigo mesma após ouvir as palavras de Andrea, observando o afastar da mesma. – Ou é justamente você o Rosa Negra?
/--/--/
Minutos depois, no quarto de Natasha, Maria e Elizabeth...
No momento, Maria e Elizabeth estão deitadas em suas camas, conversando sobre o que Maria disse tanto para a outra presente quanto para Natasha. É quando a que está faltando abre a porta de local, entrando.
– Então, você foi falar com ela? – pergunta Elizabeth.
Natasha fecha a porta. Em seguida, vai indo para a sua respectiva cama. Ao se aproximar dela, vai dizendo:
– Fui, mas eu acabei me esquecendo de algo que não consigo me lembrar e ela acabou saindo correndo, dizendo que tinha alguma coisa importante para fazer.
Em seguida, a recém-chegada se assenta em sua cama. No processo, Maria diz:
– Aquela imagem não sai da minha cabeça. Acho que eu deveria ir até o Joseph perguntar se ele se lembra daquilo também.
– Quem é Joseph? – perguntam, juntas, Elizabeth e Natasha.
Maria olha para as duas com o desentendimento estampado em seus olhos. Confusa, ela altera sua atenção entre as amigas. Indaga:
– Como assim “quem é Joseph”?
– Ué, não conheço ninguém com esse nome. – afirma Natasha, com a maior certeza do mundo.
– Nem eu. – garante Elizabeth.
– Meninas, por favor, parem de brincadeira. – pede a única que ainda se lembra de Joseph Salvatore por aqui.
– É sério, eu não me lembro de nenhum Joseph. – afirma Elizabeth.
– É verdade. – diz a outra.
Ainda mais confusa, mas também um pouco nervosa por achar que as duas estão brincando com ela, a garota vai até a porta. E declara:
– Vou dar uma volta. Quando vocês resolverem parar com a brincadeira, voltem a falar comigo.
Ela abre a porta, sai e fecha de volta.
– O que deu nela? – pergunta Natasha, se voltando para Elizabeth.
Elizabeth dá de ombros, dizendo:
– Não faço a mínima ideia...
Com isso, Maria vai andando com passos largos. Ao longe, vê Tsubasa e Killer vindo em sua direção.
– Olá, garotos. – os cumprimenta.
– Oi. – eles, juntos.
E vão se afastando tão rápido quanto se aproximaram. Maria continua com seu caminho, não fazendo a mínima ideia de qual lugar está para ir. Suspirando fundo, ela vai falando consigo mesma:
– Logo quando eu estou falando de uma coisa tão séria elas vêm zoando comigo? Poxa, elas deveriam me ajudar e não tirarem sarro de mim.
Repentinamente, a lembrança do que havia visto naquele atípico dia, meses trás, a faz gritar, parar de andar e cair de joelhos ao chão. Maria se assenta em suas próprias pernas, chorando.
– Eu não quero mais me lembrar daquilo! Eu não quero mais!!
– Então eu farei o favor de arrancar essas memórias de você, mas desta vez, será de modo permanente. – garante uma voz distorcida.
Maria olha para trás. E vê uma pessoa com uma capa escura e uma máscara: o Rosa Negra. É quando seus olhos se arregalam e, mais que depressa, ela se levanta e começa a correr.
– Quem é...
Se cala, pois de repente, várias imagens desconhecidas – ou, pelo menos, até agora – surgem em sua cabeça. São memórias que, por algum motivo, haviam sido descartadas. Então, surge também uma imagem: um vasto grupo de crianças, em um lugar escuro, diante de uma figura de preto com uma foice.
– Eu estou me lembrando agora! – diz para si mesma, enquanto corre e derrama suas lágrimas de desespero. – Foi quando eu estava no Palácio do Terror daquele parque!! Mas não era só eu... Eu preciso falar disso para todos! Todos eles tam...
Ela está diante de uma escada. Porém, por uma pisada em falso, a jovem tropeça e rola escada a baixo. Por fim, Maria termina estirada no chão, sem consciência. Um ferimento em sua cabeça está por sangrar. O Rosa Negra, por sua vez, observa a cena do topo da escada.
– Mais uma ponta solta aparada. – diz o sujeito, com uma voz distorcida.
Na sequência, o Rosa Negra toma seus passos, descendo pela escada, passando ao lado do corpo de Maria. Nem ao menos confirma a morte dela, parecendo ter a certeza de que o fôlego de vida da adolescente não está mais por aqui...
/--/--/
Mais alguns minutos depois, no quarto de Kagura, Lucy e Miyuki...
Kagura já está dormindo. Após aquele doce momento com Tenshi, ambos desataram o abraço, sendo que decidiram conversar mais no outro dia. Porém, Tenshi afirmou que tinha a absoluta certeza de que se conheceram – e não simplesmente se viram – antes do Ensino Médio. E que isso tinha algo a ver com o Festival da Rosa Vermelha atualmente.
É quando Lucy entra no quarto, com cuidado e em silêncio para não acordá-la.
“Não se preocupe, Lucy. De agora em diante, você não estará mais em perigo. Porém, para isso, você terá que indicar um nome, um simples nome...”: tais palavras, ouvidas dos lábios de Haraki Toyua enquanto conversavam, não saem da mente da jovem, que parece estar menos abalada, mas ainda assim impactada pela morte de Emi, Joseph e a perseguição do Rosa Negra.
– Será que não é o Haraki o Rosa Negra? – se pergunta, esquecendo por alguns momentos, que Kagura tem sono leve e pode ouvir suas palavras.
Lucy, então, deita de bruços sobre sua cama, afundando a cabeça no travesseiro. Olhando para Kagura, diz para si mesma, em baixo tom:
– Enquanto a Kagura estiver aqui, eu estarei segura...
A porta é aberta novamente, assustando Lucy, que se assenta rapidamente, com seu coração disparado. Mas se acalma quando vê Miyuki e Nathaniel. A prima de Tenshi, por sua vez, corre até Lucy e a abraça forte.
– Eu estava te procurando! – diz para ela, procurando falar baixo para não acordar Kagura. – Que bom que você está bem!
– Eu consegui despistar o assassino. – afirma Lucy, forjando um sorriso. – Estou bem agora, não se preocupe.
– Que bom, estou muito feliz por isso. – diz sorrindo.
Em seguida. Miyuki se volta para Nathaniel. E diz:
– Eu vou te acompanhar até o quarto do Tanaka-kun. Você está dormindo lá, na cama do Damon, certo?
– Certo. – confirma ele. – Lá, estarei mais seguro. Além disso, não confio no Haraki. Ele é muito esquisito...
O coração de Lucy dispara quando ela ouve isso, se lembrando de toda a longa conversa que teve com Haraki e de tudo o que descobriu com tal coisa. Suspirando fundo, faz todo o esforço do mundo para não levantar bandeira e permitir que Miyuki note o que há de estranho em seu comportamento.
– Vou ir com ele para lá. Tranque a porta e fique acordada até eu voltar, tudo bem? – propõe Miyuki.
– Tudo sim.
– Ok então. – diz Miyuki, voltando a se afastar da amiga e se aproximando de Nathaniel. – Vamos lá!
Então, os dois saem daqui. Na sequência, Lucy vai até a porta do quarto e a tranca. Volta para sua cama e deita novamente. É quando Kagura se vira na cama e abre seus olhos, direcionando tal olhar para a companheira de quarto.
– Tudo bem com você? – pergunta Kagura, sorrindo.
– Tudo sim. – garante Lucy, criando um sorriso falso.
– Então boa noite. – deseja Kagura, com os olhos pesados, selando suas pálpebras novamente.
– Boa noite... – Lucy, redirecionando seu olhar para o teto.
Lucy inspira e expira, como quem carrega um grande fardo em suas costas. E, de fato, ela considera que toda a informação que adquiriu com Haraki é um grande peso, mas um peso que deve de tomar para si em troca de sua segurança.
– Rosa Negra, Rosa Branca, Rosa Sagrada, Rosa Vermelha... E o maldito festival que se concretizará no dia 21 de novembro... – imagina, aparentemente preocupada, mas ao mesmo tempo, incrédula e tentando aceitar parte das coisas que escutou de Haraki. – Quem diria que, muito antes do que havíamos imaginado, todos nós, os 28, já estávamos envolvidos nisso...
Ela suspira de novo. É quando seus lábios se movimentam:
– Ordem da Rosa Vermelha... – pausa, mas completa: – Agora sim, tudo faz sentido para mim... Se tudo o que Haraki falou não é invenção dele, Ivy também sabe da verdade. – então, ela se levanta, voltando seu olhar para a porta. – E, o mais depressa possível, preciso confirmar com ela. E tem que ser agora!!
Fale com o autor