108 Pétalas de rosa (Interativa)
13 Rosas para funerais
15 de outubro, terça-feira, às 21h30min...
Tsubasa Yashirou, Killer Kiyoma, Joseph Salvatore e Ryu Hamaru. No momento, eles andam juntos. O fazem já há alguns minutos.
– Então significa que a Maria está mesmo te ignorando? – pergunta Killer, olhando para Joseph.
– Pois é, parece que, agora, ela só tem olhos para o Tenshi. – lamenta Joseph, com as mãos em seus bolsos. – Mas não tem problema, não vou morrer sem ela. Tem outras garotas na escola.
– Não muitas a fim de você. – repudia Ryu, rindo, causando as risadas de Killer e Tsubasa também.
– Ninguém pediu a sua opinião. – corresponde Joseph, irritado. – Então fique na sua! Além disso, pelo que eu saiba, eu sou mais popular com elas do que você é, babaca.
– O que posso fazer se as meninas desse colégio são um bando de frescas que só gostam de maricas? – questiona, ainda risonho, entrefechando suas pálpebras e dando de ombros. – Eu sou muito macho pra elas.
– Macho mesmo, nossa. – Joseph satiriza. – Tão macho que apanha de uma garota...
– Tá falando da Kagura? – questiona Ryu, cruzando seus braços e reabrindo seus olhos, passando a fitá-lo. – Você só fala isso porque ainda não sentiu o peso do soco daquela mina! Ela deve ser um travesti, só pode, pra ser tão “apelona” daquele jeito.
– Então você, que vivia dando em cima dela, estava correndo atrás de um travesti? – indaga Tsubasa, risonho.
– Não foi o que eu quis dizer. – nega o Hamaru.
Joseph começa a rir. Em seguida, declara:
– Depois fala que é macho...
Apesar do clima da conversa, os dois são amigos e sempre conversam assim, se atacando. Tsubasa e Killer também são amigos dos dois, mas não entendem como podem “ser dar bem e não se dar bem” ao mesmo tempo e dessa maneira tão...
– Malucos. – pensa Killer, suspirando sério.
Vindo contra eles, vêm Emi Ueno e Kazume Tatsagaiyo. Elas não estão juntas. Enquanto o quarteto está indo em direção à ala dos quartos masculinos, a dupla está vindo do mesmo local.
– Duas gatinhas, duas gatinhas! – exclama Ryu, se empolgando.
– Gatinha, a Emi? – Joseph ironiza a falta de importância que a citada dá para a própria aparência.
– Calem-se e cuidem das suas vidas. – exige Emi, se aproximando assim como Kazume, enquanto essa nada diz e simplesmente ignora os quatro garotos.
A reunião de Kagura, Tanaka, Dante, Kazume, Tenshi, Ivy, Ivan, Miyuki, Andrea, Damon, Lucy e Noah acabou há alguns minutos. Depois disso, eles saíram da catedral e vieram para o território do colégio. Foi quando se dispersam em grupos ou individualmente. Kazume foi um caso da segunda alternativa...
– Além de feia, é tirada? – pergunta Ryu, encerrando os seus passos, assim como seus três amigos.
– Caras, deixem elas em paz... – pede Tsubasa, não querendo problemas.
– Fica quieto. – exige Ryu, um pouco irritado com a postura dele. – Não te perguntei nada.
Emi e Kazume continuam seguindo, sendo que se afastando uma da outra, elas passam, cercando os quatro. É quando Ryu usa uma de suas mãos para segurar um dos pulsos de Emi, interrompendo-a. Joseph faz o mesmo com Kazume.
– Estão vindo da ala masculina. Por acaso estavam aprontando com algum cara que conhecemos? – questiona Joseph, para Kazume.
– Ou estavam usando algumas droguinhas “às escondidas”? – indaga Ryu, para Emi. – Eu costumo usar quando estou de saco cheio da vida.
– Vê se me erra. – articula Emi, redirecionando seu olhar para ele, sem fazer esforço para puxar o seu pulso de volta.
É quando Joseph empurra Kazume contra a parede. Killer e Tsubasa reagem, sendo que o primeiro se manifesta:
– Vocês dois, parem com essa palhaçada, caras!
– É. Infantilidade tem limite. – Tsubasa, por sua vez.
– Gente virgem não tem direito a palpitar no momento. – determina Joseph, rindo, tentando aproximar seu rosto do de Kazume.
De imediato, a loira dá um chute entre as pernas dele, o que o faz urrar de dor e cair de joelhos ao chão, quase chorando, literalmente, pela sensação que está tendo. Irritada, Kazume se manifesta:
– Não entre no meu caminho quando eu estiver de mau humor...
Vendo isso, Ryu solta Emi. Em nada abalada, Emi começa a andar com pressa e se afastar daqui. Kazume, por sua vez e por alguma razão, olha para trás, para o local de onde veio. Séria, a loira começa a caminhar como Emi, afastando-se dos quatro garotos também.
Logo depois, com dificuldades, Joseph se levanta. É quando comenta:
– Frescas, as garotas dessa escola, Ryu? Acho que você deveria rever os seus conceitos...
Desse modo, o quarteto volta a caminhar, deixando para lá as duas garotas. Em pouco tempo, Tsubasa e Killer chegam ao quarto que dividem com Noah Hananatsu, mas ao chegarem nele, notam que o irmão de Kagura não está no mesmo. De todo modo, vão dormir. Com mais alguns passos, os outros dois vão se encaminhando para o quarto que compartilham com Misty Buster.
– O que você acha de fazermos uma brincadeirinha com o Misty hoje? – pergunta Ryu, rindo.
– Que tipo de brincadeira? – Joseph, sem entender.
– Aquele cara é praticamente uma garota. E eu estou em uma seca faz tempo. O mesmo é com você... – explica o Hamaru.
– E daí? – indaga o outro, arqueando sua sobrancelha direita.
– Vamos pegar ele de jeito hoje! – exclama o mais forte, rindo.
– Você tá doido, cara?! – Joseph se revolta. – Ele se parece com uma garota, mas não é! Eu não sou dessas coisas não!
– Fica na paz, parceiro! Ninguém vai descobrir nosso lance. – afirma, colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo dele. – Além disso, vai ser um jeito de dar uma boa lição naquele marica e de sairmos da seca um pouco. Por que, se depender das garotas desse colégio, vamos ficar na mesma situação por um bom tempo. Todas só querem saber do Tenshi e do Tanaka, que são tão populares quanto o Dante e o Damon, mas que estão solteiros!
– Eu não sei não, Ryu... – hesita. – Não sabia que você curtia esse tipo de coisa, cara.
– Nem curto, mas eu estou em “situação crítica”. E desde aquele dia que o Misty me tirou, fiquei pensando em uma forma de revidar. – conta. – Vamos humilhar ele e mostrar que ele não é melhor que qualquer vagabunda! E ninguém vai poder salvá-lo.
– Se algo der errado, eu quebro a sua cara! – Joseph deixa bem claro.
Eles se colocam diante da porta do quarto em que dormem. Ryu está sorrindo, o outro não. Quando o mais forte usa sua mão direita para girar a maçaneta, ele dá de cara com Misty, sem nenhuma roupa, de costas para cima, estirado na cama de Joseph. Ao lado esquerdo do morto, há uma rosa de pétalas vermelhas.
– O que ele está fazendo na minha cama desse jeito?! – Joseph, perplexo.
– Acho que o marica já estava querendo te dar algo, hein? – Ryu ironiza.
Continuando risonho, ele se aproxima de Misty. Porém, seus sorrisos desaparecem em poucos instantes. É quando, enquanto Joseph permanece no vão da porta, Ryu percebe que algo está errado com Misty.
– Joseph... – Ryu o chama, assustado, parado próximo do desacordado Misty.
– Qual o problema? – pergunta o outro, sem sair de onde está.
– Ele está morto. – garante o Hamaru, assustado.
Há uma faca de cozinha com sua lâmina dentro da barriga de Misty e seu cabo contra a cama. O lenço está sujo de sangue, mas os braços paralelos ao corpo impediram que os dois percebessem isso de longe. Assustado, Joseph se aproxima e fica tão pasmo quanto Ryu.
– Não pode ser! – exclama Joseph. – O que foi que aconteceu aqui?!
– Precisamos chamar alguém agora! – Ryu, por sua vez, correndo para a porta.
Joseph continua olhando para o corpo, estático. Segundos depois, ele ouve os gritos de Ryu no corredor, redirecionando seu olhar para a porta do quarto.
– Ryu...? – pergunta por seu amigo, olhando com atenção para a porta.
Silêncio, puro e inquietante silêncio. Incomodado, ele começa a andar com passos lentos e curtos para a porta. Quando se projeta para fora dela, uma faca passa bem próxima do seu pescoço. Joseph desvia para trás por pouco.
– Quem é você?! – questiona ele, assustado, frente a frente com uma pessoa de negro, com uma máscara de uma rosa negra.
Sem a intenção de trocar nenhuma palavra com Joseph, a pessoa desconhecida por ele tenta acertá-lo com a faca na barriga. Porém, se esquivando de novo, o garoto é atingido de raspão no antebraço direito, o que faz cair gotas de seu sangue. Usando sua mão esquerda para tapar o ferimento, Joseph é tomado por uma expressão de dor física e espanto: ao longe, está vendo Ryu, caído ao chão em torno de uma poça de sangue.
– Preciso correr! – pensa Joseph, dando meia volta.
E, de fato, ele começa a correr, gritando por socorro. Enquanto o Rosa Negra o persegue, Joseph, vez ou outra, passa por uma porta e bate na mesma pedindo por ajuda. Porém, por algum motivo, nenhuma das portas dos quartos se abre. O desespero toma total controle dele quando tropeça em algo e cai no chão.
– Mas que droga! – grita, revoltado, ao perceber que tropeçou em um pequeno arranjo de rosas vermelhas. – O que essas malditas flores estão fazendo aqui?!
– São para o seu funeral. – fala o Rosa Negra, com uma voz distorcida por algum aparelho desconhecido que está usando por trás da máscara.
Olhando para trás, Joseph tenta se levantar de novo. Entretanto, já bem próximo, o assassino – ou assassina, pois não é possível para os olhos do garoto perceberem o gênero da sua “ameaça em pessoa” – ergue sua mão direita, coberta por uma luva negra assim como a outra, e desfere um golpe com sua faca contra seu alvo.
– Eu não quero morrer! – grita, colocando seus braços à sua frente, usando seus dois pés para chutar a barriga do Rosa Negra e jogá-lo para trás.
Quando isso ocorre, a faca se afasta, mas passa tão próxima da mão direita de Joseph que corta fora metade do seu dedo mindinho. Joseph grita de dor, mas consegue se levantar do chão, enquanto o Rosa Negra cai de costas à boa distância.
– Socorro!! Socorro!! – grita por ajuda, dando meia volta e retomando sua corrida.
Ao dobrar a esquina do corredor à sua direita, ele dá de cara com uma porta se abrindo. Tenshi, se colocando para fora do seu quarto, olha para Joseph e questiona:
– O que está acontecendo?
– Por favor, me ajuda! – pede Joseph, desesperado.
– Então entra! – recomenda Tenshi, o deixando entrar e fechando a porta logo depois.
– Tranca, tranca, tranca!!! – Joseph implora, virando-se para Tenshi, mas se afastando com alguns passos para trás.
Desse modo, Tenshi tranca a porta. Dante e Ivan não estão presentes.
– Me conta o que está acontecendo, Joseph. – pede o primo de Miyuki, sem dúvidas do descontrole evidente do estado emocional dele.
– É uma pessoa de máscara, vestida toda de preto. Matou o Misty, matou o Ryu e agora esta vindo me matar! – grita, tapando o ferimento em seu dedo, que ainda deixa escapar um pouco de sangue.
Tenshi pensa em sair para averiguar a situação, mas decide ir para o seu armário pegar algo que possa estancar o sangramento de Joseph ao olhar para as mãos dele. Desse modo, o primo de Miyuki se apressa para o seu armário, dizendo:
– Senta, eu vou cuidar disso aí!
Atendendo à declaração dele, Joseph vai para a cama de Dante e se assenta, ainda ofegante e assustado. Enquanto Tenshi procura algo em suas gavetas para ajudá-lo, ele pensa:
– Não deveríamos ter nos descuidado. Se continuar assim, o Rosa Negra vai matar mais e mais pessoas para queima de arquivo! Eu não posso deixar isso acontecer!
De repente, alguém bate na porta, o que desespera Joseph ainda mais. Retirando do seu armário uma pequena mala de primeiros socorros, Tenshi dá meia volta e vai andando até a porta.
– Não abre! – exige Joseph.
– Fique tranquilo, ele não pode me matar. – afirma Tenshi, se colocando diante da porta.
Quando a destranca e a abre, ele dá de cara com Tanaka. O “bombado”, então, questiona:
– Você não falou que iria vir ver o show da Kokko Karazara?
Kokko Karazara é uma famosa cantora que foi contratada hoje pelo colégio e está fazendo um show no pátio da escola no momento. O aviso sobre o show da mesma foi dado no penúltimo horário de aula do dia, em todas as turmas. Porém, alguns como Killer, Tsubasa, Ryu e Joseph não se interessaram.
– O Rosa Negra apareceu! – exclama Tenshi, surpreendendo Tanaka.
– Sério?! – Tanaka, pasmo, entrando de uma só vez.
Ele, de imediato, olha para Joseph. E entende que o sujeito foi atacado. Sem perder tempo, Tenshi se apressa em dizer:
– Misty, Ryu e Joseph foram atacados! Mas o Rosa Negra vai aproveitar para ir atrás do Noah, que é o número 13.
– Então você fica aqui para ajudar o Joseph, eu vou ir encontrar o Noah e ficar de olho nele. – garante Tanaka. – Afinal, sou o número 2 e vou demorar virar um alvo.
– Sim, faça isso sim. – aceita Tenshi. – Agora corre, cara! Não podemos perder tempo!
– Beleza! – aceita Tanaka, dando meia volta.
Desse modo, suspirando, Tenshi fecha a porta, e a tranca. Indo até Joseph, se assenta perto dele e começa a ajudá-lo no ferimento. No fim, quando o dedo do veterano já está devidamente tapado, ele comenta, impressionado e mais calmo:
– Você é bom nisso.
– Digamos que sim, obrigado. – agradece, sorrindo um pouco para ele, ao terminar. – Agora pode ficar tranquilo que você está em segurança.
– Eu que agradeço. – articula Joseph, se sentindo um pouco culpado pelo primeiro dia de Tenshi, quando o tratou com certa indiferença na mata próxima da escola, e também por todos os dias subsequentes em que manteve tal postura para com o primo de Miyuki. – E me desculpa pelo meu jeito idiota de sempre.
– Que isso, não me importo com essas coisas. – garante, ficando mais sério.
Em seguida, Tenshi fica pensativo, o que atrai o olhar de Joseph. O amigo de Ryu está incomodado por essa situação, pelo fato de que sempre desprezou Tenshi, mas agora está é se sentindo culpado por isso. Afinal, está sendo justamente o cara que está atraindo tanto a atenção da garota que gosta que salvou sua vida sabe-se lá “de quem”.
– Espero que o Noah... – pensa Tenshi. – Fique bem...
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Enquanto isso, não muito longe dali...
Duas pessoas estão em um banheiro masculino do colégio. Uma delas é Nathaniel Skyes, quem está em uma cabine. O outro é Noah Hananatsu, que está diante de uma das pias, lavando suas mãos.
– Está indo ver mais do show? – pergunta Nathaniel, saindo da cabine e indo até a pia ao lado direito da de Noah.
– Não, vou dormir. Estou cansado. – garante, sorrindo para quem lhe perguntou.
Os dois, há pouco, estavam assistindo ao show. Vieram individualmente para o banheiro, sendo que Nathaniel veio minutos antes. Porém, por causa de uma terrível dor de barriga, ele teve que ficar mais tempo na sua cabine.
– Eu acho que também vou. Me deu uma dor de barrigas daquelas de repente. – revela, rindo para Noah enquanto ambos lavam suas mãos. – Passou, mas vai que volta, né?
– Verdade. – concorda Noah, fechando a torneira e enxugando as mãos com lenços de papel em um aparelho colado à parede.
Nathaniel faz o mesmo que o irmão de sua melhor amiga. É quando pergunta:
– A Kagura está vendo o show? Eu não vi ela por lá...
– Não faço ideia. – admite, rindo, jogando os lenços de papel na cesta de lixo abaixo das pias. – Eu não vi ela por lá não.
Nathaniel também joga seus lenços de papel usados para o lixo. Desse modo, lado a lado, eles vão caminhando para fora do banheiro. Nathaniel é o primeiro a sair. Quando fazem isso, olham de um lado para o outro. Noah sente um calafrio e uma estranha sensação tomar conta do seu corpo.
– Algum problema? – pergunta Nathaniel.
– Acho que estou com dor de cabeça. – pontua Noah, tentando disfarçar.
– Vamos indo então. Chegando ao seu quarto, você toma alguma coisa. – recomenda o outro.
– Tem razão. – concorda ele, sorrindo.
Desse modo, os dois começam a andar, juntos. E assim fazem por alguns minutos, enquanto vão conversando sobre a Kagura. É Nathaniel quem puxa o assunto, dizendo o quanto se importa com ela e sobre o dia em que se conheceram. Entretanto, um grito feminino interrompe o diálogo entre eles.
– O que foi isso!? – Nathaniel, assustado com o grito.
– Acho que eu sei quem foi! – exclama Noah, começando a correr.
O primeiro amigo que Kagura fez no colégio vai seguindo-o. Em poucos instantes, eles encontram May Onuki, de costas para eles, aparentemente paralisada.
– May-san? Foi você quem gritou? – pergunta Nathaniel, se colocando ao lado direito dela.
Erguendo seu braço, ela aponta com seu indicador para uma parede ao longe. Quando olham para ela, Noah e Nathaniel também ficam perplexos. A visão que estão tendo agora é algo completamente atordoante. Algo que não pode, para eles, nem mesmo ser descrito por palavras...
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