108 Pétalas de rosa (Interativa)
3 As rosas também amam
Notas iniciais
– Ficou bom mesmo? – indaga um garoto.
– Está ótimo em você. – corresponde uma mulher.
É a Ótica Cruz e Espada, da cidade de Vermillion. Da região, é a cidade mais urbanizada e populosa. É nela, também, onde fica a instituição de ensino Rosa Cruz.
– Obrigado. – agradece o jovem, tomando para si seus novos óculos, já colocando-os. – Aqui está. – e entrega o dinheiro para a atendente.
– Qualquer problema, pode vir até nós e resolvemos. – articula a sorridente.
– Sim, muito obrigado. – agradece novamente, sorrindo de leve, dando meia volta na sequência. – Até.
– Até. – despede-se dele, gentil como sempre.
É Tenshi Hikari, um jovem alto, forte, corpo atlético, de pele parda, olhos castanhos e bagunçados cabelos prateados. Com um semblante sério, aparenta ser mais velho do que é de fato. Possui somente 16 anos, mas muitos lhe dariam mais do que isso devido a sua postura e figura adulta.
Após concluir o que veio fazer aqui, vai tomando passos para retirar-se do local e ir para o seu próximo objetivo.
– Nossa, Tenshi-kun, você ficou muito bem com seus óculos! – exclama uma garota, no instante em que ele sai da loja, pois o estava esperando do lado de fora.
É Miyuki Haruka Kokonose, uma veterana do Rosa Cruz. Ambos estão vestidos com seus uniformes, sendo que, no caso, Miyuki está acompanhando o mais alto, pois ele é um aluno que foi transferido este ano para a instituição – qual não fica muito longe de onde estão agora.
A alta garota – por acaso, ainda é menor do que ele – tem uma pele alva – apesar das bochechas serem bem rosadas, dando-lhe um ar de frágil menina –, seus cabelos são completamente brancos em um tom bem similar ao de Tenshi e seus olhos são de um azul bem escuro. É, também, dona de um corpo bem feminino e seios volumosos.
– Obrigado. – agradece, sorrindo.
Os dois são primos. Há poucos dias, Tenshi chegou à cidade. Por não conhecer muito de Vermillion, está, quase a todo tempo, andando junto de Miyuki. E, no momento, ambos estão com suas pastas escolares.
– Você vai adorar o Rosa Cruz. – garante ela, sorrindo para ele. – Em grande parte, todos os estudantes são educados e respeitosos. Mas ao mesmo tempo, quando é o momento certo, são competitivos e de personalidades marcantes.
– Bom dia, Miyuki-chan! – exclama alguém.
Os dois, que estavam andando lado a lado pela calçada, entreolhando-se, param. Redirecionando seus olhos para frente, percebem que alguém vem vindo. É uma outra jovem com o uniforme do Rosa Cruz, de pele caramelada, madeixas cacheadas castanhas até a cintura e olhos da mesma coloração. Andrea Smith, dona de um corpo sem muitas curvas e seios medianos, mas ao mesmo tempo, de um sorriso angelical.
– Andrea-chan. – Miyuki a cumprimenta, sorridente, no momento em que a Smith se coloca diante de si. – Bom dia!
Andrea, ainda sorrindo, volta sua atenção para Tenshi, que por acaso é assustadoramente mais alto que ela. Não que ele seja um “gigante”, mas sim pelo fato de que Andrea não é muito alta e a diferença entre os dois, tão próximos como agora, se torna gritante.
– Tudo bom? – o cumprimenta, com gentileza.
– Tudo. – corresponde ele, no mesmo tom.
– Este é meu primo, Tenshi Hikari. – afirma Miyuki, olhando para a sua amiga, mas em instantes, passando a olhar para o maior dos três. – Esta é Andrea Smith, uma grande amiga minha.
– Prazer. – fala ele, estendendo sua mão direita.
– Igualmente. – garante a pequena, em aperto de mãos, com o rosto um pouco corado. E pensa: – Ele é bonito...
– Está indo agora para o colégio? – indaga Miyuki, chamando para si a atenção da amiga.
– Sim, acordei atrasada. – admite, rindo.
No momento, no Rosa Cruz, os estudantes estão em intervalo, que dura 50 minutos, o mesmo período de todas as aulas. O dia letivo começa às 08h10min da manhã e se encerra às 14h00min. Depois, os clubes têm início, que não são atividades obrigatórias. Na escola, temos o Clube de Kendô – do qual Kagura Hananatsu é presidente –, Clube de Esgrima, Clube de Música, o Clube de Literatura, o Clube de Dança, o Clube de Natação e o Clube de Futebol.
– Vamos indo? – sugere Tenshi, alternando seu olhar entre as duas.
– Sim. – concorda Miyuki.
Enquanto as duas amigas vão conversando sobre diversos assuntos no trajeto, Tenshi permanece pensativo, desligado da realidade. Porém, quando o trio está bem próximo da instituição, olhando de relance para a sua esquerda, o garoto vê algo que chama bastante sua atenção. Por isso, ele para de andar de repente, surpreendendo as duas garotas.
Curiosa, sua prima questiona:
– O que foi?
– Olhem aquilo. – indica ele, direcionando seu dedo indicador esquerdo para o que chamara sua atenção.
As duas olham. E ficam assustadas. O que os três veem, por trás de uma árvore, é uma pessoa com uma máscara branca e um véu negro cobrindo todo o corpo. Na máscara, inclusive, há o símbolo de uma rosa vermelha, que cobre quase toda a superfície da mesma.
– O que é aquilo!? – comenta a prima do mais alto.
– Não faço ideia, o novato aqui sou eu. – determina Tenshi. – Mas algo me diz que deveríamos descobrir...
De repente, a pessoa desconhecida dá meia volta e se afasta, ocultando-se nas árvores. Porém, é possível perceber que o mascarado – ou mascarada – corre em direção ao terreno do Rosa Cruz. Afinal, ao redor da instituição, há uma vasta mata, que é separada da mesma por muros altos de concreto. Parece ser a tal mata o objetivo da estranha entidade.
– Está querendo ir atrás? – indaga Andrea, espantada com a proposta do primo da sua amiga.
– Olha... – Miyuki se manifesta, com um tom de calma e maturidade. – Não sabemos o que era aquilo, se é que era mesmo uma pessoa.
– Credo! – Andrea, arrepiando-se.
– Portanto, não acho...
Tenshi não espera a conclusão das palavras de Miyuki. E, mais que depressa, começa a correr em direção àquela estranha pessoa. Andrea e a prima de Tenshi se entreolham e, então, Miyuki diz:
– Vou atrás.
E começa a correr também, seguindo seu primo. A menor, que ainda está onde está, pensa por alguns momentos. Seguir ou não segui-los? Eis a questão.
– Ah, seja o que Deus quiser! – imagina Andrea, começando a correr também.
E, com isso, os três vão indo em direção à mata que cerca todo o terreno do Rosa Cruz. Tenshi, por sua vez, sente uma estranha sensação de adrenalina correr o seu corpo. Por alguma razão, sente também como se algo o estivesse esperando. Como se o mascarado desconhecido é que tivesse feito um convite... Irrecusável.
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Enquanto isso, na cantina do Rosa Cruz...
– Onde será que ela se meteu? – pensa Dante Sazami, de braços cruzados, assentado no lugar que, há pouco, escolheu para si e para sua namorada. – Será que se meteu em algum problema com aquela chata da Kazume?
Kagura, que havia dito que iria para o banheiro, ainda não voltou – e isso há mais de 20 minutos. Ele não sabe, mas a presidenta do Clube de Kendô saiu com Yuki Yukida para o jardim e está conversando com o mesmo por lá.
– Dantiiiii... – ecoa uma feminina voz, em brando sensual.
O garoto olha para sua direita. No mesmo momento, no banco onde ele está assentado, se coloca – à sua direita – uma colega de classe. Naomi Yamaguchi, uma garota de ondulados cabelos loiros escuros até o fim das costas, olhos azuis, seios fartos, curvas estonteantes e pele levemente bronzeada.
– Vê se me erra. – sugere ele, virando o rosto para sua frente, ignorando-a.
– Que foi? Por que está bravo? – questiona ela.
Sem nenhum pudor, Naomi se vira para ele e o cerca com suas pernas, assentando-se no colo de Dante. Todos os que estão por aqui – e que não são poucos, em grande maioria, estudantes do terceiro ano – ficam perplexos com a atitude da garota e passam a observar a cena com atenção.
– Que garota vulgar. – comenta May Onuki, assentada em um banco não muito distante do qual está Dante e a tal Naomi.
May é uma estudante da mesma classe que os dois e que possui longos cabelos lisos e castanhos até parte das costas, pele clara e olhos acastanhados. É magra e possui estatura mediana.
– Você, como sempre, com sua mania de falar sempre o que pensa. – comenta o garoto que está assentado com ela, à sua frente.
É Tanaka Tsuhira, grande amigo de May – na verdade, o único, já que ela tem uma personalidade complicada. Ao mesmo tempo, é também amigo de Dante. É bem alto, é forte e malhado, tem cabelos castanhos escuros, olhos castanhos claros e é possuidor de uma pele levemente parda. Assim como o namorado de Kagura, é um dos garotos mais populares do colégio.
– Lembre-se também que não sou nem um pouco paciente além de sincera. – May o adverte, com um olhar fatal, mantendo seu queixo com sua palma direita sob o mesmo. – É bom para você não fazer comentários irritantes sobre aquela garota dada.
Enquanto isso, sem perceber que os dois estão falando de si, Naomi aproxima sua face da de Dante com uma expressão lasciva. Passando, de leve, sua língua no próprio lábio superior, questiona:
– Prefere mesmo aquela garota? Será que não sou tão boa quanto ela?
Bruscamente, ele a puxa pelos braços. Levantando-se, conduzindo-a consigo, a empurra em seguida. Ela, porém, continua sorrindo.
– Adoro homens com pegada! – exclama ela, se abraçando para deixar bem evidente os seus seios.
– Já eu não sou do tipo que curte garotas que não se dão valor como você. – articula ele, dando meia volta.
Dante começa a se afastar, mas Naomi permanece onde está, com um risinho de vitória. Seu objetivo era provocá-lo e notou que conseguiu. Percebendo, também, que agora é o centro das atenções, olha para todos e pergunta:
– Estão olhando o quê?
– A sua vulgaridade que não tem precedentes. – pontua May, ainda assentada em seu banco, surpreendendo Tanaka por tamanha ousadia no comentário.
– Como é que é? – pergunta, irritada, colocando as mãos em sua cintura e tomando os passos necessários para aproximar-se da mesa da dupla.
May, de olhos fechados, levanta-se e coloca-se perante Naomi. Em instantes, reabre suas pálpebras. Encarando-a, indaga:
– Ficou surda de tanto ouvir “não” dos garotos que se dão ao respeito? Nossa, chega a ser digna de piedade.
– Cala a boca, imbecil! – ordena Naomi.
– May, vamos embora. – sugere Tanaka, levantando-se e se colocando ao lado direito da amiga. – Não vale a pena perder tempo com ela.
– É, você está certo mesmo. – admite, suspirando.
Juntos, os dois amigos dão as costas para Naomi, que fica onde está, bufando de raiva. Enquanto isso, já distante daqui, Dante tecla alguns números no seu celular. Ligará para Kagura. É quando percebe que havia recebido uma mensagem no seu Whatsapp e não tinha notado antes. Então a lê em pensamento:
– “Dante, me encontrei com o Yuki da nossa sala sendo alvo de chacota de alguns garotos de outra turma. Me senti no dever de ajudá-lo de alguma forma e, por isso, não estarei com você durante o intervalo. Por favor, entenda. Beijos.”– e suspira. – Você e esse seu espírito altruísta. – comenta consigo mesmo, sorrindo de leve ao terminar de ler.
O garoto guarda o celular no bolso de suas calças. É quando, erguendo sua face, se depara com alguém vindo em sua direção: Haraki Touya. Com a mesma altura e cor de pele que Dante, ele possui cabelos castanhos – curtos e levemente ondulados –, olhos da mesma coloração de suas mechas e usa óculos.
Eles se cruzam, mas sequer se olham. E cada um segue seu caminho sem se importar com o outro. Nenhum dos dois percebe, mas escondido atrás de uma pilastra, demasiadamente distante de ambos, alguém os observa à espreita: uma pessoa mascarada com todo o corpo coberto com um véu negro, assim como a pessoa que apareceu ao longe para Tenshi, Miyuki e Andrea.
– Que todos os preparativos para o Festival da Rosa Vermelha sejam devidamente conduzidos... – fala o mascarado, com um timbre masculino e firme: é um homem. – E que assim seja.
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Enquanto isso, no jardim do Rosa Cruz...
Juntos, assentados na grama, estão Kagura Hananatsu e Yuki Yukida. Estão conversando animadamente desde que chegaram, há alguns minutos, aqui. Ele já está com seus óculos, mas exibindo um largo sorriso, bem diferente da expressão que costuma exibir.
– Você é um garoto divertido, Yuki. – afirma Kagura, sorrindo para ele. – É bom estar com você.
– Eu que deveria estar dizendo isso. – determina o Yukida, sentindo seu rosto corar, desviando seu olhar por alguns instantes. – Assim, até perco a vontade de sair da cidade.
– Não deveria sair então! – declara ela, rindo.
– Já está tudo planejado, para dizer a verdade. – afirma ele, deixando de sorrir, mas sem ser tomado por sua cotidiana feição tristonha. – Acho que, pelo que fez por mim, você merece saber o verdadeiro motivo para a minha família estar se mudando.
– E qual é? – questiona ela, curiosa. – Não tenha medo, pode confiar em mim.
O jovem suspira, fitando-a. É possível ver nos belos olhos de Kagura o quanto ela é confiável. De modo algum, ela revelaria o segredo de alguém, gostando dessa pessoa ou não. E, agora que se tornou amiga de Yuki – e de forma tão repentina –, quer ajudá-lo o quanto puder. Mesmo que seja escutando o que ele precisa desabafar.
– Pra começar, não sairemos do país, mas somente da cidade. Um dos motivos é que não suporto mais ser pisado pelas pessoas por causa do meu peso e da minha aparência. Como eu já te falei, sei que sou gordo e também me acho feio.
Ela sente o desejo de interrompê-lo, mas não o faz. Afinal, além de já ter deixado clara a sua opinião – que o peso ele é capaz de reduzir com força de vontade e a beleza não passa de uma questão de ponto de vista –, sente que ele precisa jogar pra fora o que está preso na garganta.
Ele prossegue:
– Mas também tem outro motivo.
– E qual é? – indaga ela, esperando a conclusão dos dizeres de Yuki.
Ele hesita por alguns segundos, mas então decide determinar:
– Gosto de duas pessoas.
– Duas pessoas? – questiona, ela surpresa. E pensa: – Está como eu, que gosto do Dante e do...
– Uma delas é você. – revela Yuki, surpreendendo Kagura.
– Eu? – indaga, perplexa, pois não esperava por isso. – Mas... Por que eu?
– Você é linda, inteligente, gentil, forte e se preocupa com as pessoas. Nem deve lembrar direito, mas já conversou muitas vezes comigo sem nenhum interesse por trás, diferente de todas as outras garotas que vêm falar comigo. – ele explica, com um sorriso humilde e casto. – Sou apaixonado por você desde o Fundamental.
Kagura não sabe o que dizer para ele. Não sente por Yuki o mesmo que ele sente por si. Considerando também o quanto o coração do garoto já está machucado, fica ainda mais difícil formular algo para falar. Porém, não é necessário pronunciar nada, pois Yuki continua:
– Você é como uma rosa. Exala algo que encanta a todos. E, mesmo sendo delicada por ter belas pétalas, é capaz de se proteger com seus espinhos. – e suspira, abrindo um pouco mais o seu sorriso. – Não pense que os “espinhos” é uma crítica. Pelo contrário! É o que mais admiro em você: a sua capacidade de se proteger, sem precisar de um garoto para defendê-la. É uma mulher forte, sem dúvida.
– Obrigada. – agradece ela, voltando a sorrir.
Ainda sorrindo, ela pensa, saindo um pouco do momento:
– Talvez seja mesmo por isso que vivo em uma realidade de amor e ódio com rosas. No fundo, por mais bonitas e fortes que elas possam parecer, não passam de flores. E flores são frágeis...
Kagura se abraça. Não transpassa para Yuki o fato de que, por alguma razão, não está bem. Aquela angústia do passado acabara de retornar.
– Flores são fracas. Assim como eu, no mais profundo eu, sou... – imagina ela.
Repentinamente, uma imagem do passado vem à tona na mente da garota. Enquanto Yuki olha para seu outro lado – o direito – para analisar o canteiro de rosas, próximo de si – o mesmo que Kagura estava observando mais cedo pela janela da classe A do terceiro ano –, a Hananatsu é tomada por um sentimento angustiante. A imagem: uma pequena garota, se arrastando – sem forças – entre rosas vermelhas e se ferindo com seus espinhos.
“Você não pode escapar do seu destino, Kagura! Tudo o que uma rosa pode fazer é se proteger com sua falsa beleza e ferir quem se aproxima com seus fracos espinhos. Rosas nascem sozinhas. Rosas morrem sozinhas.”: palavras que, um dia, alguém lhe disse. Palavras que nunca saíram da sua mente e sempre veem junto daquela imagem que lhe assombra até hoje.
– Odeio rosas... – pensa ela, se apertando.
– E a outra pessoa que gosto... – articula Yuki, fazendo Kagura retornar para a realidade, sendo que ele continua fitando o canteiro de rosas. – É um garoto.
A Hananatsu fica perplexa, redirecionando sua face para o Yukida. Ele também olha para ela. Sendo assim, ela indaga:
– Que garoto?
– O Tanaka-kun. – conta ele.
– Tanaka Tsuhira, da nossa sala? – questiona a garota.
– Sim, ele mesmo. – confirma, corado.
Ela está realmente perplexa. Primeiro: jamais imaginaria que Yuki poderia ser apaixonado por outro garoto. Segundo: jamais imaginaria que duas pessoas tão distintas poderiam ter algum tipo de relação. E terceiro... Já não está mais conseguindo raciocinar direito.
– É sério isso? – pergunta ela, incrédula.
– É sim. – garante. – Você não tem preconceito, nem nada disso, né?
– Longe de mim, cada um sabe da própria vida. – declara ela, balançando a cabeça negativamente. – Embora eu não saiba dizer se duas pessoas do mesmo sexo podem se amar de verdade. É um tópico bem polêmico, afinal.
O silêncio impera por alguns momentos. Entretanto, ela logo o quebra, opinando:
– Acho que deveria falar com ele.
– Por quê!? – Yuki, sentindo seu coração perder o controle.
– No meu caso, eu não tenho sentimentos por você assim como os que você tem por mim. – ela explica. – Contudo, você fez o mais importante: me contar. Agora vá até ele e conte. Isso é preciso.
– Tem certeza? – indaga, com medo. – Mas e se ele me maltratar como as pessoas sempre fazem comigo?
Kagura, de uma hora para a outra, se levanta. Com uma expressão firme, determina:
– Se ele te maltratar, vai se ver comigo!
Yuki ri. Quando Kagura estende a mão direita para ele, através disso, o menor se levanta. Então, sorrindo, a presidenta do Clube de Kendô questiona:
– Preparado?
– Sim! – responde.
Ambos dão meia volta. E, ao lado dele, a garota anda com tranquilidade. Em seus pensamentos, a seguinte ideia:
– Se eu sou como uma rosa, então basta mudar. Afinal, todo ser humano pode ser... O que ele desejar ser!
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