Notas iniciais
Hey! Então, eu estava aqui com uma insonia e resolvi postar mais um pra vocês. Está pequeno desta vez, mas postarei dois hoje. Beijos! Música do capítulo: Christina Perri - The Words

All of the lights land on you

(Todas as luzes repousam em você)

The rest of the world fades from view

(O resto do mundo some da vista)

And all of the love I see

(E todo o amor que eu vejo)

Please, please say you feel it too

(Por favor, por favor, diga que você sente isso também)

Uma voz abafada pela porta fez-se ouvir. Tinkerbell a abriu dando a visão de um amplo escritório para Emma. A loira entrou lentamente, capitando cada canto com o olhar. Logo seus olhos encontraram os da Srtª Mills, que possuía um olhar penetrante e ao ver de Emma, assustador. A mulher analisava a loira atentamente, o que a deixou um pouco incomodada. Nunca gostou que ficassem a encarando, como se estivessem penetrando sua alma e descobrindo todos os seus maiores segredos. Emma costumava fugir de situações como aquela. Parou para analisar a tal Srtª Mills. Se era para observar, ela iria embarcar. Os olhos como já pudera ver eram de cor amendoada e inexpressivos. Havia uma pequena, quase que invisível – mas não para Emma –, cicatriz em seus lábios que estavam delineados com um batom vermelho-vivo. Seu cabelo era negro e de porte médio. Suas curvas eram delicadas, mas de dar água na boca de qualquer homem. A loira imaginou como seria se ao invés daquela frieza que pairava em seu rosto, houvesse um sorriso. Depois do que foram horas para Emma, a morena finalmente se pronunciou.

– Você deve ser Emma Swan. – Ela afirmou. Sua voz era marcante, o que fez os pelos de Emma se eriçar. A loira apenas balançou a cabeça confirmando. – Prazer, Srtª Swan. Chamo-me Regina Mills. – Estendeu sua mão direita por sobre a mesa. Emma apertou-a. Sua mão era macia, o que fez a loira desejar manter o aperto por mais longos minutos. Porém, Regina recolheu sua mão rápido demais. Pelo menos para Emma. Os olhos de Regina rolaram pelo corpo de Emma e rapidamente sua expressão de seriedade tronou-se confusa. Emma olhou para si mesma e lembrou-se do estado deplorável em que se encontrava. Não havia ao menos penteado os cabelos antes de sair da casa de August. Pensou em inventar alguma história, como que estava salvando um gato que subiu em uma árvore. Mas desistiu e suspirou.

– Olha, Srtª Mills, eu imaginei inúmeras desculpas para estar aqui assim. Mas a verdade, é que minha noite foi uma droga. – Regina assustou-se ao ouvir o que Emma disse, porém a loira continuou sua história. – Fui demitida ontem. E o melhor modo que encontro para fugir dos problemas é bebendo. Então, assim que meu chefe me dispensou eu corri para a primeira boate que encontrei e enchi a cara. Arranjei briga, fui posta para fora do local e ainda apanhei do segurança. Por isso o hematoma no meu olho. Meu único amigo, August, me levou para sua casa e cuidou de mim a noite toda. Acordei há mais ou menos umas duas horas e nesse tempo meu namorado de anos terminou comigo e me confidenciou que está transando com uma pessoa que eu considerava uma amiga. Então eu sai e estava indo para casa a pé, já que eu não tinha dinheiro para pagar uma condução. Foi então que vi seu anúncio na porta do estabelecimento e vim tentar a sorte. Sei que provavelmente a Srtª vai me mandar sair por aquela porta neste exato momento. Na verdade, não precisa, eu mesma saio. – Emma suspirou levantando-se da cadeira onde havia sentado. Aquela história soou como um desabafo de como estava instável. É claro que Emma ocultou a parte de seu plano mirabolante. Sabia que Regina nunca a entenderia caso mencionasse o que iria fazer. Estava quase do outro lado da porta quando sentiu uma mão tocar seu ombro.

– Srtª Swan, não lhe ensinaram que é falta de educação dar as costas aos outros? – Regina lhe olhava profundamente. Quase como se conseguisse entende-la. E Emma por incrível que pareça não se sentiu incomodada com o ato. – Sente-se novamente Swan. Vamos falar sobre seu salário. – Os olhos de Emma brilharam ao ouvir o que Regina disse. Ela imaginara que seria chutada dali. Afinal, ninguém iria querer empregar alguém com o emocional completamente instável. Depois de sair do seu transe, sentou-se novamente e ali passaram mais algum tempo acertando os horários e o pagamento de Emma. A loira saiu dali sorridente ao perceber que havia bondade embaixo de toda aquela frieza. Ao chegar de volta para a entrada, encontrou uma Tinkerbell batendo os pés nervosamente, o que fez Emma soltar uma leve risada. Aproximou-se lentamente até estar próxima a Tinker, que quase pulou em cima da loira para saber o resultado da tal entrevista.

– E aí Emma? Como foi? Srtª Mills lhe deu o emprego? – Emma continuou com um semblante sério, fazendo Tinkerbell morder os lábios imaginando que a loira não havia conseguido.

– Me aguarde amanhã às oito. – Respondeu finalmente, sorrindo, arrancando um enorme sorriso dos lábios da garota.

– Não vejo a hora! Já estou contando os minutos. – Emma ficou mais alguns minutos conversando com Tinker até que recebeu uma mensagem de August, querendo saber como a loira estava. Suspirou ao pensar que o amigo deveria estar preocupado. Já era noite quando entrou em casa e foi responder August. Suas mãos tremiam. Isso sempre acontecia quando estava escondendo algo, e August sabia disso. Emma respirou fundo antes de ligar para ele. No primeiro toque o moreno atendeu.

– Emma, eu já estava mandando um batalhão para procura-la! O que aconteceu com você? – Sua voz saiu um tom mais alto do que o habitual, o que fez Emma concluir que ele estava nervoso. Provavelmente porque estava tentando falar com ela o dia todo e a loira estava o ignorando.

– Estou bem, Gus. Só precisava de um tempo. Aliás, eu consegui um emprego. – Emma esperava que a notícia o fizesse mudar de assunto. E funcionou.

– Aonde? – Perguntou. Ainda parecia nervoso, mas estava mais contido.

– Num café da Avenida. Mills, conhece? – Indagou. O homem suspirou.

– Emma, tem certeza disso? No café Mills? – Emma franziu o nariz em confusão. Primeiro fora Tinkerbell, agora August?

– Sim, Gus. Qual o problema?

– O problema é que a dona do café, Srtª Mills, odeia todo mundo. Aquele anúncio está lá há meses e pelo que Belle me disse, ninguém estava apto para assumir o cargo aos olhos da mulher. – Emma tornou-se pensativa. Se nenhuma pessoa conseguiu o emprego, porque ela havia conseguido tão facilmente?

– Bom, mas acho que isso mudou, não? De qualquer forma, estou cansada agora. Preciso dormir Gus. – Informou.

– Vai lá Em, se cuida tá? Ligo-te amanhã para saber se está bem.

Emma desejou uma boa noite e encerrou a ligação, pondo seu celular em cima do balcão da cozinha. Dirigiu-se para o banheiro. Precisava de um banho e claramente de dormir. Retirou suas roupas e entrou embaixo do chuveiro. Imediatamente Killian veio à sua mente. Eles mantinham um relacionamento desde os 15 anos de Emma, e terminar aquilo de uma hora para outra definitivamente a abalou. E ainda descobrir que ele estava com outra, feriu seus sentimentos. Emma sabia que aquele dia chegaria. Killian não iria esperar que ela desse um jeito em sua vida. Quer dizer, ela já estava para fazer isso há um ano e nada. Pensou que estava preparada para ouvir aquelas palavras. Mas ela ainda gostava da companhia dele. O modo como ele impedia que ela se afundasse em seus pensamentos. Quando estava com Killian, Emma esquecia-se por ora, que sua vida era totalmente revirada e se permitia, mesmo que apenas por alguns minutos, sorrir. Não um sorriso verdadeiro – aquele Emma já nem sabia mais como era. Mas pelo menos ele a divertia. E agora não teria mais a presença do namorado. Só restara August. August amava Emma como uma irmã e o sentimento era recíproco. Mas August era um cara mais sério. Ele estava focado em sua carreira e sonhava em algum dia formar uma família. Mas até isso ela estava impedindo. Sabia que era um peso para ele e que uma hora teria de se afastar se quisesse vê-lo feliz. August nunca se afastaria. E Emma era egoísta demais. Sabia que se o deixasse ir, iria afundar de vez. Lembrou-se que em 60 dias, ela não seria mais um problema. Assim que saiu do banho, vestiu um moletom confortável, buscou seu celular e o programou para acorda-la às sete. Não queria chegar atrasada no primeiro dia em seu novo trabalho e desagradar a Srtª Mills, que parecia ser uma mulher extremamente rigorosa em relação a horários. Estava cansada e pensou que dormiria rapidamente, mas alguém lhe importunava em pensamentos. Impedindo-a de pegar no sono. Horas se passaram até que finalmente Emma caiu em um sono profundo.

Notas finais
Chegaram até aqui? Digam-me, o que acharam? :)