100 coisas para fazer quando se é uma bruxa
3 Sem querer, ou quase, me transformo em uma CNIPMA - criatura não identificada por mim ainda
Acordei aos sustos, sentindo uma sede insaciável. Saí da cama, e o engraçado é que eu não levantei literalmente, eu flutuei. Isso mesmo, flutuei. Como? Eu não fazia a menor ideia. Tentei voltar ao chão, em vão. Fiz movimentos com as mãos de quem queria se apoiar no tapete, como se estivesse sendo agarrada por alguém pela barriga no ar, entretanto o mesmo foi ao meu encontro. Que porra tava acontecendo comigo? Será que... Não, isso não era possível. Era só um sonho de muito mau gosto.
Finalmente, desci ao chão, depois de me concentrar para fazê-lo. Me olhei no espelho, e meu cabelo estava azul. É, AZUL! Que diabos... Se bem que eu tava gostando, ficou realmente bom. Okay, mas a questão não era essa, e sim, como eu havia flutuado e trazido o tapete branco de pelos artificias até mim. Pelo o que eu conhecia de física, eu não poderia ter feito aquilo. Mas fiz, pensei. Quem acreditaria em mim?
Fui à cozinha, e ninguém estava, graças aos deuses. Tomei um suco bem gelado, e a sensação de ter um ar-condicionado interno era muito boa.
Resolvi não ir à escola, para treinar o que eu chamava de poderes. Disse para a minha avó que não estava me sentindo bem, e ela compreendeu — por isso que eu a amo. Ao menos não notou meu cabelo azul, por conta da idade.
Passei a manhã toda tentando levitar objetos. Algumas tentativas deram certo, outras não. No que eu me tornara, eu não fazia ideia, só sei que era muito legal. Isso poderia servir de ferramenta para minha vingança ~cara de malévola.
Pensei que poderia não apenas me vingar de uma só vez, mas fazer os dois sofrerem várias vezes. Se meus poderes não desaparecessem antes, claro.
Fiz um movimento um tanto quanto brusco com meu abajur, e ele se chocou na parede, quebrando-se instantaneamente.
– Que barulho é esse, Rebecca? – perguntou minha vó, do quatro dela.
– É... Fui alcançar meu celular e derrubei o copo d'água. Desculpe – respondi.
Decidi colocar uma música, para que ninguém escutasse mais meus desastres. Coloquei Sugar do Maroon 5, porque eles são simplesmente divos. Levitei objetos ao ritmo da música e aquilo era muito I-N-C-R-Í-V-E-L. De longe a melhor coisa que já havia acontecido comigo.
Estaria minha mãe orgulhosa de mim? Bom, nem conhecer ela eu conheci direito, morreu quando eu tinha só 6 anos. Mas o pouco que conheci dela, já foi o suficiente para perceber que ela era demais. Então, sim, acho que ela ficaria orgulhosa.
O dia passou, eu já sabia o básico sobre levitar objetos. Só tinha que arranjar uma desculpa de como eu havia pintado o cabelo. Óbvio que a Annie notaria. O que ela não notava?
Bem, eu tinha mudado de personalidade, não tinha virado uma imprudente.
Saí do quarto e minha tia, logo de cara, reparou no meu cabelo.
– Mas o que? O que diabos você fez no seu cabelo?
– Eu... Ahn... Não tá óbvio? Eu pintei – respondi, fingindo estar revoltada, o que parece ter dado certo.
– Resolveu virar gótica agora, garota? Quer matar sua vó do coração?
– Tia, góticos não têm cabelos coloridos. Scenes têm cabelos coloridos. E a vovó ainda não sabe, graças aos deuses ela não notou.
– Ah, tanto faz. Tá usando drogas e se prostituindo também?
– Nossa, você tem um pensamento super coerente sobre mim...
Me retirei de lá e fui jantar. Meus rins estavam doendo de fome. Okay, sei que rim não tem nada haver com fome, por isso mesmo.
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