Naquele dia eu iria à escola. Claro, uma hora teria que ir.

Bom, passei por todo aquele processo de quem sai de casa, como tomar café da manhã, escovar os dentes, se vestir, calçar os sapatos e pentear os cabelos, e fui.

Andei até o colégio. Eu gostava de andar. Gostava ainda mais de roubar carros, mas decidi que devia parar com aquilo.

Alguns me deram oi quando cheguei, como Paul e alguns colegas.

Sentei no banco debaixo da árvore até o sino bater, e fiquei observando os garotos jogarem futebol americano.

Quando o sino bateu, fui ao meu armário, e lá encontrei Daisy.

– Oi, Becca. Por que não veio ontem?

– Ah, oi. Hã, não estava me sentindo... Bem. Perdi alguma coisa?

– Não muito, só vamos ter prova semana que vem. Biologia.

Conversamos mais um pouco sobre as novidades até irmos cada uma pra sua aula.

Encontrei Castiel de longe. Ele sorriu e eu acenei. Com aquele sorriso, eu chegava a esquecer por que eu arquitetava um plano de vingança. E, sério, eu tinha mesmo que fazer aquilo? Àquela altura eu já nem sabia mais o que deveria fazer, só sabia que o Castiel não era quem eu imaginava.

– Senhorita Loreen?

Me virei rápido pra ver quem era.

Sr. Fox, professor de física.

– Sim, eu?

– Entre, a aula já começou. — Ele deu espaço para mim passar, e seu tom não era nada amigável.

Depois da aula, eu ia pra casa, óbvio.

Todavia alguém vinha até mim, e eu sabia quem era, sem precisar me virar.

– Hey. — Ele disse quando me alcançou. — Pensei que não te encontraria mais.

– Oi. É, eu estou meio ocupada hoje.

Na verdade eu não estava, só estava tentando evitá-lo, até decidir o que fazer.

– Nós podemos conversar amanhã? Eu sei que hoje não dá mais, então...

– Claro. Amanhã. Conversar. — Eu tentava fazer ar de irônica.

– Que bom que veio hoje.

Eu sorri com o rosto abaixado.

– Tchau, Castiel.

– Tchau, Rebecca.

Eu me afastei dele, e lutava pra não olhar pra trás enquanto acelerava o passo.
Quando cheguei em casa, desmoronei na cama. Eu tentei não pensar nele, mas era impossível.

Eu sentia que meus poderes se tornaram inúteis, porque não tinha intenção nenhuma de usá-los contra ele. Eu achava que fazia o certo, afinal, ele não merecia aquilo.

Ele cometeu um erro, óbvio, todos cometem, mas nada que merecesse algo assim.

Bom, eu achava que ele não merecia, até o outro dia na escola, quando o vi abraçado com ela. Sim, ela mesma, Kathleen.

Ok, tudo bem, eles estavam abraçados mas e daí? Não, até aí tudo bem. O problema é que ele estava brincando comigo, dizendo que gostava de mim, que queria ficar comigo; ora, ele me levou pra dormir na casa dele, cara! Mas quando os vi abraçados, não era raiva o que eu sentia, tampouco tristeza. O que senti foi desprezo, o que é muito pior do que ficar brava ou triste.

Entretanto me contive. Eu não ia deixar ele me fazer sofrer. Não mais. Não de novo. Eu ia apenas ignorar, deixar pra lá. Eu não precisava de magia alguma pra deixá-lo acabado. Eu ia fazer outra coisa, algo mais potente, algo que o deixasse machucado por dentro, não por fora.

Saí marchando de cabeça erguida e dando passos largos. Tinha certeza que ele havia me notado, porque veio atrás.

– Castiel, oi. — Eu fazia um tom sarcástico.

– Oi. Você... Você viu aquilo?

– O quê? — Me fiz de desentendida.

– Eu e a... Hã, nada, deixa pra lá.

Dei de ombros e dei meia volta pra sair mas, como sempre, ele me impediu.

– Nós íamos conversar, esqueceu? — Seu tom não era arrogante, era quase esperançoso.

– Claro. — Eu decidi dar corda pra ele. Olhei no relógio do celular, e nós ainda tínhamos 17 minutos.

– Vamos sentar.

Eu o segui até o refeitório, onde sentamos em uma mesa.

– Sobre o quer conversar? — Perguntei.

– Sobre nós. Quero saber se algo mudou pra você desde aquela noite. — Ele deu ênfase no "noite".

– Como assim, se algo mudou?

– É que... Querendo ou não, ficamos mais próximos, e eu sei que você sente o mesmo.

Na verdade, o que mudou pra mim é que pensei que ele era uma coisa, mudei de ideia e e vi que ele era exatamente como pensei quando os vi se beijando naquele dia.

Só que eu ia fazer ele se arrepender por ter brincado comigo duas vezes.

– É, eu também acho que ficamos mais próximos, mas você quer saber se gosto de você? Não sei, pode ser, mas estou um pouco confusa.

– Entendo. Não quero que me entenda errado.

– Como assim?

Ele se levantou.

– Ah, você sabe. Eu estava gostando de você, mas então você não estava e era grossa comigo.

– E não gosta mais? É isso?

– Me desculpe se te fiz pensar o contrário, se pensa que te iludi ou algo assim, mas a verdade é que... Bem, depois de tantas tentativas e pedidos de desculpa, eu cansei, foi isso. Me desculpa mesmo, Rebecca, espero que entenda.

Ele saiu, e eu levei uns 2 minutos pra ter qualquer tipo de reação àquilo. Eu estava.. Chocada! O que mais poderia estar? Não é como se nós estivéssemos namorando, mas isso me pegou de surpresa. Então era por isso que os dois estavam abraçado...

Eu só conseguia pensar em como eu iria prosseguir com meu plano. A magia seria eficiente dessa vez, com certeza.

Eu decidi esperar alguns dias pra começar a agir.

Nós não conversamos desde então. Parece que ele nem fazia muita questão, porque andava com ela pra lá e à colá.

Eu comecei a sair mais. Fazer caminhadas, ir ao cinema com a Daisy, ir à biblioteca. Até aceitei ir em uma festa no próximo sábado. Fiquei sabendo que Castiel ia também, o que já era um bom começo pra começar com o plano.

De uns dias pra cá, ele vinha tentando puxar assunto, mas eu ia evitando sempre que podia. Kathleen parou com suas provocações desde o incidente na sala de aula com sua amiga, o que era ótimo. Ela parecia até mais descuidada: com olheiras, não se arrumava mais tanto; nem sequer maquiagem ela fazia pra ir pra escola, como fazia antes.

Me perguntava o que teria acontecido.

Bom, não importa.

Tive também algumas discussões com minha tia, porém elas não vieram ainda falar comigo sobre o Arizona.

Espero que nem venham.

Notas finais
Comente, pleaaaase!