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– Por favor, não me apresse soldado. Não tenho a memória que tinha e, se pular algo, terei que recomeçar e ambos sabemos que não ia ser legal seu relatório ser o único com 40 páginas...
– A senhora é velha, mas isso não nos impede de punir-la. Por favor, ande logo, não temos o dia todo aqui.
– Bem, a maioria das pessoas pobres da cidade não iam para a escola, pois era muito caro o transporte e o material, apesar das aulas não serem pagas. Eu tive de pagar os meus materiais, com um emprego de meio período, que não convem falarmos agora, mas depois eu explicarei.
"Foi em um dia em que eu estava voltando a pé da escola. Eu estava a mais ou menos quatro quarteirões da escola e ainda faltavam uns quarenta para chegar em casa, quando passei por baixo de um viaduto, que estava sendo usando como morada dos Desabrigados. Era um lugar sujo e úmido, nojento, podemos dizer. Nunca gostara de passar por ali, por conta dos assaltos, mas continuava sendo mais seguro do que por cima do viaduto, onde podiamos ser sequestradas, para projetos do Governo, certo Jovem?"
– A senhora está esgotando a minha paciência...
– Enquanto passava por baixo do viaduto, haviam varios Desabrigados observando a minha bolsa, querendo a roubar, e alguns até se movimentaram na minha direção. Mas algo foi mais rápido que eles. Não tive nem tempo de pensar e passou por mim um borrão e quando percebi, estava sem a minha bolsa. Ultimamente, não teria forças para correr, mas quando tinha 16 anos, eu conseguia correr muito bem. Segui o borrão com dificuldade e consegui o encurralar em uma rua sem saída, atrás de um bar que havia fechado. Peguei um pedaço de madeira, que parecia um taco de basebol e avancei na sua direção. Ele estava se escondendo nas sombras, agachado. Lembro-me de, apesar de ter sido eu a estar armada do taco, senti medo da figura. Ela se levantou e caminhou na minha direção. Um menino de 6 anos, louro de olhos azuis penetrantes. Apesar de suas palavras, ele não parecia estar com medo, ou assustado. Ele parecia indiferente, como se fosse um robô..."
– E... O que ele disse?
– Ah. Ele disse: 'Eu não quero voltar para a Base'
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