Notas iniciais
Eu odeio quando você mente.
~♥~
Sakura e eu ficamos sentados no chão, um ao lado do outro, em silêncio. A garrafa, do que eu descobrir ser vodca, já estava na metade. Minha cabeça estava leve, eu estava tonto, mas sentia uma estranha euforia, uma vontade de sair dançando e rindo. Todavia, eu estava quieto, observando o teto da sala com interesse.
Tinha algumas teias de aranhas e rachaduras. Informaria a senhora Tsunade que era preciso uma limpeza ali.
— No que está pensando? — a voz de Sakura soou em meus ouvidos, e eu me virei para encara-la. Estava com os olhos fechados e a cabeça virada para cima.
— Nas teias de aranha no teto. — respondi, e ela abriu os olhos, fitando o teto.
— Nunca tinha percebido. — comentou. Eu também não.
Sakura era realmente bonita. A cada vez que a olhava, constatava isso. Seus olhos verdes, as sardas nas maçãs do rosto, o nariz pequeno e arrebitado, e a boca. Tudo parecia entrar em perfeita harmonia. Até mesmo seus cabelos combinavam com ela. Eu tinha vontade de pegar um fio e mascar, para ver se tinha gosto de chiclete.
— O que está olhando? — perguntou, e eu me sobressaltei. Não tinha percebido que ela tinha percebido. Meu rosto esquentou.
— Você é bonita.
Ela sorriu, e, ao contrário de mim, não ficou constrangida com o comentário. Deveria estar acostumada a recebe-los.
— Você também é, Sasuke. — eu revirei os olhos e bufei. Ela riu. — É sério. Adoro seus cabelos, seu nariz e sua boca. Seus olhos são tão negros e expressivos; tenho vontade de fita-los para sempre.
Eu fiquei vermelho, de novo. Ninguém, além de minha mãe, já tinha dito que eu era bonito, e eu já tinha me acostumado com a ideia de que eu era feio, e seria para o resto da vida. Era magricelo, tinha o cabelo oleoso e despontado, algumas espinhas e orelhas protuberantes — razão pela qual usava o cabelo grande. Se alguém me dissesse que era bonito, eu riria. Todavia, a forma como Sakura me olhava, me fazia acreditar que ela realmente me achava bonito. Senti-me feliz por isso.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Já perguntou. — respondeu, e eu revirei os olhos.
— Por que está aqui? Quero dizer, você não parece do tipo que arruma confusão. É bem gente boa.
Ela riu, e eu não entendi o porquê.
— Eu não tinha muitas coisas para fazer hoje, como você. — ela disse, mas eu não acreditei em suas palavras. Elas pareciam certeiras, mas seus olhos não.
— Não acredito. — ela me encarou, mas eu permaneci firme, mesmo sobre o olhar duro.
— Não importa. — respondeu, por fim. E eu fiquei chateado por ela não confiar em mim, mesmo que nos conhecêssemos apenas por algumas horas. Eu tinha a ligeira impressão de que nos conhecíamos a vida inteira.
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