10 Segundos

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Notas iniciais
Essa Cena se passa na terceira temporada quando House tenta uma desintoxicação.

Fui movida pelo impulso... mais forte que o medo era a vontade de reconhecer seu progresso...queria pensar e apenas sentir... queria me perder naqueles braços sem preocupação ou sem medo do fim, entregar-me sem choro ou sem receios... apenas ficar lá.. sentido o contato do corpo dele.

A tensão do corpo se esvaindo.. a mão acariciando minhas costas, eu podia sentir a direção... a delicadeza do movimento, suave e ao mesmo tempo carregado... causando um leve frio na barriga... sentindo todo o meu corpo reagir ao pequeno gesto... arrepiar-se... confundir meus sentidos...

Enquanto com a pouca consciência que restava eu passava a minha mão pelas costas dele, a outra por cima do ombro tocando de leve a áspera barba por fazer,o arfar da respiração perto do meu rosto.. meu próprio rosto encostado ao dele.. aquela fração de segundo... o cheiro. doce, marcante...impregnava...o melhor perfume que já sentira, memorizava, braços largados rodeando-o, absorvendo o melhor que o tato poderia trazer... sintetizando o melhor que o olfato poderia guardar.

Os olhos fechados tentando guardar na mente aqueles segundos... desejando que fossem intermináveis... melhor que suas palavras estúpidas era o silêncio... qualquer palavra era desperdício, mera aglutinação de símbolos, quando quem realmente falava era o coração... batidas que eu podia sentir, mas não podia distinguir... minhas ou dele, tanto fazia... naquele momento eram uma só... o mundo poderia ter acabado e passaria despercebido... me sentia protegida.. leve, livre.

Não importavam se alguém flagrasse o momento... apenas seria testemunha do mais belo e inocente gesto...

A hora da segregação parecia inevitável... embora eu preferisse deixar de viver a não saber quando sentiria aquilo outra vez. A urgência daquele contato aumentou sua intensidade próximo ao fim, o aperto unindo mais os corpos, o queixo apoiado sobre o ombro...o leve toque ao ombro.... e a tranqüilidade espiritual...

Ele quebrou tudo como sempre..

E eu tentado ao máximo manter colada qualquer parte do corpo, tentando prolongar o fim iminente.

–Desculpa, preciso voltar à prisão...

E cada centímetro que se desprendia alertava a dor da perda, o toque abandonando... possibilitando o toque do vento, do vazio... o aroma se distanciando passando de real a imaginário... passando a lembrança.

A visão passou a ser o mais importante, mesmo que fosse apenas para vê-lo partir... de costas.. sem olhar para trás... tê-lo deixado abrir a boca...

Se ele conseguisse sentir.. que fosse só um pouco... que conseguisse despertar alguma coisa dentro dele... eu sabia que tinha mexido... ele não poderia ficar pra sempre impassível, acabara de descobrir o que era felicidade... ele também...

E a noite com a cabeça repousada no travesseiro as interrogativas não cessariam... assim como não teriam respostas.. e se tivesse sido antes da Stacy? Se eu tivesse chegado um pouco antes... 4, 5 anos, ou antes do tiro, porém seriam apenas perguntas num eterno vazio...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!