10 Motivos para Odiar Mary
1 Capítulo 1
Eu poderia me considerar um tolo se não estivesse sentido o que estou sentindo agora. Todo esse remorso de culpa e ódio juntos só me faz perceber o quanto fui tolo, e que ainda continuo sendo. Tudo por culpa do meu ego que não coube dentro de mim e eu tive que fazer todas as burradas possíveis para só então perceber que o que eu fiz foi estúpido demais para uma pessoa como eu.
Já era pouco mais de uma hora da manha e eu acordei repentinamente porque tinha algo em meus pensamentos que estava me incomodando. Como sempre fazia toda vez que a minha insônia resolvia me atacar, eu levantei-me e fui ate o banheiro e lavei meu rosto. Meu corpo magro, que estava mais magro do que o normal e eu estava com olheiras.
Dessa vez eu estava sozinho em meu apartamento e a minha única companhia era os meus pensamentos. Para a minha sorte Iza Berg não estava ali para me fazer perguntas do qual eu não tinha respostas. Na verdade eu tinha, mas eu iria mentir para não ter que dizer a verdade. Que o motivo verdadeiro da minha insônia era ele e não outra coisa que eu inventaria.
Voltei para o quarto e me sentei na beira da cama, olhando ao redor procurando por alguma coisa que não era especifica para mim. Ultimamente eu precisava entender tanta coisa que eu não sabia pelo que começar. Peguei meu notebook e acessei meu e-mail e twitter, bisbilhotei o twitter de algumas pessoas para ver o que elas haviam escrito. Escrevi qualquer coisa sem sentido e apertei o botão “tweet”. Como não tinha mais nada de interessante desliguei o notebook e deitei-me novamente.
Sem ninguém para que eu pudesse desabafar os meus problemas, abracei fortemente meu travesseiro e me fiz somente para mim as perguntas que não queriam cessar. Algumas perguntas eu tinha conseguido encontrar uma parte da resposta para elas, com outras eu não obtive tanto sucesso.
Porque toda vez que minha vida não tinha sentido algum, vinha em minhas lembranças tudo que estivesse relacionado a você? Eu mesmo sabia a resposta. Embora eu saiba que eu precise de você tanto quanto você precisa de mim, eu tento negar essa aceitação a mim mesmo e isso é tão ruim. Acabo causando feridas em mim mesmo com alucinações, fatos que não aconteceram. Se eu me arrependo, eu tento te esquecer mais isso é impossível, não tem como. Existe algo mais forte que nós que nos deixa em sintonia perfeita. Mais eu, tolo que sou estraguei essa sintonia, estraguei a felicidade que proporcionamos um ao outro.
Seu sorriso vem em minha mente e então eu abraço meu travesseiro com mais força. Isso é o que mais causa feridas em mim: a saudade que tenho de você. Em algum momento do passado fomos felizes e tinha algo no destino que também desejava que no futuro isso fosse a mesma coisa. Tem algo dentro de mim que é mais forte do que eu. Talvez seja isso que chamam de angustia e de tão cego pelo meu ego eu não pude perceber. Eu sabia o que tudo isso significava e estava disposto a corrigir velhos erros que não eram tão do passado assim.
Ainda tem duas pessoas no meio disso tudo: a minha namorada e a dele. Eu sabia o que iria fazer com Iza, mas não tinha idéia de como iria fazer. E ele teria que fazer o mesmo. Não sei por que eu comecei a me relacionar com Iza. Nunca vamos dar certo e nunca daríamos certo. Somos diferentes demais um do outro. Esse seria apenas o primeiro erro e os demais, quem poderia dizer quais são? Não sei. Amanha seria outro dia e então eu pensaria melhor em como resolver meus problemas. A única coisa que eu precisava nesse momento era fechar mês olhos e dormir.
Acordei na manha seguinte e permaneci deitado pensando em como resolveria meu problema com Iza. E que problema. Pensei em ser canalha da pior forma possível, também pensei em planejar alguma coisa e daí sairia o fim. Quanto mais eu pensava mais minha cabeça doía. Levantei-me e fui preparar um pouco de café bem forte. Voltei para o quarto com a xícara e me encostei-me à cabeceira cobrindo minhas pernas enquanto bebericava o liquido. Estava mais frio e eu gostava disso, desses dias frios onde eu ficava o dia inteiro deitado na cama. Peguei meu celular e acessei meu twitter para ver se não tinha nada de novo. O problema é que tinha e era de quem eu precisava nesse momento. Ler seu tweet fez com que eu sentisse um aperto no peito.
Escrevei alguma coisa parecida com uma indireta e atualizei somente com aquilo. Coloquei meu celular de lado e beberiquei o resto do café. Com meus pensamentos distantes eu realmente estava em outro planeta, por mais que eu tentava esquecer aquelas palavras dele, mais a ferida que ele tinha causado aumentava. Voltei a Terra quando recebi uma mensagem de texto. Era Z Berg. Tudo o que eu não queria agora era alguma coisa relacionada a ela. Passei os olhos pela sua mensagem enquanto bebia meu café “Alec, voltei hoje cedo à Califórnia. O vôo foi bem. Amanha vou te visitar. Beijos querido.”
“Minha vida é uma mentira.” Resmunguei um pouco alto e para mim mesmo e levei minha mão a testa depois de colocar o aparelho em um canto. Já que ela viria me visitar, essa é uma ótima oportunidade para acabar com tudo. Mas como? “Vamos Alec, pense.” Falei ao meu subconsciente. Uma idéia veio e a achei brilhante.
Peguei o controle remoto no criado mudo e liguei a televisão. Coloquei em um canal qualquer, mas que tinha alguma coisa interessante e fiquei vendo o programa ate a minha idéia se organizar em minha mente.
Quando esse momento chegasse, seria um péssimo momento para Iza e um ótimo momento para mim onde eu teria mais liberdade. Às vezes eu me pergunto: o que a liberdade? Será que todos somos livres? Talvez. A partir desse momento eu viraria uma pagina em minha vida e começaria outra, mas dessa vez para a melhor sem cometer erros.
Fiquei o resto da tarde dentro de casa já que lá pela hora do lanche começou a nevar, o que fez com que as temperaturas caíssem ainda mais. Fui na cozinha preparar mais café e quando voltei com a garrafa térmica, peguei algumas coisas de me deitar e quando peguei tudo o que queria me deitei e fiquei vendo o jornal local que informava que não era recomendado sair de casa em condições assim. Só sairia debaixo das cobertas por um motivo. As horas foram passando e eu comecei a inventar coisas para se fazer deitado e sozinho. Eu tinha pegado meu notebook, papel e caneta, meu celular, algumas guloseimas e algumas coisas menos importantes.
Enquanto escrevia no caderno, peguei-me outra vez pensando nele. O que eu poderia fazer com esse sentimento que é mais forte do que eu? Nada. Continuei escrevendo algumas coisas, concentrado nele e no que eu estava fazendo. Minha idéia de colocar um ponto final no relacionamento estava mais do que decidido.
Acordei com o despertador do meu celular tocando. Algumas coisas estavam espalhadas pela minha cama de casal, olhei no relógio e vi que era hora de levantar. Fui ate o banheiro e fiz minha higiene pessoal, dali fui direto para a cozinha colocar alguma coisa no estomago e começar a preparar o almoço. Era sábado e logo Z chegaria para contar as novidades, mal sabia ela que eu tinha uma novidade para ela também.
Preparei alguns lanches e suco. Quando terminei de ajeitar tudo ouço algumas batidas na porta, fui ate lá e abri. Era Iza que passou direto por mim e colocou algumas sacolas no sofá.
– Fiz um lanche pra gente, senão se importar.
– Você sabe que não me importo. Podemos comer? Estou com fome.
Assenti e foi na minha frente ate a cozinha, a mesa estava arrumada. Servimos-nos com um bom pedaço e enquanto degustávamos, ela contava como tinha sido a turnê com as outras garotas do The UnLike. Ela contou um fato muito engraçado que era impossível não rir. Ela se serviu de mais um pedaço e eu resolvi parar no primeiro, mas me servi de outro copo de suco.
Fomos para a sala e sentamos no sofá e ficamos em silencio por alguns segundos. Quando ela se aproximou para me beijar, eu me afastei.
– O que esta havendo Alec? – Ela perguntou, mas o tom em sua voz não era doce como eu sempre estava acostumado a ouvir.
– Precisamos conversar e é coisa seria.
Ela tentou tocar sua mão em meu rosto e mesmo antes dela chegar lá segurei seus punhos.
– E sobre o que você quer conversar? – Ela perguntou e o tom da sua voz estava um pouco mais alterado do que antes.
– Sobre a gente. Iza, você é uma pessoa maravilhosa mais não temos nada em comum um com o outro. É briga atrás de briga e ficamos mais tempo um longe do outro do que juntos.
– O amor supera barreiras Alec.
– Pode ate ser que supere, mas eu não tenho mais atração por você. Não vejo motivos em continuar ao seu lado se não tenho nada em comum com você.
– Você está gostando de outra? Porque isso agora Alec?
– Eu não estou gostando de outra. Na verdade eu nunca gostei de você.
– Canalha, é isso o que você é.
– Eu sei que você esta confusa e tudo o mais, mas quando você parar para refletir assim como eu fiz, você vai perceber que o que eu fiz foi a coisa certa.
Levantei-me e fiquei olhando o movimento do transito e das pessoas pela janela.
– Então é isso? Você está terminando comigo?
– É o que parece, não? Escute Iza, agora a pouco você me chamou de canalha. Eu poderia ser canalha da pior forma possível se não estivesse tendo essa conversa com você. E se você ficasse sabendo de alguma coisa por outra pessoa ou visse com seus próprios olhos?
– É tudo tão confuso.
– Eu sei, mas eu pensei muito antes de conversar com você e minha decisão não tem volta.
– E o que eu faço agora?
– Vai pra casa e descanse. Coloque cada informação no lugar e o mais importante: não me procure.
– Mais...
– Sem mais Iza. É melhor assim, embora doa bastante no inicio.
Ela pediu para ir ate o banheiro lavar o rosto. As lágrimas tinham estragado sua maquiagem. Voltou algum tempo depois e pegou suas sacolas do sofá.
– Se não tem jeito. Então até algum dia Alec. – Disse antes de sair.
Eu abri a porta e fechei antes que ela pudesse olhar para trás. Não quis dizer nada, talvez o silêncio seja a melhor palavra para momentos como esse. Pelo olho mágico vi que ela ainda estava frágil. Eu também me senti assim quando tomei essa decisão. Por mais que me doía vê-la triste eu estava feliz porque minha vida começaria a se organizar a partir desse momento.
Fale com o autor