10 Coisas Que Eu Odeio Em Você
1 Odeio suas enormes botas de combate.
Notas iniciais
E foi ali onde tudo recomeçou, ao lado do carro de Kat, em frente ao colégio Pádua, onde ela e Patrick selavam um beijo de reconciliação. Não foi fácil simplesmente aceitar que ele foi pago para sair com ela e pronto. Kat sentiu como se não fosse capaz de atrair alguém por si própria, e sim precisaria pessoas interferirem em sua vida para colocar alguém nela. Mas a mesma era tão ameaçadora que nunca deixou ninguém se aproximar. Tal vez fosse destino tudo isso ter acontecido, ou melhor, Patrick ter acontecido.
P.O.V Kat Stratford.
–Vocês se acertaram?-Pergunta Bianca entrando em meu quarto sem ao menos bater na porta.
–Bianca eu creio que você ainda sabe o que é bater na porta.-Resmungo.
–Não foi isso que eu perguntei Kat.-Revirou os olhos.-Você e Patrick voltaram?
–Bom... sim.-Disse séria mas Bianca pula em mim me dando um abraço e isso até me fez soltar uma risada.
–Mas isso é ótimo! Finalmente você vai voltar a ser legal!-Brinca.-Já falou com ele sobre a faculdade?
–Faculdade?
–Kat você não vai para a Sarah Lawrence College? E fica do outro lado do país, como farão para continuar se vendo?-Ela pergunta inocentemente.
–Ai droga! Eu tinha esquecido disso!-Falo levantando rápido da cama.-Como é que vou falar isso para ele?
–Eu bem que queria te ajudar com isso, mas vou sair agorinha com Cameron.
–Tudo bem Bianca pode ir.-Digo com meus pensamentos distantes. Com que cara eu falarei isso para ele? "Patrick eu sei que acabamos de nos reconciliar mas eu vou fazer faculdade do outro lado do país e..." , isso tudo ia ser muito complicado. Me jogo na cama de costas e tento tomar coragem para levantar dali e ligar para ele explicando essa situação. Eu estava apaixonada por Patrick, isso era um fato, mas escolher entre o meu futuro e ele era como ter uma corda no pescoço.
Depois de um longo tempo em completo conflito comigo mesma, eu levanto da cama e desço as escadas indo para a sala e parando em frente ao telefone. O seguro em minhas mãos e disco aquele mesmo numero que por muitas vezes não tive coragem por puro orgulho pensando em "é ele que deve me ligar!". Quando ouvi sua voz em um simples "alô" já era imensamente confortador, mas as únicas palavras que saíram da minha boca foram:
–Patrick, você poderia passar aqui em casa hoje pela tarde?
–Claro que sim.-Ouço pelo outro lado da linha.-Aconteceu alguma coisa? Você parece estar apreensiva.
–Ah... prefiro que venha aqui, e então conversamos sobre isso.-Falei terminando a curta conversa. Voltei ao meu quarto me jogando na cama novamente perdendo até a noção do tempo, só percebi que já era tarde quando escutei meu pai gritar:
–Kat o seu namo... tem um garoto aqui na porta!-Desço as escadas correndo e ao encontrar seus olhos fixando nos meus pulo em seus braços o sufocando com um beijo.
–Tudo isso é saudade? Se eu passar alguns dias fora o que você faz comigo?-Brincou com malícia enquanto eu o puxava para a varanda da casa nos sentando nas escadinhas.-Você me chamou para conversar não foi? Do que se trata? Isso está me deixando nervoso.-Diz ansioso.
–A algumas semanas atrás eu recebi uma carta da universidade de Sarah Lawrence, e nela dizia que eu fui aceita, fui aceita para estudar lá.-Iniciei o assunto de modo manso.
–Mas é maravilhoso Kat! Você não está feliz? Não era lá que você queria estudar?
–É sim, eu sempre quis estudar lá.
–Mas por que parece que eu estou mais animado do que você?
–Porque... essa universidade fica do outro lado do país Patrick. E daqui a alguns meses eu terei que me mudar para lá é... vou ter que deixar você.-Deixei algumas lágrimas escaparem.
–O que?! Você vai embora? Foi isso que eu escutei?-Falou um pouco alterado.-A quanto tempo você recebeu essa carta?
–A três semanas.-Respondi com a cabeça baixa mais ainda sem deixar de falar firme.
–Três semanas? Você sabia que ia embora a trêz semanas, não teve coragem de me contar... e pior ainda, nos fez alimentar essa paixão que se acaba assim? Por que isso Kat?-Diz chorando. Essa era a primeira vez que o via chorar.
–Eu não queria que isso estivesse acontecendo tá bom!-Eu disse em um berro.-Eu quero muito ir, mas não quero deixar você. Eu te amo Patrick!-E por puro impulso digo as palavras que achei não diria tão cedo em minha vida. Não sei se isso foi precipitado ou até mesmo desnecessário, mas era algo que foi preciso ser dito. Essas palavras precisavam ser libertas da prisão que por muito tempo foi o meu coração. Quando percebi os meus lábios estavam colados nos dele formando um beijo forte e cheio de desejo, que apenas foi cortado quando ouve a terrível necessidade de ar. Mas quando eu pensei que aquela conversa terminaria por ali ele fiz ficar melhor, e me respondeu um:
–Eu também te amo Kat.-Fala em meio a um sorriso no rosto.-Passamos todo aquele tempo em que estavamos juntos procurando uma forma de de continuarmos a nossa relação mesmo com esse obstáculo que havia entre nós. Por alguns momentos eu cogitei a ideia de deixar essa faculdade e tentar em uma local, mas Patrick logo a tirou da minha cabeça dizendo que nunca seria capaz de me fazer largar meu futuro por causa dele. No inicio o ponto principal desta universidade para mim era ela ser distante daqui, porque assim eu ficaria longe das loucuras do meu pai e das perturbações de Bianca. Mas de uns dias pra cá tudo mudou, e as coisas que eram importantes para mim foram trocadas de lugar com as que eu mais queria me ver longe, meu pai, minha irmã e meu namorado.
–Eu posso me mudar para lá com você. E então arranjo um emprego e...-Ele começa a falar mas corto a sua fala.
–Não Patrick! Você não precisa se mudar por minha causa. Você nem sabe em qual faculdade vai entrar ainda. É o nosso futuro que está em jogo e o que eu menos quero é atrapalhar o seu.
–Fala sério Kat você acha mesmo que eu irei fazer faculdade?-Sorri com ironia.-Eu mal frequento o colégio, e nem sei o que quero da vida, só sei que quero você. É você quem eu quero.-Cada vez que falava desta forma olhando eu meus olhos me dava um imensa vontade de chorar. Não quero ficar longe dele, não consigo me imaginar vivendo sem ouvir sua voz ou ver o seu sorriso encantador, mas como tudo na vida esse momento exigia um sacrifício, e um enorme sacrifício.
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