10 Coisas Que Eu Odeio Em Você

7 Odeio o modo como fala comigo.


Depois de seis anos a vida de Kat se encontrava praticamente perfeita, se tornou uma médica bem sucedida e trabalhava na ala pediátrica de um hospital. Voltou a morar em Seattle e visitava o seu pai, já aposentado, quase todos os finais de semana junto com Bianca, que morava com Cameron após terem noivado.
Enquanto estudava em Sarah Lawrence, Kat teve um curto relacionamento com Victor, que não deu certo pelo simples fato dela sempre encherga-lo como um amigo. Atualmente Victor era administrador da Universidade, nada mais justo para quem sempre demonstrou tamanha competência. Samantha conseguiu construir uma carreira como artista plástica, e morava na Alemanha com seu novo marido e mensalmente mandava quadros para Kat. Ambos sempre mantinham contato.
Já Patrick conseguiu ter a mais brilhante carreira de advocacia que alguém podia imaginar. Tinha um exemplar escritório onde prestava seus serviços além de trabalhar como de defensor público para o estado.
Marcina trabalhava como sua secretaria, e esse foi o melhor emprego que conseguiu arranjar após repetir duas vezes na Universidade e nunca chegou a se formar.

P.O.V Kat

–Sua garotinha está ótima, foi apenas uma gripe mesmo.-Digo tranquilizando uma mãe enquanto terminava de examinar a garotinha loira sentada na maca.-Vou apenas passar algumas vitaminas e vai normalizar.

–Doutora Stratford, seu turno já acabou a meia hora, deve estar morta de cansaço.-Louise, a enfermeira, me alerta pela segunda vez.

–Ok, já estou indo. Dessa vez eu vou. Estou só passando uma receita e... prontinho.-Termino de escrever no receituário e o entrego para a mãe a minha frente.-Prontinho Louise, agora sim vou bater o meu ponto. Até amanhã.-Aceno para ela e caminho corredor abaixo até minha sala para tirar o jaleco e buscar minhas coisas.
Peguei minha bolsa e fui para o estacionamento do hospital, quando finalmente sento no banco aproveito para relaxar um pouco. Nossa... eu realmente estava morta de cansaço, mas as vezes quando fazemos as coisas com prazer mal percebemos, então era algo que acontecia diariamente comigo.
Respirei fundo tomando coragem para não me deixar dormir ali mesmo então dou partida no carro para finalmente ir para casa.
O fluxo da madrugada de Seattle costumava ser bem tranquilo, mas hoje para a minha falta de sorte foi diferente, havia um engarrafamento bem na minha frente, os meus olhos piscavam bastante pedindo descanso e isso estava me deixando atordoada, tão atordoada a ponto de me fazer bater o meu carro.

–Sua imprudente! Louca! Olha o que você fez!-Uma mulher enfurecida desce do seu automóvel e vem até mim.

–Me desculpe senhora! É que eu sou médica e acabei de sair de um plantão e...

–Eu realmente não quero saber, só quero que você concerte este estrago que você fez!

–Desculpe mas eu não posso fazer nada agora.

–Ah é? Então o meu advogado vai fazer questão de lhe ajudar.-A moça exigiu o meu telefone e meu nome anotado em um papel, mas no meio da confusão nem o meu sobrenome eu coloquei. Fui informada de que seu advogado me procuraria ainda hoje, e que negociaria algo a respeito do concerto do automóvel. Nunca tinha vivido uma situação daquela, mas a uma primeira vez para tudo certo?

P.O.V Patrick

Era cerca das cinco da manhã e eu já estava acordado. Acordar cedo foi a forma que eu encontrei de passar a manhã de forma mais tranquila e sossegada, tomar um banho longo e relaxante, fazer um café da manhã caprichado e dar uma olhada nos emails pessoais, coisas que não podiam ser executadas com a minha falta de tempo no resto do dia.
Eu já tinha tomado banho e estava de toalha na cozinha comendo algumas torradas e bebericando um café enquanto dava uma olhada nos emails em meu notebook, mas um em particular me chamou atenção, e era do Colégio Pádua, onde eu havia concluído o ensino médio. Mas quando eu estava prestes a clicar para abrir a mensagem meu celular começou a tocar.

–Patrick Verona falando.

–Doutor Verona, aqui é Cynthia Jones.

–Ah, olá senhora Jones, aconteceu alguma coisa? Algum problema com seu ex marido?

–Não, com meu ex marido está tudo bem, ele está pagando a pensão corretamente, eu queria mesmo era falar sobre um acidente que sofri hoje cedo. Uma imprudente bateu em meu carro e quase destruiu minha traseira e eu não vou tirar um centavo do meu bolso para concertar o estrago que ela fez!

–E você conseguiu anotar a placa do carro dela?

–Eu a fiz me dar o seu nome e telefone.

–Perfeito, pode me passar as informações?-Enquanto ela ditava o nome e o número eu os ia repassando para um papel a minha frente, e esse seria mais um caso para eu resolver hoje.

–Bom dia, bom dia, bom dia patrão!-Marcina entra na minha casa com a chave dela para iniciar a formação da agenda de hoje.

–Bom dia Marcina.

–Que isso Patrick, está de toalha ainda? Vai trocar de roupa que o que você tem ai eu não curto não.-Diz me fazendo rir.

–Deixa eu só dar uma olhada nesse email aqui...-Finalmente clico no ícone o abrindo e passando meus olhos rapidamente pelas letras absorvendo a informação.

–O que tem ai? Mais um processo?

–Não, pior, encontro de turma do Colégio Pádua.

–Ah não acredito, é uma daquelas reuniões para ver quem ficou gorda ou quem ficou careca ou quem ficou rico?

–Acho que sim, nunca participei de uma.

–E você vai?

–Claro que vou. Aliás anota aí na minha agenda que daqui a oito dias terei esse compromisso.-Ela rapidamente tira uma agenda e uma caneta da sua bolsa e começa a escrever.

–Posso tirar folga nesse dia?

–Pode sim Marcina. Vai ter o dia inteirinho para passar com sua namorada.

–Ainda bem, ela já estava reclamando da minha falta de presença você sabe onde.-Fala com uma cara maliciosa.-Aliás patrãozinho nunca mais saiu com ninguém... e aquela moça que eu arranjei pra você?

–A Lucy? Ela fala demais, meu Deus... não consegui ficar nem dez minutos com aquela mulher.

–Fala sério Patrick você sempre arranjar uma desculpa. Mas quer saber uma verdade, o seu coração já tem dona e a muito tempo.

–Vou vestir uma roupa.-Mudo de assunto rapidamente e vou para o meu quarto. Marcina tinha total razão, eu ainda amava Kat, a nossa velha foto continuava na minha cabeceira e eu sempre tentava procurar um pouco dela em todas as mulheres que conhecia. Eu me sentia tão estúpido por ama-la ainda, ela podia já estar casada e até ter filhos e eu continuo aqui... esperando por ela mas sem coragem alguma de ao menos ir na sua antiga casa procurar respostas, dar um telefonema e marcar um encontro. Eu era um homem que tinha tudo, menos o que mais desejava.

P.O.V Kat

Cheguei em casa mais exausta do que nunca, ainda nem sei como consegui tomar um banho e trocar de roupa, mas só sei que me joguei na cama e lá fiquei por tempo indeterminado. Só acordei quando ouvi o meu celular tocando, e era Bianca perturbando o meu juízo.

–O que foi Bianca?-Digo com uma voz que denunciava meu recente despertar.

–Acordou agora? São três da tarde Kat e você sai do seu turno de madrugada, se superou em.

–Ligou pra isso foi? Vou voltar a dormir então...

–Kat pega o seu notebook agora!

–O que você...

–Faz o que eu estou dizendo e abra o seu email agora!-Não ouso desobedecer minha irmã mais nova então vou cambaleando até minha bolsa e pego o notebook voltando para a cama tropeçando nas coisas. Ligo o aparelho e sinto meu olhos arderem com a claridade do notebook recém ligado.-Já entrou?-Bianca pergunta com pressa.

–Calma! Estou digitando o endereço.

–Ai como você é lerda Kat.

–Não começa Bianca!-Quando termino a frase o meu email finalmente abre e me deparo com uma mensagem do Colégio Pádua propondo um encontro de ex alunos.-Que droga é essa?-Falo surpresa.

–É exatamente isso que você acabou de ler.

–Eu não vou nisso de jeito nenhum!-Afirmo.

–Ah você vai sim Kat, nem que eu tenha que lhe arrastar até aquele colégio mas você tem que ir comigo! Eu estou louca para ver como aquelas pessoas ficaram! Eu tenho escutado boatos sobre Joey...-Quando Bianca começa a tagarelar o meu celular avisa uma segunda ligação.

–Irmã tenho que atender uma outra chamada aqui. Depois nos falamos.

–Mas antes disso prometa que você irá comigo Kat, prometa!

–Mas Cameron não pode ir?-Reclamo.

–Prometa Kat!

–Ok, ou prometo! Até mais tarde.-Digo cancelando aquela ligação e atendendo a outra.-Alô?

–Senhorita Katherine?

–Sim.

–Aqui quem fala é o advogado da senhorita Cynthia Jones, a mulher a qual sofreu com sua imprudência hoje cedo.-A voz masculina prepotente anuncia do outro lado da linha.

–Olha aqui meu senhor, eu não fui em momento algum imprudente! Eu não estava alcoolizada, e nem sob efeito de nenhum tipo de droga, o que aconteceu foi um deslize por conta de um cansaço pois passei o dia todo e a noite toda trabalhando!

–Isso não prova que o que aconteceu não foi imprudência da sua parte.

–Prepotentezinho.-Penso alto demais.

–Do que a senhora me chamou? Você sabia que isso pode piorar sua situação neste caso?

–Olha só querido por mais que o meu lado emocional queira muito discutir com você para defender o meu orgulho a parte racional de mim pede apenas para você ir direito ao ponto e falar logo de valores. Quanto eu devo pelo estrago que fiz?

–Agora sim está falando a mesma língua que eu.-Reviro os olhos com o comentário e continuo negociando com o advogado prepotente que me atendia.
Demos fim a ligação com muita dificuldade, discutimos um pouco... ok, discutimos muito e mesmo assim os valores nem ficaram definidos. Por um momento senti como se eu já conhecia a voz do outro lado da linha, mas não conseguia me recordar de quem era. A única coisa que eu não queria era que esse caso se prolongasse... só que eu não perdia por esperar.

Notas finais
Se ainda tiver alguém ai comente! Rsrsrsrs